quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

EP Eu Sou Neurozen e Você? / Neurozen - Por Luiz Domingues

Neurozen é um fitoativo recomendado pela milenar medicina chinesa, para combater diversas anomalias cerebrais. Faz bem para a cabeça, para definir-se de uma maneira bem popular. 

Mas o que eu quero dizer ao leitor, é sobre um outro Neurozen, que igualmente faz muito bem para a cabeça e principalmente ao ouvido e posso afirmar, para o corpo inteiro, pois provoca a irresistível vontade para dançar. Falo a respeito da banda paulistana, "Neurozen", que lançou recentemente o seu segundo trabalho fonográfico, o EP: "Eu Sou Neurozen e Você?" 

Quarteto liderado por Paulo Pizzulin (trompete e flugelhorn) e André Knobl (saxofones soprano, alto e tenor), e é completada pelo baixista, Xantilee Jesus e o baterista, Vinícius Valentin. Portanto, pela mera observação da formação do grupo, os avaliadores mais ortodoxos seriam levados a crer que o grupo faz um som instrumental hermético, orientado pelo Jazz, com o virtuosismo levado como mote. No entanto, não obstante o fato de que tais elementos citados estejam no bojo do trabalho, a proposta desses artistas é bem mais ampla e generosa, no sentido de que não pretendem fazer música fechada para ser apreciada apenas por outros músicos, mas sim, buscam o alcance popular e tem a vontade em estimular as pessoas a dançar. 

É possível fazer uma música instrumental com bastante sofisticação técnica e provocar a vontade de dançar em um ouvinte comum, que não seja necessariamente um músico? Sim, e o Neurozen logra êxito em seus esforços, ao longo dessa obra.
Sob o ponto de vista musical, o Jazz, sob diversas nuances, está obviamente presente e não seria para menos, ao considerar-se que tal grupo apresenta em sua formação básica, dois sopristas como os solistas do grupo. Mas há igualmente uma dose maciça de ritmos brasileiros variados onde a cozinha da banda pode brilhar bastante e o acréscimo de um músico convidado, foi providencial, visto que o percussionista, Renato Campos, supriu de uma forma magnífica todas as incursões pelos diferentes ritmos propostos, aliás não apenas os brasileiros (samba, xote, baião, maracatu e afins), mas também nas latinidades hispânicas propostas, com muito molho caribenho e igualmente nos ritmos africanos, a mostrar técnica e muita versatilidade. 

E pode-se acrescentar a influência da Soul Music/Funk norte-americana e certas pitadas de Blues, muito bonitas no trabalho. Há espaço até para o experimentalismo, mas sob uma medida bem ajustada, o suficiente para conferir um ar de sofisticação na música dos rapazes, mas sem esmorecer o ânimo do ouvinte não aficionado da sofisticação, ao ponto de fazê-lo perder o ritmo de sua dança.
Sobre a capa, eu gostei muito do trabalho desenvolvido pela artista plástica, Isa Pizzu, que é filha do trompetista. Paulo Pizzulin. Trata-se de uma ilustração super psicodélica, a usar multicores e formas a insinuar pétalas de rosas, balões e até um pirulito, e que assim, mostra-se muito expressiva. 

Nas demais faces da capa, existe uma boa ficha técnica e fotos da banda em uma ambiente náutico, com bastante natureza como cenário em locação. 

Gravação feita no estúdio Orra Meu, de São Paulo, que a priori é um estúdio acostumado a gravar bandas de Rock, eis que neste caso, o seu áudio foi muito feliz em observar uma pressão sonora mais comedida do que a rapaziada desse estúdio está a acostumada a gravar e mixar. A camada de graves, provavelmente advinda do processo de masterização, tratou por aveludar o som da banda, o que agradou-me bastante. Isso ficou nítido em momentos com forte observação de dinâmica, onde o som mais comedido ficou muito agradável para a audição. 

Sobre as faixas, são seis temas, alguns com duração até longa, algo surpreendente nos dias atuais onde o ouvinte comum costuma ouvir música por segundos na internet, mas a intenção aqui não é ser Pop para agradar os marketeiros da difusão mainstream, mas sim, atingir as pessoas e provocar-lhes a vontade em interagir com os respectivos movimentos de seus corpos.
"Miss Lounge" abre o disco. A latinidade está no ar e a percussão joga o molho, sem parcimônia. O trabalho dos sopros é magnífico e a cozinha segura tudo com muita firmeza. Há uma insinuação em prol da Disco Music setentista, ao final e a incidência de palmas humanas para marcar o ritmo, faz lembrar vagamente o som da KC and the Sunshine Band.

"Saudade do que Virá", entra com uma forte dose de brasilidade. Lembrou-me bastante o trabalho de Nivaldo Ornelas. Essa canção é permeada pelo bom gosto no uso de melodias finas, propostas por Paulo Pizzulin e André Knobl, com Vinícius Valentin e Xantilee Jesus a incrementar swing, e mais uma vez enriquecida pela percussão certeira de Renato Campos.
"Suburbana" é a terceira faixa e apresenta mais um tema versado por um ritmo bem brasileiro. Assim como no tema anterior, o nordeste se faz presente na intenção entre o baião e o xote. 

Os  solos são de arrepiar, o que comprova a tese que eu expus no início da resenha, a dar conta de que é possível, sim, haver sofisticação musical no cancioneiro popular. Tema longo, possibilitou a existência de diversas nuances rítmicas e o estabelecimento de uma brutal diferenciação da dinâmica em seu decorrer. O samba apareceu em um dado momento a dar margem para um criativo duo com cuícas. Um pequeno interlúdio a dar margem ao experimentalismo, ficou na medida certa e bonito ao meu ver.

"Relativa", é a quarta faixa e mostra um andamento lento. Talvez seja a faixa mais jazzistica do álbum, com uma beleza muito grande. O baixo do grande, Xantilee Jesus, trabalha com frases em efeito "looping", com o som a apresentar a incidência de efeito do trêmulo. Há uma parte mais acelerada, a conter mais senso de brasilidade, também.

"13º", é bem ritmada. Um verdadeiro convite à dança, quando apresenta partes funkeadas, em sintonia com brasileirismos e fecha o disco de uma forma forte, a suscitar a vontade do ouvinte em querer mais.

Gravado e mixado no Estúdio Orra Meu, de São Paulo-SP
Técnico de gravação: Gustavo Barcelos
Mixagem: Gustavo Barcelos e André Miskalo
Masterização: Breno
Capa (Arte e Lay-Out): Isa Pizzu
Fotos: Denis Argyriu
Assistência: Rogério Lacanha
Produção geral: Neurozen
Lançamento em 2018
Neurozen:
Paulo Pizzulin: Trompete e Flugelhorn
André Knobl: Saxofone (soprano; alto e tenor)
Vinícius Valentin: Bateria
Xantilee Jesus: Baixo

Músico convidado:
Renato Campos: Percussão

Sobre o álbum, é possível escutá-lo na íntegra em plataformas digitais, tais como o Deezer e o Spotify, além da Google Play Music.

Veja um vídeo promocional com a música: "Saudade do que Virá"

Eis o link para assistir no You Tube:

https://www.youtube.com/watch?v=QwM2VlsKgHI

Para conhecer melhor o trabalho do Neurozen, acesse o seu  site:

http://neurozenindiegroove.com.br/

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Neurozen Oficial    

Eis aí uma banda que eu recomendo com ênfase, pela sua excelência musical e ótimas intenções artísticas dentro da cena brasileira.

terça-feira, 25 de dezembro de 2018

O Mercantilismo Natalino - Por Luiz Domingues

Não trata-se de um texto mal-humorado, para destruir o sonho das crianças, mas a cada ocorrência dessa data natalina, a reflexão é inevitável: o caráter mercantilista da festividade, em contraponto diametral ao que deveria ser a evocação da data, ou seja, a mensagem crística sobre a fraternidade entre os membros da humanidade, o amor impessoal e incondicional e a compaixão. 

Em suma, a absoluta consciência de que pensar exclusivamente sobre os bens de consumo e o acúmulo de riqueza, não pode ser considerado como a meta primordial da vida, mas em tempos obscuros onde toda a concepção que opõe-se ao pensamento ultra capitalista, é logo tachado como uma tentativa para impor valores oriundos da mentalidade marxista e execrado de pronto, em prol do mercantilismo selvagem. Repartir é uma palavra feia nos dias atuais, e na contrapartida, estimular o ultra consumo e o materialismo exacerbado que o advém, é considerado como um pensamento avançado, compatível a um modelo político e sociológico que supostamente comprova-se como mais acertado, e por conseguinte, o empreendedorismo do livre mercado, eleito como o difusor do avanço da civilização. Entretanto, é óbvio que toda a beleza desse pensamento, em que somos levados a crer que o mercado rege o mundo e o dinheiro é a energia que deve circular livremente, cai por terra na página dois do manual do pensamento conservador & liberal em prol do capitalismo, pois esbarra rapidamente no egoísmo humano, mediante a sua inerente sede por poder e a trazer a reboque, a vaidade, orgulho, prepotência, arrogância e claro, a inveja, pois a medida de cada pessoa passa a ser: "o quanto o vizinho possuir, eu vou querer ter mais, para suplantá-lo". 
Antes que o leitor que tenda a antipatizar com a minha linha de pensamento, por julgar-me precocemente como um pensador versado pela orientação "socialista", deixo claro que não acredito na utopia marxista, pois acho um horror o comunismo monocrático e mesmo os seus derivados mais brandos, no sentido de que a experiência soviética que espalhou-se por outras tantas nações ao redor do mundo, revelou-se em um retumbante fracasso, pelo autoritarismo. 

E não estou a ser contraditório, pois se no início afirmei que a mensagem de Jesus Cristo (e que coaduna-se com outros avatares, tais como Budha e Krishna, somente para citar os mais famosos, igualmente), versa pelo ideal do amor fraternal, mas o comunismo que encantou idealistas em prol de um mundo mais justo para todas as pessoas, na realidade passou ao largo das revelações espiritualistas, pois falhou miseravelmente e pelos mesmo motivos pelos quais o capitalismo selvagem também falha, ou seja, a suposta igualdade humanitária, esbarra no completo egoísmo. Na teoria, tudo é para todos, mas na prática, aos "normais", fica designada a fila para apanhar o pãozinho bolorento, o salário ínfimo e confiscado, o toque de recolher toda noite... e para a cúpula do partido, as delícias das farras regadas a muitas bebidas e luxos secretos, ao melhor estilo da "decadência ocidental".

Entretanto, a mensagem de Cristo, que é a mesma dos avatares citados e embasada por filósofos, artistas, intelectuais e idealistas ao longo da história, revela-se na verdade acima da dualidade direita & esquerda. 

Sim, a República de Platão, o renascimento e o iluminismo, o sonho menosprezado da Utopia de Thomas Morus, a fuga libertária dos Beatnicks pelas estradas da América do Norte (sem pontuação e regras ortográficas no sentido literal e metafórico), o delírio psicodélico dos Hippies e a sua ingenuidade em sonhar com um mundo fraternal, sem mesquinharias, sem imposição da força pelo poderio das armas e por não acreditar que a força criadora do universo concebeu algumas poucas criaturas melhores em relação a outras, talvez personifique mais adequadamente o que realmente deveria ser refletido em uma festa dessa natureza, a homenagear a aparição de um avatar. 

Em suma, dar um presente para alguém que você nutra um alto grau de consideração pessoal, ou reunir a família em torno de uma mesa de refeição, não pode ser menosprezado como algo que seja "errado", mas todo o mercantilismo em torno desses costumes, é uma afronta ao princípio que rege a verdadeira raiz do pensamento crístico, isto é, a extirpação total do egoísmo e consequente estabelecimento de um mundo mais humanitário, regido por valores mais espiritualizados.
 

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Os Kurandeiros - 22/12/2018 - Sábado / 21 Hs. - Santa Sede Rock Bar - Tucuruvi - São Paulo / SP


Os Kurandeiros

22 de dezembro de 2018  -  Sábado  -  22 Horas

Santa Sede Rock Bar

Av. Luiz Dumont Villares, 2104
Tucuruvi
Estação Parada Inglesa do Metrô
São Paulo  -  SP


Kim Kehl : Guitarra e Voz
Carlinhos Machado : Bateria e Voz
Luiz Domingues : Baixo 

Convidado especial :
Edy Star : Voz

domingo, 16 de dezembro de 2018

Hid Trio - 20/12/2018 - Quinta-Feira / 20 Hs. - Finnegan's Pub - Pinheiros - São Paulo / SP



Hid Trio

20 de dezembro de 2018  -  Quinta-Feira  -  20 Horas

Finnegan's Pub
Rua Cristiano Viana, 358
Pinheiros
Estações : Clínicas (linha verde) e Oscar Freire (linha amarela) do Metrô
São Paulo  -  SP

Hid Trio
Rodrigo Hid : Guitarra e Voz
Ivan Scartezini : Bateria
Luiz Domingues : Baixo

sábado, 15 de dezembro de 2018

Uncle & Friends - 16/12/2018 - Domingo / 16 Hs. - Festival Mulherada Criativa - Vila Pompeia - São Paulo / SP

Uncle & Friends

16 de dezembro de 2018  -  Domingo  -  16 Horas

Festival Mulherada Criativa

Rua Padre Chico x Rua Xerentes
Vila Pompeia
Estação Barra Funda / Palmeiras do Metrô
São Paulo  -  SP
Entrada Gratuita

Lincoln "The Uncle" Baraccat : Guitarra e Voz
Roy Carlini : Guitarra e Voz
Caio Durazzo : Guitarra e Voz
Franklin Paolillo : Bateria
Amanda Semerjion : Voz
Luiz Domingues : Baixo

domingo, 9 de dezembro de 2018

Os Kurandeiros + Edy Star - 15/12/2018 - Sábado / 16 Hs. - Turnê Toca Raul - Casa de Cultura Ipiranga - São Paulo / SP


Os Kurandeiros + Edy Star

15 de dezembro de 2018  -  Sábado  -  16 Horas

Turnê Toca Raul

Casa de Cultura Ipiranga / Chico Science
Avenida Tancredo Neves, 1265
Vila Nancy
Estação Sacomã do Metrô
São Paulo  -  SP

Entrada Gratuita

Edy Star : Voz

Os Kurandeiros :
Kim Kehl : Guitarra e Voz
Carlinhos Machado : bateria e Voz
Luiz Domingues : Baixo

Convidado Especial :
Michel Machado : Percussão