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domingo, 18 de fevereiro de 2024

CD Prazer te Conhecer/Balls - Por Luiz Domingues

O grupo de Rock, "Balls", brilhou intensamente na cena paulistana dos anos 2010, muito por conta da excelência técnica de seus componentes, aliado a uma carga de influências das mais nobres que a banda abraçou como um farol estético muito claro a ser seguido, ou seja, a se tratar da firme determinação de seguir vertentes setentistas clássicas e mais do que isso, com muito requinte.

Dentro dessa escolha que a banda fez, escolas tais como o Blues-Rock, Hard-Rock, Southern-Rock e Jazz-Rock, ou seja, vertentes bem típicas dos anos setenta, foram visitadas com grande desenvoltura e criatividade, a usar as ferramentas de cada estilo de uma maneira muito consciente, no sentido de que denota conter grande conhecimento de causa da parte da banda, como uma unidade e claro, para cada componente no âmbito pessoal.

Se no primeiro álbum a banda já mostrou um vigor impressionante, neste segundo trabalho de sua trajetória, não apenas reafirmou, como ampliou o seu poder de fogo. Aliás, por falar no primeiro álbum, se ainda não leu, deixo o meu convite para que o leitor visite o meu Blog 1 e leia a resenha que eu preparei sobre esse trabalho, ou releia, se for o caso:

Eis o link de acesso:

http://luiz-domingues.blogspot.com/2023/03/cd-ballsballs-por-luiz-domingues.html

Muito bem gravado no quesito da produção (tem o dedo mágico do grande Edu Gomes na captura sonora de estúdio), o CD "Prazer te Conhecer", mostra a banda ainda mais afiada na execução vigorosa de seus temas, detalhista nos arranjos e a denotar aquela gana Rocker tipicamente setentista, que é na prática, um acréscimo de energia e tanto.

No quesito das letras, a opção predominante foi em torno do romantismo, posso afirmar. A relação homem-mulher é abordada quase na mesma intensidade com a qual esse tema era muito recorrente nos tempos sessentistas da Jovem Guarda, claro, guardadas as devidas proporções. 

Em termos de formação da banda para esse segundo trabalho, houve apenas uma mudança, quando o novo baixista, Paulo Pascale, assumiu o posto e claro, a imprimir o seu estilo próprio, com bastante brilho. 

Sobre a apresentação gráfica do disco, a banda optou mais uma vez pela simplicidade visual ao usar o cinza em diversas matizes como cor predominante e a mostrar a ilustração de uma garota sensual bem no canto do enquadramento, mediante bolhas d'água por toda parte, a sugerir uma superfície de vidro sob a ação de vapor, presumivelmente. 

Já no encarte, as fotos dos componentes ilustram a exibição das letras e da ficha técnica de uma maneira bem funcional.

Sobre as canções que compõem o álbum em si, vale a pena destacar mais alguns detalhes. Convido o leitor a escutar o disco enquanto lê o restante desta resenha, e para tal, ouça de maneira completa através do YouTube:

Eis o link para acessar:
https://www.youtube.com/watch?v=c8LkHnHBkj8&list=OLAK5uy_lKxIg8KACPTw2Zw8rZSc_QEIp0_xDA1e8&index=1 

1) Na estrada (Danilo Martire/Fernando Gargantini/Pi Malandrino)

É bem interessante a linha melódica dessa canção e isso é realçado pela ótima interpretação vocal, mediante o apoio dos backings vocals.

Rock com característica Hard, contém solos de guitarras com extremo bom gosto melódico e bem destacados pelo fato de terem sido muito bem timbrados.

2) No Lixo, há luxo (Pi Malandrino/Pepe Bueno)

Esse tema lembra bem o estilo do Hard-Rock brasileiro a la "Golpe de Estado", isto é, a mostrar riff forte, refrão ganchudo, "cozinha" poderosa e ótimos solos.

3) Prazer te conhecer (Pi Malandrino/Erika Dernovsk)

O Blues-Rock mostra a sua face com toda a pompa em "Prazer te Conhecer", a faixa que dá nome ao CD. A canção apresenta aquele clima acentuado no estilo do "Free" ou seja, a usar do andamento lento aliado a uma ótima melodia bem desenhada como essência básica. E também é notável por exibir como acréscimo o ótimo trabalho de guitarras para engrandecê-la.

O duo final de guitarras lembrou-me bastante o som do "Wishbone Ash", com o devida ressalva de se tratar da minha mera idiossincrasia.

4) À primeira vista (Fernando Gargantini/Pi Malandrino/Paulo Pascale/Lauro Santiago/Danilo Martire)

Ao iniciar-se como uma balada, esse tema já chama a atenção pelo bom uso dos detalhes rítmicos empregados, com contratempo estratégico e uso criativo de percussão.

Mas tudo muda quando o riff mais pesado dá entrada um Hard-Rock cheio de energia e pulsação. E ao final a docilidade da balada reaparece para rapidamente fechar a canção.

5) Pneumonia (Pi Malandrino/Fernando Gargantini)

Rock'n 'Roll de enorme apelo dançante, tem o elemento Pop muito forte na sua estrutura, tanto pela melodia contagiante, quanto pela indução clara do backing vocals que convida o ouvinte a interagir.
Gostei muito de um intermezzo, algo nada Pop, aliás, que quebra o apelo radiofônico da canção, mas é justamente aí que (na minha opinião), reside o fator da criatividade, no sentido de ser perfeitamente possível fazer Pop-Rock, com forte apelo popular, mas a incrementá-lo com ornamentos mais robustos. 

6) Doce Fantasia (Fernando Gargantini/Pi Malandrino/Danilo Martire)

Texas Blues na veia! Esse tema empolga desde o início por toda a sua intenção e assertividade dentro do estilo.

7) Olha pra mim (Pi Malandrino/Danilo Martire)

Tema Pop-Rock com vestimenta Hard-Rock, tem o apoio do órgão Hammond, a lhe conferir um sabor irresistível. Gostei muito das convenções, duetos de guitarra e linha de bateria muito bonita. 

8) Raio e Tempestade (Fernando Gargantini/Pi Malandrino/Danilo Martire 

Mais um Blues-Rock com riff forte, gostei bastante do arranjo de guitarras, principalmente perceptível ao se ouvir com fone de ouvido, ou seja, eu recomendo o uso desse expediente, portanto. 

9) Casa comigo (Pi Malandrino/Danilo Martire)

Outro Rock'n' Roll direto e reto, esse tema dá o recado com bastante força, tanto pelo riff poderoso, quanto na levada firme. O solo em dueto e muito bem feito é a prova cabal de que ter dois guitarristas ótimos e super entrosados é um luxo para qualquer banda e o Balls teve essa sorte.

A parte que usa o staccato, algo bem no estilo do "AC/DC", é bem interessante no sentido de se mostrar como um recurso que ao vivo o Balls deve ter usado bastante em seus shows, para gerar euforia em seu público.

10) Nossa história (Fernando Gargantini/Danilo Martire)

A levada de Blues ritmado, é irresistível, logo de início.  E assim a música segue com a sua pegada blues até desembocar em uma jam-session... 

11) Gran finale (instrumental) (Fernando Gargantini/Pi Malandrino/Paulo Pascale/Lauro Santhiago)

Na verdade, essa faixa está contida na faixa anterior como a sua continuidade natural e foi creditada separadamente por ser um tema instrumental com solos e a demarcar o encerramento da canção anterior e no caso, também do disco.

Com clima de jam-session final, empolga pela sua contundência instrumental, com a banda a soltar a mão para encerrar o disco em alta voltagem e possivelmente na mesma predisposição de "Free Bird" do Lynyrd Skynyrd. como uma inspiração, digamos assim.

Em síntese, o Balls apresentou mais um bom trabalho e do qual eu recomendo a audição, sem sombra de dúvida. 

CD Prazer te conhecer/Balls  
Gravado no estúdio Cakewalking - São Paulo-SP - Fevereiro a abril de 2014
Técnico de áudio (gravação/captura): Edu Gomes
Mixagem e masterização: Pi Malandrino
Ilustrações de capa: Aloísio de Castro
Projeto gráfico e diagramação: Danilo Martire
Foto: Tony Sampaio
Arranjos: Balls
Produção geral: Pi Malandrino e Fernando Gargantini

Formação do Balls neste trabalho:
Lauro Santhiago: Bateria
Danilo Martire
: Voz
Fernando Gargantini
: Guitarra e backing vocals
Pi Malandrino
: Guitarra e backing vocals
Paulo Pascale
: Baixo

Músicos convidados:
Mateus Schanosky: teclados na faixa "Olha pra mim"
Paulo "Coruja" Oliveira
: gaita em "Doce Fantasia"
Pepe Bueno
: backing vocals em "Pneumonia"

Para conhecer melhor o trabalho do Balls, acesse:

Canal do YouTube:
https://www.youtube.com/channel/UCfo61bnRtXLBYku-ZNsua1w

Segundo canal do YouTube:
https://www.youtube.com/@BallsAndRoll

Facebook:
https://www.facebook.com/Bandaballs/about_details

Spotify:
https://open.spotify.com/artist/2an1YxR2qW382iv02VHbQC

Deezer:
https://www.deezer.com/en/artist/10462499

YouTube Music:
https://music.youtube.com/channel/UCcaF8OLntZ3HUcFiWblIwOg

Site oficial:
www.balls.com.br

Contato direto com a banda:
balls@balls.com.br

quarta-feira, 22 de março de 2023

CD Balls/Balls - Por Luiz Domingues

O primeiro trabalho da banda de Rock, Balls, com denominação homônima, foi lançado em 2012, e já de pronto mostrou o vigor de uma banda excelente, constituída por músicos de alto gabarito, compositores inspirados e amparados por um rol de influências nobres da história do Rock, que lhes garantiu um subsídio fortíssimo como bagagem básica para fazer da sua obra inicial, um belíssimo cartão de visitas.

Banda influenciada fortemente por dois pilares básicos, o Blues-Rock britânico e o Southern Rock norte-americano (há forte pitadas de Hard-Rock e Rock'n' Roll, igualmente), o Balls mostrou com muita desenvoltura tais inspirações no seu primeiro álbum e credenciou automaticamente o grupo para adentrar o circuito de shows nas melhores casas noturnas e teatros de São Paulo, além de ter proporcionado voos maiores, como por exemplo ao garantir participação no festival Lollapalooza na sua edição de 2012, e merecidamente por sinal.

Na prática, o som que se ouve no disco homônimo, é vigoroso ao apresentar uma cozinha firme ao extremo (Alexandre Favero no baixo e Lauro Santhiago na bateria), para dar vazão ao belo trabalho empreendido pelos dois guitarristas (Fernando Gargantini e Pi Malandrino), mediante um arsenal poderoso de riffs, solos e bases muito bem encaixadas e criativas que ambos conceberam em perfeita sintonia entre si.

Cabe destacar igualmente o ótimo trabalho de voz da parte do vocalista principal, Danilo Martire, que anos depois de sair do Balls mergulhou em uma bem sucedida carreira solo, além de ter tido uma rápida passagem pelo grupo, "Delta Crucis".

No campo das letras, o Balls expressou nesse álbum uma linha de poesia urbana calcada em questões do cotidiano com uma acentuada ênfase aos relacionamentos afetivos como um mote mais recorrente. 

Sobre a capa do disco, a ilustração mostra a silhueta de uma mulher de forma parcial a realçar as suas pernas, com uma nítida exaltação ao charme feminino implícito. Trata-se de uma capa tripla a conter um fundo único, vazado e com predomínio da cor marrom, com o logotipo da banda e a figura feminina em preto, o que proporcionou um contraste interessante.

Na contracapa ou face tripla dessa capa aberta, destaca-se a foto promocional da banda perfilada e uma sucinta ficha técnica da produção para compor o cenário. Na face interna, a foto desfocada de uma bela guitarra Gibson Les Paul fecha o trabalho gráfico de muito bom gosto assinado pela Lutheria Design. No "label" do disco, a silhueta da mulher a mostra com as pernas desnudas e aí sim, a investir na sensualidade mais acentuada, sem perder, no entanto, a classe, de maneira alguma.

Sob um padrão de áudio moderno, todavia sem perder a intenção de se buscar os timbres "vintage" na sua concepção, eis que o disco do Balls soa muito bem, a valorizar ainda mais o nível técnico avantajado da parte de seus componentes, mas sobretudo em relação ao seu conteúdo artístico de ótimo padrão.

Sobre as músicas que estão contidas nesse álbum, eis as minhas impressões sobre cada uma:

"A Noite Inteira é Rock"
Link do YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=e6izf4hxlqQ

Bem setentista na sua essência, essa música tem um belo riff no cômputo geral. Há momentos de duo das guitarras que são realmente muito bonitos, e o solo mostra senso melódico, amparado por um belo timbre, enquanto a base especialmente construída se mostrou bastante ritmica, muito interessante. 

"Ela tem Tudo"
Link do YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=FaySsIcEy5I

Essa canção lembra bastante o trabalho do "Aerosmith" pela sua vibração e sobretudo pelo apelo Pop irresistível na sua formulação melódica e rítmica. Com baixo e bateria super balançados, excelente trabalho de guitarras, tanto na base como solo (os timbres são sensacionais), e uma ótima interpretação vocal (incluso backing vocals bem colocados), a música evoca a sensação de euforia típica de uma festa.

"Até Agora"
Link do YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=Pd4edKFGLP0

Blues-Rock vigoroso em sua formatação básica, essa canção tem uma linha de baixo e bateria super balançada, o que valoriza sobremaneira o arranjo. Mais uma vez é muito agradável ouvir (e nesse caso eu recomendo o uso de fone de ouvido) o trabalho muito bem encaixado de base feito pelas duas guitarras, algo bem estudado e muito preciso.

Os solos são ótimos mais uma vez e munidos por timbres que empolgam os apreciadores das sonoridades vintage, meu caso. Há uma surpresa exótica bem ao final da canção, quando o ouvinte é induzido a pensar que acabou, mas não exatamente, preste atenção.

"Brincando com Fogo"
Link do YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=iVAyskU-gHY

Rock'n' Roll com alta voltagem de bom astral inerente, é um convite à dança, de imediato. 

"Fazer Nada"
Link do YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=3QtOYIrkWRA

Eis a vertente do Southern-Rock aqui representada com todos os signos dessa maravilhosa escola do Rock norte-americano. E claro, com direito a solo de slide, na melhor tradição do gênero. 

A letra é bem divertida a falar sobre o ócio, quando diz: "não fazer nada, só tocar guitarra", ou seja, ao contrário do que certas pessoas pensam, tocar é estar a fazer algo muito bom!


"Do Homem Pra Mulher"
Link do YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=V2k0JiQWCr0

Chama a atenção logo de início a bela linha de baixo construída, que abre caminho para um apoio com um riff bem ao estilo do Blues-Rock mais clássico e que lembra muito o Acid-Rock de Jimi Hendrix.

Gostei da construção da linha melódica e do apoio dos backing vocals, muito bem engendrados. A bateria é demolidora no seu peso e brilhante na execução, além de que a concepção do solo se apresenta feliz ao extremo e bem amparada pela base criativa que o sustenta.

"Eu Era como um Rei"
Link do YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=7gbiReiO6-s

Mais um tema com forte influência do Southern-Rock, tal canção mostra mais uma vez uma boa construção de arranjo da parte de todos os componentes da banda.

"Tocando a Gente se Entende"
Link do YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=OsarHqBVZGQ

O Hard-Rock setentista é bem proeminente como estilo nesta faixa, com um riff bem típico e reforçado pela linha de bateria e baixo, bastante feliz em sua execução. A melodia é ótima e mais uma vez os timbres são exemplares, com excelente distinção entre as duas guitarras, por exemplo, como um enriquecedor adendo para o áudio da canção.

"Pela Passarela"
Link do YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=oJIcQoYYhg4

Rock'n' Roll rasgado, a música empolga desde o seu primeiro acorde. A linha do baixo insinua em certas passagens a Disco Music setentista ou seja, a reforçar o clima de festa, super dançante.

"A Próxima"
Link do YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=bxN45hZrlxY

Mais um Rock'n' Roll com bastante identidade setentista e com uma sincronia excelente entre as duas guitarras, aliás, uma marca registrada da banda em toda a sua obra.

"Seguindo em Frente"
Link do YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=gnL0wZx9rsI

Para fechar o disco, esse tema tem uma melodia bastante interessante, reforçada pelo fato de ser vocalizada em duo em muitas partes. 

O teor da letra, versa sobre perdas na vida, e nesse aspecto tem uma resolução diferente do que se espera nesse tipo de abordagem, ou seja, sem nenhum lamento melancólico, o recado é de absoluta convicção na auto confiança, portanto, louvável, quando diz por exemplo: 

"Meu tempo é precioso demais, perdê-lo é andar para trás", em suma, uma mensagem muito assertiva, gostei muito.

Para finalizar, digo que que o Balls é uma banda que merece ser escutada com muita atenção, pelos seus atributos musicais avantajados, referências nobres e também pelo seu áudio que é muito caprichado em todos os quesitos.

CD Balls/Balls  
Gravado no estúdio Diginalogo - São Paulo-SP - Junho a dezembro de 2011
Técnico de áudio (gravação/captura): Marcos Azzella
Mixagem: Pi Malandrino
Arte e lay-out de capa: Lutheria Design (www.lutheriadesign)

Formação do Balls neste trabalho:
Alexandre Favero: Baixo e voz
Lauro Santhiago: Bateria
Danilo Martire: Voz
Fernando Gargantini: Guitarra
Pi Malandrino: Guitarra e voz

Para conhecer melhor o trabalho do Balls, acesse:
Canal do YouTube:
https://www.youtube.com/channel/UCfo61bnRtXLBYku-ZNsua1w

Segundo canal do YouTube:
https://www.youtube.com/@BallsAndRoll

Facebook:
https://www.facebook.com/Bandaballs/about_details

Spotify:
https://open.spotify.com/artist/2an1YxR2qW382iv02VHbQC

Deezer:
https://www.deezer.com/en/artist/10462499

YouTube Music:
https://music.youtube.com/channel/UCcaF8OLntZ3HUcFiWblIwOg


sexta-feira, 30 de setembro de 2022

CD DM/Danilo Martire - Por Luiz Domingues

Cantor, compositor, multi-instrumentista e professor de canto, Danilo Martire tem uma carreira prolífica, sempre a lançar novidades como singles e álbuns completos em alternância estratégica, normalmente apoiados com clips bem produzidos e disponibilizados na internet.

Danilo já foi vocalista de uma boa banda do estilo Hard-Rock e com forte influência setentista, o “Balls” e também componente, ainda que por pouco tempo, do grupo de Rock, “Delta Crucis”, além de outros trabalhos coletivos, mas é através da sua carreira solo que ele concentra a sua maior carga e o faz com bastante desenvoltura.

No cômputo geral, o Rock sob diversas nuances é o seu foco, entretanto, Danilo Martire é um artista eclético e aberto a várias tendências, portanto, as suas composições e sobretudo o estilo de sua interpretação é multifacetado, a caracterizar um artista que sofreu influência bastante diversificada a abranger além de muitas escolas distintas dentro do Rock, também as nuances da MPB e da Black Music de uma forma generalizada.

Neste álbum em específico, denominado como: “DM” (que aliás, mediante tal título eu creio que se dispensa qualquer explicação de minha parte ao leitor, pela obviedade do que se trata), eu notei toda essa riqueza musical nas suas boas composições e além do áudio bem caprichado, há de se destacar a ótima interpretação vocal de sua parte e de toda a parte instrumental excelente, da parte dele e de todos os músicos envolvidos na gravação e dois quais, eu conheço alguns pessoalmente e os recomendo sem pestanejar.

O bom gosto predomina em todos os quesitos, portanto, trata-se de uma audição agradável ao extremo e além do mais, demonstra uma abrangência salutar e esse é um trunfo do artista, devemos observar, pois Danilo pratica um tipo de Rock aberto, que pode ser classificado tranquilamente como “Aor”, ou seja, uma música bem composta, arranjada e executada em sua formatação, orientada (daí a sigla a denotar tal característica em inglês) ao público considerado “adulto” que ouve música e sobretudo vai assistir shows ao vivo com outro tipo de postura e expectativa.

A respeito do aparato gráfico, a sobriedade acompanha a predisposição do artista para se apresentar dessa forma, ou seja, com muita classe. A capa frontal é composta de uma boa fotografia a mostrá-lo sentado em frente a uma porta de madeira antiga, oriunda de algum estabelecimento comercial ou quiçá de uma igreja, a segurar o seu violão.

É uma imagem que denota uma força expressiva grande no meu entender, pois o recado é dado com muita objetividade no sentido de que o artista se mostra sem subterfúgios, a deixar claro que a sua integridade artística fala por si só.

Na parte interna da capa, a opção pela foto do “set” usado para compor a ilustração principal, mas desta feita sem a presença do artista, foi a oportunidade para que ele pudesse elaborar um pequeno texto a explanar o que acredita em seu íntimo como Ser Humano e, por conseguinte, nos legou na forma de um aforismo a sua convicção em tom motivacional a quem interessar. Acrescento que concordo com tal pensamento:

Este álbum é dedicado aos que acreditam em seus sonhos e na capacidade de se reinventar a todo momento

Para fechar a parte gráfica, a contracapa mostra mais um detalhe do set fotográfico, novamente vazio, sem a presença de Danilo Martire e com uma sutil desfocada nas bordas do enquadramento como fundo para abrigar a ficha técnica e os nomes das canções que compõem o álbum. Já no "silk", do disco em si, eu gostei bastante da foto com aplicação de desenho sobreposto, a mostrar o artista a caminhar com o seu violão às costas.

Senti falta das letras nesse encarte, mas eu como músico, sempre entendo a questão do encarecimento que esse tipo de adendo gera na arte gráfica de um álbum, portanto, relevo a ausência com a devida compreensão da realidade que nos cerca e nesse sentido, sei bem o quanto é oneroso lidar com a produção independente.

Se faltou a presença das letras no encarte e esse quesito na obra de Danilo Martire é muito valorizado por ele mesmo, pois até programa de internet ele tem para discutir a poesia musicada, há a compensação de existir um bom clip para cada canção, o que valorizou em demasia a produção.

Ouça a música: Eu de Ocasião”

Eis o link para escutar diretamente no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=6epOziZbIbo

A respeito das músicas que estão presentes neste disco, sobre a primeira faixa, ”Eu de Ocasião”, eu achei muito boa a escolha dessa canção para abrir o CD, dada a sua verve Rock’n’ Roll, portanto a produzir aquele impacto natural e bem colocado para se dar início à audição de um disco.

Canção com excelente apoio dos teclados, riff “ganchudo” a la Hard-Rock setentista e apoio excelente dos backing vocals a imprimir um teor Pop bem interessante, conta também com um bom solo de guitarra que em alguns trechos tem a boa companhia do som clássico proveniente do órgão “Hammond” a insinuar um duelo muito empolgante entre os dois instrumentistas. Gostei da linha de baixo, também com uma construção criativa, além da bateria firme ao extremo.

Escute “Dissonante”:

Eis o link para ver o clip no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=q-R7qH6DXKE

Dissonante” é uma bela balada com carga R’n’B adorável. A sua introdução a conter o elemento “Blues” é um adendo de muito bom gosto e quando o balanço entra em cena, só confirma o que eu já salientei. Gostei muito do slide guitarra a pontuar com bastante felicidade, o bom arranjo do piano elétrico, violão de apoio e ótima linha de baixo e bateria.

Veja o clip da música “Pela Última Vez”:

Eis o link para assistir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=2y_v-u5sjD8

Pela Última Vez” tem a sua carga da boa MPB com sabor setentista, com todo o arranjo a pender para o som mineiro, a se inspirar no melhor do Folk-Rock com aquela pitada salutar do Rock Progressivo. Gostei da linha melódica toda, sobretudo a construção do refrão, muito bem desenhado.

Assista o clip da música: “Me Reinvento”:

Eis o link para assistir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=dISlPeZPC7o

Me Reinvento”, a quarta faixa, já entra em ação com divisão rítmica a usar o “staccato” como recurso e imediatamente tal escolha remete a muitos artistas dos anos sessenta, bem dentro daquela predisposição de fundir o Rock ao cancioneiro popular dos anos 1920 a 1940, ou seja, a conter o elemento Folk e também o Jazz de uma maneira sutil.

Música muito bem composta e interpretada, chama a atenção pelos belos timbres dos instrumentos e pela criatividade vocal da parte de Danilo, inclusive a solar com intenção onomatopaica ao simular um instrumento de sopro com a sua voz, mediante um simulador do gênero. Não se trata de um recurso inovador, mas reforçou com brilho a intenção sessentista da canção. A parte desdobrada ao final da canção é bem bonita, igualmente.

Através da letra, Danilo fala sobre o quanto é nociva a interferência externa na vida de qualquer pessoa e ao final, o recado se encerra de uma forma definitiva quando ele diz de uma forma enfática:

Essa história que você escreveu, só o prefácio é meu

Assista o clip de “Não Quero Sair”:

Eis o link para assistir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=pSnsNkSWwxE

Não Quero Sair”, é um som com forte influência do Blues-Rock. Faixa bem curta, quando ela acaba fica a sensação de “quero mais”, ou seja, é uma ótima estratégia da parte do artista a se pensar na produção do álbum, propriamente dita. Mais uma vez o arranjo geral se mostra muito bem concatenado com atuações ótimas de todos os instrumentistas e naturalmente da parte vocal.

Assista o clip de “O Instante que o Tempo Para”:

Eis o link para assistir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=inbci5qAbMA

O Instante que o Tempo Para”, é uma balada densa com forte pendência ao Slow Blues. Gostei muito do solo de guitarra, bem naquela disposição do Blues, ou seja, a se mostrar extremamente melódico e investir pesado no aspecto emocional, além do apoio poderoso do órgão Hammond. 

Assista o clipe da canção "A Falta":

Eis o link para assistir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=tKabL-nxBFs

A Falta” tem uma condução com forte apelo da MPB mais moderna, isto é, se trata de uma música bem harmonizada e cheia de detalhes interessantes no arranjo. A linha melódica é muito rica a ofertar a oportunidade ideal para o talento vocal de Danilo Martire brilhar com intensidade e ele explora cada espaço com maestria. O solo super melódico da guitarra também é um destaque.

Assista o clip de “Virtual”:

Eis o link para assistir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=GX6xwZIEafU

Virtual” fecha o disco. Essa canção já havia sido lançada previamente como um single apoiado com clip e chamara a atenção previamente pela sua qualidade implícita.

O violão muito bem tocado, tem o apoio do piano elétrico na medida certa, além das pontuais intervenções da guitarra em seu início e com tanta sofisticação, lembra bastante o Soft-Rock “jazzy” do duo norte-americano, Steely Dan, como uma referência minha como ouvinte, que fique claro, pois na verdade eu não sei o que exatamente inspirou o artista.

A harmonia sofisticada deu respaldo para um arranjo rico desse quilate, naturalmente, e mais um detalhe, o acréscimo da percussão foi muito bem escolhido e extremamente agradável. E certamente que abriu campo para um solo tão bonito da parte do piano elétrico, com rápidas insinuações dissonantes, inclusive, e ótimo apoio da guitarra.

Foi sábia a decisão de encerrar a canção com o recurso do “fade out” tamanha a felicidade dessa parte a conter o solo final e amparado por uma linha de baixo, bateria e percussão, cheia de balanço ao estilo da Soul Music.

Na letra, Danilo Martire questiona o aspecto ruim da modernidade tecnológica na qual vivemos nos dias atuais, a estremecer as relações humanas reais em detrimento da dita “vida virtual”, tão efêmera.

Para encerrar, digo que esse álbum “DM” do Danilo Martire é uma obra plena de virtudes em todos os aspectos e que deve ser ouvida com bastante atenção.

Gravado (parte instrumental) no estúdio Equinox09 e parte vocal no Ninrod Studios.

Todas as composições por Danilo Martire

Gravação e mixagem: Neto Florêncio

Masterização: Tiago Hospede

Gravação e direção da parte vocal: Rodrigo Lacerda

Fotografia: Elen Goulart

Projeto Gráfico: Rafael Gatti

Danilo Martire: Voz, violões e guitarras

Músicos convidados:

Áureo Alessandri: Guitarras

Nuno Xavier: Teclados

Neto Florencio: Baixo

Fisher “Batera”: Bateria

Para conhecer melhor o trabalho de Danilo Martire, acesse:

Danilo Martire – Site oficial

https://www.danilomartire.com.br/

Canal do YouTube:

https://www.youtube.com/c/danilom

Página no Facebook:

https://www.facebook.com/danilomartire.singer

Spotify:

https://open.spotify.com/artist/5ZDbvyhaLkUatSJsIxHiK6

Deezer:

https://www.deezer.com/br/artist/10499217

Contato direto com o artista:

dmartire@gmail.com