Sou músico e escrevo matérias para diversos Blogs. Aqui neste meu primeiro Blog, reúno a minha produção geral e divulgo as minhas atividades musicais. Não escrevo apenas sobre música, é preciso salientar ao leitor, pois abordo diversos assuntos variados. Como músico, iniciei a minha carreira em 1976, e já toquei em diversas bandas. Atualmente, estou a trabalhar com Os Kurandeiros.
Para efeito da percepção generalizada, é bem incomum o ponto de vista indígena ser levado em consideração. Mais do que isso, pode-se afirmar que nem mesmo o devido respeito que a sua cultura milenar merece receber, é observado, infelizmente.
Ainda bem que há pessoas que pensam muito diferente e este é caso de um grande estudioso e admirador das tradições indígenas, de sua cultura milenar e sobretudo, a reconhecer o seu admirável senso de honradez, a nos proporcionar uma visão muito mais justa.
Falo a respeito de Walter LP Possibom, grande músico (guitarrista, cantor e compositor, que é membro fundador da banda de Rock, "Delta Crucis"), médico na formação acadêmica e que construiu uma sólida carreira paralela como escritor, a lançar inúmeras obras muito relevantes, em termos de romances muito bem escritos, livros técnicos de medicina e uma enciclopédia incrivelmente profunda sobre a história do Rock, entre outros trabalhos. E como se não bastasse, ele também é um ativista cultural incansável, ao manter um Blog e ser colaborador de uma webradio, ou seja, a alta carga de produtividade é a sua marca registrada.
Com o dom da palavra de uma forma natural pela veia literária nata, a assertividade do médico, a enorme sensibilidade do músico e a força da comunicação do ativista cultural, Walter Possibom usou tais predicados somados para produzir mais um belo romance, desta feira ambientado na cultura da nação Sioux, uma das mais tradicionais a habitar as pradarias da América do Norte.
Apaixonado pela cultura indígena, ele nem precisaria empreender uma grande pesquisa propriamente dita para dar conteúdo ao romance, no entanto, ele mergulhou no estudo, porque certamente quis enfatizar tais aspectos com bastante ênfase ao construir o seu romance.
Portanto, "Quando os ventos sopram na pradaria" (uma fábula Sioux), tem o elemento da farta explanação sobre inúmeros aspectos da cultura Sioux e também de outras tribos contemporâneas (amigas ou inimigas), a citar com bastante propriedade a organização social de tal nação, a abranger todos os quesitos imagináveis.
O ponto altamente positivo que realço, foi que ao ler o romance, notei que Walter Possibom usou as personagens com muita sapiência nesse sentido de expressar as diversas nuances da cultura Sioux, ou seja, a leitura segue a estrutura básica do romance, no tocante à construção dos arcos narrativos, percepção psicológica de cada personagem, saga com observação da famosa "jornada do herói" (ou monomito), e a acrescentar doses maciças de sentimento de amor terno, a destacar ser essa a energia fundamental que move o casal de personagens protagonistas, Wakanda e Yoomee, ambos filhos de chefes de tribos, que se apaixonam e lutam pelo seu amor, a cumprir muitos protocolos de sua cultura até concretizar a sua união.
A saga apresenta também os momentos de conflito a gerar angústia e "torcida" da parte do leitor, ou seja, a tal "jornada do herói" descrita por Joseph Campbell e que os escritores e roteiristas de cinema e série de TV usam sem parcimônia, e técnica da qual Walter Possibom foi muito feliz ao usar, e assim garantir a emoção, algo primordial para um bom romance.
Chama a atenção a entrelinha muito clara que acompanha a obra inteira a respeito da mensagem da ética que o permeia. A todo instante, as personagens se expressam sob as suas decisões a serem adotadas, das grandes questões sociopolíticas às questões mais triviais de fácil resolução no cotidiano e há um padrão muito bem delineado para tratar qualquer problema, a denotar um senso de honradez, respeito, consideração ao semelhante, enfim, a revelar um bojo de predicados da mais alta estirpe e nos demonstrar como a alma indígena valoriza a ética como um princípio pétreo de sua sociedade.
Claro, nem todas as nações indígenas construiram seus princípios da mesma forma. Há ao longo da história a revelação de conflitos e práticas cruéis da parte de certas tribos inimigas, a denotar que sempre houve uma graduação natural, ou seja, com a existência de certas nações com princípios nada nobres, onde o egoísmo lhe impelia a cometer atrocidades a troca de obter os seus objetivos torpes, mas nesse ponto, cabe a reflexão que isso não é nenhuma novidade para os homens brancos que vieram do outro lado do oceano atlântico.
Não cometerei o dito "spoiler" ao contar a história em sua totalidade, e dessa forma, fica como um incentivo para que o leitor desta resenha busque a leitura da obra, para nela se envolver e se emocionar.
Transcrevo, entretanto, uma oração Sioux que o autor disponibilizou nas últimas páginas da obra, logo após o encerramento do romance, pois reflete o espírito que norteia essa nação e revela por conseguinte, a sua ética elevada.
Oração Sioux:
"Oh Grande Espírito, cuja voz eu ouço no vento E cujo respiro dá vida a todo o Universo Ouve-me, sou pequeno e débil, um de teus muitos filhos Deixa-me passear na beleza e permite-me que meus olhos sempre possam contemplar o vermelho e a púrpura do pôr do sol Faça com que minhas mãos respeitem as muitas coisas que as Tuas criastes e agudiza meus ouvidos para ouvir a Tua Voz Faz-me sábio para compreender todas as lições que Tu escondeste por trás de cada folha e de cada rocha Dá-me força não para ser mais forte que meu irmão, senão para lutar contra o meu pior inimigo: eu mesmo E faz-me sempre pronto para ir ante Ti com as mãos limpas e o olhar reto para que quando a luz se desvaneça como se desvanece no pôr do sol meu espírito possa chegar ante Ti sem nenhuma vergonha".
Sobre a capa, a ilustração mostra a paisagem da pradaria exuberante, terra dos Sioux, ante a vegetação a predominar os tons verde e amarelo, a interagir com o alaranjado do crepúsculo no horizonte, ambiente idílico de onde o casal de índios sioux, Wakanda e Yoomee contemplam a natureza que o Grande Espírito lhe designou como o seu Lar.
Recomendo a leitura do livro: "Quando os ventos sopram na pradaria" (uma fábula Sioux), do grande autor, Walter LP Possibom, um escritor inspirado e sempre preocupado em deixar nas entrelinhas de suas obras, o seu grande apreço pelos valores éticos.
Livro "Quando os ventos sopram na pradaria" (uma fábula Sioux) Autor: Walter LP Possibom Coordenação editorial: Daniel Alves Machado e Denny Guimarães de Souza Salgado Revisão: Walter LP Possibom Projeto gráfico e editoração eletrônica: Denny Guimarães de Souza Salgado e Paulo de Tarso Soares Silva Ilustração da capa: João Rafael Corrêa Lima Editoração eletrônica da capa: Denny Guimarães de Souza Salgado Impressão e acabamento: Editora Kiron Editora Kiron Lançamento em 2019
Leia também a minha resenha sobre um outro trabalho de Walter Possibom, o livro "Um Brilho nas Sombras" (uma fábula Rock'n' Roll).
Eis o link para acessar: http://luiz-domingues.blogspot.com/2016/09/um-brilho-nas-sombras-walter-lp.html
Leia no meu Blog 2 a entrevista que conduzi com Walter Possibom a repercutir o lançamento da sua impressionante obra: "Enciclopédia Rock, Suas Histórias & Suas Magias"
Eis o link para acessar: http://blogdoluizdomingues2.blogspot.com/2022/10/entrevista-walter-possibom-musico.html
Para conhecer ainda mais o trabalho de Walter Possibom como músico, ativista cultural e escritor, acesse:
Blog Planet Caravan: https://jjplanetcaravan.blogspot.com/
Blog Planet Caravan no Facebook: https://www.facebook.com/BloggerPlanetCaravan
Canal do grupo de Rock Delta Crucis no YouTube: https://www.youtube.com/channel/UCB602J1NIhNiicree6adEFw
O grupo de Rock, "Balls", brilhou intensamente na cena paulistana dos anos 2010, muito por conta da excelência técnica de seus componentes, aliado a uma carga de influências das mais nobres que a banda abraçou como um farol estético muito claro a ser seguido, ou seja, a se tratar da firme determinação de seguir vertentes setentistas clássicas e mais do que isso, com muito requinte.
Dentro dessa escolha que a banda fez, escolas tais como o Blues-Rock, Hard-Rock, Southern-Rock e Jazz-Rock, ou seja, vertentes bem típicas dos anos setenta, foram visitadas com grande desenvoltura e criatividade, a usar as ferramentas de cada estilo de uma maneira muito consciente, no sentido de que denota conter grande conhecimento de causa da parte da banda, como uma unidade e claro, para cada componente no âmbito pessoal.
Se no primeiro álbum a banda já mostrou um vigor impressionante, neste segundo trabalho de sua trajetória, não apenas reafirmou, como ampliou o seu poder de fogo. Aliás, por falar no primeiro álbum, se ainda não leu, deixo o meu convite para que o leitor visite o meu Blog 1 e leia a resenha que eu preparei sobre esse trabalho, ou releia, se for o caso:
Muito bem gravado no quesito da produção (tem o dedo mágico do grande Edu Gomes na captura sonora de estúdio), o CD "Prazer te Conhecer", mostra a banda ainda mais afiada na execução vigorosa de seus temas, detalhista nos arranjos e a denotar aquela gana Rocker tipicamente setentista, que é na prática, um acréscimo de energia e tanto.
No quesito das letras, a opção predominante foi em torno do romantismo, posso afirmar. A relação homem-mulher é abordada quase na mesma intensidade com a qual esse tema era muito recorrente nos tempos sessentistas da Jovem Guarda, claro, guardadas as devidas proporções.
Em termos de formação da banda para esse segundo trabalho, houve apenas uma mudança, quando o novo baixista, Paulo Pascale, assumiu o posto e claro, a imprimir o seu estilo próprio, com bastante brilho.
Sobre a apresentação gráfica do disco, a banda optou mais uma vez pela simplicidade visual ao usar o cinza em diversas matizes como cor predominante e a mostrar a ilustração de uma garota sensual bem no canto do enquadramento, mediante bolhas d'água por toda parte, a sugerir uma superfície de vidro sob a ação de vapor, presumivelmente.
Já no encarte, as fotos dos componentes ilustram a exibição das letras e da ficha técnica de uma maneira bem funcional.
Sobre as canções que compõem o álbum em si, vale a pena destacar mais alguns detalhes. Convido o leitor a escutar o disco enquanto lê o restante desta resenha, e para tal, ouça de maneira completa através do YouTube:
Eis o link para acessar: https://www.youtube.com/watch?v=c8LkHnHBkj8&list=OLAK5uy_lKxIg8KACPTw2Zw8rZSc_QEIp0_xDA1e8&index=1
1) Na estrada (Danilo Martire/Fernando Gargantini/Pi Malandrino)
É bem interessante a linha melódica dessa canção e isso é realçado pela ótima interpretação vocal, mediante o apoio dos backings vocals.
Rock com característica Hard, contém solos de guitarras com extremo bom gosto melódico e bem destacados pelo fato de terem sido muito bem timbrados.
2) No Lixo, há luxo (Pi Malandrino/Pepe Bueno)
Esse tema lembra bem o estilo do Hard-Rock brasileiro a la "Golpe de Estado", isto é, a mostrar riff forte, refrão ganchudo, "cozinha" poderosa e ótimos solos.
3) Prazer te conhecer (Pi Malandrino/Erika Dernovsk)
O Blues-Rock mostra a sua face com toda a pompa em "Prazer te Conhecer", a faixa que dá nome ao CD. A canção apresenta aquele clima acentuado no estilo do "Free" ou seja, a usar do andamento lento aliado a uma ótima melodia bem desenhada como essência básica. E também é notável por exibir como acréscimo o ótimo trabalho de guitarras para engrandecê-la.
O duo final de guitarras lembrou-me bastante o som do "Wishbone Ash", com o devida ressalva de se tratar da minha mera idiossincrasia.
4) À primeira vista (Fernando Gargantini/Pi Malandrino/Paulo Pascale/Lauro Santiago/Danilo Martire)
Ao iniciar-se como uma balada, esse tema já chama a atenção pelo bom uso dos detalhes rítmicos empregados, com contratempo estratégico e uso criativo de percussão.
Mas tudo muda quando o riff mais pesado dá entrada um Hard-Rock cheio de energia e pulsação. E ao final a docilidade da balada reaparece para rapidamente fechar a canção.
5) Pneumonia (Pi Malandrino/Fernando Gargantini)
Rock'n 'Roll de enorme apelo dançante, tem o elemento Pop muito forte na sua estrutura, tanto pela melodia contagiante, quanto pela indução clara do backing vocals que convida o ouvinte a interagir. Gostei muito de um intermezzo, algo nada Pop, aliás, que quebra o apelo radiofônico da canção, mas é justamente aí que (na minha opinião), reside o fator da criatividade, no sentido de ser perfeitamente possível fazer Pop-Rock, com forte apelo popular, mas a incrementá-lo com ornamentos mais robustos.
Texas Blues na veia! Esse tema empolga desde o início por toda a sua intenção e assertividade dentro do estilo.
7) Olha pra mim (Pi Malandrino/Danilo Martire)
Tema Pop-Rock com vestimenta Hard-Rock, tem o apoio do órgão Hammond, a lhe conferir um sabor irresistível. Gostei muito das convenções, duetos de guitarra e linha de bateria muito bonita.
8) Raio e Tempestade (Fernando Gargantini/Pi Malandrino/Danilo Martire
Mais um Blues-Rock com riff forte, gostei bastante do arranjo de guitarras, principalmente perceptível ao se ouvir com fone de ouvido, ou seja, eu recomendo o uso desse expediente, portanto.
9) Casa comigo (Pi Malandrino/Danilo Martire)
Outro Rock'n' Roll direto e reto, esse tema dá o recado com bastante força, tanto pelo riff poderoso, quanto na levada firme. O solo em dueto e muito bem feito é a prova cabal de que ter dois guitarristas ótimos e super entrosados é um luxo para qualquer banda e o Balls teve essa sorte.
A parte que usa o staccato, algo bem no estilo do "AC/DC", é bem interessante no sentido de se mostrar como um recurso que ao vivo o Balls deve ter usado bastante em seus shows, para gerar euforia em seu público.
10) Nossa história (Fernando Gargantini/Danilo Martire)
A levada de Blues ritmado, é irresistível, logo de início. E assim a música segue com a sua pegada blues até desembocar em uma jam-session...
11) Gran finale (instrumental) (Fernando Gargantini/Pi Malandrino/Paulo Pascale/Lauro Santhiago)
Na verdade, essa faixa está contida na faixa anterior como a sua continuidade natural e foi creditada separadamente por ser um tema instrumental com solos e a demarcar o encerramento da canção anterior e no caso, também do disco.
Com clima de jam-session final, empolga pela sua contundência instrumental, com a banda a soltar a mão para encerrar o disco em alta voltagem e possivelmente na mesma predisposição de "Free Bird" do Lynyrd Skynyrd. como uma inspiração, digamos assim.
Em síntese, o Balls apresentou mais um bom trabalho e do qual eu recomendo a audição, sem sombra de dúvida.
CD Prazer te conhecer/Balls Gravado no estúdio Cakewalking - São Paulo-SP - Fevereiro a abril de 2014 Técnico de áudio (gravação/captura): Edu Gomes Mixagem e masterização: Pi Malandrino Ilustrações de capa: Aloísio de Castro Projeto gráfico e diagramação: Danilo Martire Foto: Tony Sampaio Arranjos: Balls Produção geral: Pi Malandrino e Fernando Gargantini
Formação do Balls neste trabalho: Lauro Santhiago: Bateria Danilo Martire: Voz Fernando Gargantini: Guitarra e backing vocals Pi Malandrino: Guitarra e backing vocals Paulo Pascale: Baixo
Músicos convidados: Mateus Schanosky: teclados na faixa "Olha pra mim" Paulo "Coruja" Oliveira: gaita em "Doce Fantasia" Pepe Bueno: backing vocals em "Pneumonia"
Para conhecer melhor o trabalho do Balls, acesse:
Canal do YouTube: https://www.youtube.com/channel/UCfo61bnRtXLBYku-ZNsua1w
Segundo canal do YouTube: https://www.youtube.com/@BallsAndRoll
Entre as tantas possibilidades que a literatura nos oferece, a vertente das crônicas está entre as minhas prediletas. O cotidiano observado pelas pessoas, expresso em meio ao seu convívio na sociedade, sempre rende um bom texto e do qual nos identificamos sob múltiplos aspectos, bem dentro daquela prerrogativa óbvia de que estamos todos a viver situações e emoções muito parecidas ao longo da existência.
O bom cronista é antes de tudo um observador, um detalhista que lê as entrelinhas, percebe os arredores sob visão mais ampla do que a percepção dos distraídos em geral e sobretudo, a acrescentar nuances diversificadas sobre cada narrativa empreendida.
Todos esses predicados eu encontrei com abundância, nas páginas do livro: "101 Crônicas minhas para eu ler antes de morrer", livro escrito por João Lucas, artista muito conhecido por sua trajetória na música, e que exerce a escrita há tempos, sempre a publicar seus bons textos através das redes sociais. Tal iniciativa de expor seus escritos certamente lhe serviu como um termômetro a lhe mostrar o sucesso que suas publicações despertaram e dessa forma, ele tomou a decisão certeira de providenciar a publicação do livro impresso, muito bem vindo.
Organizado de uma forma a acompanhar a trajetória cronológica do autor, o livro tem um certo caráter autobiográfico, sem ser no entanto, uma autobiografia assumida. Tal característica, inclusive, está insinuada na capa do livro e reforçada através das orelhas e contracapa da obra, quando diversas fotos do autor, extraídas das famosas fotos 3/4 obrigatórias para ilustrar documentos, o mostram, da juventude à idade madura, através de uma muito criativa ideia.
Nesses termos, são deliciosas as crônicas que remontam às suas mais remotas reminiscências da infância, das quais, confesso que gerou-me bastante comoção, pois as situações descritas são muito semelhantes ao que eu experimentei na minha própria tenra infância, principalmente no advento da idade escolar.
Pude também imaginar o bucolismo prosaico que foi uma marca registrada do bairro em que ele viveu na zona sul de São Paulo e do qual eu também experimentei percepções muito semelhantes, pois ali vivi, igualmente. Se eu já tenho essa lembrança boa desse bairro, quando ali morei a partir de 1967, posso mensurar como ele era ainda mais incrível ao final dos anos cinquenta e início dos sessenta, no qual ele o descreveu.
As brincadeiras de rua, a amizade mais ingênua e muito sincera que se forja no bairro em geral e nos bancos escolares, a simplicidade encantadora da metodologia didática adotada pelas primeiras professoras, enfim, são muitas as lembranças citadas.
No avançar da obra, eis que uma explosão de signos interessantíssimos surge, ao descrever a sua entrada no período da adolescência, amparada por toda aquela explosão sonora dos anos sessenta sob vários vórtices e a descoberta do cinema (e eu sei bem como a grande avenida que corta esse bairro era pródiga em exibir aquele grande número de salas de cinema de rua, décadas atrás), o impactou.
Eis que eu leio muitas crônicas ótimas sobre os seus primeiros contatos reais com a música, as primeiras bandas, a descoberta do Jazz, da Bossa Nova, do Rock'n'Roll e a vida do músico da noite levado para embalar a alegria onde o povo está, com direito a muitas histórias engraçadas dos bastidores, que muito me divertiram e claro, com as quais me identifiquei de imediato.
A vida laboral fora da música também rendeu crônicas muito significativas, com situações dignas de um roteiro de filme, que renderia muito nas mãos de uma diretora engajada do porte de Lina Wertmüller e aliás, todas as crônicas propostas por João Lucas tem o poder da perspectiva cinematográfica. O cinema tem tudo a ver com a formação cultural dele e isso ficou impregnado nas suas crônicas, no sentido de que as crônicas tem muitas imagens implícitas.
A vida universitária e a consciência política recém-adquirida nessa fase da sua vida, a apontar para a convicção acalorada em torno dos mais belos ideais e os muitos contrastes que advém dessa perspectiva, também estão bem presentes e emocionam.
Dessa maneira, eu pensei muito no cinema de François Truffaut, quando ele propôs relatar as suas lembranças sobre a infância e adolescência, a me lembrar dos filmes que acompanharam o crescimento e amadurecimento sistemático da personagem de Antoine Doinel, em vários filmes a usar o recurso do mesmo ator (Jean-Pierre Léaud) a interpretá-lo e assim a explorar o seu próprio crescimento como ser humano. João Lucas e Truffaut tem muito a ver um com o outro, estou convencido disso.
Quando da plena adolescência e início da juventude madura em curso, eis que João Lucas descobriu o amor, quando fala de Valéria, sua namorada, musa inspiradora e esposa, cuja convivência pelas décadas afora, também rendeu crônicas ótimas, a falar sobre a cumplicidade do namoro e companheirismo no casamento, inclusive sobre os diversos aspectos mais básicos da organização familiar, a casa, os filhos e os netos.
A vida artística também rendeu boas crônicas e nesse aspecto, eu pensei que viria uma enxurrada de histórias nesse sentido, mas nesse quesito, João Lucas economizou. Indício de que virá um novo volume centrado em tais lembranças? Tomara que sim.
Aliás, foi exatamente nesse ponto que eu o conheci, quando tive a oportunidade de voltar a ser componente de uma banda da qual eu estive na sua primeira formação e nessa fase da minha volta, João Lucas foi o tecladista, compositor e vocalista do Língua de Trapo, ícone do humor e sátira no Brasil e então um dos nomes mais celebrados daquela cena artística que ficou conhecida como "Vanguarda Paulista", nos anos 1980.
Da esquerda para a direita: Nahame Casseb, Fernando Marconi, Laert Sarrumor, João Lucas, Lizoel Costa, Serginho Gama, eu (Luiz Domingues) e Pituco Freitas. A formação do Língua de Trapo quando da minha volta à banda em 1983, quando me tornei amigo de João Lucas
Nessa minha segunda passagem pela banda (1983-1984), estive no palco com o amigo João Lucas por mais de cem vezes e gravamos juntos um disco ao vivo. Nos muitos ensaios, palcos de shows, saguões de hotéis, plataformas de rodoviárias & estações ferroviárias, bancos de "Kombis", restaurantes, coxias de teatro, estúdios de rádio e TV dos quais estivemos juntos, sempre conversávamos muito e ali ele já se mostrava um cronista nato e sensacional, ao contar-nos histórias incríveis que colecionara na sua memória.
Portanto, quando eu soube que ele lançara um livro, e já leitor de muitas crônicas que ele publicara na rede social, lembrei-me bem desse convívio, isto é, de como João armazenara tais lembranças na sua memória e como ele sempre as narrava com uma graciosidade muito grande. E ao ler a obra, constatei que, sim, todo aquele talento para contar histórias e a acrescentar muitas nuances enriquecedoras nas entrelinhas, estava devidamente impresso nas páginas da obra e sim, com direito a imagens cinematográficas, muita música implícita e claro, poesia.
Ainda a lembrar a nossa amizade forjada como companheiros de banda, eu preciso acrescentar que o editor do livro e autor do prefácio, foi o nosso amigo em comum, Jerome Vonk, cuja atuação como empresário do Língua de Trapo naquele período no qual estivemos juntos, foi muito prolífica. Jerome também é um ótimo contador de histórias boas, e suas lembranças dentro da música, são riquíssimas.
Sobre o título do livro, João me contou que se baseou naquelas intermináveis listas que abundam as redes sociais, a dar conta de muitos assuntos variados. As pessoas adoram elencar os "melhores" (e também os "piores"), entre os representantes de infindáveis ramos das atividades humanas em geral e assim, ele usou dessa ideia como base e a ironizar a marca de "cem", ao usar o "cento e um", número de crônicas que demarcou o conteúdo do livro.
Para encerrar, digo que o livro me despertou o sentimento de identificação em muitos aspectos, gerou-me nostalgia por motivações diversas, boas risadas em muitos momentos e o florescer de reflexões importantes, em outros.
Músico de alto gabarito, João Lucas é um tecladista, cantor e compositor da pesada. Muitas das músicas que ele compôs, tem uma inequívoca vocação para o cinema, com aquela atmosfera de trilha sonora que fala por si só, algo muito natural em face à influência que o cinema sempre teve na sua formação cultural e isso também está presente no livro.
Leitura mais do que recomendada, "101 crônicas minhas para eu ler antes de morrer" abre espaço para um novo livro, que eu espero, não demore para ser lançado pelo meu talentoso amigo, João Lucas.
Ficha técnica: Livro: "101 crônicas minhas para eu ler antes de morrer" Autor: João Lucas Editor: Jerome Vonk Revisão: Laura Gillon Projeto gráfico e diagramação: Laura Gillon Capa: Ivan Lucchini Lançamento: maio de 2023
Artista histórico, Zé Brasil tem uma carreira brilhante que se mostra prolífica, profícua, criativa e multifacetada, no sentido de que já apresentou trabalhos sob a influência de diversas vertentes e não apenas versadas pelo Rock, mas a revelar grande fluência de outras tendências variadas, do jazz à MPB.
No comando de trabalhos muito relevantes, computa-se no seu rico currículo, o trio Folk da pesada, "Space Patrol", junto a Arnaldo Baptista e Marcelo Aranha, ou seja a pré-história da Patrulha do Espaço no início dos anos setenta. Logo a seguir, ele fundou e comandou o "Apokalypsis", espetacular banda montada sob a égide do Rock Progressivo, porém a manter muita proximidade com o Jazz-Rock, ou seja, entre os dois estilos, a banda produziu um som de alta densidade técnica e memorável em torno de seus discos que deixou como um legado irrepreensível.
Incansável, Zé Brasil emendou muitos trabalhos posteriormente, e muitas vezes de forma simultânea, a contabilizar o som Folk esotérico da dupla que formou com sua esposa, a ótima cantora Silvia Helena, "Maytrea & Silvelena".
Mediante uma boa estada na Europa, montou outro duo com Silvia Helena, com a proposta de seguir os ventos da então modernidade em torno das estéticas oriundas do Pós-Punk, ao qual denominou como: "José & Silvia".
Nessa fase europeia ele lançou o EP Brazilian Wave, considerado pelo próprio artista como uma de suas maiores obras.
Já de volta ao Brasil, seguiu na onda oitentista e criou uma típica banda da época no uso de uma sigla para designá-la, ou seja, o "UHF". Nesse ínterim, o "Apokalypsis" se manteve com aparições sazonais, portanto, em tese, o sonho progressivo jamais morreu, ainda bem.
Já no andar do novo século e milênio, Zé Brasil criou o movimento "70 de novo", a reunir um elenco estelar de artistas que muito brilharam nos anos 1970 e mediante o "Apokalypsis" como banda base, tal espetáculo belíssimo encantou São Paulo, a gerar muito mais que simples nostalgia, mas a se revelar como um tour de force extraordinário.
Há também a ser contabilizado nessa conta o trabalho da banda "Delinquentes de Saturno", por ele fundada e comandada, que pratica um som mais ligado ao Rock visceral e com forte dose de psicodelia sessentista no seu rol de influências, embora seja curioso o fato de que essa banda fora criada na verdade nos anos oitenta e com inclinação às estéticas então em voga, mas nos anos dois mil, ganhou essa roupagem neo-hippie, com bastante identificação com o tropicalismo da década de sessenta.
E sim, muitos discos solo intessantissimos, versáteis e permeados por muita qualidade na criação das canções e igualmente no apuro da elaboração de arranjos, produção de áudio e a apresentar um elenco espetacular de músicos convidados da mais alta estirpe.
Um desses álbuns solo, inclusive, eu já tive o prazer de analisar e a resenha se encontra disponível para a leitura neste blog, denominado como "DoisMilEVinteUm" (Povo Brasileiro), através do seguinte link para ser acessada: http://luiz-domingues.blogspot.com/2021/05/cd-doismilevinteum-povo-brasileiroze.html
Eis então que Zé Brasil anunciou o lançamento de um novo disco solo, e desta feita a mostrar um outro lado seu que já era mostrado com certa parcimônia em outros trabalhos, todavia, tal tendência tão natural para ele, ganhou dessa forma, um trabalho integral.
Refiro-me ao lado silvestre da arte de Zé Brasil, baseado no bucolismo interiorano em meio à natureza exuberante que proporciona os cantos naturais dos pássaros, os dias sob a ação do sol bem quente e dos rios caudalosos e sobretudo, ao cancioneiro raiz que absorve e canta sobre tudo isso. Em suma, o lado da música folk de raiz, a enaltecer a cultura genuinamente caipira, embalada pelas "modas" de viola ao luar do sertão, que pululam em vários estados brasileiros, foi amplamente privilegiado neste disco.
Contudo, apesar desse trabalho ser inteiramente dedicado ao som interiorano de raiz, mediante tal sonoridade típica a predominar através das cordas acústicas muito bem tocadas, há uma simbiose com a eletricidade e tanto é assim, que o nome do disco faz a devida ponte entre o rural e o urbano, já explicitado em seu próprio título: "Viola Paulistana", uma escolha muito criativa ao propor a presença desses dois lados bem distintos, entre o que é ser paulista e/ou paulistano, interior bucólico e/ou centro mega urbano. Viola caipira e/ou guitarra.
Acrescento um dado que reputo ser interessante: neste disco, há uma outra conexão que foi concebida e bem sucedida pelo artista, no sentido de que há a visão interiorana genuína e também a visão cosmopolita da parte do cidadão eminentemente urbano sobre como ele enxerga a cultura interiorana. Portanto, ao longo do disco, essas duas visões se complementam, tanto nas canções autenticamente interioranas, quanto em canções com acento Folk-Rock ou Folk-Prog-Rock.
Mais uma vez cercado de músicos brilhantes, com a boa colaboração de técnicos de alto nível (lastimo muito a morte prematura do técnico de áudio e grande músico, Renato Coppoli, ao qual o Zé Brasil dedicou o álbum com muita honra), eis aqui mais um ótimo trabalho realizado pelo Zé Brasil, compositor, cantor e multi-instrumentista de enorme importância para a cena musical e cultural nacional.
A imagem que compõe a capa do álbum "Viola Paulistana" dá a dimensão do que eu observei anteriormente, no sentido de estabelecer a simbiose entre o interior e a capital, ao mostrar uma imagem emblemática do centro velho da cidade São Paulo, com a perspectiva do hoje conhecido "Farol Santander", o clássico edifício Altino Arantes, que por anos foi conhecido como "Banespão" por abrigar a sede central do extinto Banco do Estado de São Paulo (Banespa), construído a partir de 1939 e inaugurado em 1947, cuja arquitetura foi inspirada no Empire State de Nova York. Se a cidade de São Paulo tem muitos ícones urbanos, este é um dos mais clássicos, sem dúvida.
Na contracapa, sob a imagem do Zé Brasil em ação, toda a ficha técnica se mostra bem embasada e ao final desta resenha, o seu teor está devidamente representado.
Sobre as músicas que compõem o disco, vale a pena destacar mais algumas considerações.
"Gente decente" (Zé Brasil e Gersion Conrad) Eis o link para ouvir no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=rP7XeXyci0Y
Canção bela, com uma letra muito forte a evocar a consciência com a qual se constrói efetivamente uma sociedade melhor, tem a sonoridade Folk-Rock com acento progressivo docemente setentista.
O trabalho de cordas é belíssimo, com lindos timbres que se realçam nos arpejos e mediante um solo de guitarra curto, porém de uma eficácia absurda, feita por um músico que eu admiro muito. O som do baixo é um destaque, com uma linha absolutamente "Squireana" (no sentido de ter o estilo do magistral baixista britânico, Chris Squire), e claro, feita por um super baixista, cujo nome também o leitor descobrirá na ficha técnica.
Gostei muito dos vocais, com uma linda construção melódica, marca registrada do casal/duo Zé Brasil & Silvia Helena. O coautor dessa canção, é Gerson Conrad, ex-Secos & Molhados e notadamente um grande compositor.
"Das terras do sem fim" (Cezar de Mercês, Zé Brasil e Silvia Helena) Eis o link para ouvir no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=LhQBtm_SF_Q
Apreciei demais a melodia central, embasada por uma harmonia rica. De certa forma me lembrou o som de artistas como Luli & Lucina, A Barca do Sol e Olívia Byington. Além de coautor, o genial Cezar de Mercês participa da faixa a emprestar a sua bela voz para enriquecê-la.
Chama a atenção uma guitarra etérea belíssima, super calcada no estilo do Prog-Rock setentista e claro, feita por um especialista em tal quesito.
"Desvario" (Zé Brasil e Nico Queiroz) Eis o link para ouvir no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=jnI_xMnkUaU
É belíssima a melodia dessa canção, e a maneira pela qual o arranjo de cordas, incluso o baixo, interagiu. Lembra bastante o som de Renato Teixeira na sua formatação geral, pelo aspecto campestre. Destaque para a letra construída com um tipo de afirmação muito positiva e os vocais elaborados por Zé Brasil e Silvia Helena, se mostram bem dentro do seu tradicional entrosamento perfeito como duo.
"Folia de Reis" (Zé Brasil) Eis o link para escutar no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=yo0YkPqWja8
Nesta canção, o trabalho de cordas acústicas foi muito bem arranjado no sentido de soar autenticamente interiorano e a denotar representar bem a Folia de Reis, uma das mais tradicionais festas folclóricas do Brasil interiorano, com raízes medievais trazidas pelos colonizadores portugueses.
"Rio da Vida" (Zé Brasil) Eis o link para escutar no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=jFY_v_D30GU
Há um eco da World Music nessa canção, com até uma certa proximidade Pop, que se revela muito interessante. A música soa límpida, agradável como uma fonte a derramar água continuamente, ou seja, a transmitir uma sensação ótima de bem-estar ao ouvinte e não por acaso, a sua letra contém uma temática positiva no sentido de expressar de uma forma bem poética o pensamento especulativo sobre o sentido da vida.
"Monte Verde" Eis o link para escutar no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=jzOGKPDjXz0&t=1s
Essa canção, além da sua beleza melódica e harmônica, tem uma sonoridade reforçada pelo som extraordinário de uma "cabacítara", que lembra sobremaneira o som da cítara tradicional indiana. Tal instrumento é tocado por um grande músico que é um especialista em unir o Rock clássico ao som de raiz genuinamente caipira e cujo nome está na ficha técnica. Gostei muito também da inserção do efeito da onomatopeia no apoio dos backings vocals.
E a letra é extremamente feliz ao dissertar sobre a exuberância das montanhas e do verde contido em Monte Verde, distrito de Camanducaia, no sudoeste mineiro, encravado nas montanhas e com uma vegetação de tirar o fôlego (pela metáfora a realçar a sua beleza visual), mas pelo contrário, por tratar de garantir o fôlego no aspecto literal, mediante a pureza extrema do seu ar.
E neste caso, o Zé Brasil foi muito feliz em criar uma canção tão bela para retratar a beleza dessa localidade bucólica.
"Pura Intenção" (Zé Brasil) Eis o link para escutar no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=--7PcOZljYk
Já em "Pura Intenção", a voz de Silvia Helena comanda a melodia na primeira estrofe. Zé Brasil entra a seguir para cantar em duo. Pela estrutura da melodia, letra e mensagem, lembrou-me bastante o trabalho do Walter Franco em seu tipo de evocação com viés esotérico, embalado pelo concretismo no estilo poético.
E claro, Maytrea e Silvelena reaparecem nessa faixa, pelo estilo e firmeza de propósito no sentido de usar a música como ferramenta para tocar corações e mentes, mediante a pura intenção aquariana de se aspirar um mundo fraterno. Em suma, é a abordagem hippie, muitíssimo bem vinda para fazer o contraponto e derrotar a mentalidade destes tempos formatados por ideias de ódio, guerra e morte.
"Pingo D'água (Zé Brasil) Eis o link para ouvir no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=tGGFYduxg_E
O som das cordas acústicas muito bem executadas, mediante belos timbres, dá o mote nesta peça singela e curtíssima, praticamente a se constituir de uma vinheta.
"Viola Sertaneja" (Zé Brasil) Eis o link para ouvir no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=JB4tiLAfY4Y
Neste caso, o som caipira genuíno se mostra com toda a sua força. A letra faz uma ode à vida no campo e justifica plenamente todo o seu arranjo a evocar as suas tradições.
"Naturalmente" (Zé Brasil) Eis o link para escutar no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=8ljPi3yJJOc
Nesta balada, há a urbanidade no sentido de se buscar o elemento pop, mas com aquele viés do Folk-Rock.
É muito bonita a intervenção pontual da guitarra, feita por um outro guitarrista que eu também gosto muito e cujo nome está assinalado na ficha técnica.
"Terra dos Bem-te-Vis" (Zé Brasil) Eis o link para ouvir no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=Qnko8L4QZD0
Quem disse que não ouvimos o som dos pássaros em meio à selva de pedra de um "skyline" infinito que se tornou a cidade de São Paulo? Pois na verdade, esta canção é perfeita para nos lembrar que ainda que supostamente inexistente, há sim bucolismo em São Paulo, em recantos espalhados por muitos bairros existentes pelos quatro cantos da pauliceia.
Musicalmente, me lembrou bastante o trabalho do Grupo Rumo de Luiz Tatit, com a sua música de vanguarda e ao mesmo tempo inspirada nas raízes da música brasileira.
Para Andréa (Zé Brasil) Eis o link para escutar no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=kVcbtgFQqRc
Mais um tema a valorizar bastante o som acústico, tem o som de guitarra a compor junto a linha melódica com extrema singeleza e guitarra essa tocada por um muito versátil guitarrista, mas que geralmente é conhecido pela sua atuação em torno do Blues brasileiro.
Encerrada a audição, o veredicto é o da aprovação sem restrições de mais um trabalho magnífico perpetrado pelo grande Zé Brasil, artista com história gigantesca já construída e que se recusa a parar de criar mais e mais belas páginas musicais.
Sorte nossa em termos um artista tão criativo e inquieto, a favor do Rock, da música em geral e tão empenhado em fazer arte engajada por seus ideais e dessa forma, utilizar a cultura como uma ferramenta para tornar este planeta melhor.
Ficha técnica:
Zé Brasil: Voz, viola caipira, teclados, arranjos e programações de instrumentos
Músicos convidados: Silvia Helena: Voz nas faixas 1,2,3,5,6,7,9,10 e 11 Cézar de Mercês: Voz na faixa 2 Edu Gomes: Violão na faixa 3 e guitarra nas faixas 1,2,3 e 7 Fábio Golfetti: Guitarra na faixa 2 André Cristovam: Guitarra na faixa 12 Fernando Alge: Guitarra na faixa 10 Nivaldo Campopiano: Guitarra na faixa 5 Ricardo Vignini: Cabacítara na faixa 3 Gerson Tatini: Baixo na faixa 1 Gabriel Costa: Baixo nas faixas 2, 5 e 10 Geraldo Vieira: Baixo nas faixas 6 e 12 Fabio Zaganin: Baixo na faixa 7 Claudio Erlan: Baixolão na faixa 3 Fred Barley: Bateria nas faixas 1,2 e 5 Caio Gomes: Bateria na faixa 3 Junior Muelas: Bateria na faixa 10 Alexandre Barreto: Bateria na faixa 7
CD Viola Paulistana
Gravado em vários estúdios de São Paulo: Natural Home, Audio Freaks, Cakehome, LeChat Áudio, Mosh, Orra Meu, Addictive, Wave, Hendrix, Bojo Elétrico Edição: Zé Brasil Mixagem e masterização nas faixas: 1,2, 3, 4, 7, 8 e 12: Renato Coppoli (in memoriam) Mixagem e masterização nas faixas: 5,6,9, 10 e 11: Zé Brasil Design: Alexandre Barreto Fotos: Dean Claudio e Zé Brasil (capa) Produção geral: Zé Brasil Lançado em 2023 Lançamento da Natural Records BR
naturalrecords.br@gmail.com
Distribuição online pela Tratore: https://tratore.ffm.to/violapaulistanana
Contato direto com o Zé Brasil:
Canal de YouTube: https://www.youtube.com/channel/UCdwy_DYh7wveOvC1S4Qd32w