segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Mais Cartilhas, Mais Deslizes - Por Luiz Domingues


Como se não bastasse a polêmica envolvendo a cartilha que o MEC aprovou, onde o ensino do português com erros gramaticais é tolerado sob alegações estapafúrdias, eis que o Ministério nos brinda com mais aberrações.


Ganhou manchetes nos últimos dias a cartilha que o MEC havia aprovado e a presidente Dilma vetou no último estertor, onde se fazia apologia ao homossexualismo e seria destinada às crianças e adolescentes do ensino fundamental.

Que a homofobia deve ser extirpada, não resta dúvida. 

Nenhum cidadão deve ser discriminado pela sua opção sexual. Pessoas sendo violentamente atacadas e humilhadas pelas ruas, por conta de suas opções sexuais, não tem cabimento, na mesma medida de outros tipos de discriminações, tais como raça, classe social, ideologia política , religião e por que não (?), time de futebol. 

E é bom salientar também que a "heterofobia" deve ser combatida na mesma medida.

Vamos partir do princípio de que numa sociedade democrática e plural, todo cidadão tem que ter sua integridade física e psicológica preservada. Isso é ponto pacífico.
 

Agora, daí a lançar uma cartilha oficial, estimulando o homossexualismo como uma bandeira, tem uma grande diferença. E esse foi o erro do MEC ao dar carta branca para que uma ONG de militantes gays produzissem o material, comprometido com essa visão de "causa" que eles tem sobre a homossexualidade.
A pressão exercida por grupos religiosos, notadamente a Igreja Católica e as diversas denominações evangélicas, foi determinante para fazer a presidente Dilma recuar.

Mesmo não compactuando com essa posição dogmática das religiões e seus padrões moralistas medievais, no caso dos católicos e da antiguidade judaica, para os evangélicos, eu me posiciono contra a cartilha por ter esse caráter de apologia e nesse caso, a cartilha não cumpre o seu dever de combater o preconceito, mas faz propaganda de algo que não deve ser institucionalizado como padrão, mas ser meramente optativo e de fórum íntimo.
 

Contudo, o MEC está se esmerando em produzir barbaridades pedagógicas e não parou por aí. Mais uma cartilha absurda foi aprovada e distribuída, desta feita em escolas rurais e certamente por isso, não despertou tanto a atenção da mídia e da opinião pública.



A cartilha em questão se chama: "Coleção escola ativa". 

Trata-se de uma cartilha de matemática, onde curiosos resultados de operações básicas são registrados como corretos, de forma incompreensível para nós pobres mortais cartesianos...
 

Quando simples operações de subtração apresentam esses resultados : 10 -7 = 4 ou 16 - 8 = 6, alguém pode explicar o sentido desse tipo de pedagogia ?
 

Por favor não me venham críticos modernos com aquelas explicações "indies" sobre desconstrução, neo-isso, pós-aquilo, niilismo, fim da lógica e outras baboseiras supostamente avant-garde, pois diante de fatos, não há argumentos e nesse caso, subverter a lógica da aritmética parece mais uma imbecilidade a serviço do retrocesso educacional neste país.



Matéria publicada inicialmente no Blog Planet Polêmica, em 2011.

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