sábado, 10 de fevereiro de 2018

Luiz Domingues - Entrevista ao Blog 2112 - Fevereiro 2018




Luiz Domingues em entrevista exclusiva para o Blog 2112

No ar, a partir do dia 10 de Fevereiro de 2018

Acesse :

http://furia2112.blogspot.com.br/2018/02/entrevista-luiz-domingues.html?m=1 

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Os Kurandeiros - 9/2/2018 - Sexta-Feira / 21 Horas - Alkatraz Rock Bar - Bexiga - São Paulo / SP

Os Kurandeiros

9 de fevereiro de 2018 - Sexta-Feira - 21 Horas

Festival Carna-Rock com participação de :

Power Blues
Caio Durazzo

Locução / apresentação : Rogério Utrila
Apoio :  Webradio Stay Rock Brazil

Alkatraz Rock Bar
Rua Treze de Maio, 140
Bexiga
São Paulo - SP

Os Kurandeiros
Kim Kehl : Guitarra e Voz
Carlinhos Machado : Bateria e Voz
Luiz Domingues : Baixo

domingo, 21 de janeiro de 2018

Os Kurandeiros - 25/1/2018 - Quinta-Feira / 17 Horas - Santa Sede Rock Bar - Tucuruvi - São Paulo / SP

Os Kurandeiros

25 de janeiro de 2018 - Quinta-Feira - 17 Horas

Aniversário da cidade de São Paulo - Entrada Gratuita

Santa Sede Rock Bar

Avenida Luiz Dumont Villares, 2104

Estação Parada Inglesa do Metrô

Tucuruvi

São Paulo - SP

Os Kurandeiros
Kim Kehl : Guitarra e Voz
Carlinhos Machado : Bateria e Voz
Luiz Domingues : Baixo

sábado, 30 de dezembro de 2017

Relaxem Rockers, o Rock in Rio não é um Festival de Rock - Por Luiz Domingues



Muito comentou-se sobre o Festival Rock in Rio antes, durante e após a sua realização, recentemente, por ocasião de sua edição de 2017. Principalmente nas Redes Sociais da Internet, o bombardeio foi intenso e tirante uma ou outra voz lúcida, a imensa maioria destilou veneno; desdém; escárnio; portou-se como “torcedor uniformizado” a favor de certos de artistas para atacar “torcedores” de outros artistas e protagonizou uma quantidade gigantesca de comentários pautados pela suprema ignorância, sob todos os aspectos imagináveis. Isso não é nenhuma novidade, pois trata-se de uma tradição que iniciou-se desde a primeira edição do Festival, no hoje longínquo ano de 1985. Já naquela ocasião, a polêmica instaurou-se sob vários níveis, mas sobretudo a respeito da questão do critério de escolha do dito “line up” do mesmo, ou seja, falando no bom português, o seu elenco de artistas escalados.



Numa primeira análise, por autodenominar-se um festival de Rock, causou estupefação a ausência de muitos artistas genuinamente Rockers, em detrimento de atrações nada familiares a esse universo, a gerar muita controvérsia. Lembro-me bem, uma artista histórica como Rita Lee, foi convidada às vésperas, quase como uma resposta ao clamor popular, visto que não constava da primeira lista anunciada. OK, não era mais o auge criativo dela e há anos vivia mais uma carreira Pop do que verdadeiramente inserida no Rock, mas teria sido inacreditável ela não ter participado de um festival de tamanha magnitude e ouso dizer, sem demérito a festivais históricos e assumidamente Rockers do passado (Festival Hollywood Rock 1975; Festival de Iacanga / Águas Claras' 1975; Festival de Saquarema 1976 etc), o Rock in Rio de 1985, pautou-se por ser o primeiro sob um grau de profissionalismo com padrão internacional e daí a importância que ganhou no imaginário generalizado.



Só que havia um detalhe nesse raciocínio e que poucos perceberam de imediato : tratou-se de um empreendimento particular e realizado por um escritório empresarial com pouca ou nenhuma noção sobre o Rock, sua história e seus múltiplos desdobramentos. Portanto, valendo-se de opiniões vindas de uma assessoria talvez não exatamente com essa matéria na ponta da língua, realizou sua escalação buscando o que julgou ser mais viável sob os parâmetros comerciais e levando em conta o raio-x daquele momento em termos de “Hit Parade”. Daí, privilegiou-se o Rock brasileiro em voga, representado por alguns nomes na crista da onda no mainstream e oriundos do denominado “BR-Rock" oitentista; uma noite “pesada” a agradar os “Headbangers”, ou “metaleiros” como a mídia pejorativamente estigmatizou aquela garotada adepta das correntes de Heavy Metal (outro fenômeno oitentista), e o enxerto com artistas da música Pop internacional; astros da MPB e alguns “dinossauros”, casos do "Queen" e do "Yes", que estavam mais para o mundo Pop naquela época, do que centrados em seus respectivos trabalhos mais proeminentes da década de setenta. Sem esquecer igualmente em mencionar, que bom que tiveram a honradez de convidar também Erasmo Carlos & Ney Matogrosso e o Raul Seixas só não foi porque sua saúde já estava debilitada nessa ocasião. Se comparada às edições posteriores, essa edição inicial pode ser considerada a “mais Rock” de fato, pois muitos anos depois, a avacalhação nas escolhas foi ainda mais gritante. Tornando-se um festival quase infantilizado, um verdadeiro parque de diversões a la Disney World, eu não tenho dúvidas que na concepção de seus organizadores essa máxima do entretenimento de massa e ultra pasteurizado é um lema e contra números não há argumentos, pois de nada adianta contestar a presença de artistas popularescos que fazem sucesso no carnaval, quando estes fazem shows para centenas de milhares de pessoas que “saem do chão” ao seu comando, a caracterizar sucesso absoluto.  

 

Isso sem contar atrações internacionais de gosto muito duvidoso. Não nesta edição de 2017, mas na anterior, eu recordo-me que escalaram uma cantora pop “Teen”, dessas que não fazemos a menor ideia de quem se trata, mas tem milhões de seguidores no mundo inteiro e sua filha de dez anos de idade provavelmente adora. Pois essa cantora, que nem vou citar o nome, pois não quero caracterizar que tenho bronca dela, porque realmente é claro que não tenho (o artista em si não tem culpa de nada. Ele está na dele, fazendo sua arte e se ela é ruim ou não, sua legitimidade em existir é inalienável enquanto livre expressão da arte, eu acredito nisso). Mas o caso é que tendo uma boa experiência na militância musical, gostando ou não da estética e da expressão de qualquer artista, eu consigo discernir se sua arte tem ou não relevância, com capacidade em estabelecer empatia, deixar uma mensagem ou indo além, bem além mesmo, ser passível de legar algo à humanidade, mesmo que seja uma parcela modesta de contribuição. Mas no caso dessa mocinha estrangeira com um nome exótico, eu ouvi seu trabalho e alguns clips e infelizmente sua obra e expressividade artística era praticamente nula. Dona de um único “hit” que a alçou para a condição de “Super Star”, foi escalada para o festival tendo apenas uma música conhecida e mesmo assim, não passando de uma canção insípida, nada além de um refrão razoável e passível de ser cantarolado por seus fãs, mas nada além disso. Escalar uma artista assim irrelevante, em detrimento de artistas com história e dos quais não há nem cogitação de participação nas reuniões de "brainstorm" desses produtores em questão, é que verdadeiramente irrita os verdadeiros Rockers, isso eu compreendo.

Chegamos à edição de 2017 e mais uma vez, as reclamações surgiram. É inacreditável que bandas históricas do Rock brasileiro não sejam nem cogitadas, nem que fosse para tocar num palco secundário. Se Rita Lee participou em 1985, quase a fórceps, e considerando que desde 1979, mantinha uma carreira pop com apoio radiofônico e emplacando vários temas de novelas da Rede Globo, o que dizer do Made in Brazil; Patrulha do Espaço; O Terço e outras tantas bandas com tamanha bagagem, que são ignoradas desde sempre ?


Outro ponto, por ser mais um festival pop ou mesmo popularesco, do que realmente um festival de Rock, algumas distorções são abomináveis. Algumas bandas de Rock convidadas não justificam as suas presenças, mesmo sendo bandas de Rock em tese, sua importância praticamente nula na história, sendo mero “hype” de ocasião ou até alguns que vem repetidamente e cuja superestimação no imaginário da formação de opinião chega a ser irritante, caso de uma em específico cujo cantor que mesmo no seu auge, trinta anos atrás, já era horrível e agora sem voz alguma chega a ser constrangedor, isso sem contar que a banda não justifica a sua fama em detrimento de sua fragilidade artística, aliás, mesmo em seu suposto auge já o era assim, portanto... francamente...


Diante de tudo isso, devemos entender que o Festival Rock in Rio não é, nem nunca foi um festival verdadeiramente de Rock, embora tenha tido seus lampejos nesse sentido e até produzido alguns bons momentos, reconheço. Na verdade é um festival Pop, com forte mentalidade calcada no entretenimento de massa, baseado em seus anseios e signos inerentes. É um parque de diversões ao estilo Disney, concebido a estimular consumo e nada mais. Esperam de seus frequentadores, a mesma reação das crianças nos parques da Disney, ou seja, ao invés de comprar os souveniers do Mickey Mouse e da Branca de Neve, querem que você faça caras e bocas, acompanhado do indefectível sinal do “mallochio” e coma pipoca, talvez substituindo o refrigerante pela cerveja, mas o resto é tudo igual.


Eventualmente vai ter um artista de Rock, relevante e com bagagem histórica, pois então comemoremos a vinda do The Who, tardia e representada apenas pela dupla sobrevivente e hoje na terceira idade, mas está tudo bem, Tommy e Quadrophenia soaram ao vivo, enfim, na terra tupiniquim... e entre artistas novos, um ou outro mostra serviço e nada mais.



Alice Cooper fez seu show teatralizado sensacional e ainda trouxe Arthur Brown, algo inacreditável. Poucas pessoas sabiam quem era aquele velhinho maluco com uma coroa incandescente na cabeça, mas quem conhece a história, sabe da sua importância nos anais do Rock. Fire !! E teve o Aerosmith com dignidade, apesar da idade estar chegando e pesando para Tyler; Perry e Cia.
Se não criarmos mais expectativas errôneas a respeito de tal festival, e aproveitarmos as pequenas doses Rockers que ofertam-nos, creio que não estressaremos mais, desnecessariamente. 

Matéria publicada inicialmente no Blog Limonada Hippie, em 2017

Os Kurandeiros - 30/12/2017 - Sábado / 21 Hs. - Tchê Café - Vila Santa Catarina - São Paulo / SP



Os Kurandeiros

Último show do ano ! Feliz 2018 !

30 de dezembro de 2017 – Sábado – 21 Horas

Tchê Café
Avenida Washington Luiz, 5628
Vila Santa Catarina
500 metros do Aeroporto de Congonhas
São Paulo – SP



Os Kurandeiros :
Kim Kehl : Guitarra e Voz
Carlinhos Machado : Bateria e Voz
Luiz Domingues : Baixo

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Repulsion (Repulsa ao Sexo) / Roman Polanski - Por Luiz Domingues



Olhar petrificado...

Um close que vai abrindo, dando início a uma panorâmica e mais que isso, a revelar uma história impressionante sobre a degradação sem fim. É dessa maneira que "Repulsion" ("Repulsa ao Sexo"), começa, com o olhar da personagem Carol (Catherine Deneuve), alheio ao seu trabalho como manicure num salão de beleza.
Ela é uma jovem belga, muito bonita e que vive de maneira simples em Londres, dividindo um apartamento alugado com sua irmã mais velha, Helen (Yvonne Furneaux). Tímida ao extremo, mal consegue encarar as clientes do salão onde trabalha e sua vida resume-se ao vai-e-vem da casa ao trabalho. Andando pelas ruas, chama a atenção pela formosura, e os olhares masculinos a fulminam. Dos mais grosseiros, recebe as inevitáveis cantadas baratas que constrangem-na. 


A bela trilha sonora de Chico Hamilton, a acompanha com um jazz "cool", numa Londres de 1965, mas sem evocar nenhum sinal revolucionário dos "sixties", sequer. Parece ainda um mundo cinzenta e cinquentista do pós-guerra, sem mudanças culturais / comportamentais em curso.


Em casa, vê a irmã preparando um coelho para o jantar e entre outras tomadas intrigantes, uma foto familiar é mostrada rapidamente, com a imagem de uma jovem (a irmã mais velha), uma criança e idosos posando despreocupadamente num momento tranquilo do passado e Carol sendo a menina loirinha, em pé. 


Na atualidade, a irmã tem um amante. Parece um tipo aproveitador e que sendo casado, quer apenas momentos de diversão extra / conjugais. Carol tem nojo do amante da irmã e demonstra isso logo nas primeiras cenas, com uma atitude recôndita e que só o espectador vê. Durante as madrugadas, o inevitável barulho que o casal faz durante o ato de amor, a incomoda demais. Seria pudica por natureza,  ou haveria outro motivo ?


A irmã, Helen, está atolada em dívidas e o telefone não para de tocar, com cobranças ameaçadoras. Carol tem um pretendente. Encantado com a beleza de Carol, Colin (John Fraser), nutre sentimento por ela e não é um cafajeste qualquer. Ele a aborda com educação, mas ela não demonstra intenção em dar-lhe alguma chance, portando-se com uma timidez desmedida, passando do ponto razoável, para algo que o intriga, em princípio. Colin encontra amigos num pub, mas esses são pouco preocupados com o cavalheirismo e assim, com a conversa girando em torno de bravatas sexuais, essa diferença causa-lhe desconforto. Colin é um rapaz com bons propósitos, diferente da maioria. 


Ignorando um convite de Colin para um encontro, Carol está numa esquina, com olhar distante, perdida. Aos seus pés, uma rachadura na calçada, chama a atenção do espectador, mas é enigmática a simbologia até então. Colin a aborda e atônito, percebe que ela está estranha, dispersa. Em casa, mais sinais de que sente nojo do amante da irmã em pequenos gestos que esbarram no fator escatológico e mesclam-se à momentos de apatia sonífera. Carol não suporta ver e/ ou ouvir sua irmã namorando e o sono transforma-se em sua válvula de escape para fugir desse tormento. De volta ao trabalho, ela dá mostras de estar piorando. A sua patroa está notando a piora de sua conduta nos afazeres do salão e concomitantemente, as conversas de clientes maduras e casadas, perturbam-na, principalmente quando falam com desdém de seus maridos e dos homens em geral, personificando-os como meros seres tarados, sem sentimentos.


Intensificando o processo, Carol passa a ter flashs extra / sensoriais. Misturando realidade e fantasia, passa por vários surtos no apartamento. Sinais (inexistentes em realidade), de rachadura nas paredes e no piso, começam a atormentá-la, o corpo inerte do coelho, não parece mais um alimento em fase de preparo, mas sim um putrefato elemento mórbido. Mãos ameaçadoras sucumbem das paredes a agarra-la. Apavora-se quando vê no espelho, um ameaçador intruso, mas não havia ninguém no apartamento. Sai às ruas e seu estado piora. Vaga como uma zumbi, ao som de uma caixa de bateria que reproduz uma batida militar agressiva, ameaçadora. O coelho agora não tem mais cabeça sobre a travessa e ela tem uma macabra epifania, visualizando um homem que a estupra dentro do apartamento. Num ritmo de edição rápida, o diretor Roman Polanski propõe o susto, porém mais que isso, sucinta o enigma : aconteceu de fato, ou não ? Carol está a enlouquecer ?

Sua performance no trabalho piora, quando corta o dedo de uma cliente. É mandada embora, e uma colega acha a cabeça do coelho dentro de sua bolsa. Já está claro que Carol está surtando, perdendo o controle e sucumbindo às fantasias de sua mente confusa. Num encontro fortuito com Colin, seu pretendente, rejeita-lhe um beijo, o que deixa o rapaz mais que frustrado, contudo intrigado com tal comportamento.

Uma sucessão de metáforas são apresentadas daí em diante. A rachadura nas paredes confunde-se com o quebrar ao meio de um biscoito. Rupturas, sem dúvida. Carol divide-se, perdendo o contato íntimo com o seu Eu interno. Catatônica, vê na TV um documentário onde imagens das engrenagens de uma máquina industrial de efeito repetitivo, insinua o ato sexual. O namorado a procura, toca a campainha, insiste para que abra a porta, mas ela reluta, mal respondendo, apenas sentindo-se assustada. Ele arromba a porta num ato de desespero, mas não quer agredi-la, tampouco possuí-la à força. Quer apenas entender o porque de seu comportamento arredio e enigmático. Sob o olhar desconfiado da vizinha que observa-os do corredor, eles travam um diálogo em que nada esclarece a situação para ele. Eis que num arroubo de loucura, Carol mata-o, usando um objeto da casa. Fica desesperada pelo ato insano e improvisa uma barricada na porta, como a isolar-se ainda mais do mundo. Arrasta o corpo de Colin até a banheira e mergulha-o. Parece buscar uma espécie de purificação, uma expiação através da água.

Demonstrando estar lesada emocionalmente, senta-se e costura enquanto cantarola. Estaria aliviada e sentindo-se purificada, mesmo diante de um óbvio surto ? O coelho, conhecido popularmente por sua rapidez no coito sexual, seria um símbolo de promiscuidade que ela abominava ?
Horas passam-se e o cadáver de Colin está ali, agora deitado na cama. Carol parece não importar-se e o apartamento está revirado, numa caótica condição que reflete na verdade o seu estado de espírito interior. Chega um cartão postal que o carteiro joga por debaixo da porta. São notícias da irmã e do amante, que estão felizes em Pisa, na Itália. O quanto a famosa Torre dessa cidade e ilustrada no cartão, a incomoda como símbolo fálico ?

O telefone toca...
Carol atende e uma mulher muito nervosa a insulta. Trata-se da esposa do amante de sua irmã, que descobriu tudo e a confunde com Helen. Já em estado degenerativo acentuado, isso só parece ser mais um golpe a incrementar sua loucura. Um novo incômodo acontece. Um homem extremamente desagradável toca a campainha. Quer falar com Helen, sobre o aluguel do imóvel, que está atrasado. É o senhorio, com atitude agressiva e mesquinha. Percebe a porta aberta e entra, mesmo sem ser autorizado. Encontra Carol em estado deplorável, com o apertamento em frangalhos, mas mesmo assim quer o dinheiro e demonstra não querer saber o que está acontecendo ali. Todavia, mesmo recebendo o dinheiro (num arroubo de sanidade, Carol lembrou-se que Helen o deixara num envelope, com essa destinação), o senhorio muda de comportamento quando vislumbra uma oportunidade. Percebendo que Carol está confusa, sozinha e usando trajes íntimos, o homem propõe perdoar a dívida em troca de sexo. Daí à tentativa de estupro, não houve escalas e agora sim, Carol está diante da concretização de um temor que a desequilibra de vez. Consegue desvencilhar-se do pulha e mata-o, mediante golpes de navalha. Mais uma morte ao som do repique nervoso da caixa de bateria, concebida pelo arranjador musical, Chico Hamilton.


Surtada definitivamente, Carol vê-se em meio à diversos devaneios com as rachaduras; o coelho apodrecido e outras cenas de espelhos.
É no espelho que parece estar aliviada enquanto maquia-se, escreve frases desconexas nele e tem mais delírios com estupros. Uma cena impressiona, com ela no corredor sendo agarrada por mãos que saem, literalmente das paredes. Sua repulsa ao sexo chega às raias do desespero. Essa cena seria infelizmente usada posteriormente no cinema, inúmeras vezes, copiada literalmente, banalizando-a através de filmes de terror baratos.


Sob chuva, a irmã e seu amante chegam das férias e encontram o apartamento revirado, com dois cadáveres e Carol completamente entregue, sendo praticamente um cadáver, também, embora ainda com vida. Impressiona o assédio dos vizinhos invadindo o apartamento e sem uma ação coordenada de ajuda, apenas limitando-se a palpitar, num reflexo do que é viver em sociedade.

A cena final é genial, com um pequeno "travelling" mostrando-nos alguns pontos chave do filme : A rachadura na parede (além do aspecto da ruptura de personalidade / subpersonalidade, é óbvia a conotação com o órgão genital feminino); o coelho (o aspecto típico da compulsão masculina à promiscuidade); espelho (o confronto com seu eu, sua autenticidade e verdade pessoal) e finalmente, a foto familiar onde o encerramento inverte o início do filme e tudo culmina na imagem de Carol quando criança, ao lado de familiares e uma impressionante constatação : o mesmo olhar petrificante do início do filme !!


"Repulsion" é considerado o primeiro filme de uma trilogia que Roman Polanski faria ambientados em apartamentos. A seguir, "Rosemary's Baby" ("O Bebê de Rosemary") e "Le Locateire" ("The Tenant", ou "O Inquilino", em português), completariam essa série. Muitos críticos consideram "Repulsion", um filme de terror e são muitas as comparações com "Psyco" ("Psicose"), de Alfred Hitchcock e "El Anjo Exterminador" ("O Anjo Exterminador"), de Luis Buñuel. De fato, existem similaridades entre os três. Todavia, sem nenhuma pretensão de discordar de grandes críticos profissionais, acho que "Repulsion" pode ter elementos assustadores, mas isso não faz dele um filme de terror, propriamente dito.Tem sim, muito de thriller psicológico e esbarra na conjectura da psicanálise, sem dúvida.


Outro ponto interessante, li uma crítica dando conta de que o filme é um contraponto à revolução contracultural dos anos sessenta, pois é sombrio; com fotografia em preto e branco; mórbido; tenso etc. Com isso, o raciocínio seria de contraponto no sentido de que confrontava o colorido da "Swinging London" sessentista, que insinuava-se em meio à Beatlemania sob todo o vapor; mini-saia; sexo livre; feminismo etc. Permito-me discordar desse ponto de vista, pois desconheço que Polanski tenha declarado alguma intenção em contrapor-se à esses valores formalmente através da obra. Em segundo lugar, parece-me claro que o objetivo era o de fazer um filme sobre a degradação interna de um ser humano, diante de paradigmas impostos pela sociedade, no tocante aos tabus do sexo, usando como parâmetros, doenças psiquiátricas catalogadas no CID (código internacional de doenças), que apresentam tais sintomas vividos pela personagem, Carol. E diante de tal perspectiva, em tese, por quê Polanski atacaria quem estava disposto a rompê-los ?
Não pareceu ser essa a sua intenção, pois não enxergo nenhuma conotação reacionária da parte dele. Pelo contrário, a mensagem final parece ser a da constatação de que a personagem Carol foi vítima da opressão sexual da sociedade em impor papel indissolúvel para as pessoas e ao não encaixar-se nele, Carol perdeu seu equilíbrio, adoecendo mentalmente.




Em suma, um filme impressionante, que causa reações fortes, mas vale a pena assistir como peça cinematográfica de alto nível ou para quem tem interesse por psicologia, psicanálise e afins. É difícil achar o filme inteiro no You Tube, com legendas em português. Experimente via Telecine Play, e acredito que seja válido perder um tempo fazendo um cadastro exigido, para ter-se o login.

Eis o Link :
https://globosatplay.globo.com/telecine/v/5021339/