O cinema, sem dúvida alguma, glamorizou atores
e atrizes aoponto de torná-los mega-celebridades, muito acima do que outros artistas
jamais houveram atingido anteriormente, salvo algumas exceções pontuais do mundo da
música; teatro & dança e da literatura, ainda que em escala muito mais
branda, devido aos meios de comunicação absolutamente mais modestos à
disposição, antes do advento do fascínio gerado pela tela grande.

Naturalmente que uma indústria paralela
cresceu em volta, a explorar tal furor. A imprensa escrita criou meios, os mais
variados para aproveitar tal modismo e ao mesmo tempo tal ação tratou de
retroalimentar o fenômeno, quando potencializou de uma forma incalculável.
Departamentos específicos foram criados nas redações dos jornais, para cobrir o
cinema e revistas surgiram aos montes, especializadas, ao abrir caminho para
todo o tipo de cobertura e plataforma, indo parar até nos álbuns de figurinhas;
nas histórias em quadrinhos e na
própria literatura, que enxergou no cinema um filão e este, em contrapartida,
muito alimentou-se dos livros, a estabelecer uma relação direta, no sentido de
usar romances; contos, crônicas, poesia, ensaios e biografias para que todos esses meios de linguagem pudessem adaptar-se em
filmes.

Com todo esse crescimento, foi mais do
que natural que na linha de frente dessa cadeia de ultra-exposição em escala
gigantesca, os atores tornassem-se celebridades admiradas, aliás mais do que
isso, adoradas, literalmente, ao gerar expectativas.
Naturalmente que a perspectiva
criada no imaginário popular poder-se-ia quebrar a qualquer momento, mediante a
suscetibilidade, a contar com as intempéries humanas e inerentes de tais artistas, a envolver
todo o tipo de sortilégios que acometem qualquer ser humano e aí, por não
fazer-se de rogados, os jornalistas foram atrás também da espetacularização
da miséria humana, para repercutir ao máximo os eventuais desvios de conduta; fragilidades,
segredos pessoais e sim, a “fofoca” gera muito interesse e por conseguinte,
dinheiro.
Surgiram as publicações especulativas e logo o rádio seguiu a
tendência, ao usar o seu espaço no "dial" para tratar desse tipo de discussão e
claro, com o surgimento da TV, isso aumentou ainda mais.

Os grandes astros & estrelas do
cinema foram a envelhecer e tirante tragédias pontuais com a ocorrência de
acidentes; violência urbana ocasional e doenças súbitas, que ceifaram alguns,
ainda em idade jovem e/ou mediana, a maioria deixou-nos por morte
natural mediante o avançar da idade.
Foi por volta das décadas de setenta e
oitenta que uma enxurrada de mortes em grande profusão, de tais celebridades
chocou os fãs, para gerar a impressão de que tais perdas fossem surpreendentes,
como uma espécie de coincidência, talvez uma “maldição”, sinal apocalíptico ou
coisa que o valha. Todavia, o que ocorreu na verdade, foi apenas a decorrência
do curso natural do limite humano e sendo assim, tais artistas deixaram-nos, apenas por ostentarem uma faixa etária mais ou menos equânime e
nesse caso, nada houve de surpreendente, mas apenas, tais pessoas sucumbiram à normalidade da
vida.
O tempo avançou e outras super
celebridades surgiram, não só do meio artístico, mas de outras áreas também.
Gente ligada ao esporte, atletas principalmente, alçaram-se a um patamar olímpico,
com o perdão do trocadilho. E por conseguinte, pessoas dos mais variados campos
da sociedade, notadamente políticos, que inclusive passaram a usar o marketing
cada vez mais para elaborar as suas campanhas eleitorais etc.
E com o surgimento da
Internet, o que já era enorme, amplificou-se muito mais, portanto, a sensação
de grandiosidade das notícias e leve-se em conta a rede de boatos e mentiras
deslavadas, também ganhou uma proporção inimaginável. Para o bem e para o mal,
a super repercussão das notícias, verdadeiras ou falsas, norteiam a imaginação
da opinião pública mundial, na atualidade.

Causou furor em 2016, e de certa forma
a estender-se ao dias atuais de 2017, a escalada vertiginosa de óbitos
ocorridos entre Rock Stars, alguns de proeminência mundial. Muitas pessoas
comentam que tal efeito dominó caracterizou uma onda de azar pela grande
quantidade de perdas sob um curto espaço de tempo, mas a lógica do raciocínio é a
mesma que fora observada, quando muitos astros do cinema das décadas de vinte a
quarenta, principalmente, deixaram-nos tempos atrás, ou seja, muitas pessoas na
mesma faixa etária, a envelhecer e falecer mais ou menos na mesma época.
A
mesma ressalva observa-se sobre casos pontuais de mortes ocorridas por outros
motivos, mas na prática, a realidade é que a geração de Rockers das décadas de
cinquenta e sessenta, principalmente, atingiu uma faixa etária que coloca-os
como pessoas a observar a idade septuagenária a nonagenária em média e assim, é mais do que natural que
deixem-nos.
Desagradável, é claro que queríamos contar com
eles aqui, sempre jovens e a exercer a sua genialidade artística a
influenciar-nos, mas ninguém está acima do limite humano, nem mesmo os gênios e
assim, resta-nos a resignação, ainda que sofrida e o consolo de que a
tecnologia preserva-nos a sua arte através de material de áudio & vídeo,
principalmente, e temos a internet como manancial livre (ao menos por enquanto),
para a exploração de todo o tipo de pesquisa a envolve-los.
“Ars
Imitatur Vitae”, sim... a arte imita a vida, somos mortais e temos a nossa
limitação, não tem outro jeito.
Matéria publicada inicialmente no Blog Limonada Hippie, em 2017.