quinta-feira, 30 de abril de 2026

Livro: "O Plástico Retangular Amarelo"/Paulo Sá - Por Luiz Domingues

Paulo Sá é um grande compositor e instrumentista, com relevante destaque no meio musical paulistano e brasileiro. Ele mantém há anos a banda “Confraria Fusa” a se apresentar, tendo o CD “De Suma Importância” devidamente lançado na praça. Musicalmente a falar, as suas influências são em torno do Rock, Blues e Jazz, a grosso modo, mas certamente a abranger outros estilos no bojo, eclético que o é.

Eu já tive o prazer de escrever uma resenha sobre o CD que citei acima e basta acionar o link abaixo para ser direcionado a esse texto.

https://luiz-domingues.blogspot.com/2021/08/cd-de-suma-importanciaconfraria-fusa.html

                               O escritor e músico, Paulo Sá

Mas ele é também um ativista cultural da pesada ao manter um belo site de cultura, denominado: “Palavras & Sons” e que trata de música, literatura, cinema e outras formas de arte, com bastante profundidade. Eu já tive o prazer de colaborar com esse site tão formidável, por muitas vezes, ao apresentar muitas resenhas sobre filmes clássicos dos primórdios do século XX, inclusive.

Para acessar o site “Palavras & Sons, use o link abaixo:

https://paulosanet.com.br/

E sim, Paulo Sá tem mais uma faceta artística admirável a ser enaltecida, como escritor. Influenciado por muitas escolas literárias, ele também se mostra eclético nas letras, e assim, ante uma força criativa bastante admirável, nos mostra uma das suas facetas na literatura ao lançar o seu romance, “O Plástico Retangular Amarelo”, uma bela obra a conter diversos elementos amalgamados, portanto a se mostrar diversificada sob muitos aspectos.

Em primeiro lugar, a questão da ambientação urbana é fascinante nessa obra e principalmente para quem mora em uma metrópole, especificamente em São Paulo, haverá de se encantar com as referências que são distribuídas fartamente ao longo da narrativa. Não é fácil para um escritor usar tal recurso de usar o ambiente como um elemento vivo da história, sem cometer excessos e nesse caso, fiquei bastante impressionado como Paulo Sá não apenas utilizou a cidade com bastante ênfase, mas a estabelecer uma fluidez na medida certa, a tornar tal prerrogativa substancial, e ao mesmo tempo, a manter-se longe dos clichês inerentes da parte de outros autores que geralmente abusam nesse mesmo sentido.

Um segundo ponto que me chamou a atenção é que o elemento da literatura (e do cinema, igualmente), clássico em torno do estilo “noir” está mais do que presente na obra, pois, sim, se trata de um romance policial, mas os clichês típicos não são apresentados de uma maneira acintosa. Eu sei que muitos autores desse estilo usam tais elementos até como forma de homenagem charmosa ao estilo, a evocar as imagens soturnas de detetives a usar jaquetas de gabardine, escritórios decadentes do centro velho da cidade e enfumaçados pelo uso ostensivo do hábito tabagista para evocar os anos quarenta do século passado, “femmes fatales” irresistíveis e extremamente perigosas no convívio e tudo mais, e particularmente, eu adoro essa atmosfera clichê em torno de histórias intrincadas e destrinchadas por detetives particulares astutos, mas Paulo Sá não enveredou por essa tentação tão lógica e assim, escreveu de uma forma sutil, na qual quem gosta de literatura “noir”, vai identificar estar dentro do estilo, porém, a usar uma construção narrativa diferenciada.

Mesmo porque, a história é tratada no tempo contemporâneo e assim, por estar dentro de uma realidade similar à que vivemos na atualidade, a atmosfera tem essa característica diferente de forma natural.

Outro ponto positivo se dá na estrutura da história, mediante o seu arco e apresentação das personagens. Ao mostrar o personagem central da trama não como um detetive, mas como um jovem jornalista que chega ao âmago do caso em questão, tal personagem se mostra inexperiente na profissão, tampouco devidamente vocacionado para trabalhar especificamente nessa editoria de um jornal de massa, e assim, o autor mostrou também os meandros do jornalismo clássico impresso, no qual essa perspectiva é real, ou seja, jovens recém-formados são geralmente destacados para trabalhar com editorias das quais não mantém nenhuma afinidade pessoal, e assim, a história do personagem Victor, é bem fidedigna ao que ocorre dentro das redações dos jornalões tradicionais e ao mesmo tempo, o autor aproveitou esse enfoque para realçar a surpresa que o jovem repórter teve ao se deparar com um crime hediondo e nesse caso, a estupefação que ele sente, é a do próprio leitor que se identifica com tal percepção do rapaz, que também, não estava acostumado a lidar com uma questão tão barra pesada.

Nesse aspecto, tal narrativa mostra uma influência interessante de Paulo Sá, a unir as crônicas de Rubem Fonseca, com os contos e sobretudo a dramaturgia densa de Plínio Marcos e posso acrescentar nessa receita, a urbanidade rude de Marcos Rey. Portanto, há uma dose subliminar de “mundo cão” para garantir a densidade dramática.

O tema é pesado, eu sei, mas a leitura prende o leitor, ao ponto de que assim que começa a ler, se mostre ansioso para ir até o fim e assim conhecer o desfecho, portanto, o autor logrou pleno êxito na sua empreitada.  

Um outro fator bastante interessante que eu notei, se dá no uso de diversas camadas que são apresentadas para que o leitor mergulhe no âmago da história, ou seja, o autor apresenta núcleos com personagens aparentemente dispares entre si, que ajudam a compor um mosaico rico que o faz ter várias pistas sobre as motivações em si, para que o crime em questão fosse sacramentado.  

A sua prosódia é excelente, o livro é muito bem escrito, os arcos são bem concatenados e mesmo quando a história fica mais pesada, o assunto é tratado com cuidado, pois a ideia não é chocar, buscar o sensacionalismo, mas sim, tratar do tema policial pelo prisma da realidade crua pela qual a vivemos nos grandes centros urbanos.

Sem cometer “spoilers”, no entanto, a dar uma breve sinopse ao leitor desta resenha, esclareço que o livro trata da história de Victor, que como eu já disse anteriormente, é um jovem jornalista recém-formado nessa profissão e a deter dupla graduação, pois, também é especializado em Comércio Exterior e sendo assim, ele sonha escrever sobre o assunto em algum órgão de imprensa de primeira grandeza.

Mas a realidade é outra e através de um amigo, fica a saber que existe uma vaga em um jornal de grande porte (o fictício, “Folha Matinal”), mas para cobrir o caderno “cidades” para tratar do cotidiano da grande cidade e mais especificamente, das páginas policiais.

Sem meios para escolher outra editoria mais confortável e a precisar muito do emprego, ele aceita o cargo, e assim, logo no primeiro caso que vai cobrir, se depara com algo escabroso, que ao longo da história vai sendo revelado ao leitor. Paro por aqui, quero que o leitor tome contato com a obra e descubra por si só. 

O único “spoiler” que eu posso fornecer, nem é algo tão crucial que tire a surpresa contida através da leitura em si, mas posso dizer que o título do livro é uma sutil referência ao universo da investigação policial. Portanto, foi uma ideia que reputo ter sido genial da parte do autor.  

Sobre a produção da obra, propriamente dita, achei a capa e contracapa, muito criativa. A conter uma enigmática referência ao tema central da história, porém, com muita elegância. Tons de amarelo e preto predominam a compor uma agradável simetria visual.

Sobre a diagramação e projeto gráfico como um todo, também gostei muito da sua agradável resolução.

Paulo Sá é autor igualmente dos livros: “O Prisioneiro do Vidro”, a retratar uma jornada impressionante em torno da síndrome do pânico e “Cordões de Celofane”, um livro de poemas. As suas obras podem ser adquiridas pela Amazon e Kindle. Ele também já participou de publicações em coletâneas com outros autores, com poesias e contos.

Ficha técnica:

O Plástico Retangular Amarelo

Autor: Paulo Sá

Projeto gráfico, diagramação e capa: Elaine Aparecida de Oliveira

Segunda orelha assinada pela mentora literária e escritora, Juliana Franck

Revisão gramatical e ortográfica: Mag Reim

Um lançamento da Elo3 Design Editorial


Para conhecer melhor o trabalho literário e também musical de Paulo Sá, encontre-o nas seguintes plataformas: 

 

Facebook:

https://www.facebook.com/paulosa20/

 

Site Palavras & Sons:

https://paulosanet.com.br/

Canal do YouTube da banda “Confraria Fusa”:

https://www.youtube.com/user/confrariafusaoficial/videos

 

Contato direto com o autor:

entretexto@uol.com.br  

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