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sábado, 15 de junho de 2024

CD: Cantar/Pevê - Por Luiz Domingues

Artista versado pelas mais belas influências no campo do Rock, Blues, MPB e música Folk latino-americana de uma maneira bem ampla, Paulo "Pevê" Valério é também membro daquela confraria de outrora e tão rara nos dias de hoje, ou seja, aquele tipo de artista que presta atenção em tudo o que o envolve de uma maneira arguta e ao captar os sinais no ar, apanha o primeiro instrumento que tiver em suas mãos e transforma tais inspirações espontâneas em música.

Portanto, a sensibilidade é uma das características da obra de Pevê e neste quarto disco, ele mais uma vez nos mostra o fruto de suas observações acerca do mundo, da sociedade e das pessoas, através de um belo conjunto de canções.

Se no primeiro álbum o cartão de visitas se mostrara eclético e no segundo, o lado silvestre se pronunciou mais fortemente, eis que o terceiro álbum trouxe a verve mais Rocker & blueseira, mediante eletricidade e muita energia. 

Desta feita, o álbum "Cantar", quarta obra do artista, nos mostra uma obra com forte identificação com o dito "Rock Rural", a incrível vertente que misturou Rock, MPB e música Folk, a criar um riquíssimo caldo cheio de brasilidade e ao mesmo tempo, antenado na contracultura dos anos 1960, e assim moldar o Folk-Rock Brasileiro da década de setenta.

Pevê bebe muito dessa fonte e assim, foca no aspecto campestre, muitas vezes, embora eclético, não fique fechado apenas nessa vertente, haja vista a diversidade produzida através de seus trabalhos anteriores. 

E neste álbum "Cantar", ficou clara a proposta da mescla. Dessa maneira, ao lado das boas canções silvestres e versadas pelo "Rock Rural", há também os elementos do Blues-Rock, do Hard-Rock (ainda que bem ameno na dosagem), um pouquinho de psicodelia sessentista e do Rock Progressivo.

Pelo aspecto do Rock Progressivo, se trata de uma aproximação natural, eu penso, pois na medida pela qual existe solidificada de uma maneira muito natural uma linha importante existente dentro dessa vertente, ou seja o Folk-Prog Rock é um caminho natural quando se analisa a música Folk pelo viés do Rock, vide o pessoal do "Clube da Esquina" que foi fortemente influenciado por tal linhagem, e assim, Pevê também o fêz de uma maneira magnífica.

Na parte técnica do disco, desta vez o Pevê não convidou muitos músicos e pelo contrário, ele mesmo tocou quase todos os instrumentos e chamou apenas dois amigos para contribuir. É bem verdade que em uma determinada faixa, ele convidou mais dois músicos para gravar tal peça em específico, mas tal história eu faço questão de destacar mais adiante quando falar sobre tal faixa em si. E aliás, há um bonito texto do encarte do álbum, escrito pelo próprio Pevê e que narra com emoção como ele convidou tais músicos a aproveitar uma oportunidade que lhe surgiu.

Sobre o áudio do disco, gostei bastante da sua qualidade, inclusive com a observação dos belos timbres escolhidos para todos os instrumentos, tanto os acústicos, quanto os elétricos, que foram beneficiados por esse apuro. Aliás, a se tratar de uma marca registrada do artista e da equipe técnica que o assiste, haja vista o resultado também dos seus discos anteriores, a preservar o mesmo padrão.

Eu já tive o prazer de escrever resenhas para os três álbuns anteriores do Pevê e ao final desta resenha, disponibilizo ao leitor os respectivos links de todas  essas resenhas, para que se leia ou releia.

Sobre a parte gráfica, a capa do disco não poderia ser mais no espírito do "Rock Rural" brasileiro da década de setenta. Através de uma janela colorida, cheia de vida, ele posa através de uma casa com ares interioranos. 

Lançado bem no começo de 2024, inicialmente apenas de forma virtual, essa obra deverá ganhar versão tradicional via CD, mais para frente, eu acredito.

Sobre as canções que compõem este disco, eu aproveito para deixar mais algumas observações.

1) Quando a Noite Chega

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=V8QeEB0H0OY

Canção rica em docilidade, super setentista na sua essência melódica, apresenta uma carga forte de intervenções muito bonitas da parte das cordas acústicas ali incorporadas ao arranjo.

Em sua letra, sabores e odores tipicamente interioranos são arrolados com bastante poesia, a nos garantir uma viagem virtual ao ambiente bucólico de uma pequena localidade em meio à natureza, daquelas de onde só queremos os nossos livros, discos e nada mais, como diria Zé Rodrix.  

2) Minha Vitrola

Eis o link para ouvir no YouTube
https://www.youtube.com/watch?v=fcfBzViPXzc

Singeleza é a palavra para traduzir o que essa canção transmite. Uma balada com sabor Blues, que apresenta solidez harmônica, mesmo nas partes mais pesadas, a incluir um certa intenção Hard-Rock, ainda assim, ela é doce na sua concepção, a me fazer lembrar de uma banda que exercia com maestria tal junção, o "Free", ali entre o final dos anos sessenta e início dos setenta. 

E sim, a ideia da "vitrola" é demarcar o quanto esse aparelho de som muito popular em todos os lares de um passado cada vez mais distante, garantiu espaço no coração e mente de todos os Rockers de outrora, ao abrir-nos as portas da percepção, como teria dito, Aldous Huxley, rumo ao infinito em termos de expansão da mente. E digo isso, porque sabemos, o Rock não é só um estilo de música. 

3) Sem Grilo

Eis o link para escutar no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=Ggq62SVt-eM

"Sem Grilo" é exatamente o que o seu título sugere, ou seja, a usar da velha gíria dos anos sessenta & setenta, a designar a falta de preocupação com as mazelas "caretas" (para usar outra gíria contemporânea), da sociedade em meio aos seus preconceitos, paradigmas e condicionamentos múltiplos advindos da pior parte da mentalidade pós-revolução industrial com a ideia de se impor a todo custo o hiper consumo e a desumanização dos indivíduos.

A estética nesse caso, é o Rock'n' Roll bem no estilo setentista dos bons tempos de grupos tais como: O Peso, A Chave, Rita Lee & Tutti-Frutti, Made in Brazil e outros tantos, com muita guitarra e teclados bem típicos dessa fase de ouro do Rock brasileiro e tudo deliciosamente alinhado com tal escola.

4) Viver

Eis o link para ouvir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=Ggq62SVt-eM

Nesta faixa, a canção tem bastante influência do Blues e também do estilo dos mineiros do "Clube da Esquina", com a guitarra a pontuar muito bem os contrasolos, mediante bom gosto.

5) Mistério

Eis o link para escutar no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=_iDb372g6aM

Trata-se de uma balada com ótima harmonia e melodia na sua resolução final. Há um momento na interpretação a sugerir uma quase declamação da parte do Pevê, ou seja, a evocar a poesia explícita e tudo isso é pontuado por ótimas intervenções de guitarra. 

6) Caminos porteños

Eis o link para ouvir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=xmOcdidCaYI

Exatamente como é sugerido no seu título, tal canção é  de fato, uma ode à música Folk-Rock praticada por nossos vizinhos argentinos e que sim, guarda um manancial gigantesco de exemplos de artistas espetaculares a ser exaltado e diga-se de passagem, "gracias a la vida". 

É belo o trabalho solado da guitarra a conferir o toque Rock e nesse aspecto, não há nada mais porteño, a reverenciar um público ultra Rocker por natureza intrínseca.

7) Amiga

Eis o link para escutar no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=_47QAZktuw8

A Bossa Nova mostra a sua face com uma roupagem "jazzy" finíssima. O violão bem ritmado é enriquecido sobremaneira pelo piano Fender Rhodes, super bem timbrado, e também por uma guitarra viajante com apoio do ótimo uso da caixa Leslie.

8) Mais que um talvez

Eis o link para ouvir no YouTube
https://www.youtube.com/watch?v=pq4jr1-fP6M

Com um violão a me fazer lembrar bem do Caetano Veloso em sua fase bem minimalista (do disco "Transa", por exemplo), a música ganha balanço mediante o uso de um ótima percussão e do timbre seco, sem ressonância do baixo, a evocar gravações do início dos anos setenta, bem naquela predisposição do som proposto pelos ditos "artistas marginais da mpb", como Sérgio Sampaio e Jards Macalé, além do Caetano citado, ou seja, acho que a inspiração foi baseada nessa ótima tendência proposta por artistas que eu mencionei. 

Claro, fica a advertência de se tratar da minha idiossincrasia, ou seja, foi a minha percepção pessoal e não necessariamente tais colocações correspondam ao que o artista de fato pensou como inspiração.  

9) Natureza

Eis o link para escutar no YouTube
https://www.youtube.com/watch?v=MVBW0YkrPtc

Um som que lembra bastante o Rock brasileiro dos anos setenta, mostra muita contundência na sua instrumentação.

E ao mesmo tempo, em termos de letra, fica no setor do "Rock Rural" pela construção das imagens propostas, ou seja, é mais um exemplo de inspiração forte que o autor traz dessa estética. 

10) 2020

Eis o link para ouvir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=Mjaav6C8dks

Esta é uma canção que traz uma história incrível, além da sua beleza enquanto peça musical e há uma emocionante explicação para tal.
Ocorre que por conta de uma conjunção feliz dos astros, eis que o Pevê teve a felicidade de estar junto a dois grandes músicos históricos do Rock brasileiro e incontinente, não perdeu tempo para convidá-los a gravar. 

Sob uma oportunidade de ouro que a agenda lhe proporcionou, eis que a "cozinha" dos "Secos & Molhados", ninguém menos do que Willy Verdaguer e Marcelo Frias, tocam baixo e bateria nessa faixa, algo que abrilhantou a boa canção.

Eu publico abaixo a parte do encarte na qual o próprio Pevê descreve essa bela história:


Para encerrar, só posso recomendar com ênfase mais um álbum do multi-instrumentista, compositor, cantor e produtor musical, Paulo "Pevê Valério, um artista incansável, dotado de talento, extraordinária força empreendedora e muita convicção nos ideais da contracultura como um todo e que permeiam a sua obra. 

Aproveito como adendo final, para agradecer ao Pevê pela minha inclusão pessoal no seu release oficial do álbum, através de uma fala destacada de releases que eu elaborei sobre seus discos anteriores. 


E abaixo, eis o link para escutar o disco na sua íntegra:
https://www.youtube.com/watch?v=USnJM3MQvV0&t=6s

Leia também as minhas resenhas sobre os três álbuns anteriores do Pevê no meu Blog 1:

CD Pevê:
http://luiz-domingues.blogspot.com/2018/12/cd-peve-paulo-peve-valerio-por-luiz.html

CD Pevê II:
http://luiz-domingues.blogspot.com/2021/06/cd-peve-iipaulo-peve-valerio-por-luiz.html

CD Pevê III:
http://luiz-domingues.blogspot.com/2022/05/cd-peve-iiipaulo-peve-valerio-por-luiz.html

Ficha Técnica:

CD Cantar - Pevê

Gravado nos estúdios Green Box, Jardim Elétrico, e no QG do Pevê/De Poche estúdio móvel, entre janeiro de 2022 e fevereiro de 2023
Técnicos de captura de áudio: Marcelo Stock, Luizinho Maia e Nychollas Medeiros, entre março e novembro de 2023
Mixagem e masterização: Studio de Poche (Paris,França)
Projeto gráfico: Pevê e Pinky Maia
Foto (capa): Cláudia Laurent
Foto da contracapa: Fábio Luiz Kuntze
Edição: Edmar Hédi (Musital)
Produção geral: Pevê

Pevê: Voz, violão nylon, violão de 12 cordas, bandolim, teclados, baixo, guitarra, guitarra (fuzz, slide, rotary), percussão, cuatro venezolano

Músicos convidados:
Leandro "Pirata": Bateria
Alexandre Green: Teclados
Willy Verdaguer: Baixo em "2020"
Marcelo Frias: Bateria em "2020"

Para conhecer ainda mais o trabalho do Pevê, acesse: 

Canal de YouTube: 

https://www.youtube.com/c/PevêPauloValério

Instagram:

@peveguitarra

Facebook: 

https://www.facebook.com/paulovalerio.silva

Spotify:

https://open.spotify.com/imtl-pt/album/7g6AEBGwMf3zASwA5XQv76

Deezer:
https://www.deezer.com/br/album/527723492

Tidal:
https://tidal.com/browse/album/337743608

Contato direto com o artista:
paulovaleriopv1@gmail.com

quinta-feira, 30 de maio de 2024

CD: De Volta ao Quarto de Som/Tony Babalu - Por Luiz Domingues

Se no trabalho anterior, a ideia foi compor e gravar para nos dar alento em meio a uma fase difícil pela qual a humanidade passou, tal tarefa foi plenamente cumprida através do EP "No Quarto de Som", que o guitarrista, compositor e produtor musical, Tony Babalu nos outorgou em 2021. Através de belos temas instrumentais carregados de beleza e implicitamente a nos proporcionar esperança, foi uma verdadeira boia salva-vidas que ele lançou para todos nós naquela fase conturbada, deletéria e sob o prisma do medo e da angústia.

Passado o sufoco da pandemia mundial, Tony Babalu entrou de novo no quarto de gravação e desta feita com a situação bem mais amena para nós, lançou outra dose de ânimo que nos é ofertada pelo artista com o lançamento do seu mais recente trabalho, através do EP "De Volta ao Quarto de Som".  

Inteiramente gravado de forma isolada mais uma vez, Tony Babalu brilha como de costume ao tocar guitarras e violões de forma exuberante, absolutamente dentro de seu estilo característico, além de programar instrumentos de apoio.

Rock, Jazz-Rock, Blues, Funk-Rock, Soul Music, Pop e Folk-Rock são muitas as influências que o artista carrega consigo na sua sólida formação e devidamente amalgamado na sua veia artística, expressa sob doses generosas de criatividade e fidedignidade ao seu estilo consolidado como músico, compositor, arranjador e produtor. 

Com sonoridade muito boa na composição de áudio, os temas são agradáveis ao extremo, a garantir o bom embalo proposto pelo melhor da música instrumental e mais especificamente sob as raízes do Rock e do Blues.

Sobre a capa, o artista optou pela mesma concepção do álbum anterior, ou seja, para demarcar uma continuidade do conceito, mas mediante sutis diferenças (a cor vermelha saiu para desta vez predominar o verde como cor básica da capa do disco).

A respeito das músicas, eu acrescento mais algumas observações abaixo.

1) Crash!

Eis o link para escutar diretamente no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=fYF2NSP6iUQ

Tema versado pelo Rock em linhas gerais, tem no entanto, por conta da bateria eletrônica e apoio de teclados, um áudio que lembra bastante as produções dos anos 1980, em torno do Techno-Pop praticado amplamente naquela década. 

Quebra-se tal estigma, todavia, quando a potência sonora da guitarra surge ao imprimir diversas nuances coadunadas com o Jazz-Rock da mais pura estirpe, mediante lindos solos, desenhos harmônicos de apoio, uso muito bom da alavanca da guitarra e sobretudo pelos timbres obtidos, magníficos e condizentes com o bom gosto acentuado do artista e produtor da própria obra. 

2) Neblina

Eis o link para ouvir pelo YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=50eHq9czjmw

Mediante uma divisão rítmica bem balançada que automaticamente permite a inclusão de instrumentos de percussão acrescentados eletronicamente, a sobreposição de guitarras se mostra muito bem concatenada. Gostei bastante do uso do pedal wah-wah, com delicadeza estrategicamente comedida.

Há uma certa brasilidade nessa canção em algumas passagens com a harmonia a sugerir tal influência da MPB instrumental da melhor qualidade.

É belíssimo o solo final, a provar mais uma vez que Tony Babalu, além de tudo, é um mestre na exploração da leveza clássica de uma guitarra Fender Stratocaster. 

3) O Lenhador

Eis o link para escutar no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=b5ldps7NU6I

Eis um tema com violões a mostrar o lado Folk-Rock de Tony Babalu. Nesse campo, o Rock Rural setentista fala alto pela singeleza que se mistura ao Country-Rock. 

Mas não fica apenas nessa observação de minha parte, pois o toque blues se faz presente e assim, o tema nos transporta enquanto imagem sugerida, para alguma localidade do interior de Minas, todavia, pelo milagre que somente a arte pode proporcionar, também nos conecta a uma paisagem do Mississippi, daquelas bem silvestres, onde somente o som do Blues de raiz e do trem a passar pelos trilhos, é ouvido no horizonte.

4) Entre Cristais

Eis o link para ouvir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=DlIvMWIL0Z0

Tema que tem, ao menos na minha percepção pessoal, uma certa identidade com o Rock Progressivo, mostra uma intenção rítmica nesse sentido, além da harmonia e sobretudo pela linha da condução da voz principal melódica feita pela guitarra solada.

5) Shai

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=plrCrZ-9U50

O EP "De Volta ao Quarto de Som" se encerra com o tema "Shai". Tema delicado e com um certo ar Folk-Rock sessenta-setentista, lembrou-me bastante temas dessa mesma natureza contidos em quase todos os álbuns do Led Zeppelin e com aquela inspiração na arte campestre de Roy Harper

No caso, eu sempre tirei o meu chapéu para Roy Harper, exatamente como Jimmy Page recomendou e então eu aproveito também para tirar o chapéu para o mestre Tony Babalu, um artista que deve ser mais que ouvido, mas reverenciado sempre, tamanha a sua importância para a cultura brasileira.

Como observação final, a recomendação da minha parte é óbvia, no sentido que na prática, eu nem preciso ouvir um novo disco lançado por Tony Babalu para saber que ele é bom. Contudo, além da audição ser sempre prazerosa em termos de qualquer novidade perpetrada por esse artista, eu sempre me surpreendo com alguma nuance que ele traz, fruto da sua criatividade inesgotável.  

Ficha técnica:
Exatamente como no trabalho anterior, para produzir o EP "
De Volta ao Quarto de Som", Tony Babalu mais uma vez atuou sozinho, a tocar guitarra & violão e programar os demais instrumentos de maneira eletrônica. Ele mesmo operou a gravação em sua captura inicial e a mixagem & masterização ficou a cargo de Marcelo e Beto Carezzato (Carbonos Studio de São Paulo).
Capa e contracapa: Marina Abromowicz e fotos de Karen Holtz
Distribuição: Tratore
Gravadora: Amellis Records
Lançamento: janeiro de 2024

Aproveite também para ler outras resenhas que eu escrevi sobre os discos anteriores lançados por Tony Babalu

Leia no meu Blog 1 a resenha sobre o álbum “Live Sessions at Mosh:

http://luiz-domingues.blogspot.com/2014/07/live-sessions-at-mosh-tony-babalu-por.html

Leia no meu Blog 1, a resenha sobre o álbum “Live Sessions II”:

http://luiz-domingues.blogspot.com/2017/09/tony-babalu-cd-live-sessions-ii-por.html

Leia no meu Blog 1, a resenha sobre o EP "No Quarto de Som:
http://luiz-domingues.blogspot.com/search?q=No+Quarto+de+Som

Para conhecer ainda mais sobre o trabalho de Tony Babalu, acesse:
YouTube:

https://www.youtube.com/channel/UChJtAvqNkU2xIK_Zcf6KLhw

Spotify:

https://open.spotify.com/artist/4EqJdbKwoA8tjgHUP1qXKa

Deezer:

https://www.deezer.com/br/artist/5251751
Site oficial do artista:

https://www.tonybabalu.com/

Soundcloud:

https://soundcloud.com/tonybabalu/sets/no-quarto-de-som/s-XlJkwED1Z2H?fbclid=IwAR0WD8DjrgRovLTQ8TT4Ev8XHrPlLqPkZrCCZ5AwhWxGM4leQPW4qc3-n3s

Instagram:

https://www.instagram.com/tonybabalu/

Facebook:

https://www.facebook.com/tonybabalu1

Site da distribuidora Tratore:

https://tratore.com.br/um_artista.php?id=6050

Contato direto com o artista:

contato@amellisrecords.com.br

quarta-feira, 15 de maio de 2024

CD: Iron Man is Dead/Anarca - Por Luiz Domingues


Grupo de Rock com destaque na cena brasileira, o "Anarca
" foi fundado em 1979, porém as suas raízes remontam a um passado mais longínquo, em torno dos esforços empreendidos pelo seu idealizador, o guitarrista, tecladista, cantor e compositor, Wagner, popularmente conhecido como: Wagner Anarca.

A paixão pelo Rock nasceu cedo para ele, ainda no decorrer dos anos sessenta, com os olhos e ouvidos grudados no monitor da velha TV em preto e branco a assistir e apreciar as jovens tardes de domingo, através do histórico programa de TV, "Jovem Guarda". 

E ao mesmo tempo, o talento para o desenho se mostrava visível, na medida em que tudo o que pequeno Wagner absorvia culturalmente, expressava de imediato nas folhas de papel em branco, devidamente registrados na forma de ilustrações que ele criava e pelas quais impressionava os adultos por conta da sua habilidade precoce.

Já na adolescência, o estopim final para que ele mergulhasse no mundo da música veio da sua ida aos shows de Rock que foram abundantes nos anos setenta e de onde ele descobriu e se apaixonou por uma banda em específico, o Made in Brazil.

Inspirado na saga dos irmãos Vecchione, eis que Wagner e um grande amigo que ele arregimentou por conta da total identificação em torno dos mesmos ideais do Rock, fundaram uma banda, enfim, a qual batizaram como "Opção", mas que infelizmente não ultrapassou a fase inicial dos ensaios preliminares de construção do material. A seguir, a dupla Rocker montou outro grupo e este empreendeu voos maiores, ao fazer shows pelo circuito estudantil, este a atender pelo título de: "Shock". 

No entanto, esse companheiro de luta montou outra banda e neste caso, falo sobre o saudoso, Lucio Zapparoli, que fundou o "Santa Gang" e Wagner, por sua vez, montou a banda que o marcaria para sempre, a partir de 1979, o "Anarca". A trilhar caminhos diferentes, os dois amigos brilharam a bordo dessas bandas ao longo dos anos posteriores.

Já com o Anarca sedimentado e famoso na cena, eis que a banda cometeu uma tremenda ousadia para os padrões da época, quando lançou um LP duplo ao vivo, que gerou furor pela produção tão avantajada (o Anarca também houvera lançado um compacto). 

A banda tocou muito, colecionou muitas alegrias na carreira e angariou um público entusiasmado pela sua obra, mas eis que um dia, Wagner decidiu trocar de ares e se mudou para os Estados Unidos. Lá, ele conheceu músicos norte-americanos com os quais se entrosou muito bem e rapidamente montou uma banda, o "God's Gift", com a qual lançou dois discos, e tocou bastante.

A arte do desenho seguiu firme em paralelo para Wagner Anarca e não apenas para ilustrar as artes para as capas de discos e cartazes promocionais de shows, mas a render uma quantidade grande de livros publicados com a sua arte ilustrativa, com muita qualidade.

Muitos discos solo advieram, até que a ideia de reativar a Santa Gang de Lucio Zapparoli surgiu como uma possibilidade concreta em 2019, mediante a presença decisiva de Wagner a participar ativamente desse processo. Essa história está contada com mais detalhes em outra resenha que eu preparei, justamente para repercutir o lançamento desse disco, cuja produção ficara a cargo de Wagner Anarca, além da sua brilhante participação como guitarrista, logicamente. 

Para quem não leu, fica o convite então, para tomar contato mais aprofundado com tal obra, através do meu Blog 1:

http://luiz-domingues.blogspot.com/2023/02/cd-lucio-zapparoli-tributosanta-gang.html

No entanto, eis que de forma súbita e muito triste, o Lucio nos deixou, infelizmente, e esse projeto não teve mais andamento por conseguinte.

O tempo passou a atenuar a ferida pela perda do amigo e foi quando o Wagner anunciou uma nova obra do Anarca, gravada nos Estados Unidos e recheada de grandes músicos convidados entre brasileiros e norte-americanos, a se tratar de um rol de artistas talentosos e também amigos de longa data dele (e alguns deles, amigos meus em comum, devo acrescentar).

Vitaminado com muitos bônus a representar as diversas fases da carreira de Wagner Anarca, além das músicas inéditas apresentadas, são muitas as surpresas sonoras oferecidas e a abranger gravações dos anos oitenta até os anos 2020, portanto este álbum traçou um apanhado geral não somente sobre o Anarca enquanto banda, como da persona de Wagner Anarca através de seus muitos trabalhos bem feitos com outras bandas e sob a condução de sua carreira solo, igualmente. 

Com capricho no áudio e na apresentação gráfica, ou seja, duas das especialidades de Wagner, o CD Iron Man is Dead revela um apanhado de Rocks, blues e baladas sob diversas matizes, muito bem executados e com estratégica separação do material de forma bem didática em ordem cronológica decrescente.

Em suma, trata-se de um álbum bem robusto no quesito musical e ricamente ilustrado, inclusive a apresentar diversas páginas de encarte, com muitas fotos dos músicos envolvidos, fotos informais dos artistas e a discografia e bibliografia completa como catálogo, da obra de Wagner

Sobre as canções, tenho mais algumas observações para acrescentar. Conforme eu mencionei anteriormente, as primeiras canções representam então o Anarca revisto dos anos 2020, através de cinco músicas com identidade moderna dentro do campo do Hard-Rock e do Heavy Metal, algumas até com certa dose de experimentalismo, influência de "Doom Metal" e outras vertentes mais contemporâneas do mundo do Rock pesado. 

Para tal missão, ele convocou um especialista, na figura de Wagner Geronimo, vocalista de Heavy Metal brasileiro, famoso no Brasil por seu trabalho com a banda: "Máscara de Ferro" nos anos oitenta e radicado nos Estados Unidos há muitos anos. Também a contar com os ótimos trabalhos do ótimo baterista, Beto Salaberry, e do multi-instrumentista norte-americano, Brian Harelik, com esse quarteto o Anarca atual mostrou o seu lado mais pesado (Pat Scanlon também participou a cantar em uma faixa.

Eis as faixas dessa fase representadas no álbum:
1)
Iron Man is Dead
2)
Fast Track
3)
Sell out Rick
4)
I Will Forever
5)
Leave it Alone

Daí em diante, o álbum mostra as faixas a representar outros trabalhos feitos pelo Wagner Anarca. Por exemplo, a faixa número seis mostra a participação dele como convidado da "Opera-Rock" composta por nosso amigo em comum, o baixista e compositor, Claudio Cruz, chamada: "O Renascer dos Tempos" ou também conhecida como "Musical Ópera Rock", que inclusive eu também fui convidado a participar e trabalho esse do qual eu pude gravar uma outra faixa.

No caso, a participação dele se deu com a música: "Carmen" neste álbum produzido pelo Claudio Cruz e que foi alojada como a sexta faixa do CD Iron Man is Dead.

A seguir, o disco apresenta um conjunto de canções produzidas em 2018, a mostrar um lado mais Rock'n' Roll, Blues-Rock e Country-Rock, tudo muito bem tocado ao extremo, através das faixas:

7) Tears of Rain
8)
Won't you by me (Mercedes Benz?)
9)
Tribute MIB (homenagem ao Made in Brazil)
10)
My Friend (está no álbum CD "Lucio Zapparoli Tributo/Santa Gang")
11)
Pode Esperar
12)
Blues dor Brian (também está no álbum CD "Lucio Zapparoli Tributo/Santa Gang")

Uma boa mostra do trabalho que Wagner desenvolveu com a banda norte-americana, "God's Gift" vem a seguir, a exibir Hard-Rock com forte teor Pop midiático e a conter ecos do movimento grunge dos anos noventa. São faixas coletadas de 1997 a 1999, muito bem executadas por seus componentes.

13) Fire in the Hole
14)
A Little Paradise
15)
All Your Love

A faixa 16 mostra a canção "Sonho Perfeito", cantada em português, gravada em 1990, a conter um som bem característico do Hard-Rock Pop brasileiro da década de oitenta, a me lembrar inclusive o som praticado por uma banda contemporânea do Anarca, a se tratar do "Platina".

Uma canção instrumental, na qual Wagner toca todos os instrumentos e a mostrar doses graúdas de experimentalismo, é a de número 17, intitulada: "Stephaniee's Song"

Uma ótima nova para os fãs mais antigos do Anarca, eis que as faixas 18 e 19, são duas músicas do velho Anarca dos anos oitenta, sob performances ao vivo muito boas e a retratar a boa forma que a banda continha em suas apresentações. São as faixas: "Exposição" e "Contraste".

E para encerrar o álbum, a faixa: "Cartoon" é um trabalho de teclados a conter muitos efeitos sonoros e certamente a destacar a produção gráfica de Wagner como um grande desenhista que ele é.

Em suma, o disco está recheado de boas atrações, é eclético por visitar inúmeras tendências, algumas delas até dispares entre si, os músicos participantes são ótimos em todas as fases retratadas e por fim, o próprio Wagner Anarca brilha intensamente a tocar guitarra, teclados, harmônica e a cantar, além do trabalho de composição, elaboração de arranjos e produção geral.

O disco tem uma apresentação visual excelente e impressiona por tal apuro, além de conter o catálogo completo da discografia e bibliografia de Wagner Anarca e o material é extenso.

Eu, Luiz Domingues) a receber das mãos do músico e ativista cultural, Dalam Junior, a cópia do álbum "Iron Man is Dead" ofertada pelo Wagner Anarca e cuja missão de trazer diretamente dos Estados Unidos coube ao nosso amigo em comum, Dalam, que me entregou o disco em 7 de dezembro de 2023, na estação Klabin do metrô de São Paulo. Click (selfie), acervo e cortesia: Dalam Junior

Para a sua audição, somente existe (por enquanto), em termos físicos como CD tradicional. Talvez seja alojado nas plataformas Streaming e YouTube mais para a frente.

Para encerrar, eu recomendo a audição desse trabalho, certamente, e parabenizo o artista pela qualidade da obra e aliás, da carreira toda como um todo, o que aliás, é bem representado neste álbum. 

Ficha técnica:
CD Iron Man is Dead
Gravado ao vivo e também em estúdio sob diversas fases e circunstâncias de 1986 a 2023.

Wagner Anarca: Guitarra, voz, efeitos de voz, harmônica, bateria e teclados (todas as faixas)
Wagner Geronimo: Voz (faixas 1 a 4)
Beto Sallaberry:  Bateria (faixas 1 a 5)
Paul Scanlon: Voz (faixa 5)
Brian Harelik: Baixo, guitarra, bateria e teclados (faixas 1 a  6, 10, 11 e 12)
Dan O'Brien: Guitarra, baixo e bateria (faixas, 7,8 e 9)
Lucio Zapparoli (in memoriam): Voz (faixas 10,11 e 12)
Ricardo Kako: Bateria (faixas 10 e 11)
Junior: Bateria (faixa 12)
Derek J. Labor: Guitarra e voz (faixas 13, 14 e 15)
Paul Thomas: Baixo e voz (faixas 13, 14 e 15)
Steve Zingo: Bateria (faixa 13)
Willy Anido: Bateria (faixas 14 e 15)
Ulisses Rocha: Voz (faixa 16)
Fabio Xepa: Bateria (faixas 16, 18 e 19)
Rogério GG: Baixo (faixa 16)
Sérgio Testa: Baixo (faixa 18)
William Kusdra: Baixo (faixa 19)

Para conhecer melhor o trabalho de Wagner Anarca, e banda Anarca, acesse:

Anarca - Discogs:
https://www.discogs.com/pt_BR/artist/1791492-Anarca

Anarca no Blog "Toca do Shark", do comunicador, Alexandre Quadros (o qual agradeço inclusive, pois dessa entrevista que ele publicou com o Wagner, eu extraí informações importantes para elaborar a minha resenha)  

http://tocadoshark.blogspot.com/2014/03/wagner-anarca-um-dos-herois-do-som.html

Canal de YouTube de Wagner Anarca:

https://www.youtube.com/channel/UCdtArQwvc-wtUqY0PJf4K9w  

Wagner Anarca - Spotify:
https://open.spotify.com/intl-pt/artist/07tqg0R3CNLQyYujZqg9ng 

Anarca Site:
anarca.com