Sou músico e escrevo matérias para diversos Blogs. Aqui neste meu primeiro Blog, reúno a minha produção geral e divulgo as minhas atividades musicais. Não escrevo apenas sobre música, é preciso salientar ao leitor, pois abordo diversos assuntos variados. Como músico, iniciei a minha carreira em 1976, e já toquei em diversas bandas. Atualmente, estou a trabalhar com Os Kurandeiros.
quinta-feira, 10 de julho de 2014
Kim Kehl & Os Kurandeiros - 11/7/2014 - Sexta-feira - 21:00 h. - Melts - Liberdade - São Paulo
Kim Kehl & Os Kurandeiros
Dia 11 de julho de 2014
Sexta-feira
21:00 h.
Melts
Avenida Liberdade, 472
Liberdade
Estação Liberdade do Metrô
São Paulo - SP
KK & K :
Kim Kehl : Guitarra e Voz
Carlinhos Machado : Bateria e Voz
Luiz Domingues : Baixo
quarta-feira, 2 de julho de 2014
Steve Jobs; Internet & Compartilhamento... - Por Luiz Domingues
Muitos de seus idealizadores, foram Hippies de fato, e portanto bastante entusiasmados com conceitos de fraternidade, que eram típicos daquela filosofia de vida proposta por seus seguidores. Dentro desses parâmetros, um desses entusiastas das ideias fraternais propostas pelos hippies, foi um jovem chamado : Steve Jobs, que também mostrava-se apaixonado por tecnologia.
Ao final da década de sessenta, dois fenômenos aconteciam no estado da Califórnia : o movimento Hippie e o agrupamento de indústrias de tecnologia no Vale de Santa Clara, que ganhou por conta de tal fluxo, o apelido de : "Vale do Silício". Jobs transitava com entusiasmo entre os dois mundos e não é exagero dizer que muito de suas futuras realizações, foram profundamente influenciadas pelo fato de ter sido um hippie. Por ouvir com entusiasmo o som de Bob Dylan, o dia inteiro, ideias borbulharam em sua mente.
Foi à Índia, em uma típica incursão espiritualista que todo hippie potencialmente sonhava realizar, e travou contato com conceitos do Zen Budismo. A simplicidade e a bondade, como conceitos a serem adotados por toda a vida, fizeram-lhe bem. Claro que ele teve o seu envolvimento com as drogas alucinógenas, mas a experiência do "mind expansion" pareceu-lhe não ser o melhor caminho para atingir uma nova consciência, e criar-se daí, uma sociedade realmente fraternal. Abrir a mente e enxergar além, fora apenas um passo e pela indução das drogas, o estrago inerente causado como efeito colateral, não foi nada saudável (e de fato, foi fator preponderante para o declínio do movimento, infelizmente).
Houve pontos de divergência, é bem verdade. Hippies mais puristas, enxergavam os computadores como ferramentas de opressão da sociedade totalitária e consumista que abominavam. No entanto, é cabível considerar que ao final dos anos sessenta e início dos setenta, a internet mostrava-se restrita ao metiér das universidades e do serviço secreto governamental, portanto nem um pouco popular, e dessa forma, revelava-se nessa época, como algo a conter uma dose com carga antipática e assustadora, a serviço de forças realmente opressoras da parte de instituições governamentais.
Abro um parêntese para recomendar um filme produzido em 1970, chamado "Collosus, The Forbiden Project" (leia resenha sobre tal filme, aqui em meu Blog 1 :
http://luiz-domingues.
Esse filme retrata bem a maneira como os computadores foram vistos pelas pessoas naquela ocasião. Jobs conheceu outro hippie e gênio da tecnologia, chamado, Steve Wosniak, e dessa parceria resultaria a Apple, empresa por ambos fundada e que entraria no mercado para transformar o mundo.
Ainda em 1976, ele criou o primeiro protótipo de um computador para uso doméstico. Até a metade dos anos setenta, a imagem que as pessoas tinham dos computadores, era a de máquinas monstruosamente grandes, e circunscritas a salões enormes e cheios de técnicos a usar jalecos brancos e com pranchetas à mão, a estabelecer anotações indecifráveis.
A ideia em possuir um aparelho em casa, como um eletrodoméstico, parecia apenas um mero devaneio visto em filmes do gênero Sci-Fi ou mesmo do desenho animado futurista, "Os Jetsons", onde aliás, certas coisas que eram fantasiosas na época em que o estúdio Hanna-Barbera criou tais personagens, já são corriqueiras nos dias atuais e de certa forma até ultrapassadas na sociedade em que vivemos...
Em 1977, a dupla Jobs / Wozniak lançou o Apple II, o primeiro computador caseiro que apresentava imagens em cores. Já em 1980, a empresa dos "freak brothers" Jobs & Wosniak, continha um patrimônio orçado em dois bilhões de dólares, que era muito dinheiro para aquela época (e para a maioria dos pobres mortais, dos quais incluo-me, e na verdade, continua a ser muito dinhero...).
Por não parar em criar e ousar, vieram mais produtos e mudanças significativas que consolidou a empresa nos anos oitenta. A ideia do "mouse", por exemplo, que Jobs assumidamente disse ter concebido após conhecer as empresas de eletrônicos do Japão e o inerente conceito oriental de miniaturização. A nanotecnologia precisava ser dominada e incorporada ao produto.
Um paradigma foi o mote com o qual costumava trabalhar : "Invenção e Inovação = execução". Essa foi a diferença que transformava a ideia em realidade. E além de pequeno e usual, o produto tinha que ser simples em seu manuseio para o consumidor leigo, extrair todo o ranço criado no imaginário popular, sobre a máxima a dar conta de que somente os "cientistas" usavam computadores. Por sofrer pressões terríveis, Jobs deixou a empresa que fundara e criou a NeXT. Anos depois, a NeXT foi comprada pela Apple e Jobs voltou à empresa que fundara, agora a constituir-se em seu CEO.
A empresa teve um novo ponto de expansãoem termos de popularidade com a sua volta, pois Jobs tornara-se uma estrela do mundo corporativo, muito além do conceito do bilionário bem sucedido, mas principalmente pela imagem zen que trazia, ao contrastar com o executivo padrão, obcecado por dinheiro e nada sensível às reivindicações socioambientais. Pelo contrário, por ter a imagem de um Hippie desapegado dos valores materiais, Jobs criou um conceito para a empresa, de que ela era também engajada em tais ideais e que tudo girava em torno de conceitos de fraternidade; bondade e compartilhamento. Claro que não é bem isso, mas a imagem criada de uma empresa ao estilo "Hippie Chic", certamente amenizou a sua imagem e em comparação com outras mega empresas, é muito "menos odiada" por militantes socioambientais, ecomilitantes e anarquistas em geral, do que a Coca-Cola; Ford;, Disney; McDonald's, os Bancos e todo o pessoal de Wall Street, sem dúvida.
Em relação à Rede Mundial de Computadores, Jobs tinha em mente o conceito de "Empacotar a Internet", para distribui-la em cada lar. A ideia da internet ser livre, com o compartilhamento total de informações, fora o sonho hippie anti-establishment a concretizar-se.
De quem é o legado da civilização construída ao longo de séculos ? Não é da humanidade ? Que descalabro é esse em ter que pagar para obter uma informação ? Pois é, o lado hippie de Jobs e Wosniak queria a internet livre, com cada cidadão a possuir o seu equipamento livremente em casa, para acessar à vontade.
Claro, o lado materialista tornou-se presente , também. A internet precisava ser livre, mas para acessá-la, você precisava ir à loja da Apple e comprar o seu microcomputador. E depois os acessórios; depois os programas; depois contratar a empresa provedora da banda larga etc...
Enfim, Hippie até a página dois do manual capitalista, mas convenhamos, melhor isso do que o modelo que as corporações desejavam / desejam, impor para a internet, ao fazer com que ela seja fatiada para eles poder explorar como as empresas de TV a cabo fazem quando vendem os seus "pacotes", ao fatiar as opções e assim fazer com que o consumidor pague o máximo para ter direito a todos os canais, quando moralmente a falar, a taxa mínima deveria dar o mesmo direito. Isso sem contar o famigerado "Pay-Per-View", que considero um mecanismo de achaque amoral. Se você já paga por um serviço, com que direito o seu fornecedor estabelece fragmentá-lo para criar patamares de cobranças adicionais, para só assim disponibilizá-los ? Com esse precedente abominável, o que falta para cobrar por um eventual,"pay-per-view advanced" ? Seria algo como : "não basta pagar a TV a Cabo para ver um jogo de futebol ao vivo, mas na verdade, você precisa comprar o Pay-per-view. Contudo, no "advanced", o consumidor teria que pagar uma terceira taxa, para liberar-se o sinal do segundo tempo da partida"...
É mais ou menos o que as corporações querem fazer da Internet e espero que os nossos parlamentares não cedam às pressões, mas ao falar realisticamente, com o dinheiro que está em jogo, alguém tem esperança que os "representantes do povo", pensem no povo, enfim ? Bem, Steve Jobs e Steve Wosniak ficaram conhecidos pela alcunha de Lennon & McCartney da informática. Há quem discorde e ache exagerado, mas sob uma primeira leitura, acho que tem uma similaridade, sim, e essa atribuída escala de valores, faz sentido. No tocante ao conceito de compartilhamento de informaçõe; cultura & afins, a internet nasceu fechada e secreta, mas graças aos hippies nerds que infiltraram-se nas universidades, o conceito Hippie de compartilhamento total, espalhou-se.
O que temos hoje em dia, é algo próximo do que os Hippies dos anos sessenta sonharam para o futuro da humanidade. Não é o ideal que desejaram, mas hoje a temos com concessões ao capitalismo selvagem de Wall Street e seus seguidores. Cabe à nós, usuários, pressionarmos os políticos a domar a sua sanha e das corporações, para não haver um retrocesso total e a internet tornar-se um império todo fatiado e inacessível para nós todos. Deixo a dica de um bom documentário que assisti, para entender um pouco melhor a vida e obra de Steve Jobs, chamado : "Steve Jobs, um Hippie Bilionário", que infelizmente foi retirado do You Tube por questão de direitos autorais, o que de certa maneira é contraditório ao espírito de Jobs e desta matéria, mas... assim é o capitalismo e a sua ode ao egoísmo e à ganância.
Para escrever esta matéria, tive o apoio da minha amiga, Jani Santana Morales, que deu-me valiosas dicas sobre Jobs e Wosniak. Agradeço-a efusivamente por isso.
Matéria publicada anteriormente no Blog Planet Polêmica, em 2014.
quarta-feira, 25 de junho de 2014
Big Boy, o Chacrinha do Rock'n' Roll - Por Luiz Domingues
A difusão do Rock, ao ponto em torná-lo um fenômeno de alcance mundial, vai além da genialidade dos artistas que deram o início de tal processo, durante a década de cinquenta. São muitos os fatores que contribuíram para que lograsse em êxito essa missão e isso é naturalmente fruto de muitos estudos por parte de musicólogos, historiadores etc. Entretanto, indubitavelmente, o papel das emissoras de rádio que compraram a ideia do Rock, enquanto estilo com possibilidades em âmbito Pop, no sentido comercial do termo, foi preponderante. Estende-se tal conceito à Black Music, notadamente em suas três ramificações mais Pop, também : Soul, R'n'B e Funk (o de "verdade"...).
Nesse contexto, não dá para deixar de citar, Alan Freed, um DJ americano que muito contribuiu para essa explosão toda
Aqui no Brasil, muita gente valorosa teve esse papel importante também nas emissoras de rádio, mas ninguém foi mais emblemático que um DJ carioca, que atuou decisivamente no Rio e em São Paulo, simultaneamente, chamado : Newton Alvarenga Duarte, mas que ficou conhecido pela alcunha de : "Big Boy". Nascido no Rio de Janeiro, em 1943, Newton "Big Boy", cresceu bastante influenciado pelo rádio e sobretudo pelo seu poder de encantar o ouvinte, ao introduzi-lo em novo mundo musical.
No seu caso em específico, a sua emissora predileta na infância e adolescência, foi a Mayrink Veiga, uma emissora que mantinha uma grande audiência nacional e pioneira, tocava o Rock'n' Roll como absoluta novidade, ali no frescor dos anos cinquenta. Escondido dos pais, Newton viajava regularmente à São Paulo, onde batia ponto nas melhores lojas da pauliceia, ao iniciar a formação de sua coleção de vinis fantástica. Em 1965, Newton entrou na faculdade de geografia da UFRJ, e ali formou-se em 1968.
Todavia, desde 1966, foi um locutor contratado pela rádio Tamoio e já em 1967, deu um salto na carreira, ao mudar-se para a Rádio Mundial, onde fez a sua fama em nível nacional.
Profundo conhecedor do Rock; Pop; Black Music;, Folk e outros gêneros, Big Boy detinha um carisma inacreditável e costumava criar bordões que caíram no gosto dos ouvintes, de uma forma avassaladora.
Beatlemaníaco assumido, foi à Londres em 1967, com o objetivo em entrevistar os Beatles, mas na base da pura vontade, sem nenhum tipo de credenciamento oficial, mesmo a estar em uma grande emissora brasileira. Deu muita sorte por encontrar Paul McCartney na rua, e este sensibilizou-se com o esforço do radialista brasileiro, e assim colocou o seu nome no mailing oficial dos Beatles, um privilégio que concedeu-lhe a chance para receber uma cópia do LP Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band, antes da fábrica brasileira providenciar a distribuição nacional.
Nessa altura, Big Boy já assinava colunas em importantes jornais e revistas brasileiras. O seu estilo de redação seguira a mesma maneira esfuziante de sua locução no rádio. Big Boy era completamente louco para os padrões da locução radiofônica convencional que a maioria dos locutores "normais" usavam nessa época. De certa forma, ele seguiu o mesmo padrão anárquico e abusava do nonsense tanto quanto Abelardo Barbosa, o Chacrinha o fazia na TV. Big Boy aliás, também foi parar na TV, ao tornar-se um comentarista quentíssimo para cobrir o Rock, no Jornal Hoje, da Rede Globo e também com intervenções em outros programas jornalísticos daquela emissora.
Ele fez paralelamente uma carreira de sucesso em São Paulo, também, como locutor da Rádio Excelsior, a Máquina do Som.
Por incrível que pareça, segundo consta em sua biografia, ele não tinha na verdade o menor jeito para ser um locutor, pois não possuía uma voz padrão de radialista. A sua voz era estridente, sem a presença de um timbre grave, sem a impostação padrão que espera-se, de forma paradigmática nesse métier...
Sabedor disso, criou aquele estilo estridente, a explorar na verdade o que poderia ter sido a sua maior dificuldade para ingressar na profissão, mas que tornou-se, ao contrário, um trunfo. A sua maneira par expressar-se com aquela dose de loucura, teve tudo a ver com o Rock. Popular e adorado, aventurou-se em produção de eventos, ao emprestar o seu prestígio para o "Baile da Pesada do Canecão", onde até cinco mil jovens costumavam reunir-se para dançar ao som do melhor do Rock e da Black Music, de 1970, ou seja, somente pérolas escolhidas a dedo pelo DJ que conhecia música com profundidade. Algum tempo depois, o sucesso retumbante animou-lhe a voar solo e quando comprou o seu equipamento privado, passou a organizar o seu próprio evento. A partir desses bailes, tornou-se também um produtor fonográfico, ao assinar coletâneas com músicas que tocava em seus bailes. Ao perceber que tornara-se quase um personagem, Chico Anysio o convidou para participar de seu programa humorístico. Big Boy participou a interpretar o personagem "Índio Jerônimo", que fazia parte da patota de hippies liderados por "Lingote", um hippie zen interpretado pelo próprio, Chico, e que só comunicava -se monossilabicamente.
Big Boy entrevistou Stevie Wonder; James Brown e Mick Jagger; e também tornou-se produtor musical da gravadora Odeon. Ele ganhou o seu programa próprio na TV Globo, denominado : "Hello Crazy People", título inspirado em seu bordão mais famoso.
Todavia, antes já tinha estrelado um programa na TV Record, o "Papo Pop", que dava espaço para artistas do Rock brasileiro, tais como : Raul Seixas; Secos & Molhados e Joelho de Porco, por exemplo. "Papo Pop" foi o nome de sua coluna em jornais e revistas.
Assumiu a seguir no Rio de Janeiro, a programação da Rádio Eldorado e criou a Eldo Pop, onde costumava tocar discos de Rock Progressivo na íntegra, sem intervalos, um escândalo no meio radiofônico, pois quebrava o padrão Pop das músicas regidas pelos parcos três minutos e meio de duração, em detrimento de peças com até vinte e três minutos, como se fossem suítes de música erudita.
Em São Paulo, passou a comandar a rádio Excelsior, em 1976.
Em março de 1977, Big Boy teve uma crise asmática fulminante, dentro de seu quarto, no hotel em que estava hospedado em São Paulo. Uma nova produção sensacional que ele faria para a TV Globo, foi ao ar de forma póstuma, pois não deu tempo dele aproveitar o sucesso que foi o "Rock Concert", doravante. E a sua última coluna impressa falava sobre a iminente vinda do Genesis, espetacular grupo progressivo britânico, ao Brasil, dois meses depois.
Infelizmente o grande Big Boy deixou-nos e perdeu esse grande concerto de Rock, ocorrido em 1977. Big Boy deixou um legado e tanto. Foi mais que um locutor que inventava bordões populares e ultrapassou a imagem louca de sua figura a bordo de uma voz esganiçada, visual & postura enlouquecidas e tambem pelo seu carisma absurdo.
Na verdade, foi um ´tremendo apaixonado pela música; pelo Rock e pelo prazer em colecionar discos, que por conhecer a matéria com o requinte de um catedrático no assunto, sabia o que falava e por ter esse conhecimento, aliado ao seu estilo e carisma, impressionava e conferia credibilidade em seu trabalho. Não quero usar clichês, mas é inevitável não deixar de mencionar que um jornalista / DJ / locutor e produtor musical desse calibre, faz falta para o Brasil.
Todo mundo morre, é fato da vida, mas foi uma tremenda fatalidade perdê-lo com apenas trinta e três anos de idade.
Recentemente, a sua família criou uma página sensacional no Facebook, onde o mote é disponibilizar o máximo de material possível de sua atuação nos meios de comunicação nos anos 1960 e 1970.
Muito mais que um museu virtual, a página tem vida, ao parecer que ele mesmo cuida das postagens e está entre nós ainda. Ao pensar bem, é claro que está.
Recomendo visitas e segui-la, sem dúvida alguma.
https://pt-br.facebook.com/pages/Big-Boy-Rides-Again/565152540194400
Hello Crazy, people... Big Boy Rides Again !
Matéria publicada inicialmente no Blog Limonada Hippie, em 2014
Marcadores:
Bi Boy Hello Crazy People,
Big Boy,
Big Boy DJ,
Big Boy Radialista,
Comunicadores Brasileiros,
Luiz Domingues,
Newton Alvarenga Junior.
domingo, 22 de junho de 2014
Entrevista no Blog Disciplina Frustrante !!
Entrevistador : William Kusdra
Apoio : Web Radio Stay Rock Brazil
Confiram !!
http://disciplinafrustrada.blogspot.com.
quinta-feira, 19 de junho de 2014
O Futuro Incerto do Pacaembu - Por Luiz Domingues
Estamos a poucos dias da abertura da Copa do Mundo de 2014 ( quando da primeira publicação desta matéria, ao final de maio de 2014), que marcará um momento histórico, não só por isso, mas para a vida esportiva do Sport Club Corinthians Paulista, que finalmente vai obter o seu estádio próprio, após 104 anos de existência e naturalmente, esse longo período sem uma casa própria (feita a ressalva que sim, o Corinthians tinha / tem seu estádio, chamado, Alfredo Schürig, popular "Fazendinha", anexo ao Parque São Jorge, a constituir-se em seu patrimônio poliesportivo e social, mas por ser um estádio de pequena proporção, não podia ser chamado de estádio propriamente dito). Fora esse marco importante para tal clube, é claro que a inauguração de um estádio moderno, com tecnologia High Tech e no padrão das mais modernas arenas europeias, é espetacular para a cidade; estado de São Paulo, e naturalmente para o Brasil.
Nesta altura dos acontecimentos, recuso-me a falar das falcatruas monstruosas provenientes da realização da Copa do Mundo no Brasil e sobre os respingos óbvios que a Arena Corintiana recebe nessa, no mínimo, estranha oportunidade conveniente, pois já lancei matérias contundentes sobre o assunto, há três anos atrás e agora, insistir em lamentar o leite derramado é mero oportunismo e não serei eu que vou deixar-me ser usado como idiota útil dessa atual oposição que não tem proposta política alguma, a não ser querer destruir a situação, mediante sabotagens midiáticas e que invariavelmente confunde-se com o próprio mar de lama que criou no passado. Enfim, sem política nesta matéria, porque o objetivo deste texto é outro.
O fato é que a cidade está a ganhar uma Arena espetacular, e claro que isso é bom para a nossa economia local.
Não obstante essa novidade, o maior rival do Corinthians, está a finalizar também a completa reforma de seu estádio, que ainda vai demorar para ser inaugurado, mas já dá mostras que vai ser espetacular. O novo estádio da Sociedade Esportiva Palmeiras, na verdade foi reconstruído, pois o velho Estádio Palestra Itália, foi demolido para que construísse-se uma Arena inteiramente nova; moderna e com tecnologia high tech, também. Previsto para ser inaugurada alguns meses depois do novo estádio do Corinthians, a arena Palmeirense será multiuso e já coloca-se como um ponto natural para shows internacionais de grande porte.
Ao perceber que vai perder muitas receitas, o São Paulo Futebol Clube está a movimentar-se para reformar o Morumbi, ao anunciar planos de construção de uma cobertura para increntá-lo. No caso tricolor, receio que uma reforma não conseguirá deixar o Morumbi à altura das novas arenas de seus rivais, ao necessitar, isso sim, uma complexa mudança estrutural, quiçá a fazer como o Palmeiras o fez, ou seja, demolir e reconstruir, da base. Sendo assim, ainda que mostre-se momentaneamente suplantado, tecnologicamente, ainda é um grande estádio na cidade. Diante desse quadro de estádios modernos a ser inaugurados, a pergunta é : e o velho Pacaembu, o que será dele ?
Modernidade e tecnologia à parte, o Pacaembu é mais que um estádio bem localizado na cidade de São Paulo, mas mantém tradição; história e um charme inquestionável com aquela arquitetura das décadas de trinta / quarenta, sensacional, pela quial foi construído. Aconchegante, faz com que o torcedor fique bem próximo do campo, com uma visão panorâmica, espetacular do gramado. Todavia, agora que Corinthians e Palmeiras vão mandar seus jogos em suas modernas arenas e o São Paulo não costuma usar o Pacaembu, naturalmente, uma grande dúvida paira sobre o futuro do estádio.
Especula-se que o Santos Futebol Clube o use com maior frequência doravante, pois é fato que a sua torcida na capital é grande e prefere prestigiar o time no Pacaembu do que descer a serra e ir à cidade Santos, para poder assistir os jogos do Santos, na Vila Belmiro. Mesmo que o Santos intensifique o seu uso, ainda assim, parece insuficiente para mantê-lo em suas necessidades mais básicas de manutenção. A Associação Portuguesa de Desportos também o usa muito pouco, pois a despeito de seu pequeno estádio do Canindé estar defasado, também (e tenderá a tornar-se jurássico após as inaugurações das arenas dos eus rivais, já citadas), supre as necessidades do clube, que infelizmente não dispõe de uma grande torcida e consequente meio para gerar uma melhor renda.
E se é difícil para a Portuguesa, imagine para agremiações ainda menores, como o Juventus da Mooca, e o Nacional da Barra Funda, que nem conseguem manter-se no rol da primeira divisão estadual. Outro ponto dramático para a manutenção do Pacaembu, é o fato dos shows musicais estar proibidos ali, há anos, por conta da pressão da associação de moradores do bairro.
Sem essa receita extra, o Pacaembu manteve-se nos últimos anos basicamente pelo aluguel cobrado do Corinthians, em primeiro lugar e mais recentemente do Palmeiras, que ficou sem o Palestra Itália nessa fase de reconstrução de seu estádio. Uma solução para o Pacaembu, seria uma reforma estrutural pesada. Por ser público, claro que nenhum prefeito embarca em uma aventura assim, pois as prioridades para uma megalópole como é São Paulo, são outras e ninguém cometeria um suicídio eleitoral ao aventurar-se em empreender uma obra supostamente supérflua para a municipalidade.
Independente de ser viável, e provavelmente não o seja, eu promoveria uma reforma estrutural pesada, mas a manter a arquitetura retrô, que é charmosissima. E dentro desse conceito, demoliria aquele adendo horroroso, que é o "Tobogã", a famigerada arquibancada construída a mando do prefeito biônico da cidade em 1969, Paulo Maluf.
Reconstruiria a charmosa "concha acústica" do projeto original, com direito à volta da estátua de Davi. Daria um jeito na situação vergonhosa das instalações sanitárias que fizeram as autoridades instalar calamitosos "banheiros químicos" no corredor oval de acesso às arquibancadas. Não precisa ficar High Tech como as novas arenas da cidade, mas absolutamente em ordem, com o charme retrô impecável e infraestrutura digna.
Talvez, devido ao pouco uso que terá doravante (isso a contar com a hipótese do Santos passar a usá-lo com maior frequência), o caminho seja o contrário do que habituamo-nos a ver em relação ao Museu do Futebol, isto é, o estádio como equipamento do Museu. A extensão do Museu, a abrigar o estádio como um anexo de sua área física, pode ser uma atração a mais para ele, que já é sensacional por si só, e muito visitado por turistas.
É apenas uma ideia, sem base alguma da realidade, mas talvez seja a sua salvação. E seria uma lástima para a história de São Paulo, se o estádio do Pacaembu morresse, como está a insinuar-se em uma perspectiva de curto / médio prazo.
Matéria publicada inicialmente no Site / Blog Orra Meu, em 2014.
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