Sou músico e escrevo matérias para diversos Blogs. Aqui neste meu primeiro Blog, reúno a minha produção geral e divulgo as minhas atividades musicais. Não escrevo apenas sobre música, é preciso salientar ao leitor, pois abordo diversos assuntos variados. Como músico, iniciei a minha carreira em 1976, e já toquei em diversas bandas. Atualmente, estou a trabalhar com Os Kurandeiros.
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sábado, 9 de novembro de 2019
A Expansão Bem Vinda - Por Luiz Domingues
Penso que em uma megalópole da dimensão de São Paulo, a expansão da malha metroviária ainda está muito aquém da necessidade que a cidade necessita realmente.
Ao pensar na malha metroviária como um todo, o atraso de uma obra que iniciou-se apenas em 1968, mas que na verdade já era planejada desde 1928, gerou um prejuízo sem tamanho, em todos os sentidos. Inaugurado em 1974, com uma tímida linha, apenas, foi somente no decorrer dos anos 1980, que se viu a chegada de uma segunda linha e sendo assim, apenas no início dos anos noventa, foi que surgiu a terceira e bastante incompleta. Para pensar-se em expandir as três linhas então existentes e criar novas, demorou-se ainda mais. Hoje em dia, 2019, são seis linhas, com uma delas ainda a faltar uma estação e duas em novas dessas, em processo de construção. Há planos para a a expansão de duas já existentes e plano para mais duas a sair do papel, em breve.
Penso que gestão pública e mobilidade são questões que deveriam estar à frente das prioridades, dado o tamanho da metrópole e além do mais, já passou da hora de haver a expansão para as diversas cidades acopladas à capital e que formam a colossal região da "grande São Paulo".
Uma dessas novas linhas que está para sair do papel e entrar na fase de obras, ligará a capital à três cidades do grande ABC. Ótimo, até que enfim. A ligação com Guarulhos e Osasco, em outros quadrantes faz-se mister, igualmente. Isso sem contar que a expansão de mais linhas na capital são urgentíssimas.
No entanto, sem pensar em partidarização/ideologia, vejo com bons olhos o fato de que as obras estão em andamento e tem havido uma boa vontade do governo estadual em expandir a malha em várias frentes simultâneas. Que assim seja, com mais metrô e menos carros nas ruas!
quinta-feira, 14 de junho de 2012
Metrô Paulistano em 1928... - Por Luiz Domingues
Foi apenas em abril de 1968, que o governo do Estado de São Paulo criou a Companhia do Metropolitano, a sua empresa meio-estatal (por que tem capital misto a envolver participação de capital privado), que comanda o sistema metroviário da capital paulista e iniciou enfim as primeiras obras. A inauguração oficial da linha 1 - azul, também conhecida como norte / sul, só viria a ocorrer em 14 de setembro de 1974. Todavia, a ideia para construir-se o metrô na cidade é muito mais antiga.
No longínquo mandato do prefeito, José Pires do Rio, (entre 1926 e 1930), esse projeto foi elaborado, com uma moderna concepção e descartado por falta de apoio recebido por ele próprio. Foi uma época onde os carros ganhavam cada vez mais força e apesar de ser imprescindível seguir os passos das grandes cidades do mundo, um misto de falta de visão, com interesses escusos por parte de poderosos, tratou por jogar um balde d'água gelada no entusiasmo do prefeito e a ideia foi engavetada nessa ocasião. O seu sucessor, Fabio de Almeida Prado, não demonstrou grande interesse, mas a seguir, o prefeito, Francisco Prestes Maia, mostrou-se um entusiasta do projeto.
Apesar de ser reconhecido até hoje como um dos maiores prefeitos da história da capital paulista, pelos seus inúmeros projetos urbanísticos e viários avançados (ele criou a linha mestra da locomoção paulistana, até hoje), Prestes Maia também enfrentou problemas na sua primeira gestão, entre 1939 e 1945. Com o advento da Segunda Guerra Mundial a estourar, mais os efeitos inevitáveis da grande depressão americana pós-crash da bolsa de Nova York (1929, com as suas consequências a arrastar-se por toda a década de trinta) e Estado Novo de Vargas a reinar incólume e cada vez mais simpático aos preceitos do nazi / fascismo europeu, perpetrado por Hitler; Mussolini & Franco, realmente seria bem difícil um investimento dessa envergadura. Entretanto, a cidade crescia de uma forma desenfreada e quando voltou à prefeitura por aclamação popular, estourado nas urnas em 1961, o metrô não era mais um sonho utópico ou um luxo primeiro-mundista descabido, como queriam alguns opositores desse avanço, mas sim uma necessidade premente.
Prestes Maia deixou a prefeitura em 1965, e o seu sucessor foi : José Vicente Faria Lima, outro prefeito que deixou saudade pelo dinamismo que apresentou em sua gestão. E foi nessa gestão que enfim, as primeiras desapropriações de imóveis e escavações começaram em 1968.
É óbvio, eu sei que a Companhia do Metropolitano é controlada pelo governo do estado e os louros das conquistas do metrô, caem no colo dos governadores que ocuparam o palácio dos Bandeirantes nesses últimos quarenta e quatro anos. Mas é notável como em 1928, ou seja, quarenta anos antes do início oficial das obras, uma pessoa com abrangência visionária já tinha um projeto dessa envergadura em mãos.
Portanto, é para lamentar-se que tenha ficado quarenta longos anos engavetado esse projeto e enquanto mofava em arquivos esquecidos das repartições públicas, a cidade crescia sob um ritmo frenético, a precisar desesperadamente dessa obra.
Se tivesse começado em 1928, certamente teria sido muito mais fácil para expandir-se e hoje, estaria com um número de Km's construídos, compatíveis com as necessidades da megalópole. Hoje em dia, 2012, o governo estadual comemora com foguetório cada pequena expansão, a capitalizar dividendos eleitoreiros, mas sob um cálculo frio, o saldo é muito negativo, ao contrário do que apregoa em sua propaganda em tom de autoelogio.
Se em quarenta e quatro anos em obras (1968 / 2012), possui 74.3 de KM's construídos e 68 estações, como explicar os 200 Km's construídos no metrô da Cidade do México ? Por quê essa comparação e não com Buenos Aires, por exemplo ? Simples, o metrô da capital mexicana, iniciou a sua construção, também em 1968. Concluo a dizer que para administrar é preciso ter sustentação política para aprovar os projetos, não basta ser dinâmico, visionário e idealista, tampouco amar a cidade, como romanticamente nós esperamos que o nosso alcaide e por conseguinte, o governador do estado, a ame, como nós.
Matéria publicada inicialmente no Site / Blog Orra Meu, e republicada no Blog Pedro da Veiga, ambas em 2012.
Apesar de ser reconhecido até hoje como um dos maiores prefeitos da história da capital paulista, pelos seus inúmeros projetos urbanísticos e viários avançados (ele criou a linha mestra da locomoção paulistana, até hoje), Prestes Maia também enfrentou problemas na sua primeira gestão, entre 1939 e 1945. Com o advento da Segunda Guerra Mundial a estourar, mais os efeitos inevitáveis da grande depressão americana pós-crash da bolsa de Nova York (1929, com as suas consequências a arrastar-se por toda a década de trinta) e Estado Novo de Vargas a reinar incólume e cada vez mais simpático aos preceitos do nazi / fascismo europeu, perpetrado por Hitler; Mussolini & Franco, realmente seria bem difícil um investimento dessa envergadura. Entretanto, a cidade crescia de uma forma desenfreada e quando voltou à prefeitura por aclamação popular, estourado nas urnas em 1961, o metrô não era mais um sonho utópico ou um luxo primeiro-mundista descabido, como queriam alguns opositores desse avanço, mas sim uma necessidade premente.
Prestes Maia deixou a prefeitura em 1965, e o seu sucessor foi : José Vicente Faria Lima, outro prefeito que deixou saudade pelo dinamismo que apresentou em sua gestão. E foi nessa gestão que enfim, as primeiras desapropriações de imóveis e escavações começaram em 1968.
É óbvio, eu sei que a Companhia do Metropolitano é controlada pelo governo do estado e os louros das conquistas do metrô, caem no colo dos governadores que ocuparam o palácio dos Bandeirantes nesses últimos quarenta e quatro anos. Mas é notável como em 1928, ou seja, quarenta anos antes do início oficial das obras, uma pessoa com abrangência visionária já tinha um projeto dessa envergadura em mãos.
Portanto, é para lamentar-se que tenha ficado quarenta longos anos engavetado esse projeto e enquanto mofava em arquivos esquecidos das repartições públicas, a cidade crescia sob um ritmo frenético, a precisar desesperadamente dessa obra.
Se tivesse começado em 1928, certamente teria sido muito mais fácil para expandir-se e hoje, estaria com um número de Km's construídos, compatíveis com as necessidades da megalópole. Hoje em dia, 2012, o governo estadual comemora com foguetório cada pequena expansão, a capitalizar dividendos eleitoreiros, mas sob um cálculo frio, o saldo é muito negativo, ao contrário do que apregoa em sua propaganda em tom de autoelogio.
Se em quarenta e quatro anos em obras (1968 / 2012), possui 74.3 de KM's construídos e 68 estações, como explicar os 200 Km's construídos no metrô da Cidade do México ? Por quê essa comparação e não com Buenos Aires, por exemplo ? Simples, o metrô da capital mexicana, iniciou a sua construção, também em 1968. Concluo a dizer que para administrar é preciso ter sustentação política para aprovar os projetos, não basta ser dinâmico, visionário e idealista, tampouco amar a cidade, como romanticamente nós esperamos que o nosso alcaide e por conseguinte, o governador do estado, a ame, como nós.
Matéria publicada inicialmente no Site / Blog Orra Meu, e republicada no Blog Pedro da Veiga, ambas em 2012.
quinta-feira, 7 de junho de 2012
Aquarelas do Metrô - Por Luiz Domingues
Não foi exatamente algo planejado pela Companhia do Metropolitano de São Paulo, mas mesmo ao configurar-se como uma iniciativa fortuita, o Metrô de São Paulo sem querer, forjou um acervo fantástico, composto por aquarelas a retratar o passo-a-passo de sua construção, desde os seus primórdios. A primeira ação concreta para a construção do Metrô, iniciou-se em 1968, mas foi em 1970, que uma artista plástica interessou-se em retratar as obras e mesmo sob uma certa desconfiança inicial, pôs-se a ficar na função e hoje em dia, 2012, tem catalogadas mais de seiscentas valiosas peças, ao mostrar o cotidiano das obras; a arquitetura das estações e a labuta dos funcionários.
Diana Dorothéa Danon, nasceu em São Paulo, no ano de 1929 e formou-se na Escola de Belas Artes em 1959, tendo uma segunda graduação em Arqueologia e História da Arte na USP, em 1967.
Iniciou o seu ofício artístico a pintar fachadas de casarões; Igrejas etc. Aliás, ela tem publicado dois belíssimos trabalhos nesse sentido, com apoio da USP.
Mas foi em 1970 que o seu tino artístico apontou para uma fonte de inspiração não usual, isto é, um canteiro de obras subterrâneo.
Diana passou então a embrenhar-se no subterrâneo das primeiras escavações da linha 1, Norte / Sul, do metrô paulistano.
Quando a linha 1, ficou oficialmente aberta ao público, em 1974, Diana já tinha uma significativa obra, que obviamente impressionou a cúpula da Companhia do Metropolitano. Mas foi só a partir do início das obras da linha 3, Leste / Oeste, que a Companhia a contratou como artista oficial, posto que ocupa até hoje, a trabalhar diariamente nas linhas 4; 5 e na extensão da linha 2, com o monotrilho que deverá esticar até longínquos bairros da zona leste. Nada escapa aos olhos argutos da artista, que tem muitas de suas aquarelas expostas, virtualmente no site oficial do Metrô. E como adendo às obras, Diana sempre fez pequenos relatórios, em forma de diário, com as suas impressões sobre cada dia de trabalho que presenciou. Dessa forma, esse rico relato pode vir a tornar-se um livro, a qualquer momento, ao revelar-se uma verdadeira fonte de pesquisa e memória preservada da cidade de São Paulo.
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