sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Filme: Psych-Out (Busca Alucinada) - Por Luiz Domingues

Logo após o lançamento do filme, “The Trip”, foi inevitável que a mesma trupe de artistas ligados diretamente à contracultura, estivessem mobilizados para empreender novas produções e elas vieram, naturalmente, vide o caso de “Psych Out” e “Easy Rider”. Sobre Easy Rider, a sua resenha específica consta neste livro*, naturalmente. No caso de Psych Out, há uma proximidade em termos de mote e roteiro com “The Trip”, visto que a proposta de “Easy Rider” foi claramente em torno do gênero Motorcycle Movies, portanto, a marcar um diferencial.
 
“Psych Out” foi concebido inicialmente com outro título, que teria sido, “The Love Children” (“O Amor das Crianças”, sob uma tradução livre). Isso revela muita coisa nas entrelinhas, senão vejamos : Talvez por uma questão de ingenuidade, a intenção inicial de seus realizadores, tenha sido enaltecer o movimento hippie como um périplo em torno de suas múltiplas nuances e nesses termos a edulcorada imagem de crianças, no sentido figurado, a evocar uma espécie de pureza de alma em torno dos ideais pacifistas, um dos pilares no bojo das propostas elencadas pelos seus entusiastas, sem dúvida. 
No entanto, alguém deve ter ponderado que o título seria vago e certamente ganharia uma outra conotação, a desviar completamente a atenção do público, em relação à proposta do filme e assim, foi falado até que tal título poderia sugerir tratar-se de uma história sobre crianças bastardas e abandonadas. Foi então que sugeriu-se um título mais incisivo e dessa maneira, “Psych Out”, algo intraduzível formalmente, mas a denotar ser algo como: “psico para fora”, e “psico”, no caso, como uma corruptela da palavra psicodélico, pode ser compreendido como uma ideia a designar a loucura psicodélica estimulada pelo uso de drogas alucinógenas, para fora, no sentido externo de transferir tal estado alterado de percepção, algo iminentemente interno e psíquico em princípio, para ser vivido no cotidiano da vida material comum. 
Especulação pura de minha parte, não estou a afirmar ter sido essa a intenção declarada da produção desse filme, mesmo por que, há uma versão a explicar que teria sido uma alusão ao filme “Psycho” de Alfred Hitchcock, com a intenção de sugerir algo impactante. Entretanto, o indício dessa aspiração enquanto mensagem subliminar usada pelo filme para atingir a opinião pública, foi forte.
 
Bem, a história criada versa sobre mote, que se revestido por outros elementos, sem mencionar nada contracultural, passaria tranquilamente como uma história policial comum, com uma dose de drama e romance nas entrelinhas. Não é portanto uma história revolucionária, longe disso, no entanto, por ter sido levado a cabo em um ambiente a envolver hippies que vivem de forma comunitária e em seu bojo, trazer inúmeros signos inerentes de suas propostas em termos de escolhas culturais, é claro que ganhou um contorno todo especial. Falo sobre o enredo, a seguir.
Jenny Davis (interpretada por Susan Strasberg), é uma jovem surda, que se comunica com dificuldade, mas entende a leitura labial das outras pessoas. Ela está à procura de seu irmão que desaparecera e mediante uma enigmática pista que obtém a conter os dizeres: “God is alive and well, and living in a sugar cube” (“Deus está vivo e bem, a viver em um cubo de açúcar”). Nesse instante, é muito bonita a sequência de cenas, que mostram Jenny ainda a bordo de um ônibus a passear por San Francisco e mostrar-se feliz em ver a movimentação hippie ao seu redor. 
Ela recebe uma flor ainda ainda a bordo, pela janela do ônibus, vê músicos de rua a tocar, trupes de teatro a improvisar sketches na calçada, artistas plásticos a pintar e muitas pessoas, incluso crianças, a dançar. Mais que isso, vê fachadas de lojas e carros pintadas com fortes cores psicodélicas, cartazes de shows de Rock e exemplares da revista "Oracle" a circular na mão de várias pessoas.
Em meio à psicodélica San Francisco, Califórnia, a cidade que foi o epicentro do movimento hippie na América do Norte, ela mostra-se bem surpresa com a quantidade de hippies a circular pelas ruas e logicamente que algumas imagens foram capturadas no famoso distrito de Haight-Ashbury, com a personagem de Jenny a caminhar e ser assediada por diversos hippies pelas ruas. 
Eis que ela entra em uma cafeteria e encontra alguns hippies que formam uma banda de Rock chamada: “Mumblin’ Jim”, que talvez pudessem ajudá-la em sua busca. Esses rapazes são: Elwood (interpretado por Max Julien),; Stoney (interpretado por Jack Nicholson) e Ben (interpretado por Adam Roarke). 
Participa também como uma espécie de groupie que toca pandeiro informalmente com a banda, Lynn (interpretada por Lynda Gaye Scott, esta atriz aliás, por sinal muito bonita, participou bastante de seriados de TV na época e muitas vezes a interpretar papéis a evocar personagens jovens e comprometidos com o movimento hippie. Lembro-me dela em episódios de “Batman” e “Lost in Space”, nesse sentido, por exemplo, que eu assisti na época), além de Tommy Flanders (como Wesley). 
Há mais duas personagens envolvidas com tal banda fictícia, a registrar-se: Dave (interpretado por Dean Stockwell), que é apresentado como ex-membro do grupo, e agora mostra-se como um sujeito contemplativo, porém que revela-se dispersivo por conta do seus abusos em termos de ingestão de substâncias alucinógenas. 
E outra figura bastante influenciada pelos efeitos de tais substâncias, na figura de Warren (interpretado por Henry Jaglow), que apesar da apatia gerada pelas drogas, é um criativo desenhista e ilustrador, que cria os cartazes com motivações psicodélicas para anunciar os shows de tal banda (certamente inspirado na figuras de ilustradores reais que muito brilharam com tal tipo de arte nesta época, entre os quais: Rick Griffin, Wes Wilson, Victor Moscoso, Stanley Mouse, Robert Crumb, Alton Kelley etc). 
Detetives estão no encalço de Jenny, mas os hippies afeiçoaram-se à ela e a protegem. Então, Jenny reconhece uma obra na galeria de arte, que teria sido feita pelo seu irmão e os hippies dizem conhecer o autor dessa peça, que seria conhecido como: “The Seeker” (“o buscador”, na tradução livre, na figura de Steve Davis, interpretado por Bruce Dern e de fato, o irmão de Jenny na ficção), este é reconhecido como um hippie que enveredara por um caminho religioso e que desde então, tornara-se uma pessoa reclusa. 
Nesse ínterim, Dave demonstra ter uma ideia de onde, esse “The Seeker” encontra-se e então, os hippies saem com Jenny em seu típico furgão todo pintado com motivações psicodélicas em direção a um ferro velho, onde um carro antigo ali jogado também, em meio às carcaças de dezenas de bólidos, possui uma inscrição na sua lataria com os dizeres: “sugar cube”, a sugerir que seria onde o enigmático, “The Seeker”, estaria a habitar, de uma forma improvisada.
Todavia, uma surpresa desagradável ocorre, pois uma gangue está ali à espreita, pois desejam capturar, “The Seeker”, motivados pelo ódio que nutrem contra os hippies e neste caso, eles estão revoltados com as pregações que o tal “The Seeker” estaria a fazer pelas ruas, em meio, aos seus delírios religiosos ao sentir-se um profeta ou coisa que o valha. Eles são muitos, a mostrar-se como truculentos e bastante desdenhosos, a provocar os hippies. Eis que tudo torna-se dramático quando os bandidos cercam Jenny e esboçam a intenção de estuprá-la. 
Jack e Adam enfrentam os marginais e é uma cena bastante inverossímil, pois esboçam estar a vencê-los, apesar da total desvantagem não apenas numérica em relação aos seus algozes, mas sobretudo por tais meliantes denotar ser brigões contumazes, acostumados a provocar confusões pelas ruas, pelo prazer mórbido em praticar a violência e propagar o ódio. Algo ainda mais bizarro ocorre, pois quando finalmente os hippies estão a levar a pior na batalha, Elwood, que estava alheio à confusão (pois este estava completamente alucinado em meio a uma viagem de ácido), entra em um delírio, onde ao achar uma barra de ferro nos escombros, imagina ser tal peça uma lança, e ao enxergar-se como um cavaleiro medieval heroico, ele entra na luta e abate todos os oponentes, para salvar os seus amigos, incluso, Jenny.
Aos poucos, Jenny passa a empolgar-se com o modo de vida dos hippies e une a eles, ao passar a morar na comunidade e interagir em tudo o que fazem. 
Eis que em uma noite, “The Seeker” invade o espaço comunitário dos hippies, onde há também uma galeria de arte e tenta resgatar uma escultura que teria sido manufaturada por ele, ao alegar que essa peça teria um valor espiritual diferenciado e não deveria permanecer ali. Segundo o que acreditava, “Deus” teria dado ordens a ele para que aquela obra fosse preservada e a aproveitar o ensejo, ele afirma que já sabia que a sua irmã o procurava, mas como encontrava-se drogado naquele instante, preferia falar com ela em outro momento, a estar sóbrio. 
 
É revelado o motivo pelo qual Jenny ficara surda, pois seria um trauma adquirido na infância, quando a sua mãe queimara os seus brinquedos, ou seja, uma particularidade desnecessária anotada pelo roteiro, para justificar as cenas subsequentes a envolver Jenny e seu irmão, Steve, mas eu insisto, creio que não precisava inserir tal explicação na história.
Acontece um show da banda, Mumblin’ Jim, e em conjunto com uma banda verdadeira a tratar-se da Strawberry Alarm Clock, uma ótima banda psicodélica por sinal, e o irmão de Jenny, Steve, ou melhor, “The Seeker”, aparece no local, com o intuito de rever a sua irmã, mas os meliantes do ferro velho estão a cercar o ambiente e ele sai em fuga desesperada para não ser linchado por esses marginais. 
Jenny não percebe em princípio tal movimentação e está mais preocupada em sentir ciúmes de Stoney, com quem envolvera-se e nesse ínterim, com raiva, toma um copo de suco que sabia estar preparado com uma forte dose de “STP”, um tipo de droga feita com anfetamina, muito popular na década de sessenta, e alucinógena, embora com um grau mais ameno que o LSD, em tese. 
Dave entrega-lhe então um bilhete deixado pelo seu irmão, onde está escrito: “God is in the Flame” (“Deus está em chamas”), e ela sai em disparada atrás de seu irmão, mesmo por que, o efeito da dose maciça de STP que ingerira, estava a fazer efeito, e sem que ela notasse, desacostumada com tal hábito, naturalmente. Ela chega em uma espécie de santuário e percebe que os perseguidores de seu irmão, cercaram-no. Ele então ateia fogo ao local e na tentativa em salvá-lo, Jenny entra em uma alucinação, onde cai em abismos; é perseguida por bolas de fogo e em dado instante, desespera-se ao notar que o seu irmão não esboça nenhuma reação para tentar salvar-se do incêndio e pelo contrário, apenas demonstra estar absorto em uma espécie de oração. 
 
Jenny passa a ser atacada por bolas de fogo e que aos poucos é revelado ao espectador que seriam na verdade luzes provenientes de faróis de automóveis e assim, na realidade, ela está entre as pistas da ponte Golden Gate e a correr risco de vida, pois os carros passam perigosamente pelo seu corpo. Dave e Stoney aparecem para tentar resgatá-la e na iminência de um atropelamento, Dave joga-se para empurrá-la da direção de um caminhão e consegue tirá-la do perigo, mas é atingido em cheio. Ferido mortalmente, Dave apenas balbucia: -“Espero que tenha sido uma boa viagem”, ao deixar dúbia a intenção final com tal frase a significar muitas coisas. Uma cena a conter um funeral, encerra o filme.
Enfim, como eu disse logo no início desta resenha, o roteiro mostrou-se montado em torno de uma história tradicional, cabível em qualquer filme banal a envolver dramas sociais e crimes, como uma base primordial e toda a questão contracultural amoldou-se em tal esqueleto, talvez como um esforço para que o filme não fosse considerado completamente fora dos padrões comerciais. E se analisado pela história em si que, é bem fraca, pela inconsistência em torno de traumas adquiridos por motivos tão triviais (uma mãe autoritária que queimava as bonecas da filha, ao ponto da menina somatizar tal frustração em contrair a surdez), e tudo isso culminar em chamas novamente (mediante a sugestão do fanatismo religioso de seu irmão, potencializado pela alucinação advinda por conta das drogas alucinógenas). Em suma, é nos detalhes fora do mote principal que este filme tem os seus méritos. 
O primeiro ponto óbvio, é mostrar a euforia contracultural advinda pela explosão do movimento hippie e nesse aspecto, as cenas externas, mesmo que circunscritas aos meandros dramatúrgicos e não cem por cento espontâneas, mostram pelas beiradas a euforia real que havia nas ruas. Traços inerentes vem no conjunto, vide a presença das pinturas e ilustrações contidas nos cartazes que são mostrados quando sugere-se as movimentações em torno da banda fictícia, Mumblin’ Jim e também da galeria de arte mantida pelos hippies. É claro, a música tem uma porção farta, não somente por conta das personagens formar uma banda de Rock, mas pela aparição de bandas verdadeiras, casos do The Seeds e do Strawberry Alarm Clock.
Cabe dizer que a cena em que o The Seeds aparece a tocar, ocorre em meio a uma performance perpetrada pelos hippies que gravitam nessa comunidade comandada pelas personagens principais do filme e a configurar-se em uma encenação teatral realizada ao ar livre, quando estes simulam o enterro do conceito da morte. Em tal simbologia, a ideia é mostrar que a morte não é o fim da vida, mas o amor e a não-violência é o que os mantém vivos, ou seja, uma essência muito interessante dos ideais do movimento.
No caso da participação da banda, “Strawberry Alarm Clock”, trata-se então do show em que o Mumblin’ Jim também participa e em dado instante, dá-se a entender que ambas tocam juntas, como se fosse uma jam. Somente pela inserção de sua música espetacular, “Incense & Peppermints”, já teria sido notável, contar com o Strawberry Alarm Clock, é preciso dizer. Psicodelia pura, traz um élan muito rico ao filme.
 
Por falar em expressões psicodélicas, é claro que nas cenas a envolver o embalo psicodélico sonoro, as cores em profusão são magníficas, com distorções e filtros a buscar ao máximo o efeito desejado. Hippies & freaks multicoloridos a dançar freneticamente e com direito a muitas garotas seminuas a exibir em seus corpos, pinturas psicodélicas louquíssimas, são mostradas sem parcimônia.
Sobre a banda fictícia, no entanto, fica a ressalva de que mesmo a se tratar de um grupo composto por atores muito talentosos e todos entusiastas da causa, a encenação deixa muito a desejar. É nítido que não houve um esmero da parte deles próprios, atores (com a possível exceção de um deles e ao final eu esclareço parcialmente essa questão), e tampouco da direção em apresentar-se  algo mais fidedigno. São inúmeros os exemplos  de Rock Movies, antes e depois de Psych-Out ter sido lançado, onde atores que não eram músicos na vida real, empreenderam um bom laboratório, para ao menos aprender a segurar um instrumento musical com maior fidedignidade, e neste caso, ao ver-se  a fictícia banda: "Mumblin' Jim" a atuar, fica a nítida impressão de que os envolvidos confiaram demais na hipótese de que esse detalhe não seria importante, pois ao assistir-se o filme hoje em dia (2019), essa fragilidade  fica muito ex posta.
Um outro detalhe que é muito curioso, a banda que forneceu o som do Mumblin' Jim foi o "Storybook", que simplesmente nem aparece nos créditos do filme e um dos números usados , é um simulacro estranhíssimo da canção, "Purple Haze" de Jimi Hendrix. Talvez a vontade da produção tenha sido usar a canção do Hendrix, mas por algum impedimento legal, optou-se por encomendar uma canção que não chega a ser um plágio, mas que imita grosseiramente essa música e causa uma estranheza muito grande. Tornou-se engraçado ouvir essa exótica peça que lembra, "Purple Haze", mas simplesmente não é a canção de Jimi Hendrix. Tal simulação recebe o nome de "Ashbury Wednesday", aliás e neste caso, a frase proferida deveria ter sido: "Scuse me while "I'm piss you off", ao invés de "Scuse-me while I'm Kiss the Sky" ("desculpe-me enquanto eu o irrito", ao invés do que contém a letra da canção de Hendrix, "desculpe-me enquanto eu  beijo o céu").
Há também os aspectos negativos a criticar o movimento hippie, em torno de particularidades que envolvem a má conduta individual das pessoas ao confundir o conceito da liberdade com a libertinagem, ou mesmo a exacerbar sentimentos mesquinhos e que destoam do espírito fraternal expresso  pelos ideais. Ora, é óbvio que o lado humano e imperfeito fez-se valer, como ocorre em qualquer grupamento humano e sob qualquer circunstância e nessa prerrogativa, nem todo mundo observa uma disciplina espartana para manter-se impoluto. 
 
No caso do movimento hippie, então, onde a liberdade era propagada como o seu pilar principal, foi natural que muitos, para não dizer a maioria , extrapolassem. Bem, é através dos olhos e da percepção do personagem de Jenny, que tais anomalias são questionadas, e não é apenas pelo viés óbvio em torno do abuso na utilização das drogas  da parte de muitos. Essa questão ocorre, logicamente (vide a alucinação da parte do ilustrador que ataca as pessoas com uma motoserra, pois em sua alucinação, as enxergava como zumbis agressores a cercá-lo), mas também pelo aspecto do sexo livre, no sentido da ausência completa de preocupação em se estabelecer elos tradicionais nas relações, em termos emocionais. 
Essa nova perspectiva em torno das relações impessoais, a desafiar os velhos paradigmas em torno das relações amorosas, de fato, não foram bem absorvidas por todos, nem mesmo pelos hippies mais convictos e há relatos nesse sentido a refletir a dificuldade  de muitos em viver a experiência do amor livre, sem nutrir apego e/ou ciúmes e foi justamente o caso de Jenny, que demorou a entregar-se aos anseios de Stoney e rapidamente desapontou-se  quando percebeu que ele não a enxergava como a uma namorada tradicional ao estilo monogâmica, e portanto a quem deveria respeitar com a fidelidade.
 
E mais um aspecto que incomodou Jenny: a euforia hippie observada na comunidade era total, mas ninguém fazia nada para prover a manutenção da casa, ou seja, sem faxina alguma, e com a sujeira a acumular-se, mais aproximava a instalação de uma pocilga para atrair ratos e baratas do que ser um ambiente para se aproveitar os "baratos", com o devido perdão que peço ao leitor, pelo trocadilho infame que usei.
O filme foi lançado então com um certo estardalhaço, a aproveitar a boa onda de filmes a retratar os hippies, que o procedera  bem recentemente. A experiência de "Psych Out" na bilheteria foi boa, ainda no embalo de "The Trip", lançado bem pouco tempo antes e certamente que abriu o caminho para "Easy Rider", que veio logo a seguir, estourasse sob um patamar surpreendente. Creio que mesmo não sendo sequência em termos de história, um do outro, houve outrossim, uma sedimentação em termos de expectativas geradas perante o público com essas três obras citadas. No caso da crítica que angariou, houve uma recepção até respeitosa, no sentido de enaltecer-se o fato da direção ter mostrado aspectos positivos e negativos, do que ocorria nas ruas e nesse mosaico, a mostrar tais sentimentos genuínos da parte dos jovens de então, foi algo a ser ressaltado.
Outros atores que eu não citei ao longo da resenha: LJ Jefferson, também conhecida como "Mimu Machu" (como "Pandora"), John Cardos (como "Thug"), Bob Kelljan (como "Arthur"), Ken  Scott (como o sacerdote) e outros. Tommy Flanders, que interpretou o personagem, Wesley, o baixista do Mumblin' Jim, provavelmente foi o vocalista do grupo, "Blues Project", e que também teve uma carreira solo, na vida real. Não há a confirmação absoluta sobre tal informação no crédito do filme, portanto, fica a ressalva de que eu tenho apenas a desconfiança de ter sido a mesma pessoa, pois ele de fato era ator, também.
 
Escrito por Betty Tusher, E. Hunter e Betty Ullius. Produzido por Dick Clark e Norman T. Herman. Dirigido por Richard Rush. Foi lançado em amarço de 1968. Há a informação extraoficial de que os atores, Dean Stockwell e Jack Nicholson influíram na produção, embora não haja tal crédito oficial na ficha técnica do filme.
Por conta de ser um filme a conter cenas com pessoas a usar drogas e praticar sexo, é evidente que na TV, a exibição recebeu cortes e recomendação para ser exibido em horários bem avançados da noite e madrugada tão somente. Geralmente é relacionado em mostras sobre filmes psicodélicos e contraculturais a abordar os anos sessenta, em canais de TV a cabo. Quando saiu em versão VHS, a sua edição continha uma metragem menor, mas bem recentemente, cerca de 2015, sob uma edição em Full HD/Blu-Ray, foi observada uma versão mais completa, a privilegiar a edição completa, sugerida pelo seu diretor. Na internet, é encontrado sem problemas em vários portais, inclusive no mais popular de todos, o YouTube, inclusive com essa cópia em Blu-Ray, à disposição, a exibir um padrão de qualidade impressionante no tocante à imagem e áudio.
 
*A me referir ao livro: "Luz; Câmera & Rock'n' Roll", lançado no ano de 2020.
 
Esta resenha foi elaborada para fazer parte do livro: "Luz; Câmera & Rock'n' Roll, através do seu volume III, com a leitura disponibilizada a partir da página 463.