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sábado, 6 de junho de 2015

A Incrível História do Flama - Por Luiz Domingues


A evolução das histórias em quadrinhos no Brasil, vem de longa data, por remontar ao século XIX, através de diversas publicações ocorridas através de jornais. Não demorou nada, e personagens genuinamente brasileiros, já eram publicados em meio aos internacionais, e ainda que a sofrer o habitual preconceito que o brasileiro nutre pelos seus próprios valores, colocaram-se a lutar bravamente pela sobrevivência e a evoluir.
Nesse panorama, são vários os exemplos de personagens brasileiros criados, entre os quais : “Chiquinho”; “Reco-Reco”; “Bolão”, “Azeitona”; “Pão Duro”; “Tutu”; “Titi & Totó”; “Juca Pato”; “O Amigo da Onça”, e já nos anos sessenta do século vinte, “A Turma da Mônica”. Outros vieram depois, certamente, mas eu parei aí no início dos anos sessenta propositalmente.
“Audaz, o Demolidor”, salvo equívoco de minha parte, teria sido o primeiro personagem com característica de Super-Herói, criado ainda nos anos trinta. Por volta de 1953, a rádio Nacional do Rio de Janeiro, lançou um personagem destemido, chamado : “Jerônimo, o Herói do Sertão”, naturalmente para ser explorado inicialmente no formato de uma radionovela.
Tal formato era tradicionalmente requisitado para retratar dramas adultos, sendo o embrião do que viria a tornar-se em seguida, as telenovelas, com as quais lidamos (ou aguentamos, seria mais conveniente dizer), há quase sessenta anos. Porém, a destoar do romantismo padrão, “Jerônimo, o Herói do Sertão” foi uma aposta ousada de mudança de paradigma, e fatalmente atraiu a atenção do público infantojuvenil, já antenado nas histórias em quadrinhos internacionais, mas também nos seriados exibidos no cinema, com heróis os mais diversos, tais como : Flash Gordon; Superman; Fantasma; Mandrake; Spirit; Batman; Zorro; Tarzan; Dick Tracy e Capitão Marvel, entre outros.
O ator, Mário Lago, envolvido com a locução radiofônica de Jerônimo, nos anos cinquenta

“Jerônimo” foi um estouro de audiência, e rapidamente tornou-se uma referência como herói brasileiro e sertanejo,  adaptado à nossa realidade cultural, por conseguinte. No Nordeste, a Rádio Jornal do Comércio do Recife, retransmitia a produção da Rádio Nacional do Rio, e tratava por espalhá-la pelas rádios regionais dos outros estados vizinhos, a garantir-lhe uma audiência maciça.
E não foi diferente na cidade de Campina Grande, interior do  estado da Paraíba, onde tal fato despertou a atenção de um jovem diretor da Rádio Borborema, chamado : Deodato Borges, que concebeu a ideia em criar um personagem inédito, e lançá-lo no formato de radionovela diária, ao visar concorrer e roubar a audiência que Jerônimo monopolizava entre o público campinense infantojuvenil da época. Com essa determinação, Deodato foi ágil, e muito competente, por ter criado um novo personagem e o seu universo completo; com personagens de apoio, e ao escrever a toque de caixa, inúmeras histórias.
Estava criado : “As Aventuras do Flama”, um super herói brasileiro; paraibano, e cujo objetivo de vida, foi zelar pelo bem estar da comunidade, a intervir sempre que preciso, para coibir ações criminosas de qualquer espécie. Com o material redigido em mãos, ele convocou alguns colegas da emissora, e com ele mesmo a emprestar a sua voz e interpretação ao personagem, tratou em colocar no ar, em 1961, o primeiro episódio do “Flama”.
Na apresentação do herói, a locução contava que o “Flama” testemunhara o assassinato a sangue frio de seus pais na infância, e aos prantos, jurou dedicar a sua vida à caça de todos os bandidos aos quais pudesse capturar, e tirar da circulação social. Desde então, ele estudara todas as técnicas de lutas marciais possíveis e imagináveis; desenvolveu o seu físico ao ponto em obter uma força acima do padrão normal, e tornou-se um expert em ciências.
Bem, em princípio, o autor não quis extrapolar com a criação de explicações exageradas sobre super poderes ao estilo dos heróis internacionais, e mais comedido, atribui-lhe força física além de um homem normal, mas sem nada sobrenatural, e explicável ao ponto de ser apenas fruto de seus esforços mediante o apreço ao condicionamento físico; fisiculturismo; musculação etc. A sua habilidade na luta corporal contra malfeitores, fora por conta de dominar um repertório vasto de técnicas de diversas lutas que estudara, e a vaga ideia de ser um expert em ciências, o elemento que conferiu-lhe subsídios tecnológicos mais avançados para usar como um fator de inteligência. Os personagens de apoio eram : Zico e Bolão (dois amigos prosaicos); Eliana (noiva do Flama), e o comissário Laurence, a autoridade policial super sensata, ao estilo do comissário Gordon, do Batman.
Ao ouvir uma rara locução preservada atualmente, através de um "podcasting" na Internet, encantei-me com o formato coloquial típico da época. Ao comparar-se com o que ouvimos hoje em dia pelas ruas, o coloquial da época era muito sofisticado ! Apesar de não ter sido realizado por atores profissionais, todos os envolvidos na produção, incluso o próprio, Deodato Borges, que interpretava o “Flama” na radionovela, mostravam-se bem desenvoltos. Quando foi ao ar, tornou-se um sucesso mastodôntico em Campina Grande, para deixar a equipe da pequena emissora, boquiaberta, pois não apenas enfrentara, mas estava a vencer a atração da concorrência, “Jerônimo, o Herói do Sertão”.
Inicialmente executado de segunda a sexta, às 13:00 Horas, com cerca de vinte e cinco minutos de duração, cada episódio, teve que empreender uma mudança em seu horário habitual, pois as diretorias de diversas escolas da cidade, reclamaram do fato de que as crianças e adolescentes estavam a chegar atrasados às aulas, por conta da verdadeira febre que “O Flama” estava a causar em Campina Grande. Aos sábados, os rádio-atores promoviam uma execução aberta ao público, direto do auditório da emissora, que fervilhava.
Logo surgiu a ideia em criar-se um fã-clube bem organizado, para distribuir souvenirs do herói, e também instituiu-se a criação de uma carteirinha para sócios, e dessa forma, foi muito difícil uma criança ou adolescente de Campina Grande que ali viveu nessa época, que não a tivesse no bolso, vinte e quatro horas por dia.


Em 1963, a Editora Globo lançou a versão em História em Quadrinhos de “Jerônimo, o Herói do Sertão”, e Deodato Borges foi tão ágil quanto o “Flama” e tratou por desenhar os traços do herói. Rapidamente agilizou igualmente, a produção da versão em HQ de seu herói, com as bênçãos da Rádio Borborema, e apoio imprescindível do Diário de Borborema, jornal local e pertencente ao mesmo grupo da Rádio, que o auxiliou na parte gráfica.
Foi uma loucura total, mas o espírito empreendedor de Deodato Borges concretizou inteiramente o seu intento. Dessa forma, em uma cidade interiorana da Paraíba, no início dos anos sessenta, houve uma publicação a enfocar um Super Herói genuinamente brasileiro, e com o adendo de que nessa altura, já consagrado pelo público local, graças à radionovela.
Mesmo ao não possuir fama sob alcance nacional, e por não ter sobrevida como deveria ter tido, a revista do “Flama” entrou para a história da HQ brasileira, sem dúvida alguma. Nessa primeira abordagem, os traços do Flama lembravam a velha escola da HQ norteamericana.
Ao fazer uso de um uniforme parecido com o do Flash Gordon, e a conter os traços fisionômicos parecidos com o Spirit (além de uma certa aura do Mandrake), nesse aspecto visual não havia tanta identidade tipicamente brasileira, tampouco nordestina, para regionalizá-lo. 

Deodato continuou a sua vida como radialista; produtor e desenhista, tendo feito vários trabalhos muito bonitos, e o seu DNA para os quadrinhos seguiu adiante, pois o seu filho, Deodato Borges Jr., ganhou o mundo e a fama internacional, ao tornar-se um dos maiores desenhistas do planeta.
Sob o nome americanizado como : "Mike" Deodato Jr., ele trabalha para a Marvel, DC e outras companhias internacionais de alto nível, no mercado dos Comics.
Mike já desenhou oficialmente personagens tais como : Thor; Hulk; Os Vingadores, e por bastante tempo, a heroína, Electra, além de uma infinidade de outros personagens.
Claro, dentro do conceito “review”, Mike Deodato redesenhou o personagem do “Flama”, ao modernizá-lo e assim adaptá-lo ao padrão Marvel / DC, e dessa forma, “O Flama” atual mostra-se no padrão de um super herói clássico internacional, tanto pelo uniforme, quanto porte físico e postura / atitude.
Mike é muito respeitado no universo da HQ, e soube valorizar a incrível e histórica criação de seu pai.
Em dezembro de 2014, tivemos no Brasil, em São Paulo, uma edição local da Feira Comic Con, que é uma das maiores, senão a maior feira do universo Comics / Sci-Fi Series & Movies do mundo. Tal evento causou furor, com fãs a acotovelar-se para entrar e apreciar a versão brasileira, recheada com muitas atrações sensacionais. O grande, Deodato Borges, estava confirmado como palestrante, e onde seria homenageado pela sua relevante contribuição à HQ brasileira pela criação do seu incrível personagem, “O Flama”. Infelizmente, alguns meses antes, em agosto, foi vencido por um câncer renal, aos oitenta anos de idade, e assim, deixou-nos.
Teria sido magnífico se ele pudesse ter sido homenageado em vida, em plena Comic Con, mas não foi possível, infelizmente. “O Flama” há em sobreviver com essa repaginada que o ótimo, Mike Deodato Junior deu-lhe, e ainda que tenha perdido um pouco de sua ingenuidade adorável, que caracterizou-lhe na Paraíba de 1961-1963, tenho certeza de que irá dar cabo de muitos bandidos no futuro, para fazer com que a criançada e os adolescentes vibrem.
O Blog do Deodato Borges ainda está no ar, e tomara que o mantenham. Lá, contém histórias muito boas contadas por ele em pessoa, através de diversas crônicas.


O link é:


http://deodatoborges.blogspot.com.br/


Fica aqui a minha admiração pela criação, e espírito empreendedor de Deodato Borges.
Matéria publicada inicialmente no Blog Planet Polêmica, em 2015.

sábado, 19 de outubro de 2013

Ebal, Fábrica de Sonhos - Por Luiz Domingues



Que as histórias em quadrinhos tem uma tradição muito antiga, não resta dúvida. Por embalar a imaginação das crianças e adolescentes, há muitas décadas, as suas mais remotas origens remontam à Idade Média, mediante as histórias sobre cavalaria, mescladas às lendas do folclore etc. No Brasil, um dos primeiros registros que se tem notícia sobre um desenho dessa natureza, deu-se em 1837, quando uma charge criada pelo autor, Manuel de Araújo Porto-Alegre foi apresentada sob o formato de uma litografia.

Angelo Agostini lançaria uma revista com charges e caricaturas, em 1869, e criou personagens tais como : "Nhô Quim", e "Zé Caipora", ou seja, bem brasileiros, e através deles, criticou com veemência a política do segundo Império, de Pedro II. 


Já no século XX, em 1905, surgiu a revista : "Tico-Tico", que popularizou-se com as suas charges, onde destacou-se o cartunista, J. Carlos, que foi o primeiro desenhista brasileiro a trabalhar com um personagem Disney, o Mickey Mouse. O cartunista paulista, Belmonte, tornou-se uma celebridade através dos seus cartoons; charges, e certamente por conta do genial personagem que inventou : "Juca Pato".

Mas ainda não havia no país um grande catalisador que pudesse conciliar essa produção nacional em termos de charges & cartoons, com o movimento de comics, que já era fortíssimo nos Estados Unidos e Europa, a contar com inúmeras publicações; heróis e sagas bem escritas.



Foi nesse contexto, que um jovem empreendedor surgiu no mercado editorial brasileiro, chamado : Adolfo Aizen. No início dos anos trinta, Adolfo Aizen fundou uma pequena editora chamada, "Grande Consórcio de Suplementos Nacionais".

Nessa empreitada, Aizen lançou algumas revistas tais como : "Suplementos Juvenil; "O Mirim" e "O Lobinho" (uma coletânea com histórias, onde foi lançado pela primeira vez no Brasil, heróis internacionais da magnitude de Batman; Superman; The Flash; e Falcão da Noite). No ano de 1945, Aizen fundou uma outra editora, que recebeu o nome de Editora Brasil-América Ltda., que passou a ser conhecida no mercado editorial, e entre seus admiradores, como "Ebal", a sua sigla. Em meio a uma parceria com a Editora Abril, propriedade da família Civita, que estava baseada na Argentina, nessa época, a Ebal lançou personagens Disney, cuja licença pertencia a Abril Cultural.

Com a abertura no Brasil da editora, "Primavera" (mais tarde, "Abril"), Victor Civita, monopolizou a franquia Disney, ao tornar-se doravante a grande rival da Ebal, por décadas, e esta foi forçada a adotar um outro rumo. Em princípio, a Ebal publicou muitos "books" com aventuras; clássicos da literatura adaptados aos quadrinhos, e sagas com heróis selvagens ao estilo de "Sheena, a Rainha das Selvas", e "Tabu", entre outros.

No entanto, o grande trunfo de Aizen esteve mesmo com os super-heróis, e entre eles, o Superman foi um carro chefe da Ebal, de 1947, até 1983, quando a Ebal perdera as suas forças e cedeu os seus direitos à Abril Cultural. Convenhamos, manter um super-herói dessa importância no elenco, por quase quarenta anos, por si só já deveria ser digno de nota, mas a Ebal fez muito mais que isso, na sua história editorial. Muitas histórias sobre detetives, na mais clássica tradição da literatura e cinema "noir", como por exemplo na figura de "Dick Tracy", fizeram enorme sucesso no Brasil.

Flash Gordon", o grande herói Sci-Fi dos anos trinta; "Fantasma", o enigmático misto de herói e entidade imortal; "O Príncipe Valente", "Zorro", "Tarzan"(que dispensa apresentações), etc . Outro filão muito importante que a Ebal trabalhou, foi o dos quadrinhos com heróis ambientados no cenário do velho oeste.

Nesse segmento do Western, a Ebal lançou personagens como : "Bufalo Bill"; "Cisco Kid"; Cheyenne"; "Nevada Kid" e outros.

Com o advento das séries de TV, a Ebal acompanhou o mercado norteamericano, e lançou gibis baseados em tais atrações televisivas, tais como "Gunsmoke"; "Terra de Gigantes"; Os Invasores"; "Bonanza", e outros. Nos anos cinquenta e sessenta, transcorreu o auge da companhia criada pelo grande, Adolfo Aizen, e nesses termos os números por tal empresa, revelaram-se sob um impressionante porte no mundo editorial brasileiro em geral.

A Ebal chegou a vender milhões de revistas. Algumas delas, com tiragens de mais de cento e cinquenta mil exemplares distribuídos nas bancas de revistas, brasileiras. Houve época onde chegou a manter quarenta títulos simultâneos em seu catálogo, e para quem conhece o mercado editorial de revistas, sabe bem que é um número impressionante.

Quando firmou exclusividade com a gigante dos quadrinhos, a DC Comics (Batman e Superman, além de outros personagens nesse elenco fantástico), a Ebal já estava consolidada como a maior editora de histórias em quadrinhos do Brasil, e a sua concorrente, na verdade não a atrapalhava e vice-versa, pois a Editora Abril dedicava-se ao Universo Disney, praticamente, ou seja, mantinha-se fechada em um outro nicho de público, completamente diferente, e Maurício de Souza, uma eventual terceira força no mercado, ainda era um iniciante, com a tira da "Turma da Mônica" a dar os seus primeiros passos no jornal Folha de São Paulo, e longe de ser também um editor de peso no mercado, fator que só conquistou muitos anos depois. Não contente em lançar os heróis da DC no mercado brasileiro, a Ebal passou a trabalhar também com a outra gigante americana, a Marvel Comics, ao tornar-se ainda mais poderosa.


Para quem já dominava o mercado com Batman; Superman, e toda a Liga da Justiça da DC, agora a Ebal passara a trazer na manga : Hulk; Capitão América; Thor; Homem de Ferro; Quarteto Fantástico; Homem Aranha; Namor, e todos os Vingadores do Universo Marvel.


Particularmente, a minha história com a Ebal começou aí, em 1967, quando tal editora lançou no mercado os gibis dos cinco principais heróis Marvel, sob um esforço de marketing em conjunto com a fábrica de brinquedos Atma, e a rede de postos de gasolina, Shell.

Concomitante ao lançamento dos desenhos animados (ou "desanimados", como alguns gostam de enfatizar, pois foram concebidos com o mínimo de movimento, para justamente simular os quadrinhos dos gibis), na TV, essa campanha conjugada fez muito sucesso na época.

O plano "diabólico", arquitetado pelos marqueteiros brasileiros, previu que a cada abastecimento de gasolina (não lembro-me qual teria sido a quantidade mínima, mas creio que tratou-se de vinte litros), nos postos Shell, o motorista ganhava um boneco de plástico de um herói Marvel.


Em 1967, o meu pai foi mais um, entre milhões de pais, que foi atormentado por seus respectivos pequenos pedintes, a esforçar-se em evitar abastecer o tanque do carro da família, em postos cuja bandeira não fosse da Shell...

E claro, tente explicar que um boneco só, é o suficiente para um pequeno colecionador Marvel, e você vai verificar que essa informação "não tem registro", como diria o nosso querido Robot de "Lost in Space"...

Nesse lançamento de 1967, a Ebal lançou de cada Super-Herói, a reprodução da sua origem, em edições muito bonitas.


Na década de setenta, a Ebal seguiu firme na dianteira desse nicho. Porém, nos anos oitenta, infelizmente a editora mais querida dos fãs de quadrinhos, pôs-se a perder o seu fôlego.

Muitos itens de seu portfólio de atrações foram vendidos paulatinamente para a editora Abril; Maurício de Souza já estava consolidado no mercado; e pequenas editoras novas surgiram no mercado, para dividir a atenção do público consumidor. Concomitantemente, o crescente aumento dos então "modernos" vídeo-games, e a subsequente inclusão social na internet não diminuiu o interesse pelos quadrinhos, mas começou a minar a sua plataforma tradicional, impressa.

Reservadamente, Aizen confidenciava aos seus pares, que estava desanimado com tais perspectivas e nesse embalo, a Ebal, infelizmente perdeu terreno. no mercado. No ano de 1991, Aizen faleceu, mas a Ebal tentou prosseguir com a condução dos filhos dele. Aliás, Paulo Adolfo e Naumin Aizen, já comandavam junto com seu pai, a empresa há muitos anos, com a participação também de Fernando Albagli. A Ebal ainda publicaria algumas edições de luxo do personagem, Príncipe Valente, e investiu também em um nicho moderno, o dos mangás japoneses, mas em 1995, fechou as portas, definitivamente, para encerrar uma história muito bonita no mercado editorial brasileiro.

O histórico edifício / sede, localizado no bairro de São Cristovão, no Rio de Janeiro, ainda abriga a gráfica que servia à Ebal. Mas hoje em dia, tal oficina realiza apenas serviços particulares de pequena monta para os comerciantes e moradores do bairro. 

Recentemente (2013), eu li comentários na Internet, preocupados com a especulação imobiliária no bairro de São Cristovão, a defender a ideia do tombamento do edifício, e assim tentar preservar o seu melhor aproveitamento cultural para a comunidade (embora atualmente, a velha gráfica divida o espaço com uma escola).

Indico duas fontes de consulta para quem quiser esmiuçar ainda mais a história da Ebal : existe um Blog na Internet, conduzido por um abnegado historiador da Ebal, chamado Oscar, que é completíssimo. Chama-se "Guia Ebal", e nele, o fã encontra informações sobre todos os lançamentos da editora, comentados e ricamente ilustrados.

O link é :  http://guiaebal.com/

Outra dica que deixo, existe um livro escrito por um pesquisador chamado, Gonçalo Junior, chamado : " A Guerra dos Gibis".

Nele, Gonçalo conta a história dos quadrinhos no Brasil, e a atuação de Adolfo Aizen e sua Ebal, tem um grande destaque.

Código do livro para consulta : ISBN 8535905820

Sou fã da Ebal, e agradeço ao senhor Adolfo Aizen, por toda alegria que proporcionou à milhares de crianças e adolescentes, por décadas, incluso eu mesmo.