Sou músico e escrevo matérias para diversos Blogs. Aqui neste meu primeiro Blog, reúno a minha produção geral e divulgo as minhas atividades musicais. Não escrevo apenas sobre música, é preciso salientar ao leitor, pois abordo diversos assuntos variados. Como músico, iniciei a minha carreira em 1976, e já toquei em diversas bandas. Atualmente, estou a trabalhar com Os Kurandeiros.
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
TBC, Revolução no Teatro Paulista - Por Luiz Domingues
Em 1948, o produtor e empresário, Franco Zampari, fundou o TBC (Teatro Brasileiro de Comédia), no coração do bairro da Bela Vista, o popular, "Bexiga", em São Paulo, capital. Importante marco na história da dramaturgia brasileira, esse teatro paulistano fez história e contou muitas histórias, sobretudo, por muitos anos, através de importantes espetáculos teatrais.
Em seus palcos (eram cinco salas em único prédio, inovador e moderno, para o final dos anos 1940), desfilou centenas de atores que brilharam na dramaturgia nacional e que posteriormente também migraram para estabelecer carreiras no cinema e na TV.
Do sucesso do TBC, surgiu a ideia para criar-se a Companhia cinematográfica Vera Cruz, outro empreendimento de Franco Zampari. Foi durante a noite do dia 11 de outubro de 1948, que o TBC iniciou as suas atividades com uma jornada dupla de teatro. Os espetáculos foram : "A Voz Humana", texto monólogo do diretor de cinema mundialmente famoso, Jean Cocteau e interpretado pela atriz francesa radicada no Brasil, Henriette Morineau; e "A Mulher do Próximo", texto de Abílio Pereira de Almeida, interpretado por Cacilda Becker.
A jornada dupla de teatro foi aclamada pelo público presente e recebeu entusiasmadas críticas da imprensa da época. O auge criativo do TBC deu-se entre 1948 e 1964, quando implantou-se a ideia de uma companhia organizada de teatro, com repertório e fechada no ideal de cooperação total entre diretores; atores & técnicos.
Nos seus anos de ouro, chegou a reunir um elenco invejável de atores, entre os quais : Cacilda Becker; Walmor Chagas; Tonia Carrero; Fernanda Montenegro; Dionísio Azevedo; Cleyde Yáconis; Nydia Lícia; Nathália Timberg; Paulo Autran; Sérgio Cardoso; Ítalo Rossi; Sérgio Britto; Tereza Rachel etc.
Com a mão forte de Franco Zampari, muitos diretores e técnicos europeus foram contratados. Adolfo Celi; Luciano Salce; Ruggero Jacobbi; Ziembinsky; e Gianni Ratto, entre outros diretores que fizeram história no teatro e cinema do Brasil.
Mas nem tudo foi flores e houve a ação de seus detratores. Os opositores reclamavam de um certo conservadorismo na escolha dos textos e pelo excesso de peças estrangeiras encenadas. De tanta pressão, o TBC passou a adotar uma postura mais nacionalista, já a partir da segunda metade dos anos cinquenta, ao encenar textos escritos por autores brasileiros, quase em pé de igualdade com os estrangeiros, em seu repertório. Entrou assim o trabalho de dramaturgos tais como : Dias Gomes; Gianfrancesco Guarnieri (este um italiano de nascimento, mas radicado no Brasil, há muitos anos; Jorge Andrade, e a única prata da casa desde o seu início, Abílio Pereira de Almeida.
O mesmo processo nacionalista foi ofertar chance a uma nova safra de diretores genuinamente brasileiros, com oportunidades a surgir para jovens talentos como : Flávio Rangel e Antunes Filho, por exemplo.
O Teatro passou por períodos de fechamento e reaberturas, mas nunca mais conseguiu suplantar o seu apogeu de seus primeiros anos de atividade, como sede de um grupo ativo e muito unido. Infelizmente fechado neste momento (2012), agora mostra-se apenas como um prédio velho na Rua Major Diogo e muita gente que passa apressadamente em sua calçada, hoje em dia, nem suspeita que outrora tenha sido um grande templo do teatro paulista e brasileiro.
Mas há uma luz no fim do túnel... a Funarte (Fundação Nacional de Artes, vinculada ao Ministério da Cultura), pretende reformar o velho TBC e tramita nos órgãos federais o projeto que moderniza-lo-á.
Das cinco salas antigas, haverá, possivelmente, uma redução para três, ao ampliar a capacidade de cada uma, como uma espécie de compensação. Outorgo o meu voto de confiança, ao esperar que esse projeto saia do papel e concretize-se ao final de 2013, conforme a projeção oficial prometida. Receberei de braços abertos esse resgate do patrimônio cultural de São Paulo.
Matéria publicada inicialmente no Site / Blog Orra Meu e republicada no Blog Pedro da Veiga, ambas em 2012.
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terça-feira, 16 de outubro de 2012
Kim Kehl & Os Kurandeiros - 17/10/2012 - Magnólia Villa Bar
17 de outubro de 2012, Quarta-Feira
A partir das 21:00 h.
Kim Kehl & Os Kurandeiros
Magnólia Villa Bar
Rua Marco Aurélio, 884 - Lapa
São Paulo/SP
Kim Kehl & Os Kurandeiros :
Kim Kehl - Guitarra e Voz
Carlinhos Machado - Bateria e Voz
Renata Martinelli - Voz e percussão
Nelson Ferrareso - Teclados
Luiz Domingues - Baixo
Convidado especial : Alexandre Rioli - Teclados
A partir das 21:00 h.
Kim Kehl & Os Kurandeiros
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domingo, 14 de outubro de 2012
Borges de Barros, Uma Voz que Marcou - Por Luiz Domingues
Desde o advento da televisão no Brasil (inaugurada oficialmente em 18 de setembro de 1950, com a TV Tupi de São Paulo), o papel dos dubladores foi de suma importância. Elogiados por alguns, criticados por outros e ignorados pela maioria, os nossos abnegados dubladores tiveram desde os primórdios, um trabalho notável, ao fornecer inteligibilidade à produção estrangeira de filmes; seriados; documentários; shows; desenhos animados e outras produções em termos de audiovisuais.
Eu incluo-me no rol dos que reconhecem e enaltecem o trabalho desses profissionais. Cresci nos anos 1960, naturalmente impressionado pelos filmes; seriados e desenhos animados estrangeiros que passavam na TV, nessa década e nesse quesito, as vozes desses dubladores apresentou fator decisivamente influenciador para a minha geração.
Entre tantas vozes sensacionais que dublavam diversos personagens, destaco a atuação do ator, Borges de Barros, que além de dublador, foi também um comediante de bastante sucesso na TV e no cinema. Nascido como, Fileto Borges de Barros, em Corumbá, no Mato Grosso do Sul, Borges de Barros, nunca sonhou em ser artista.
Filho de uma família humilde, apenas esforçava-se para ajudar no sustento de seus irmãos, ao trabalhar como guarda-livros e a ser coroinha da paróquia local.
Por uma obra do acaso, ao fazer um trabalho escolar, onde a sua voz destacou-se, foi encaminhado à São Paulo, para fazer um teste de locução na Rádio Difusora. Logo perceberam que ele tinha uma capacidade inacreditável para modular a voz, e a produzir diversos timbres diferenciados. Pois com a chegada da TV e consequente legislação que foi criada ao visar dublar o material estrangeiro a ser veiculado, Borges deslanchou na carreira, para tornar-se rapidamente um dos maiores dubladores do Brasil, ao emprestar a sua voz dotada com timbres múltiplos, a uma enorme gama de filmes de longa-metragem; seriados; desenhos e documentários.
Ao aproveitar a crescente oportunidade surgida dentro do mercado publicitário inerente, Borges também passou a ser muito requisitado para as locuções de comerciais, ou "propagandas", como dizia-se naquela época.
Ainda nos anos 1960, Borges também atuou muito como comediante em programas de TV. O seu personagem do "mendigo aristocrata", era divertidíssimo, onde maltrapilho, fazia citações literárias, falava sobre assuntos culturais em geral e com uma sofisticação verborrágica que contrastava com a sua condição de penúria social, ao torná-lo um personagem incrível, nas gags do programa : "A Praça da Alegria".
Essa caracterização o levou ao cinema, onde atuou em : "Se meu Dólar Falasse" (de 1970), ao lado de Dercy Gonçalves; Zilda Cardoso; Grande Otelo etc. E também atuou em outros filmes nos anos setenta ("Uma Cama para Sete Noivos"; "Simão, o Caolho"; "Regina e o Dragão de Ouro"). Ele teve atuações igualmente em novelas, nas extintas TV Paulista e TV Tupi. Porém, foi como dublador que a sua fama cresceu de fato. Seu apelido no meio era : "O homem das mil vozes". Nas séries de TV, a sua voz ficou marcante em inúmeros trabalhos.
Entre as mais destacadas, cito a voz de Moe Howard, de "The Three Stooges" ("O Três Patetas). Quem nunca ouviu os incríveis impropérios que Moe dirigia aos demais Patetas ? -"Seu Cabeça de Pudim", é um clássico.
Em Batman, a série de 1966, Borges dublava o personagem "Pinguim", interpretado por Burgess Meredith. O seu desempenho nessa dublagem é sensacional, ao emoldurar toda a ironia fina do personagem, um vilão cínico, mediante uma língua afiada.
Mas foi em "Lost in Space" ("Perdidos no Espaço"), que o "seu" Borges esmerou-se. Ao criar aquela voz metálica e sombria para o personagem do Dr. Smith (interpretado por Jonathan Harris), Borges amplificou o personagem de uma maneira avassaladora.
Harris foi um ator excepcional, que já tinha extrapolado os limites dados pelos roteiristas da série, através da sua interpretação (com a anuência do produtor, Irwin Allen, que percebeu o potencial dessa modificação e incentivou Harris a prosseguir nessa caracterização anteriormente não prevista no roteiro), e na versão brasileira, a voz metálica e cavernosa que Borges imprimiu, só realçou todo o maquiavelismo do personagem, ao torná-lo ainda mais sensacional.
Quem foi criança nos anos 1960, sabe do que estou a falar, e todos os xingamentos que o Dr. Smith dirigia ao Robot ou os seus gritinhos e interjeições em momentos de medo ou egoísmo, marcou profundamente a nossa geração.
O sucesso de "Lost in Space" no Brasil foi gigantesco, e Jonathan Harris veio ao nosso país, em uma rara visita de um ator internacional de seriados por aqui, naquela época. Hoje em dia, o Brasil é alvo dos seriados como um dos maiores mercados do mundo, e atores vem à São Paulo, Rio e outras cidades brasileiras, como se estivessem em Los Angeles, para ações de promoção, mas naquela época, foi algo muito exótico para eles (e estratosférico para nós).
Sob um inusitado encontro no programa de Hebe Camargo, então na TV Record de São Paulo, Jonathan Harris foi apresentado ao seu dublador brasileiro, Borges de Barros. Isso ocorreu em 1969. A série já havia acabado nos Estados Unidos, mas ainda exibia os seus últimos episódios decorrentes da sua terceira e derradeira, temporada no Brasil.
Jonathan Harris, mesmo entender uma única palavra em português, percebeu que a dublagem forjara-se de uma forma impressionante e realçara o seu personagem. Pois então ele elogiou Borges de Barros e disse-lhe que fora sem dúvida, a melhor dublagem que ouvira, entre tantas, em meio a línguas estrangeiras para o seu personagem, o Dr. Smith. E de forma inusitada, pediu que o "seu" Borges dublasse toda a sua produção, não só o personagem do Dr. Smith. Dessa forma, diversas outras participações do ator, Jonathan Harris, em outros seriados, foram dublados por Borges de Barros, também.
Além disso, ele também foi o dublador oficial de atores como : Lionel Barrymore; Lee J. Cobb e Edward G. Robinson, em diversos longa-metragens onde esses veteranos atores atuaram, desde os anos trinta.
Entre outras séries de TV em que ele atuou como dublador, a sua voz foi usada também em : "The Time Tunnel" ("O Túnel do Tempo"); "Voyage to the Bottom of the Sea" ("Viagem ao Fundo do Mar"); "Land of the Giants" ("Terra de Gigantes"); Bewitched" ("A Feiticeira"); "Lancer"; Here Comes the Brides" ("E as Noivas Chegaram"); "Jaspion" etc.
Em 2004, eu, Luiz Domingues, o encontrei em uma rua do bairro do Belenzinho, na zona leste de São Paulo. Ele estava visivelmente abatido e eu sabia, por ter lido na imprensa, que ele estava doente.
Foi bem próximo desse cruzamento, entra as ruas Conselheiro Cotegipe e Herval, no bairro do Belém, na zona leste de São Paulo, que eu encontrei e cumprimentei o grande, Borges de Barros, em 2004.
Quando ele passou próximo, eu o cumprimentei de uma forma cordial ao chamá-lo como : "seu" Borges e apertei-lhe a mão. Tive vontade em agradecer-lhe por ter sido responsável por uma das lembranças mais marcantes de minha infância e o quanto aquela voz maquiavélica do Dr. Smith fora importante para a minha imaginação infantil, entre 1966 e 1969.
Contudo, eu relutei... e naquela fração de segundos, a garganta travou e assim, eu não disse nada além de um cumprimento comedido. Talvez impressionado pelo aspecto fragilizado dele, naquele instante, com hematomas e cicatrizes (depois desse dia, tomei conhecimento que a doença e a idade debilitaram-no ao ponto de sofrer quedas constantes, daí os ferimentos).
Arrependo-me amargamente de não ter dito-lhe o quanto admirava-o, pois pouco tempo depois, através de uma discreta nota publicada no jornal "Folha de São Paulo", tomei conhecimento de seu falecimento.
Acrescento a esta matéria, um dos bordões clássicos proferidos pelo personagem do Dr. Smith : "Never Fear, Smith is Here", que sob uma tradução não literal, na voz do "seu" Borges, o Dr Smith falava em nosso idioma português : "Nada tema, com Smith, não há problema". Mas eu encerro a afirmar : "nada tema, com Borges de Barros, não há problema"...
Matéria publicada inicialmente em uma comunidade : "Borges de Barros", na extinta Rede Social, Orkut, em 2010
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
Love me Do, Mr. Bond - Por Luiz Domingues
A década de sessenta foi importante para o planeta Terra, por dúzias de motivos. Cabe um texto para cada um deles e certamente nesse mosaico enxergar-se-á um alinhamento de uma engenhosidade incrível no tocante às mudanças sociopolíticas; culturais e comportamentais que desencadeou-se por conseguinte. Em especial, foi uma década de ouro para o Reino Unido. Talvez desde a consagração da Revolução Industrial, nunca falou-se tanto de cultura britânica ao redor do mundo, com a "Union Jack" a tornar-se uma febre mundial, até iconicamente como Art-Pop.
Em outubro de 1962, separados por um só dia, dois acontecimentos tipicamente britânicos desencadearam um processo epidêmico nesse sentido e esta matéria visa traçar esse paralelo entre ambos. Em 5 de outubro de 1962, uma banda de Rock até então obscura, oriunda do norte da Inglaterra, mais precisamente da cidade de Liverpool, estava em Londres a observar o seu primeiro lançamento oficial em disco, com um compacto simples a conter as músicas : "Love me Do" em seu lado A, e "PS, I Love You" no lado B. A despeito de estar na ativa já há alguns anos e possuir um público cativo em sua cidade natal e também em Hamburgo / Alemanha, onde fizeram uma extensa temporada pelas boites barra pesada da zona portuária em 1960, eram ainda completos desconhecidos do grande público britânico e estaca zero no âmbito mundial. No dia seguinte, 6 de outubro de 1962, entrava em cartaz nas salas de cinema da Grã-Bretanha, um filme que enquadrar-se-ia no rótulo da "espionagem e ação", ao apresentar como protagonista, um agente do serviço secreto de Sua Majestade. Baseado no personagem criado peleo escritor, Ian Fleming, em 1954, quando lançou o romance, "Casino Royale", o "agente 007" ajustou-se como uma luva no cenário real do cotidiano, em torno da tensão da Guerra Fria, em 1962. E não foi fácil levar o personagem às telas. Os produtores, Albert R. Broccoli e Harry Saltzman esbarravam na relutância sistemática por parte do executivo da United Artists, Harry Slatzman, que alegava ser impossível comprar os direitos editoriais do personagem e produzir um filme à altura de suas aventuras mirabolantes, com uma verba modesta disponível. Dessa forma, Broccoli e Saltzman foram astutos e criaram uma manobra empresarial. Abriram uma pequena editora e uma produtora de cinema na Suíça, onde os impostos eram muito menores dos que os ingleses e assim adquiriram os direitos, para baratear a produção. Com o sinal verde, decidiram usar outra história escrita por Fleming e não o romance inicial, "Casino Royale", que consideraram mais dispendioso para o momento (Casino Royale só seria lançado em 2006, muito tempo depois, portanto), como outra providência importante, contrataram o diretor, Terence Young. Foi delicadíssima a decisão para escolher um ator perfeito para interpretar James Bond. Terence indicou, Richard Johnson, mas os produtores o vetaram e na contrapartida, sugeriram, Roger Moore. Moore recusou o convite, no entanto (anos depois, na década de 1970, assumiria enfim, ao trabalhar em vários filmes da franquia, na sequência), e decidiram-se enfim pelo ator escocês, Sean Connery.
Paralelamente, nos estúdios Abbey Road, o empresário, Brian Epstein não medira esforços para dar as melhores condições para os jovens músicos de Liverpool. A primeira sessão de gravação do quarteto de Liverpool, ainda contara com o baterista, Pete Best, em seu formação. A escolha da música teve o peso da influência de Brian Epstein, pois Paul; George; John e Pete, queriam gravar a canção : "How do you do it ?" como música principal.
Em várias biografias dos Beatles, afirma-se igualmente, que além de insistir em "Love me Do", Brian sugeriu o uso da gaita como instrumento para reforçar a frase melódica da introdução. Nos arranjos originais, George Harrison a executava na guitarra, enquanto John seguia na base harmônica, mas sabedor que John conhecia os rudimentos da gaita com certa desenvoltura, Brian insistiu nesse detalhe.
Essa primeira sessão ocorreu em junho de 1962 e o produtor artístico, George Martin não gostou do resultado, quando vetou o lançamento. Nesse ínterim, tomou-se a duríssima resolução em substituir o baterista, Pete Best (que ficaria com a terrível alcunha de "o homem mais azarado do mundo"), e daí, convidaram outro amigo de Liverpool, chamado : Richard Starkey, mas apelidado como, "Ringo Starr". Com Ringo já efetivado na banda, fizeram uma nova sessão de gravação, mas George Martin vetou novamente, ao considerar a atuação de Ringo, insegura. Fechados na ideia de que Ringo tornara-se uma membro fixo e não aceitariam uma nova mudança, decidem então fazer uma nova sessão, ao usar os préstimos do baterista de estúdio, Andy White e Ringo a tocar apenas uma percussão leve, mediante maracas na gravação, em setembro de 1962.
Em janeiro de 1962, começaram as filmagens do filme de James Bond. A história seria batizada como : "Ian Fleming's Dr. No".
A primeira tomada filmada, foi a cena "39". Nela, James Bond (Sean Connery), passa à frente de uma fotógrafa, e entra em uma briga com um motorista (interpretado por Reggie Carter). Muitas das marcas registradas do personagem, que arrebatou multidões de fãs pelo mundo afora, a posteriori, já fizeram-se presentes logo no primeiro filme.
O glamour do personagem que transitava entre um super agente secreto, capaz de executar façanhas físicas e intelectuais impressionantes, além de revelar-se como um bon vivant; culto, sarcástico e também como um sedutor de lindas mulheres, irresistível. A boa equipe à sua volta, para dar-lhe o devido suporte; a clássica trilha sonora exclusiva (com a tradição ali inaugurada em conter uma música tema, interpretada por um astro britânico da ocasião); a presença de uma "Bond-Girl" sob extremo glamour e claro, a enfrentar um vilão absolutamente carismático, ou seja, muitos elementos muito fortes para resultar em uma química certa para o sucesso. Neste debut, "Dr. No", o primeiro e terrível vilão, tratava-se de um cientista dotado de um alto poder intelectual e a mostrar-se frio como uma serpente, que chefiava a organização secreta e criminosa, "Spectre", com objetivos claros de domínio e exploração.

E no caso da primeira Bond-Girl, Ursula Andress, ela foi foi um estouro, a partir da cena clássica onde sai do mar a trajar um ousado bikini para os padrões da época, quando chegou a suscitar comentários de que seria a sucessora de Marilyn Monroe no posto de maior Diva sexy do cinema.
Em 5 de outubro de 1962, a canção : "Love me Do" chegou à praça e o seu primeiro desempenho foi modesto, para alcançar o 17° posto na parada de sucessos britânica. Não precisou de muito tempo para chegar ao n° 4, e catapultar esses garotos de Liverpool para um voo astronômico. Em 6 de outubro de 1962, James Bond entrou em nossas vidas para não sair mais. O mundo sobreviveu ao medo do colapso atômico perpetrado pela crise dos mísseis em Cuba (que deixou em alerta máximo, dois mandatários com os seus respectivos dedos sob dois botões vermelhos assustadores) e sobrevivemos para divertirmo-nos esses anos todos com a saga do "agente 007". E também vivemos para ver o "Fab Four" virar o mundo de cabeça para baixo, ao espalhar a sua música revolucionária, que propôs o amor como solução definitiva e não as maledettas bombas. Torço para o mundo não acabar ao final de 2012, mas não vejo nenhum novo Bond no horizonte e muito menos alguém minimamente próximo à envergadura artística dos Beatles... Sniff, sniff...
É isso, outubro de 1962 marcou em dois dias seguidos, um triunfo da terra de sua Majestade para o planeta.
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