sábado, 9 de novembro de 2019

A Expansão Bem Vinda - Por Luiz Domingues


Penso que em uma megalópole da dimensão de São Paulo, a expansão da malha metroviária ainda está muito aquém da necessidade que temos. O atraso de uma obra que iniciou-se apenas em 1968, mas que na verdade já era planejada desde 1928, gerou um prejuízo sem tamanho, em todos os sentidos. Inaugurado em 1974, com uma tímida linha apenas, apenas no decorrer dos anos 1980, viu a chegada de uma segunda linha e somente no início dos anos noventa, a terceira e bastante incompleta. Para pensar-se em expandir as três linhas  e criar novas, demorou-se ainda mais. Hoje em dia, 2019, são seis linhas, com uma delas ainda a faltar uma estação e duas em novas em construção. Há planos para a a expansão de duas já existentes e plano para mais duas a sair do papel, em breve.

Penso que gestão pública e mobilidade são questões que deveriam estar à frente das prioridades, dado o tamanho da metrópole e além do mais, já passou da hora de haver a expansão para as diversas cidades acopladas à capital e que formam a colossal região da "grande São Paulo". Uma dessas novas linhas qu8e está para sair do papel e entrar na fase de obras, ligará a capital à três cidades do grande ABC. Ótimo, até que enfim. A ligação com Guarulhos e Osasco, em outros quadrantes faz-se mister, igualmente. Isso sem contar que a expansão de mais linhas na capital são urgentíssimas.


No entanto, sem pensar em partidarização / ideologia, vejo com bons olhos o fato de que as obras estão em andamento e tem havido uma boa vontade do governo estadual em expandir a malha em várias frentes simultâneas. Que assim seja, com mais metrô e menos carros nas ruas ! 
    

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Os Kurandeiros - 9/11/2019 - Sábado / 19 Hs. - Festival Lapa Rock and Roll - Lapa - São Paulo / SP


Os Kurandeiros

9 de novembro de 2019 - Sábado - 19 Horas
Festival Lapa Rock and Roll
Viela Ema Angelo Murari - Shopping Center Lapa
Estação Lapa de Trem  / CPTM
Lapa - Zona Oeste
São Paulo / SP

Entrada Grátis
Apresentação : Marquês

Bandas desde às 10 Horas da manhâ : 
Caio Durazzo
Matilha
Galo Índio
Santanaz
The Jam
Marquês
Pompeia 72

Os Kurandeiros :
Kim Kehl : Guitarra e Voz
Carlinhos Machado : Bateria e Voz
Nelson Ferraresso : Teclados
Phill Rendeiro : Guitarra e Voz
Luiz Domingues : Baixo

domingo, 20 de outubro de 2019

CD Power Blues / Power Blues - Por Luiz Domingues

Quando um grupo de músicos tarimbados anuncia que formou uma banda de Rock, a expectativa gerada previamente já garante uma simpatia pelo trabalho, mesmo antes do primeiro acorde que essa turma boa vai emitir através de seus instrumentos, pois é óbvio que desse novo grupo, somente coisas boas advirão. Formada por Daniel Gerber (guitarra e voz); Paula Mota (voz e percussão); Daniel “Kid” Ribeiro (baixo e voz) e Franklin Paolillo (bateria e percussão), essa banda nasceu para brilhar e o seu debut fonográfico prova isso, plenamente.

O extrato da banda é o Rock clássico e o Blues como fontes primordiais. Dentro desse espectro, há uma mobilidade interessante entre a aposta natural em torno das escolhas pela sonoridade vintage e a modernidade. Pois ao avançar nessa predisposição, a banda acerta em cheio ao manter ao estética inteiramente inspirada no melhor do Rock pregresso, em termos estéticos e simultaneamente, deter um áudio moderno, com o melhor da tecnologia da atualidade. Acrescento mais um dado que julgo ser oportuno : cerca de dois anos atrás, uma discussão repercutiu na mídia internacional quando um jornalista musical levantou uma questão interessante sobre o panorama do Rock naquela atualidade e que pode-se afirmar, ainda vigora. Em sua tese, a desconexão com a raiz do Blues prejudicara o Rock, observada em tendências que avançam desde a década de oitenta. Não cabe aqui avançar sobre tal discussão, mas serve como adendo ao observar que o Power Blues propõe exatamente o contrário, isto é, ao mostrar o seu trabalho inteiramente baseado em um Blues-Rock vigoroso, convicto em seus ideais e orgulhoso de suas raízes.

Na prática, em seu álbum de estreia, o Power Blues mostra uma coleção de canções fortes, mediante a observação de melodias muito boas. Ao ir além, a construção primordial das composições é orientada por uma autêntica usina de riffs muito fortes e os arranjos mostram-se excelentes, ao privilegiar a construção de convenções intrincadas em alguns momentos e que enriquecem sobremaneira as músicas. E a parte cantada mostra-se forte, com Paula Mota, a brilhar mediante o uso da sua emissão vocal que é muito boa, naturalmente.

No quesito das letras, a aposta da banda é pela crônica do cotidiano, no entanto, há espaço para cravar opinião ante as mazelas observadas no meio social, no entanto sem esbarrar em panfletagem política, portanto, uma escolha acertada ao meu ver, no sentido em que todo artista tem que fazer valer a sua opinião forte (e convenhamos, da parte de quem enxerga na frente, há por tornar-se um farol), entretanto, nem todo artista percebe tal sutileza e sobretudo a responsabilidade que possui em ser um influenciador em potencial, ao abusar da sua condição para tomar partido acintosamente sobre uma posição “A ou B”, quando o ideal seria manter-se imparcial para enxergar o todo da questão. Pois não é o caso do Power Blues, que porta-se com inteligência nesse sentido.

Sobre a capa do álbum, a ideia é muito incisiva ao dar ênfase à uma imagem de um amplificador em "close-up". A explosão energética total é sugerida, pois tem tudo a ver com o poder do Blues, elevado em tal grau de eletricidade, portanto, eis aqui um exemplo perfeito a destacar-se em termos de sincronia entre a música e a imagem escolhida para ilustrar a capa de um álbum, principalmente ao levar-se em conta o fato em constituir-se a sua estreia fonográfica. Nesses termos, a imagem que passa é perfeita ao mostrar a artilharia pesada que municia o poder do Blues. Sobre as canções em si, cabe destacar :


“A Vida me Espera”

O Rock’n‘ Roll apresenta-se sem nenhuma parcimônia, com uma base fortemente influenciada pela influência setentista. Tem o vigor envolvente a mostrar força, no entanto, ao mesmo tempo é dançante ao extremo. Destaca-se a voz aguda de Paula Mota, com timbre muito bonito; afinação e estilo de interpretação cativante. A letra contém bom humor, ao citar diversos fatores a respeito da condição da mulher na sociedade e a ironizar o machismo por conseguinte. Linha de baixo e bateria espetacular e não apenas durante a exceção de um solo excelente, mas também a realçar a base, é preciso salientar que muitos contrasolos executados por Daniel Gerber, mostram-se criativos, ao interagir diretamente com o sentido da letra, principalmente no bom uso do recurso do wah-wah.

“Sexta-Feira”

Trata-se de um belo Blues-Rock, com a observação da linha harmônica tradicional do gênero, mas ao agregar elementos ricos em termos de convenções muito precisas. Impressiona o áudio a realçar os timbres verdadeiramente espetaculares de todos os instrumentos. Sobre a interpretação e execução da parte da banda, não há muito a acrescentar, visto que mostra-se perfeita.



“Liberdade Tem um Preço”

Nesta faixa a temperatura esquenta ainda mais. A transitar entre o Acid-Rock sessentista e o Hard-Rock Setentista, tal música mostra uma energia impressionante. Além disso, é notável a qualidade da melodia, o que ajuda a dar eloquência à proposta expressa em sua letra, a citar filosoficamente, mas em alto e bom som, um posicionamento firme em termos libertários. Paula canta com ênfase :

“Ninguém bate mais forte do que a vida... Liberdade tem um preço”...

Gostei muito da quebrada rítmica imposta pela bateria e o baixo, a inverter os tempos, ao estilo do Led Zeppelin em alguns trechos, e assim revelar criatividade e brilho. Impressionante o timbre do baixo, o estalo bem proeminente ao final das notas, sugere o som de John Entwistle.

Assista abaixo, o clip da canção : “Mentes Criminosas”

Eis o Link para assistir no You Tube :


“Mentes Crimonosas”

Carro chefe do álbum, pelo fato em ter motivado a produção do primeiro vídeo clip da banda, essa canção é sem dúvida a que apresenta uma roupagem mais moderna, no sentido do Hard-Rock. Mesmo a conter essa roupagem mais moderna, em seu momento decisivo como ápice, ao destacar-se o seu riff primordial, eis que um fraseado bastante inspirado na surf music cinquenta / sessentista comanda a atenção. O baixo tocado por Daniel Kid, brilha mais uma vez ao estabelecer um solo estiloso, com farto uso de efeitos.

“Berço da Terra”

Eis que um momento para acalmar o ânimo, sobrevém e mediante alto estilo. “Berço da Terra” traz em seu início a levada de uma balada doce, sustentada por um trabalho de guitarra muito bom e devidamente sedimentado pela presença do imponente órgão Hammond, sempre agradável em sua sonoridade tão característica. No entanto, o ritmo acelera ao propor uma mudança na fórmula de compasso para o 2/4 e que sugere ao dobrar-se naturalmente, o 6/8. O solo de guitarra bem melódico, é muito bonito. A banda investe em uma bela inserção ao Prog-Rock, algo aparentemente surpreendente, visto não ser a proposta mais clara da banda e por isso mesmo, é muito agradável ouvi-la em tal viagem instrumental auspiciosa, aparentemente distante de sua zona de conforto bluesy.

“Nunca Diga Nunca”

Eis o tema mais balançado do disco, ao mostrar-se muito inspirado no estilo de muitas bandas maravilhosas que transitaram com desenvoltura entre os anos sessenta e setenta. A melodia é muito boa, com uma interpretação excelente da parte de Paula Mota, que remeteu-me à lembrança da grande e saudosa, Silvinha. Linha de baixo e bateria, excelente. Destaco igualmente a percussão que é sutil, mas contribuiu para garantir mais molho à composição. 


“Louca de Pedra”

Outro tema bastante dançante, traz o Rock’n‘ Roll em perfeita comunhão como o melhor do R’n’B, ou seja, uma combinação explosiva que torna impossível ao ouvinte, ouvir sem sentir a vontade irresistível em dançar sem parar. É providencial a presença do piano ao trazer o elemento, “boggie woggie”. Paula Mota arrebenta ao lembrar bastante a voz de Maggie Bell e a banda soa como o Stone The Crown em seus melhores dias. 

“Chega de Chorar”

Muito boa a ideia dos acordes soltos feitas pela guitarra ao início, gostei muito. Rock vigoroso, tem em sua letra uma ode ao alto astral, por destacar o otimismo como melhor meio para que ninguém deixe-se contaminar pela choradeira observada em uma sociedade doente, onde as pessoas vivem tristes em seu cotidiano, talvez equivocadas em colocar todas as suas expectativas em torno de metas que foram impostas pela formação de opinião alheia, ou seja, valores que muito possivelmente nem fossem exatamente os seus. Gostei bastante do intermezzo desdobrado que realçou um belo solo melódico (mais uma vez), executado por Daniel Gerber.

“A Coisa Tá Dura”

O início com o baixo isolado, mais uma vez realça um belíssimo timbre extraído por Daniel “Kid“ Ribeiro. Tema acelerado, mostra um Rock mais reto e direto, a conter uma letra a expressar a insatisfação do cidadão comum em meio aos malfeitos perpetrados  pelos poderosos & inescrupulosos.

Enfim, as canções são ótimas; a execução e interpretação da parte de seus instrumentistas e cantora, excelentes; os arranjos são muito bem feitos; o áudio é exemplar e nesse último quesito, certamente há o mérito em conjunto com o técnicos envolvidos nesta produção e a qualidade do estúdio em si, do qual sou suspeito para elogiar, pois sou conhecedor de sua infraestrutura, construída com o rigor técnico em torno do padrão internacional da parte de seus proprietários, os irmãos Schevano, meus amigos de longa data.

Bem, merece uma menção muito honrosa, o senhor Franklin Paolillo, que gravou este álbum e por força das circunstâncias, afastou-se momentaneamente da banda por uma questão de saúde, e tem sido substituído nos shows pelo grande, Roby Pontes, que também é um baterista dotado de uma técnica impressionante. No caso de Franklin, a sua monstruosidade como baterista é pública e notória, a dispensar uma maior explicação. A sua atuação neste álbum é espetacular, na exata medida em que espera-se da atuação de um gênio como ele o é, portanto, expresso aqui os meus mais sinceros votos para que a sua convalescença seja a mais breve possível e que em muito breve ele possa retomar o seu posto na banda.

Gravado no Estúdio Orra Meu em São Paulo

Técnicos de Som (captura) : Gustavo Barcellos e André Miskalo

Técnicos de mixagem e masterização : Gustavo Barcellos e Daniel Gerber

Capa (criação e lay-out) : Rogério Sodré; Daniel Gerber e Luis “Caverna” Correa

Produção André Miskalo; Daniel Gerber e Daniel “Kid” Ribeiro

A formação do Power Blues no álbum :

Daniel Gerber : Guitarra e Voz

Paula Mota : Voz e Percussão

Daniel “Kid” Ribeiro : Baixo e Voz

Franklin Paolillo : Bateria e Voz

Músico Convidado :

Marcello Schevano : Teclados

Para conhecer melhor o trabalho do Power Blues, acesse :

Página da banda no Facebook :


Canal do You Tube da banda :


Contato direto com a banda :

O álbum inicial do Power Blues, pode ser escutado em diversas plataformas digitais.

Agradeço o apoio da assessora de imprensa, Briba Castro, que gentilmente providenciou-me material de divulgação da banda. 

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Os Kurandeiros - 20/10/2019 - Domingo / 18 Hs. - Feira de Artes e Cultura da Lapa - Vila Romana - São Paulo / SP

Os Kurandeiros 

20 de outubro de 2019  -  Domingo  -  18 Horas

Feira de Artes e Cultura da Lapa

Praça Cornélia
Vila Romana
Estação Barra Funda do Metrô
São Paulo - SP

Entrada Gratuita

Outros artistas a iniciar desde as dez da manhã

Os Kurandeiros :
Kim Kehl : Guitarra e Voz
Carlinhos Machado : Bateria e Voz
Nelson Ferraresso : Teclados
Phill Rendeiro : Guitarra e Voz
Luiz Domingues : Baixo

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Veio a Ordem do Celular : Odeie quem Falar em Amar - Por Luiz Domingues


Tempo confuso esse em que atravessamos, final da década de dez do século XXI, quando a semiótica é desafiada frontalmente. Conceitos são subvertidos a conferir novo e inusitado significado e significância para todos os conceitos e a justificar teorias da conspiração, aliás, as mais estapafúrdias a servir a ideologia A; B ou C, como se os avanços da humanidade até então, de nada valessem e agora a usurpação pura e simples fosse o lema dos formadores de opinião a manobrar, no pior sentido bovino do termo, os destinos de milhares, quiçá milhões de seres humanos.

Pois eis que chegamos ao limiar do histrionismo máximo em favor do ego. Nunca o egocentrismo foi tão exacerbado, ou a minha impressão é ingenuamente romântica a ainda acreditar que possa haver solidariedade entre os homens ? E pior, muito pior que isso, verifica-se neste mundo atual de 2019, a completa deturpação do conceito em si, ou seja, se já amargamos a falta de solidariedade, o que dizer então quando a própria palavra “solidariedade” é demonizada ao ponto de ser atribuída e / ou atrelada a conspirações malévolas, que supostamente visam o mal da humanidade, como se servisse aos inimigos que querem dominar e massacrar a raça humana ? 

Mas alto lá, quem é que deseja dominar, exatamente ?  Seria o lado “A” que demoniza o lado “B”, ou justamente o contrário ? Não parece uma estratégia que repete-se ao longo da história ? Sabotagens e acusações mútuas; permeadas por mentiras e nestes tempos de intensa massificação de mensagens via internet e vide a hipnose coletiva que observa-se pelas ruas, em torno do uso abusivo dos Smartphones, eis o campo fértil para tal ferramenta corrosiva ser usada pelos formadores de opinião. E que não fiquem chateados os publicitários comigo, mas se a ideia foi criar técnicas e teorias para vender produtos, a justificar o progresso em torno da roda da fortuna que sustenta a sociedade de consumo e por conseguinte, o capitalismo, o fato foi que tais metodologias de massificação, que são muito sofisticadas e só avançam mais ao longo dos tempos, também passou a ser empregada por outros fins e assim, ao cair em poder de pessoas obcecadas pelo poder e /ou a usar a desculpa da manutenção do status quo dessa engrenagem que acham tão perfeita e fascinante, o sentido da solidariedade tornou-se por conseguinte, algo desprezível, abjeto como um preceito religioso atrasado, como um resquício da Idade Média ou até da antiguidade, ou como um sonho tresloucado de alguns quixotescos hippies dos anos sessenta, que sonharam e a palavra é essa mesma, ‘sonho”, a denotar que não passara de uma mera divulgação utópica, imaginar que um dia a humanidade seria regida pela total solidariedade fraternal.
Ah, a formação de opinião... a quem interessa formatar um conceito, ou destruir um deles, considerado antagônico ? Pois é, a deturpação de conceitos como ferramenta eficaz para obter-se os resultados almejados e tratar em destruir os antagonismos. Aliás, nos tempos atuais, destruir opositores tornou-se mais importante do que convencer as pessoas que as suas metas são mais benéficas para a humanidade. “Destruir”, que palavra mais terrível, mas cada vez mais reestruturada para ganhar uma outra conotação e lá vão os bovinos a compartilhar a nova ideia passada pelos formadores de opinião, a dar significado positivo para ela. Ganha admiradores; compartilhamento; mais admiradores, com alguns a inflamar-se e gesticular com regozijo ao gritá-la nas praças públicas. Destruir; odiar; eliminar quem não pensa igual. Alimentar explicações estapafúrdias a justiçar teorias da conspiração em curso, no sentido de quem acredita em solidariedade é o inimigo que visa destruir a civilização. Na contrapartida : ajudar;  nutrir compaixão; compartilhar; não alimentar o ódio, passou a ser execrado e as pessoas obedecem fielmente os comandos de seus smartphones, para avisar os seus familiares, amigos e vizinhos sobre o perigo que representa essa gente que fala sobre “amor”, pois eles sim, são conspiradores que desejam o mal da humanidade, não é mesmo ?


Matéria publicada inicialmente no Blog Limonada Hippie, em 2019.

sábado, 14 de setembro de 2019

CD Preces e Tentações / Pepe Bueno & Os Estranhos - Por Luiz Domingues


Artista inquieto por natureza, o baixista; cantor e compositor, Pepe Bueno sempre portou-se sob extremo entusiasmo, desde o tempo em que esteve à frente do Tomada, uma banda que escreveu belas páginas na história do Rock brasileiro, a partir do final dos anos noventa. Com o Tomada a trabalhar com força total, Pepe achou uma brecha para lançar um álbum solo em 2008, denominado : “Nariz de Porco Não Tem Tomada”, um dito popular a provocar uma brincadeira com a sua própria banda. Alguns anos depois, eis que Pepe retornou a movimentar a sua carreira solo, quando lançou, “Eu, o Estranho”, o seu segundo álbum solo, em 2016. Desta feita, porém, a despeito da atividade do Tomada continuar com força na ocasião, o segundo disco solo trouxe uma nova possibilidade para Pepe, além de um uma simples vazão para a sua energia criativa extra-banda, ao ser exercida a contento. Isso porque tal álbum inspirou o avanço de uma carreira solo com maior ênfase e para tal, o artista batizou doravante tal trabalho como : “Pepe Bueno & Os Estranhos”. Para ler pela primeira vez ou reler a resenha que elaborei sobre o álbum anterior : “Eu, o Estranho”, eis o Link disponível em meu Blog 1 :  


Nesse ínterim, Pepe Bueno lançou diversos vídeoclips, pois entre outros atributos pessoais, ele é também um experiente editor de peças audiovisuais. Recentemente, 2019, eis que Pepe anunciou o lançamento de mais um álbum, sob a chancela, “Pepe Bueno & Os Estranhos”, e denominado : “Preces & Tentações”. Cercado por um batalhão de músicos geniais, não haveria possibilidade desse novo trabalho não atender a expectativa natural da parte de qualquer ouvinte que esteja a acompanhar a carreira solo de Pepe Bueno, à frente de seus talentosos e “estranhos” (no ótimo sentido), companheiros de jornada, ou mesmo dos trabalhos do Tomada e para ir além, ao citar esses artistas que dão-lhe o devido suporte, ao pensar-se em cada um individualmente, em face de seus trabalhos a bordo de bandas significativas e em alguns casos, algumas a revelar-se históricas.
Posto isso, cabe dizer que sim, “Preces & Tentações”, atende prontamente as expectativas geradas em torno de uma coleção de boas canções pautadas pelas melhores referências do passado nobre do Rock, a observar não apenas o aspecto em torno da estética escolhida para assim poder expressar-se, mas também através da fidedignidade da formatação musical em relação aos arranjos individuais da parte dos instrumentistas e cantores envolvidos no bojo da obra. E ao ir além, sobre a questão da temática das letras, realça-se a preocupação de Pepe e de seus Estranhos, no sentido em buscar os melhores timbres, o melhor áudio e nesse particular, arrole-se entre os “estranhos”, também a participação especial dos técnicos de gravação; mixagem e masterização do trabalho, envolvidos, indelevelmente comprometidos com as mesmas ideias artísticas.
O mesmo pode-se afirmar sobre o aparato gráfico do trabalho ao mencionar o trabalho de ilustração / lay-out da capa do álbum. Bastante provocativa, a imagem de uma freira estilizada com detalhes que sugerem traços fisionômicos reptilianos, avança sobre o conceito do realismo fantástico em uma primeira instância, no entanto, logicamente abre a possibilidade para diversas interpretações análogas. Desenho criativo, sem dúvida, também faz jus à estranheza, um conceito que inspirara o título do álbum anterior de Pepe (“Eu, o Estranho”) e por ter ficado tão forte no imaginário proposto pelo artista, batizou a sua banda de apoio, posteriormente. Criação e lay-out de Sandro Saraiva, certamente que é um cartão de visita sob o ponto de vista visual, a revelar-se atrativo para o álbum.

Sobre as canções, é preciso acrescentar mais algumas observações pertinentes. Enquanto o leitor continua a acompanhar a resenha, convido-o a escutar o álbum, na íntegra, através do link abaixo, no You Tube  :


“Respira” 

Tratada como uma vinheta, essa faixa com pequena duração é marcada fortemente pelo experimentalismo explícito. Mediante uma linha mestra proporcionada pelo baixo, no sentido de um looping, dá-se a margem para que os outros instrumentos participantes aventurem-se em voos, caso dos teclados e das guitarras em sobreposição e devidamente sustentadas por uma linha de bateria a buscar um sentido tribal. Lembra o Space-Rock da transição dos anos 1960, para a década de 1970, além do Krautrock germânico mais radical da década de setenta. Vozes a balbuciar palavras aparentemente desconexas, ajudam a manter o clima em tom da estranheza generalizada e certamente a mostrar-se como uma introdução perfeita para uma banda que observa a estranheza como o seu mote. Entretanto, isso é uma pista falsa se o ouvinte está a conhecer esse trabalho pela primeira vez, pois a seguir, o trabalho expressa na continuidade do álbum, a característica mais Pop da música convencional e com muitos méritos.
“Calma”

Trata-se de uma bela balada, com uma melodia agradabilíssima, e cuja vocalização principal foi defendida por um grande parceiro de Pepe, na figura do cantor / guitarrista e compositor, Fernando Ceah. Não consta na ficha técnica uma especificação formal e elucidativa, mas ao levar em conta que Ceah é um grande letrista, é possível que tal letra tenha sido a sua contribuição à canção, visto que ele é coautor da música junto à Pepe e também a contar com o baterista superb, Junior Muelas. O backing vocals com a palavra, “calma”, a intercalar e a comandar o refrão central, é muito bom. Tem tudo a ver com a menção feita na faixa anterior, que chama-se : “respira”, ou seja, respirar e acalmar-se talvez seja a única solução para enfrentarmos a loucura diária imposta-nos em torno das agruras da sociedade pautada pelo mega consumo, e assim criada para justificar a preocupação em ter que honrar os boletos que mandam-nos diariamente em nossas respectivas residências. Em suma, só resta mesmo ao cidadão comum, buscar acalmar-se para que não sucumba ao colapso nervoso total. Na parte musical, é adorável o uso de bases com farto uso da caixa Leslie. Contra-solos inspirados de guitarra, pincelam a canção a colori-la muito bem. A levada da cozinha é flutuante. O cowbell inserido como detalhe percussivo, segue essa ideia da simplicidade, mas é na singeleza que tais sutilezas realçam-se com muita felicidade. Uma parte inspirada no Hard-Rock é muito bonita, com peso, mas não mostra-se desmesurado, ao manter-se melódico, portanto. O apoio do órgão Hammond também é discreto, mas muito eficaz.

“E com fé eu vou... das seis às seis eu tenho meta a cumprir... calma... calma... calma”
“Esconderijo”

Eis aqui um canção a conter um sentido R’n’B, bem forte, por investir em uma ótima melodia. Lembrou-me bastante o trabalho do grupo britânico, Faces, no início dos anos setenta, mas claro, essa colocação é uma mera impressão pessoal de minha parte, e portanto não significa que Pepe Bueno & Os Estranhos tiveram tal inspiração exatamente como eu intuí. Sob um instrumental excelente, dá-se a margem para que Pepe a cante com desenvoltura e coloque à disposição do ouvinte, o seu bom baixo, com tranquilidade, igualmente.

“Vida”

É interessante o seu início a mostrar-se bluesy, com o piano e o baixo a mantê-la amena, sob uma batida marcada pelos tambores, predominantemente, na bateria. O solo de guitarra é muito melódico e ao mesmo tempo encorpado pelo excelente trabalho de áudio a garantir-lhe um timbre memorável. Excelente também a participação dos teclados, inclusive a apresentar a inserção do mellotron, um tipo de timbre ultra 1960 / 1970, e que sempre enriquece sobremaneira qualquer trabalho com tal intenção em demarcar as influências do melhor do Rock.
“Último Dia de Verão“

Ótimo trabalho com violões, mesclados com as guitarras. Evoca-se a riqueza musical do Southern Rock, sem dúvida. Mediante o uso dos teclados com muita propriedade; a conter uma ótima linha de baixo e sob uma melodia muito boa, eis aqui, uma canção muito boa em todos os quesitos.
“Cá, Entre Nós”

Uma balada Bluesy, lenta e introspectiva, e que contém novamente um aparato instrumental de primeira linha. Teclados; guitarras; violão; baixo e bateria em perfeita sintonia, ofertam em sintonia, uma amálgama perfeita para a melodia vocalizada fluir e narrar uma história de amor, para citar logradouros paulistanos, ou seja, a conter uma urbanidade perfeita.

“Não Muda Mais” (Você é uma Maluca)

Conduzida pela voz rasgada do cantor / guitarrista, Xande Saraiva, trata-se de um Blues-Rock vigoroso, com ótima instrumentação. Tem muito a ver com os primórdios da carreira do Tomada, portanto, é uma raiz natural de Pepe Bueno a mostrar-se sempre presente em sua obra, que bom. 
Uma novidade interessante, no release do álbum, é mencionada a existência de três faixas adicionais, que serão disponibilizadas a posteriori, quando o álbum for lançado em formato físico, em CD tradicional. Trata-se de : “Tempo, Um Mundo Diferente”; “África” e a releitura de uma canção de Guilherme Arantes, “Estranho”. Este álbum foi produzido em vários estúdios, daí a existência de vários endereços na ficha técnica.

Eis então um novo álbum de Pepe Bueno & Os Estranhos a mostrar uma continuidade sólida em relação ao trabalho anterior, e que eu recomendo, certamente.

Gravado nos estúdios : Orra Meu; Carlini’s Studio; Casa 88 e Curumim, de São Paulo / SP e também no estúdio Área 13 de São José do Rio Preto / SP

Técnicos de gravação (captura) : Marcello Schevano; Gustavo Barcellos; Rafael Magno; Gabriel Martini; Roy Carlini; Fernando Ceah; Claudio “Moko” Costa e Alberto Sabella
Mixagem : Pepe Bueno e Gabriel Martini
Masterização : Renato Copolli
Capa (Arte-final e Lay-Out) : Sandro Saraiva
Fotos : Cristina Piratininga Jatobá e Marcelo Creelece
Produção Geral : Pepe Bueno
Selo : Curumim
Pepe Bueno & Os Estranhos
Pepe Bueno : Baixo; Voz; Guitarra; Violão e Lap Steel
Pi Malandrino : Guitarra
Alberto Sabella : Teclados e Trutuka (um instrumento de sopro)
Junior Muelas : Bateria e Percussão
Xande Saraiva : Guitarra e Voz
Roy Carlini : Guitarra
Rodrigo Hid : Teclados
Caio Lobo : Voz
Marcello Schevano : Guitarra
Gabriel Martini : Bateria
Claudio “Moko” Costa : Guitarra
Chico Marques : Voz
Fernando Ceah : Voz

Para conhecer melhor o trabalho de Pepe Bueno & Os Estranhos, acesse :

Multi Link para escutar o álbum em diversas plataformas digitais : 



Contato direto com Pepe Bueno via E-mail : 
peperockista@gmail.com 

Página de Pepe Bueno no Facebook :  


Site oficial de Pepe Bueno :