sábado, 9 de abril de 2022

CD & DVD: Dream 35 Anos (Um Sonho Nunca Morre)/Edzul - Por Luiz Domingues

Cumprir uma meta estabelecida é um dos maiores prazeres que qualquer pessoa pode experimentar na sua existência. A sensação de bem-estar consigo mesma ao constatar que o seu trabalho foi materializado, é algo inenarrável.

É óbvio que seja lá em qual campo for, todo trabalho que alguém se propõe a fazer e o completa de maneira integral, traz no bojo toda uma história pregressa a reunir esforço, estudo, sacrifícios pessoais e outros tantos aspectos envolvidos que no cômputo geral, valorizam ainda mais todo o empenho que teve para chegar no resultado final e se sentir vitorioso, por conseguinte.

Esse certamente é o sentimento dos componentes do grupo de Rock gaúcho, Edzul, tradicional expoente da cena da Serra Gaúcha. Formada na cidade de Bento Gonçalves-RS nos idos de 1981, o nome da banda foi uma junção em tom de corruptela a se destacar as palavras “Éden”, a denotar o paraíso propriamente dito e a cor azul para reforçar o conceito celestial implícito, e dessa forma a se criar o neologismo.

A formação musical básica dos rapazes sempre foi pautada pelo Rock clássico, também o Blues e com direito aos flertes com as suas variantes, o Rock Progressivo setentista, entre outros, que os impactara em sua formação musical desde o princípio de suas atividades. Alguns músicos passaram pela banda e a formação mais estável seguiu firme no decorrer da década de oitenta a compor as suas músicas e tocar muito por diversas cidades vizinhas, até que em 1986, houvesse uma interrupção dessa trajetória, para que os seus componentes pudessem se dedicar a outros projetos.

Foi quando já no avançar da segunda década do século vinte e um em curso, que os seus componentes vislumbraram a oportunidade para uma reunião e melhor ainda, com recursos para registrar esse reencontro com um disco ao vivo e um DVD e assim, finalmente se resgatar aquelas músicas compostas na década de oitenta, devidamente registradas de forma oficial e assim, ofertar aos seus fãs, a sonhada concretização do trabalho, como um belo legado do trabalho que desenvolveram nos anos 1980. E também foi uma segunda efeméride para a banda, o fato do último show realizado por eles ter sido cumprido em 1986, portanto, em 2016, representou muito para eles, se reunirem no palco trinta anos depois.

Dessa forma, o capricho que tiveram para produzir tal material, impressiona, pois mais do que um espetáculo nostálgico (na verdade fizeram dois shows no mesmo espaço, o Anfiteatro Casa das Artes Bento Gonçalves em 6 e 7 de dezembro de 2016 para registrar esse trabalho), tal esforço representou exatamente o que o título da obra sugere, ou seja, um sonho realizado, trinta e cinco anos depois.

E também é digno de elogio o esmero da produção em termos de aparato, pois tal Kit disponibilizado pelo grupo é luxuoso, a conter o CD, o DVD com a edição dos espetáculos e também com uma série de imagens de ensaios, momentos informais da banda durante a sua preparação prévia e nos bastidores das apresentações, além de depoimentos isolados dos integrantes.

Isso sem deixar de mencionar uma inserção dramatúrgica, porém sem texto, a representar a banda na sua juventude, mediante o apoio de jovens atores, o que foi uma ideia bonita para agregar ao documentário. 

E como se não bastasse, esse generoso kit ainda é acompanhado por um belíssimo livro que é ricamente ilustrado com fotos dessa celebração de 2016, mas igualmente com fotos antigas da banda, em sua atuação nos anos 1980, além de muitas peças de portfólio que eles arregimentaram naquela ocasião de outrora.

Portanto, o resgate que planejaram foi além das expectativas, ou seja, veio com requinte a coroar o esforço e honrar a história da banda.

A capa do CD e do DVD são iguais em termos visuais, no sentido de unificar o conceito do show de 2016, contudo, o livro traz uma outra arte como ilustração frontal a usar uma antiga foto da banda nos anos 1980 e assim a reforçar no subtítulo, a perseverança da banda em jamais deixar de acreditar que mesmo sob um longo hiato, deixaria de conseguir lograr êxito e deixar dessa maneira, para todos a mensagem: “Um Sonho Nunca Morre”. De fato, eles provaram que sempre é possível! 

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=gaLBLUpzTJM

Sobre o material registrado em disco e DVD, a primeira música é: “Tração Progressiva” e como sugere o seu nome, é de fato um tema com forte inspiração do Rock Progressivo, com diversas passagens bem interessantes e muito bem executadas por todos os instrumentistas. 

Lembrou-me bastante o som do Pink Floyd em sua fase mais psicodélica, principalmente pela escala cromática que o Edzul executa em forma de riff e também remonta ao som de bandas germânicas como o Nektar e Eloy que faziam esse tipo de junção do Rock Progressivo com o Hard-Rock, com bastante contundência e senso melódico. Deixo a ressalva que são meras impressões pessoais minhas, neste caso das citações que fiz.


Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=wqNxb-ADFXU

Em “Mutante”, a banda toca um vigoroso Hard-Rock, com uma boa letra a discorrer sobre a visão do jovem Rocker a enxergar o mundo com outra lente, fora da normalidade social aceita pela maioria. É boa a condução vocal, inclusive nos backing vocals.

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=dgMkyvqRC_Q

Sem Sentido” tem mais apelo Pop, é bem arranjada e empolga, certamente. 

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=5KfKPCLfLjU

Voo Psicodélico” é um belo tema instrumental, bastante melódico e também a evocar os ecos sessenta-setentistas das melhores influências da banda. Destaque pra a ótima condução da guitarra solo.

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=84_wW55pDek

Blue da Lua” traz o Blues com um sabor bem gaúcho a honrar a tradição que existe tão forte no Rio Grande do Sul em termos de artistas bons do campo do Blues-Rock. Há um interlúdio com a declamação de um pedaço da letra, o que foi um recurso interessante para a dinâmica do show.

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=Or_BziIup0c

Mecanóide" é uma boa balada com apoio do violão e contém um solo de guitarra bastante desenhado e melódico.

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=3pppDJVieBE

Dúvida” mergulha no Rock’n’ Roll visceral com raízes cinquentistas e na sua letra, são várias as menções de artistas das décadas de cinquenta e sessenta que são citadas para reafirmar o compromisso da banda com o gênero.

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=gnOif3-idPQ

Dream” fez com que o baterista Osmar Bottega fosse para a frente do palco para tocar flauta no início da canção. Trata-se de uma balada boa, com forte conexão com o Folk-Rock gaúcho de tanta tradição dentro do Rock brasileiro e também para a MPB.

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=flNSk8X9syg

Cabelos Compridos” é uma balada bastante emblemática a discorrer sobre o sonho que moveu milhões de jovens ao longo do planeta inteiro, a fazer da música uma motivação para mudar o mundo para que este viesse a se tornar um lugar melhor para todos viverem. E o cabelo comprido em si, foi um símbolo forte a denotar essa luta pela realização do sonho.

Eu vou à luta de guitarra e cabelos compridosdiz um trecho da letra e certamente espelha bem o que tal simbologia representou para essa geração.

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=P-_JcBWZcQc

Blue Vadio” é um "slow blues" bem tradicional e que a banda defende muito bem. André Sebben solta a voz na interpretação.

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=WXQdDQ9hVkA

Amigo Inimigo” bebe na fonte do Blues-Rock, com bastante balanço e desenvoltura. 

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=oxsBRHHPqDc

Paralela” é um Hard-Rock com uma estrutura montada em torno de um bom riff, bem setentista em sua inspiração.

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=HvzD6fOjrao

Pro Vizinho do Lado” é um Rock executado com vigor, e a conter boa vocalização. Há uma desdobrada estratégica em um ponto da canção e a seguir, ocorre uma mudança brusca de direção, algo também bem setentista em sua concepção enquanto composição. 

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=pU8S_J0jBag

Paraíso Azul” fecha o álbum com uma sonoridade de balada bem viajante ao sabor do Prog-Rock. Tal tema conta uma harmonia bonita e que dá margem para que todos os instrumentos brilhem. Há em determinada parte uma mudança para uma passagem mais Hard-Rock que traz o vigor mais acelerado no andamento. O tema volta para a parte mais Prog-Rock, para ser encerrado mediante um emotivo solo de guitarra e mais uma parte cantada com bastante ênfase.

Em suma, está de parabéns o Edzul por toda a sua luta empreendida nos anos 1980 e neste momento posterior de 2016, quando lançaram esse luxuoso kit e enfim deixaram o seu legado para o Rock gaúcho e brasileiro.

Formação do Edzul neste trabalho:

André Seben: Voz, guitarra e violão

Osmar Bottega: Bateria e Flauta

Mauro Munari: Guitarra e voz

Ney Massolini: Baixo e voz

Gravado ao vivo no Anfiteatro Casa das Artes Bento Gonçalves, na cidade gaúcha homônima em 6 e 7 de dezembro de 2016

Técnicos de áudio (captura, mixagem e masterização): Fabricio Franco e Carlos Balbinot

PA & monitor: Fabricio Franco e Carlos Balbinot (DWR Som & Luz)

Iluminação: Cleimar Marcelo e Juliandro de Deus

Direção musical: André Sebben

Direção do Show: Mauro Munari

Fotografia: Wagner Meneguzzi

Produção de Mídia: Walkman Produções

Produção de Vídeo e Edição: Altemir Saibel (Altemir Vídeo)

Projeto Gráfico: Sapiens Comunicação

Arte Finalização: Raiane Bariviera

Documentário: Gustavo Bohm Bottega e André Cavalinni

Atores convidados: William Monteiro, Alex Dal Pizzol e Lucian Maciel

Mestre de Cerimônias: Claudio Troian

Direção geral: Osmar Bottega

Apoio: Prefeitura Municipal de Bento Gonçalves, Secretaria de Cultura de Bento Gonçalves, Fundo Municipal de Cultura e Conselho Municipal de Política Cultural

Lançamento em 2017

Para conhecer melhor o trabalho do Edzul, acesse:

YouTube:

https://www.youtube.com/channel/UCxSkIc8XoQ9cA2TuSb74ygg/featured

Facebook:

https://www.facebook.com/edzul35anos

Spotify:

https://open.spotify.com/artist/6I8Ozu6SICiUX9cCQwTIpO

Deezer:

https://www.deezer.com/en/track/358657031

Instagram:

https://www.instagram.com/bandaedzul/

Contato direto com a banda:

bandaedzul@gmail.com


sexta-feira, 25 de março de 2022

CD Contra o Tempo/Osso Duro de Roer - Por Luiz Domingues

Perseverança é uma qualidade que define bem a trajetória da banda de Rock “Osso Duro de Roer” e tanto é assim, que o nome do grupo foi criado exatamente para exaltar tal qualidade que ostenta, ou seja, os seus componentes se orgulham de praticarem o Rock sem concessões, alheios aos modismos e às demandas comerciais impostas por quem controla os movimentos da música dentro da mídia mainstream, do meio empresarial e o que sobrou da moribunda indústria fonográfica.

Oriunda da cidade de Cravinhos, no interior de São Paulo, esse grupo de Rock já detém uma história construída com muita luta e sempre a demonstrar a sua fidelidade ao Rock como um trunfo admirável, mas vai além, ao demonstrar muita qualidade artística. Fundado no início dos anos 2000, lançou um primeiro álbum homônimo em 2008, a seguir, um single em 2019 e outros dois, em 2020 e 2021, respectivamente, todos com apoio de clips especialmente produzidos para a Internet. 

Recentemente (dezembro de 2021), a banda lançou o CD “Contra o Tempo” e neste trabalho, segue na linha do Rock’n’ Roll visceral e aberto ao uso de outras vertentes derivadas com desenvoltura. Portanto, o som da banda trabalha bem com o Hard-Rock clássico de viés setentista e também com as suas modernizações posteriores mediante ecos oitenta-noventistas bem nítidos em sua obra.

A capa desse álbum optou pela simplicidade ao mostrar a foto dos componentes da banda a posar em uma ambiente ferroviário a conter os trilhos de um trem, portanto a denotar um simbolismo interessante sobre trajetória, objetivo, meta etc.

Sobre as faixas que compõe esse trabalho, acrescento mais algumas observações:

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=b83rdNRaqhA

A primeira faixa do disco é: “Contra o Tempo”, música que dá título ao álbum. É interessante o uso do efeito incidental da sonoplastia logo na introdução a apresentar o “tic-tac” de um velho despertador e a seguir, o badalar do sino de uma igreja a demarcar de fato a marcação do tempo. O riff que compõe a construção da canção é pesado, bem naquela predisposição do Hard-Rock com acentuada influência setentista.

Em relação à letra, a proposta é fazer uma reflexão sobre como o fator do tempo impacta a vida das pessoas sob diversos aspectos. Veja abaixo um trecho:

A Vida passa como uma estrada/E muito rápido, não vejo nada/A vida passa entre os seus dedos/Sem minhas memórias eu tenho medo

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=Vwwm5YPXWtQ

Em Frente” começa com o som do baixo a se revelar peso-pesado, mediante um registro médio-grave anasalado que lhe deu muita contundência sonora. É muito bom o riff proposto pela guitarra, assim como a linha de bateria, precisa e executada por acentos rítmicos interessantes.

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=HTy8Kq6n2Xw

Estrada da Cura” tem uma linha em torno do Hard-Rock que lembra bem o estilo do grupo de Rock paulistano, Golpe de Estado, ou seja, a mostrar uma linha melódica Pop em meio à base mais pesada, a estabelecer uma junção interessante nesse sentido. E também por conta da letra com aquele tipo de comunicação bem direta a fazer uso da linguagem coloquial e dessa forma, a cativar de imediato a plateia.

É interessante uma série de convenções ao final, bem setentistas em sua formulação e a denotar uma interação de banda a atuar ao vivo, isto é, a soar com a veracidade e crueza (no bom sentido), real do Rock.

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=bxpT4Ox1RwM

"Fúria” vem a seguir e possui mais uma vez o peso Hard-Rock, porém desta feita a fazer uso de um andamento mais lento e assim demonstrar uma densidade muito grande.

Em sua letra, há uma interessante reflexão sobre a questão da “fúria” em si, todavia, a enxergar um aspecto positivo diante de algo supostamente negativo, no sentido de que a raiva traz também em seu bojo a força para provocar o poder de reação de uma pessoa e assim a tirá-la da apatia por conseguinte.

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=e3i7Zz_jN58

Longe de Casa” é a quinta faixa do disco e mostra uma introdução com a guitarra a pontuar um riff mediante o uso de timbre mais limpo e com tal fator a denotar uma influência mais oitentista em sua essência, ao lembrar o som de algumas bandas nacionais oriundas dessa década.

O refrão é melódico e a ideia de uma segunda voz mais grave no duo vocal foi um recurso inteligente que ajudou a realçá-lo. O solo de guitarra se mostra sucinto, porém bastante eficiente. Ao final, a linha melódica com sentido onomatopaico é um bom recurso para propor a interação do público nos shows da banda, certamente.

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=R0nWHzjQXfE

O Castelo” começa com uma boa linha de baixo em 6/8, bem seguida pela bateria. Com a entrada da guitarra, o som fica muito parecido com o estilo do “Ufo”, banda britânica setentista, mas claro, que o leitor interprete tal comparação como uma mera impressão pessoal minha, pois talvez não tenha sido essa a referência pela qual os componentes do "Osso Duro de Roer” buscaram para compor esse tema.

A música se encerra com a volta à linha da introdução, ao propor o sentido de uma suíte que volta ao ponto de partida, ou seja, uma boa ideia de arranjo.

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=rdkDKAgqxSA

Um Pouco de Discernimento” tem uma linha Blues-Rock muito boa na sua formulação de Riff. Toda a construção da melodia é feita a aproveitar as brechas da divisão rítmica, o que tornou tal construção de composição, muito rica.

Mostra-se excelente o solo de guitarra com o uso de efeito Wah-Wah e o refrão com os backing vocals a reforçar o canto, ficou muito bom ao provocar a interação do ouvinte de uma forma natural.

A proposta da letra, como sugere o título da música, é uma reflexão sobre os propósitos da vida, sem, no entanto, mergulhar em um tipo de discussão mais pesada que provoque a dispersão natural que um tipo de tema dessa magnitude provocaria em uma sala de aula, ou seja, o recado é mais coloquial, bem mais, aliás.

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=1vi91TV9YDU

Apenas mais uma Música” fecha o disco com mais um Hard-Rock bem construído em torno de um riff forte e convenções bem concatenadas.

Neste caso, a proposta foi montar uma ode à música de uma forma ampla, a denotar ser uma ferramenta para tornar a vida melhor, em todos os sentidos. Veja um trecho para entender melhor o que eu observei nesse sentido:

A Música é a Vida/Pra ser vivida, pra ser ouvida/A vida vamos tocando/Reverberando, nunca desafinando

Ao final do tema, mais uma vez a sonoplastia foi usada ao inserir diversos diálogos sobrepostos a gerar um murmúrio sonoro generalizado, mas eis que sobressai uma voz inteligível a dizer: -“a gente só fala bobeira”, ou seja, certamente a se tratar de uma brincadeira interna da banda e cuja captação deve ter sido feito a esmo em algum momento da gravação do disco, dentro do estúdio.

Gostei da informalidade dessa brincadeira, mas me permito discordar, e neste caso também a usar o bom humor, no sentido de que a banda fala sobre temas relevantes em suas letras, ainda que de forma coloquial e bem leve, certamente.

Em suma, o CD “Contra o Tempo” do grupo de Rock, “Osso Duro de Roer” mostra qualidade sonora, criatividade nas composições e arranjos, mediante qualidade artística assegurada.

Esse álbum está disponível para a audição em diversas plataformas streaming e uma tiragem do CD físico também foi lançada, simultaneamente.

Veja o clip da música “Contra o Tempo”, produzido por Matheus Carniel (Folk Filmes) e lançado em 2020.

Eis o link para assistir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=y_fvAEJI4kY

Formação do Osso Duro de Roer:

Lucas Vercezi: Voz

Heltinho Cabral: Guitarra

Rodrigo Dente: Baixo

Eduardo Sajouro: Bateria

Gravada e mixada no Under Estúdios de Ribeirão Preto-SP

Técnico de áudio (captura, mixagem e masterização): Romulo Felício

Capa: criação e lay-out por Felipe Barreto

Fotos: Felipe Barreto

Lançamento em dezembro de 2021

Para conhecer melhor o trabalho do Osso Duro de Roer, acesse:

Facebook:

https://www.facebook.com/bandaossoduroderoer/

Instagram:

https://www.instagram.com/bandaossoduro/

TikTok:

https://vm.tiktok.com/ZMRes7NMT/

Spotify:

https://open.spotify.com/artist/5MHx7h5kAOJSPSJ6klSHf4

Deezer:

https://www.deezer.com/br/artist/70052252

Apple Music:

https://music.apple.com/us/artist/osso-duro-de-roer/1474475226

Amazon:

https://www.amazon.com/Osso-Duro-Roer/dp/B07VCX73Q5/ref=sr_1_3?dchild=1&keywords=Osso+Duro+de+Roer&qid=1631235387&s=dmusic&search-type=ss&sr=1-3

Contato direto com a banda:

helton.cabral@hotmail.com


quinta-feira, 10 de março de 2022

CD Acorda Pra Vida/Nectar Brasil - Por Luiz Domingues

O CD Acorda Pra Vida" do grupo de Rock, Nectar Brasil, chegou às minhas mãos já faz bastante tempo, no entanto, antes tarde do que nunca, eis que no limiar de 2022, quando escrevi estas linhas, eu pude enfim debruçar-me sobe o disco e avaliar com maior profundidade a obra desse Power-Trio baiano.

Antes de mais nada, é preciso salientar que o trio traz como influência não apenas o Rock em sua formação primordial, mas há espaço também para o Reggae em dose maciça, todavia, a raiz do Blues se faz presente com uma sutil participação. Melhor ainda, o Folk abre espaço para que os rapazes coloquem na mesa também a riqueza cultural das tradições nordestinas, múltiplas por natureza, da literatura de cordel do alto sertão à baianidade em específico, que é tão peculiar por si só.

O toque moderno se faz presente pela sonoridade do Indie-Rock internacional e certamente que o som do Rock do Mangue, tipicamente noventista, também se destaca.

No tocante às letras, os rapazes gostam do recado direto em sua forma de se expressar, influência não declarada, mas detectável, ainda que seja uma mera impressão de minha parte, do Hip Hop urbano, ou seja, a voz da periferia que não tem papas na língua.

Sobre a questão do áudio desse álbum que eles lançaram no já distante ano de 2012 (incrível como o tempo voa!), a qualidade é inquestionável, haja vista que gravaram no então prestigiado estúdio “Coaxo do Sapo”, na Bahia, cujo proprietário era ninguém menos que Guilherme Arantes, e assim, sob a batuta de seu filho, o competente, Pedro Arantes e de Gabriel Martini (Alê Siqueira também teve uma participação técnica importante), o trabalho do Nectar Brasil foi valorizado sobremaneira.

Sobre a capa, a parcimônia do aparato gráfico vai de encontro ao discurso de humildade dos artistas, quando no seu release de apresentação, deixam claro que não são pretensiosos ao projetarem a sua própria trajetória na música, o que denota mais do que humildade, mas uma visão realista sobre como funciona a engrenagem do show business e a deixar claro que a sua arte não está à venda.

Portanto, eles optaram por um tipo de capa bem simples, no padrão envelope, a conter apenas capa e contracapa, sem encarte. A ilustração frontal mostra uma formação rochosa amarelada e um dos componentes da banda a observar a paisagem mediante uma cratera dessa mesma formação e pelo seu gestual a insinuar o desalento do homem em relação à condução da vida em sociedade, portanto, a se tratar de uma atitude simbólica, e bem forte, a demarcar uma posição de cunho sócio-comportamental e cultural com contundência. Nesses termos, o nome do disco, “Acorda Pra Vida” ganha força no sentido de se provar como uma chamada incisiva na forma de um alerta generalizado.

E como ilustração de contracapa, vemos que os três integrantes aparecem a contemplar o horizonte, no cume dessa formação rochosa, sob um tratamento fotográfico mais realista, digamos, mas sutilmente metafórico, igualmente. E no label do disco, a opção foi pela utilização de parte da ilustração frontal, o que no silk do disco, se tornou uma imagem bastante emblemática.

Sobre as canções apresentadas no bojo do álbum, eu destaco mais alguns detalhes. 

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=jf5kOAsSUm0

O disco abre com a música: “Dengue de Brasília”, que tem um riff forte e bem típico de Hard-Rock em seu início, mas logo a música adota uma diferente feição ao trazer uma estética Indie-Rock e com a melodia bastante agressiva ao adotar uma verborragia a misturar o Rap moderno e urbano com o formato dos repentistas nordestinos de outrora e sob um teor de letra com forte abordagem em tom de crítica social contundente.

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=HAUvbREdzns

Feira de São Joaquim” tem uma interessante simbiose entre o Blues-Rock e o Reggae. É bastante interessante como a banda se mostra concisa, sem muito "overdubbing" ao optar por soar como se estivesse a tocar ao vivo, sem muitos complementos e assim, mostrar uma firmeza bastante verdadeira. E com uma produção de áudio desse porte, tudo soa de uma forma muito boa, o que valorizou em demasia o trabalho dos músicos.

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=ZSLd6IGC3AE

Água Podre” lembra um pouco o som Grunge dos anos noventa em seu início, mas logo vem a roupagem Reggae tradicional para dar encaminhamento à parte cantada. No refrão, a banda volta a buscar o som mais voltado ao Rock com tal pegada noventista. Mostra-se bem interessante o solo de guitarra com um criativo uso do pedal Wah-Wah.

Na parte da letra, a preocupação com o desmando que acarreta prejuízo à ecologia, se faz presente, veja um verso nesse sentido:

Está caindo água podre dentro d’água do mar/o mundo sobe o mundo desce/e ninguém sabe o que vai dar/caranguejo não tem paz/ peixe também não tem/Amanhã é outro dia/e não se sabe o que é bem 

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=xxB81RZ1u7U

Caminhos” é uma boa balada, com instrumental caprichado. Gostei bastante dos efeitos usados na guitarra, notadamente a caixa Leslie muito bem ajustada, a lembrar bastante uma abordagem setentista em sua timbragem.

Um melódico solo de baixo surge para ornar bem o interlúdio antes que a melodia prossiga para mais versos serem cantados.

A condução do violão tem um trabalho muito importante, sem dúvida, valorizado pelo belo timbre obtido. Eis que um solo de guitarra bastante emotivo surge ao final para fechar muito bem a canção.

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=W1iQcJQz7zY

Na Cabeça do Mangue” é como sugere o seu título, isto é, uma evocação ao som Mangue Beat. Mostra-se bem tocada e os efeitos sonoros de apoio foram bem colocados para lhe garantir um exotismo extra. 

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=cRePMAhZUZk

Tapa na “Ôreia” é a sexta faixa do álbum, com uma levada “Ska” bastante oitentista, a la Paralamas do Sucesso, mas tende a soar como o som dos Titãs em suas partes mais agressivas a sugerir o Punk-Rock, ou seja, a canção é bem oitentista em sua essência ao misturar tais tendências e principalmente pelas timbragens sugeridas a acentuar tal intenção, eu acredito.

Eis o link para assistir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=LB7mfsOn6bA

Eu Vi Você” é um Reggae clássico em sua constituição a buscar o grave ao estilo Dub no baixo, que aos fãs do gênero naturalmente pode ser interpretado como um convite automático para a dança.

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=WPpwKJd2cLQ

A oitava faixa, “Não se Esconda’ tem traço Reggae igualmente, mas a banda ousa ao introduzir certos elementos não exatamente normais nesse estilo, ao menos em sua parte inicial, ao usar um tipo de sonoridade um tanto quanto dissonante.

Todavia, ao longo da canção, a banda opta pela condução tradicional ao soar acentuadamente como um som Pop radiofônico nesse caso.

Negra”, a nona canção, vem a seguir. Trata-se de mais uma canção orientada pelo Reggae, desta feita sob um andamento mais lento. É interessante o solo melódico exercido pela guitarra.

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=wUfBf_9mL7s

A última faixa do disco apresenta a canção homônima ao título do álbum (“Acorda Pra Vida”) e se trata de uma versão ao vivo. Deduzo ter havido um músico de apoio nesse sentido, pois há duas guitarras em curso e ao se configurar ao vivo, a não ser que uma guitarra tenha sido disparada como produto de um áudio pré-gravado, alguém deu apoio para que houvesse solo e base simultaneamente, enfim.

Em suma, o álbum é muito bem produzido, a banda é boa, a sua proposta é consistente e vale a pena conhecer o trabalho desses artistas baianos.

Agradeço ao amigo, Kico Stone, pela indicação da banda e por enviar-me uma cópia desse álbum.

Formação do Néctar Brasil neste disco:

Cerqueira: Guitarra e Voz

Ademir: Baixo

Bateria: Keléu

Gravado no estúdio Coaxo do Sapo na Bahia

Captura, mixagem e masterização: Gabriel Martini e Pedro Arantes

Capa e encarte – Criação e lay-out: Juliano Jacob

Fotos: Kaya Verruno 

Produção de Gabriel Martini e Pedro Arantes

Para conhecer melhor o trabalho do Néctar Brasil, acesse:

Bandcamp:

https://coaxodosapo.bandcamp.com/album/acorda-pra-vida

Facebook:

https://www.facebook.com/NectarBrasil

YouTube (O álbum na integra):

https://www.youtube.com/watch?v=s0elzc7Snu4

Onerpm:

https://classic.onerpm.com/artist/music?artist_id=580155&preview=

Spotify:

https://open.spotify.com/artist/0RCLXzU5dzGW0XVPgAduV9

Contato direto com a banda:

Antonioguitar76@hotmail.com