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domingo, 18 de fevereiro de 2024

CD Prazer te Conhecer/Balls - Por Luiz Domingues

O grupo de Rock, "Balls", brilhou intensamente na cena paulistana dos anos 2010, muito por conta da excelência técnica de seus componentes, aliado a uma carga de influências das mais nobres que a banda abraçou como um farol estético muito claro a ser seguido, ou seja, a se tratar da firme determinação de seguir vertentes setentistas clássicas e mais do que isso, com muito requinte.

Dentro dessa escolha que a banda fez, escolas tais como o Blues-Rock, Hard-Rock, Southern-Rock e Jazz-Rock, ou seja, vertentes bem típicas dos anos setenta, foram visitadas com grande desenvoltura e criatividade, a usar as ferramentas de cada estilo de uma maneira muito consciente, no sentido de que denota conter grande conhecimento de causa da parte da banda, como uma unidade e claro, para cada componente no âmbito pessoal.

Se no primeiro álbum a banda já mostrou um vigor impressionante, neste segundo trabalho de sua trajetória, não apenas reafirmou, como ampliou o seu poder de fogo. Aliás, por falar no primeiro álbum, se ainda não leu, deixo o meu convite para que o leitor visite o meu Blog 1 e leia a resenha que eu preparei sobre esse trabalho, ou releia, se for o caso:

Eis o link de acesso:

http://luiz-domingues.blogspot.com/2023/03/cd-ballsballs-por-luiz-domingues.html

Muito bem gravado no quesito da produção (tem o dedo mágico do grande Edu Gomes na captura sonora de estúdio), o CD "Prazer te Conhecer", mostra a banda ainda mais afiada na execução vigorosa de seus temas, detalhista nos arranjos e a denotar aquela gana Rocker tipicamente setentista, que é na prática, um acréscimo de energia e tanto.

No quesito das letras, a opção predominante foi em torno do romantismo, posso afirmar. A relação homem-mulher é abordada quase na mesma intensidade com a qual esse tema era muito recorrente nos tempos sessentistas da Jovem Guarda, claro, guardadas as devidas proporções. 

Em termos de formação da banda para esse segundo trabalho, houve apenas uma mudança, quando o novo baixista, Paulo Pascale, assumiu o posto e claro, a imprimir o seu estilo próprio, com bastante brilho. 

Sobre a apresentação gráfica do disco, a banda optou mais uma vez pela simplicidade visual ao usar o cinza em diversas matizes como cor predominante e a mostrar a ilustração de uma garota sensual bem no canto do enquadramento, mediante bolhas d'água por toda parte, a sugerir uma superfície de vidro sob a ação de vapor, presumivelmente. 

Já no encarte, as fotos dos componentes ilustram a exibição das letras e da ficha técnica de uma maneira bem funcional.

Sobre as canções que compõem o álbum em si, vale a pena destacar mais alguns detalhes. Convido o leitor a escutar o disco enquanto lê o restante desta resenha, e para tal, ouça de maneira completa através do YouTube:

Eis o link para acessar:
https://www.youtube.com/watch?v=c8LkHnHBkj8&list=OLAK5uy_lKxIg8KACPTw2Zw8rZSc_QEIp0_xDA1e8&index=1 

1) Na estrada (Danilo Martire/Fernando Gargantini/Pi Malandrino)

É bem interessante a linha melódica dessa canção e isso é realçado pela ótima interpretação vocal, mediante o apoio dos backings vocals.

Rock com característica Hard, contém solos de guitarras com extremo bom gosto melódico e bem destacados pelo fato de terem sido muito bem timbrados.

2) No Lixo, há luxo (Pi Malandrino/Pepe Bueno)

Esse tema lembra bem o estilo do Hard-Rock brasileiro a la "Golpe de Estado", isto é, a mostrar riff forte, refrão ganchudo, "cozinha" poderosa e ótimos solos.

3) Prazer te conhecer (Pi Malandrino/Erika Dernovsk)

O Blues-Rock mostra a sua face com toda a pompa em "Prazer te Conhecer", a faixa que dá nome ao CD. A canção apresenta aquele clima acentuado no estilo do "Free" ou seja, a usar do andamento lento aliado a uma ótima melodia bem desenhada como essência básica. E também é notável por exibir como acréscimo o ótimo trabalho de guitarras para engrandecê-la.

O duo final de guitarras lembrou-me bastante o som do "Wishbone Ash", com o devida ressalva de se tratar da minha mera idiossincrasia.

4) À primeira vista (Fernando Gargantini/Pi Malandrino/Paulo Pascale/Lauro Santiago/Danilo Martire)

Ao iniciar-se como uma balada, esse tema já chama a atenção pelo bom uso dos detalhes rítmicos empregados, com contratempo estratégico e uso criativo de percussão.

Mas tudo muda quando o riff mais pesado dá entrada um Hard-Rock cheio de energia e pulsação. E ao final a docilidade da balada reaparece para rapidamente fechar a canção.

5) Pneumonia (Pi Malandrino/Fernando Gargantini)

Rock'n 'Roll de enorme apelo dançante, tem o elemento Pop muito forte na sua estrutura, tanto pela melodia contagiante, quanto pela indução clara do backing vocals que convida o ouvinte a interagir.
Gostei muito de um intermezzo, algo nada Pop, aliás, que quebra o apelo radiofônico da canção, mas é justamente aí que (na minha opinião), reside o fator da criatividade, no sentido de ser perfeitamente possível fazer Pop-Rock, com forte apelo popular, mas a incrementá-lo com ornamentos mais robustos. 

6) Doce Fantasia (Fernando Gargantini/Pi Malandrino/Danilo Martire)

Texas Blues na veia! Esse tema empolga desde o início por toda a sua intenção e assertividade dentro do estilo.

7) Olha pra mim (Pi Malandrino/Danilo Martire)

Tema Pop-Rock com vestimenta Hard-Rock, tem o apoio do órgão Hammond, a lhe conferir um sabor irresistível. Gostei muito das convenções, duetos de guitarra e linha de bateria muito bonita. 

8) Raio e Tempestade (Fernando Gargantini/Pi Malandrino/Danilo Martire 

Mais um Blues-Rock com riff forte, gostei bastante do arranjo de guitarras, principalmente perceptível ao se ouvir com fone de ouvido, ou seja, eu recomendo o uso desse expediente, portanto. 

9) Casa comigo (Pi Malandrino/Danilo Martire)

Outro Rock'n' Roll direto e reto, esse tema dá o recado com bastante força, tanto pelo riff poderoso, quanto na levada firme. O solo em dueto e muito bem feito é a prova cabal de que ter dois guitarristas ótimos e super entrosados é um luxo para qualquer banda e o Balls teve essa sorte.

A parte que usa o staccato, algo bem no estilo do "AC/DC", é bem interessante no sentido de se mostrar como um recurso que ao vivo o Balls deve ter usado bastante em seus shows, para gerar euforia em seu público.

10) Nossa história (Fernando Gargantini/Danilo Martire)

A levada de Blues ritmado, é irresistível, logo de início.  E assim a música segue com a sua pegada blues até desembocar em uma jam-session... 

11) Gran finale (instrumental) (Fernando Gargantini/Pi Malandrino/Paulo Pascale/Lauro Santhiago)

Na verdade, essa faixa está contida na faixa anterior como a sua continuidade natural e foi creditada separadamente por ser um tema instrumental com solos e a demarcar o encerramento da canção anterior e no caso, também do disco.

Com clima de jam-session final, empolga pela sua contundência instrumental, com a banda a soltar a mão para encerrar o disco em alta voltagem e possivelmente na mesma predisposição de "Free Bird" do Lynyrd Skynyrd. como uma inspiração, digamos assim.

Em síntese, o Balls apresentou mais um bom trabalho e do qual eu recomendo a audição, sem sombra de dúvida. 

CD Prazer te conhecer/Balls  
Gravado no estúdio Cakewalking - São Paulo-SP - Fevereiro a abril de 2014
Técnico de áudio (gravação/captura): Edu Gomes
Mixagem e masterização: Pi Malandrino
Ilustrações de capa: Aloísio de Castro
Projeto gráfico e diagramação: Danilo Martire
Foto: Tony Sampaio
Arranjos: Balls
Produção geral: Pi Malandrino e Fernando Gargantini

Formação do Balls neste trabalho:
Lauro Santhiago: Bateria
Danilo Martire
: Voz
Fernando Gargantini
: Guitarra e backing vocals
Pi Malandrino
: Guitarra e backing vocals
Paulo Pascale
: Baixo

Músicos convidados:
Mateus Schanosky: teclados na faixa "Olha pra mim"
Paulo "Coruja" Oliveira
: gaita em "Doce Fantasia"
Pepe Bueno
: backing vocals em "Pneumonia"

Para conhecer melhor o trabalho do Balls, acesse:

Canal do YouTube:
https://www.youtube.com/channel/UCfo61bnRtXLBYku-ZNsua1w

Segundo canal do YouTube:
https://www.youtube.com/@BallsAndRoll

Facebook:
https://www.facebook.com/Bandaballs/about_details

Spotify:
https://open.spotify.com/artist/2an1YxR2qW382iv02VHbQC

Deezer:
https://www.deezer.com/en/artist/10462499

YouTube Music:
https://music.youtube.com/channel/UCcaF8OLntZ3HUcFiWblIwOg

Site oficial:
www.balls.com.br

Contato direto com a banda:
balls@balls.com.br

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

Carna Rock! - Los interessantes hombres sin nombre/Boca do Céu e Os Kurandeiros - Sábado, dia 17/2/2024 - 20 horas - Instituto Cultural Bolívia Rock (ICBR) - Bairro da Penha - São Paulo-SP

Carna Rock!

Sábado, dia 17 de fevereiro de 2024 - 20 horas

Instituto Cultural Bolívia Rock (ICBR) 

Mestre de cerimônias: Rogério Utrila

As bandas: "Los Interessantes Hombres Sin Nombres" e "Boca do Céu" realizam a abertura do show: "Pronto Pra Festa", D'Os Kurandeiros"

Rua Doutor Suzano Brandão, 573/543

Penha

200 metros da estação Penha do Metrô

São Paulo-SP

Ingressos antecipados com desconto pelo site Sympla:

https://www.sympla.com.br/evento/carnarock-2024/2311373?share_id=copiarlink

Los Interessantes Hombres Sin Nombres anunciam o lançamento do livro: "70 poemas sem nome" de Marcos Mamuth:

Marcos Mamuth: Guitarra e voz

Ayrton Mugnaini Junior: Baixo e voz

Carlinhos Machado: Bateria e voz

 

Boca do Céu lança o single "1969":

Osvaldo Vicino: Guitarra e voz

Luiz Domingues: Baixo e voz

Laert Sarrumor: Voz

Wilton Rentero: Guitarra

Carlinhos Machado: Bateria

musicista convidada: Renata "Tata" Martinelli: Voz


Os Kurandeiros lançam o show: "Prontos para a festa":

Kim Kehl: Guitarra e voz

Carlinhos Machado: Bateria e voz

Phill Rendeiro: Guitarra e voz

Renata "Tata" Martinelli: Voz e percussão

Luiz Domingues: Baixo e voz

domingo, 22 de maio de 2022

CD/DVD: M.úsica P.ropositalmente B.izarra/Subtotal - Por Luiz Domingues

O Subtotal nasceu no início dos anos 1980, bem no meio do furacão que o movimento BR-Rock 80’s havia gerado. Porém, diferentemente da maioria das bandas surgidas nessa safra, ao se mostrarem orientadas pelas várias vertentes oriundas do movimento Punk e sobretudo da sua continuidade em torno do Pós-Punk (e tampouco pelos admiradores do Heavy-Metal e Hard-Rock oitentista), neste caso o Subtotal se colocou na cena com outro tipo de abordagem e influência.

                 A formação clássica do Subtotal nos anos 1980

Com admiração confessa pela Bossa Nova cinquentista, movimento tropicalista dos anos sessenta e pela então mais recente, Vanguarda Paulista dos anos 1980, a inspiração não foi exatamente o Rock, mas a buscar misturar a MPB mais vanguardista e sobretudo, urbana na sua constituição sonora e na construção poética de suas letras.

O Subtotal atuou até o final da década de oitenta quando encerrou atividades. No entanto, foi em 2006, muito tempo depois, que surgiu a proposta da banda voltar e nesse aspecto, veio com toda a força, a alimentar uma agenda boa desde então, e melhor ainda, a buscar o registro fonográfico para enfim perpetuar o seu legado artístico.

Dessa forma, foi em 2012 que a banda aproveitou bem a oportunidade de gravar e filmar um show realizado em um espaço famoso de São Paulo, ou seja, o palco do Sesc Belenzinho, unidade localizada no bairro homônimo da zona leste de São Paulo, para produzir um belo CD e DVD ao vivo.

Denominado como: “M.úsica P.ropositalmente B.izarra”, o disco traz um conjunto de onze canções, a maioria composições da banda e mais cinco canções adicionais, uma delas da parte da dupla formada por Lé Dantas e Cordeiro, valorosos compositores egressos dos anos setenta, duas do compositor e violonista osasquense, Eron Meira e duas de Edvaldo Santana, um outro bom artista que se notabilizou por criar uma linha de MPB bem próxima do Blues em sua carreira como compositor e intérprete.

Inclusive, o próprio Edvaldo Santana participou do espetáculo como um convidado muito especial e assim, deixou a sua ótima colaboração no CD e também no DVD que está anexado como um bônus do álbum.

O projeto gráfico do disco é de muita criatividade, a apresentar em sua capa frontal a foto de um automóvel da marca Volkswagen, o popular “fusca”, submerso, no leito do mar (ou de um rio), com a sua carcaça já dominado pela vegetação submarina, portanto a denotar o aspecto do possível naufrágio, por conseguinte a abrir uma gama de possibilidades para promover diferentes interpretações sobre o significado que a imagem possa adquirir.

Na parte interna, há uma foto bem conceitual do equipamento da banda a postos no palco para o show, sob a perspectiva do “headstock” de uma guitarra, portanto, a se revelar um belo click.

E na contracapa a exibir a foto da formação da banda que gravou esse disco e que nos dias atuais se modificou levemente, por conta do falecimento do baixista e backing vocalista original da banda, Gilberto Campos, que não está mais entre nós, lamentavelmente, desde 2015.

No encarte vem assinalado o repertório que consta no disco e na contracapa, há uma ficha técnica boa e a descrição completa sobre a formação da banda nessa ocasião.

Assista a performance de “New Funk”, abaixo:

Eis o link para assistir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=XG84nge1zG8

Sobre o repertório do disco, a primeira faixa, “New Funk” traz como sugere o seu título, um super balançado tema versado pela influência do bom Funk, aquele nobre derivado da Soul Music e do R’n’B e neste caso fortemente adaptado à linguagem da MPB com aquele sabor da Vanguarda Paulista de 1980, e por conta de tal característica, lembra demais o trabalho de Itamar Assumpção.

O groove do baixo, bateria e percussão é muito bom, a interpretação vocal segue aquela linha verborrágica e afiada ao estilo de Itamar, como já salientei e a guitarra solo pontua de uma maneira bastante salutar. Destaque também para a excelente dinâmica que a banda desenvolve, com contrastes muito bem colocados entre a intensidade e a amenidade como um recurso muito bem ensaiado.

A letra fala sobre o amor, mas de uma maneira nada usual, daí mais uma semelhança com a poesia alternativa recorrente entre os artistas do movimento da Vanguarda Paulista. Observe:

Faz-me desesperar/Eu nunca sei dizer/Parece ser tão fácil ter você/Mas eu me atrapalho/E fico falando coisas inúteis/Tento saber o que você sente/Tenho claro o destino de nós dois"

"Será que a minha presença te incomoda/O tanto quanto a sua a mim/E já nem sei se tenho medo/Ou se tudo o que eu sentia se acabou/As formas do seu corpo/Não atentam tanto quanto ontem/E é uma pena/Que nada entre nós chegasse a ser completo

Assista abaixo a performance de “Essa Menina”:

Eis o Link para assistir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=975n9ZHasJA

Essa Menina” tem o sabor gostoso de um xote, mas este a se mostrar todo ambientado com uma intenção Pop-Rock ao modo oitentista e assim, poderia tranquilamente ser uma faixa radiofônica.

Em sua letra, há a citação explícita de um verso de uma canção dos Secos & Molhados (“Sangue Latino”), naturalmente a se constituir de uma homenagem e que encaixou bem.

E a instrumentação é toda muito boa, são ótimos músicos e isso soma demais ao trabalho, naturalmente.

Assista abaixo a performance de “Buscapé Xangô”:

Eis o Link para assistir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=yEH4uSANM4c

Buscapé Xangô” é uma canção da dupla, Lé Dantas e Cordeiro, este duo a apresentar relevantes serviços prestados à MPB desde os anos setenta.

Sobre a canção propriamente dita, ela é versada por uma identidade daquela sonoridade que misturava raízes folclóricas com a MPB e a esbarrar no Rock, ou seja, é um tipo de manifestação artística bem setentista em tese, por tal intenção e empolga não só por essa lembrança boa de uma época tão empolgante culturalmente, mas por ela em si, que leva a banda a praticar uma linha de interpretação muito boa.

É ótima a instrumentação, tanto na parte mais amena do início da canção, com ótimas intervenções no arranjo das duas guitarras, quanto na parte mais acelerada e na qual os backing vocals se destacam, além disso, também pelo ótimo final, no qual a percussão se destaca muito positivamente ao ficar isolada e empolgar a plateia.

Assista abaixo a performance de “Energia Primitiva”:

Eis o link para assistir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=wM5K8wZZ3eg

Energia Primitiva” tem um uma força muito grande a soar Pop-Rock, mas com raiz do reggae bem sutil. Mais uma vez a banda se apresenta muito bem em todos os sentidos. Canção do compositor Eron Meira, tem na interpretação do Subtotal, um requinte muito grande. Gostei do solo de guitarra, bem melódico e também da base do violão bem batido.

Assista abaixo a performance de “Jererê:

Eis o link para assistir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=L33aik2HgFA

Jererê” é também uma composição de Eron Meira, que apresenta uma bela harmonia no cômputo geral e por ter sido cantada em duo em alguns trechos e neste caso, a melodia se destaca. 

Gostei bastante da linha de baixo, muito criativa e que deu uma sustentação excelente à canção. Há um vocalize deveras interessante e enigmático, pois não fica claro se foi disparado durante a realização do show ou se algum cantor não revelado o emitiu da coxia, secretamente, visto que ninguém no palco o entoou pelo que se observa no vídeo, mas que também chama a atenção em seu decorrer. 

Assista abaixo a performance de “Nova Ironia”:

Eis o link para assistir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=y5wsOe7NeV0

Nova Ironia” é a sexta faixa e se trata de uma balada com boa influência da MPB, todavia, pelo viés da Vanguarda Paulista, novamente a lembrar bastante o trabalho do grupo "Rumo", ao menos na minha impressão muito pessoal, não tenho a convicção de que tenha sido essa em específico a influência da banda neste caso.

A guitarra base pontuada por efeitos, com a segunda a estabelecer delicados desenhos com certa menção bluesy, ficou muito agradável. E no mais, baixo e bateria flutuam em perfeita sintonia, enquanto a percussão também cria atmosferas bem amenas, pontuais e muito felizes em suas escolhas. É ótimo o solo de guitarra, embora bem curto.

Assista a performance de “Raios do Oriente Médio” abaixo:

Eis o link para assistir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=MYrqY1PRXfM

Raios do Oriente Médio” é uma canção do Edvaldo Santana e ele em pessoa foi um convidado especial para abrilhantar a performance do Subtotal.

E o tema é um Blues misturado com o Reggae, com rica melodia, letra poética muito bem construída. A banda a interpreta de uma forma muito competente. Drausio Silva pontua muito bem ao tocar o acordeon e assim enriquece a performance.

Assista a performance de “Dobradinha” abaixo:

Eis o link para assistir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=Gt0GB_8JBV4

Dobradinha” é um tema bastante interessante pela sua condução bem executada. Gostei bastante da base de guitarra com bastante efeito de caixa Leslie, vocal com bom apoio de backing vocals e bateria com batida seca e muito bem tocada, incluso em uma parte levada na divisão “staccato”, muito interessante e também do solo bluesy com ótimo timbre da guitarra.

Assista a performance de “Menina do Poeta” abaixo:

Eis o link para assistir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=01PmaxTq0Lo

Menina do Poeta” também tem uma intenção Reggae em sua constituição base, porém, na melodia, há um aspecto de inovação mais vanguardista na sua essência a se mostrar como um diferencial. 

Em sua letra, o jogo de palavras chama a atenção, como neste trecho, por exemplo:

A linha ondulante/Cortando sua face/Bordando, vestindo
Sou corpo ao meu/Que fazes da vida?/Mendigas palavras?/O que diz o poeta ao p
apel?/Rouba da mente o inconsciente agente/Detalhas tudo que faz

Assista a performance de “Toda Dúvida” abaixo:

Eis o link para assistir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=wz54HcQfG60

Já sobre a faixa: “Toda Dúvida”, esta música investe no Rock com aquele viés oitentista, ou seja, versado pela estética Pós-Punk que se mostrara predominante naquela década. Lembra bastante o som de bandas como Titãs, Cabine C, Smack e outras que fizeram sucesso naquela ocasião. 

Chama a atenção a intervenção do acordeon conduzido por Drausio Silva, tanto pela execução em si ao pontuar bons fraseados em duo com a guitarra, quanto na sua inclusão no arranjo da canção, por não ser algo muito habitual no cenário do Rock.  

Quem é que não quer ser Feliz” é a última canção do álbum e se trata de mais uma composição de autoria de Edvaldo Santana que a banda interpretou, e diga-se de passagem, de uma forma bem efusiva. A sua sonoridade lembra a grosso modo o som daquela vertente bem setentista do dito estilo do “Samba-Rock” praticado por artistas da pesada tais como: Jorge Bem, Trio Mocotó, Luiz Melodia e outros.

Nesses termos, a banda tem uma performance rica em nuances rítmicas com a percussão e bateria a trabalharem com muita felicidade. Edvaldo Santana a cantou e a sua interpretação vocal também é muito boa, gostei bastante.

O recurso de forçar o efeito do “fade out” natural ao vivo, caiu muito bem, pois forçou a interação da plateia, para depois a banda poder voltar ao tema, girar em sua harmonia mais uma vez e enfim decretar o seu encerramento sob alta vibração.

O álbum tem um padrão de gravação e acabamento final pós-mixagem e masterização, muito bom. Mediante timbres agradáveis, equilíbrio muito feliz nos planos de volume e inteligibilidade perfeita na parte vocal, no tocante às letras. Dessa forma, proporcionou à banda ter um produto de ótima qualidade para ofertar aos seus fãs.

Como um bônus de luxo, há na mesma embalagem a presença de um DVD com o show ao vivo, na íntegra e o padrão da filmagem também se mostra muito bom. Portanto, trata-se de algo mais do que um bônus, mas um verdadeiro presente para o fã do Subtotal ter esse DVD para assistir no conforto do seu lar.

Em suma, o álbum: “M.úsica P.ropositalmente B.izarra" apresenta uma ótima performance ao vivo da parte do Subtotal e assim, a dar uma mostra muito convincente da sua proposta artística. 

A atual formação do Subtotal. Em pé, da esquerda para a direita: Rey Bass, Douglas Silva, Drausio Silva e Jurah Di Ann. Agachados: André Piovan e marcos Soledade "Pepito". Foto: Eduardo Soledade

Com o falecimento do ótimo baixista Gilberto Campos, a banda tem nos dias atuais apenas os irmãos Silva, Drausio e Douglas da formação original dos anos 1980, e alguns companheiros que estiveram na gravação do disco de 2012, como os ótimos percussionistas Marcos Soledad “Pepito” e Jurah Di Ann (no disco, o “Pepito” tocou apenas bateria), e doravante passou a atuar com o acréscimo do não menos ótimo baixista e backing vocalista, Rey Bass e do bom baterista, André Piovan.

Mais um detalhe a ser comentado, o título desse álbum contém notadamente uma intenção ousada sob o ponto de vista da sua apresentação nominal, ao demarcar a sua estranheza ortográfica que insinua a experimentação musical como um mote, mas não chega a ser na prática assim com tamanha radicalização que funciona o som do Subtotal. Há sim, flertes com recursos não exatamente tradicionais presentes na música Pop em geral, porém, a proposta do Subtotal está mais para a formatação musical tradicional e não pela aposta no radicalismo experimental mais intenso.  

Formação do Subtotal neste disco:

Drausio Silva: Voz, violão, guitarra e acordeon

Douglas Silva; Guitarra, gaita e backing vocals

Gilberto Campos (in memoriam): Baixo e backing vocals

Jurah Di Ann: Percussão e backing vocals

Marcos Soledade “Pepito”: Bateria

Músico convidado:

Edvaldo Santana: Voz e violão nas canções: “Blues do Oriente Médio” e “Quem é que não quer ser Feliz”

M.úsica P.ropositalmente B.izarra foi gravado ao vivo no palco do Sesc Belenzinho de São Paulo-SP, em agosto de 2012.

Editado, mixado e masterizado no estúdio Big Red (www.estudiobigrec.com.br)

Técnico de gravação, mixagem e edição: Mauricio Pastori

Técnico de masterização: Bill Reinikova

Assistente de palco: Pedro Campos

Projeto gráfico e edição de vídeo: Douglas Silva (www.zpolt.com.br)

Produção do vídeo: Visual Design Produtora Audiovisual

Fotos: Alex Mustard (capa) (www.amustard.com)

Sérgio Ribeiro de Barros (contracapa)

Para conhecer melhor o trabalho do Subtotal, acesse:

Site Oficial do Subtotal:

http://www.subtotal.com.br/

Página no Facebook:

https://www.facebook.com/BandaSubtotal/

Contato direto com a banda:

contato@subtotal.com.br

YouTube:

https://www.youtube.com/channel/UCnviJNyETAEW2qvXgF1eKIw/featured

Spotify:

https://open.spotify.com/album/1sB5e2sGT4DgnO4jFQZcQN?si=4hZmYQpIQJCVcneI2WLwVg&fbclid=IwAR3hDx440QMQGnYdvapMXt2c8roAbkZclaTKwIAa140CLuVQyE3_jpRt_BM&nd=1