quarta-feira, 19 de junho de 2019

Os Kurandeiros - 20/6/2019 - Quinta-Feira (Feriado) / 21 Hs. - Santa Sede Rock Bar - Tucuruvi - São Paulo / SP

Os Kurandeiros

20 de junho de 2019 - Quinta-Feira (feriado) - 21 Horas

Santa Sede Rock Bar
Avenida Luiz Dumont Villares, 2104
Tucuruvi
Estação Parada Inglesa do Metrô
São Paulo - SP

Entrada Grátis

Convidados Especiais :
Geraldo "GG" Guimarães : Guitarra
Nição Vini Altino - Guitarra e Voz

Os Kurandeiros :
Kim Kehl : Guitarra e Voz
Carlinhos Machado : Bateria e Voz
Phil Rendeiro : Guitarra e Voz
Luiz Domingues : Baixo

sábado, 1 de junho de 2019

Compacto Simples Ciclorama / Vento Motivo - Por Luiz Domingues


O Vento Motivo é um dos mais perseverantes grupos de Rock do Brasil, ao lançar novidades sistematicamente, e mais que provar ser obstinado, mostra-se na verdade criativo e compromissado com a qualidade, pois não lança discos por lançar, mas sobretudo, por ter o que dizer, artisticamente a expressar. Desta feita, tal material que já faz parte do novo CD (que chama-se : “Obras Cruéis), proporciona aos seus fãs um compacto duplo como opção em anexo, a conter uma canção inédita, chamada : “Ciclorama”, acompanhada de uma versão de “A Serpente e a Estrela”, clássico da Country Music norteamericana (de autoria de Terry Staford e Paul Fraser, originariamente intitulada, “Amarillo by Morning”), que foi adaptada ao português pelo letrista, Aldir Blanc e imortalizou-se na interpretação do nosso grande menestrel Folk, Zé Ramalho.

Em Ciclorama, a canção de Fernando Ceah mostra uma forte carga em prol do Pop Rock (como aliás é uma marca registrada do trabalho da banda), mas não canso-me em explicar, a despeito do termo “Pop Rock” ter sido conspurcado ao longo do tempo (ao ponto em ter adquirido uma carga deveras pejorativa, a designar música de baixa qualidade, produzida em escala industrial para ser usada e descartada rapidamente), no caso do Vento Motivo, a velha conotação do termo, realça-se, pois qualidade musical e poesia, são pilares típicos de tudo o que essa banda produz. Ouça abaixo as duas canções do compacto, enquanto continua a ler a resenha. Eis o link para escutar diretamente no You Tube :

https://www.youtube.com/watch?v=qqSGhbpEIGI  

Trata-se de uma canção vibrante, com um arranjo muito bem concatenado, com direito a uma linha de baixo e bateria muito criativa; bases harmônicas de guitarra e sobretudo em relação à melodia, tudo muito bem caprichado. Muito destacado também o trabalho de uma segunda guitarra a produzir belos desenhos no sentido de contra-solos pontuais e que garantiu um colorido especial à canção. Portanto, a canção tem o poder Pop da empatia automática a ser provocada para o ouvinte em geral e sobretudo, faz uso de poesia, algo muito raro no panorama da música brasileira em geral nos dias atuais, onde apelações chulas pode até  agradar a patuleia manipulada, mas eu tenho certeza de que uma parcela significativa da população anseia por uma retomada da poesia e se há um artista no Pop Rock brasileiro que cumpre tal tarefa com muito brilho, este é Fernando Ceah, como compositor; letrista e poeta, na acepção da palavra.

Fernando Ceah profere alguns conceitos interessantes em seu canto, tais como : “todas as cores perdem o brilho / diante do nosso intenso contraste / em nossa casa de tons pastéis / somos artistas de obras cruéis / eu quero colorir a vida lá fora, a foto em preto e branco que tiramos agora / eu quero as cores vivas do mundo que eu quis para mim”.

Ou seja, ao pensarmos que o “ciclorama“ trata-se de uma grande tela clara, quem trata por desenhar e colorir o que desejar, somos nós mesmos, visto que a vida de cada um é um ciclorama pessoal e intransferível. Portanto, um recado direto aos que esperam sentados por toda a vida, por algum “milagre” externo a esmo, mas que na verdade, não percebem que a criação da trajetória é livre e fruto da atribuição pessoal de cada um.

Sobre a versão de “A Serpente e a Estrela”, a opção do Vento Motivo pelo Rock é óbvia, mas sente-se uma boa influência da Country-Music norteamericana, a reaproximar a canção da sua versão original, no entanto, é claro que o Rock predomina na versão do Vento Motivo. A linha de baixo e bateria é muito criativa e no caso do baixo, impressionou-me alguns fraseados muito swingados, certamente inspirados no R’n'B / Soul Music e que coloriu demais a canção, isso sem contar certos "glissandos" estratégicos e muito oportunos, portanto, destaque para Ivan Soldi e Binho “Batera”. Gostei da ardência da guitarra base e também dos contra-solos e a interpretação vocal do Fernando Ceah, mostra-se muito boa, pois não basta ser um grande poeta e compositor inspirado, mas Ceah toca e canta bem, isso é um fato.

Sobre o áudio, este mostra-se muito agradável, com bastante brilho e pressão sonora, e sobretudo por realçar ótimos timbres de todos os instrumentos, a observar um caráter vintage, muito interessante, muito embora não seja essa uma bandeira proposital levantada pela banda em sua determinação artística, mas ao fazer uso desse tipo de sonoridade clássica, torna-a ainda mais atrativa ao meu ver. Em relação à capa, a ilustração oficial do CD “Obras Cruéis”, que já foi lançado, inclusive, mostra um botão de rosa incandescente, uma imagem forte. Para compor este compacto, uma imagem alternativa é utilizada, a manter o mesmo fundo e desta feita a mostrar o vulto de uma mulher sobre a ação de uma contra-luz.
Esta é uma terceira resenha que escrevo sobre um trabalho do Vento Motivo (anteriormente já pude comentar as minhas impressões sobre o CD “O Voo do Marimbondo” e o EP “Sol Entre Nuvens), portanto, a minha confiança nesse grupo é total, para recomendá-lo, sempre aos meus leitores.

Gravado e mixado no estúdio Curumim de São Paulo.
Técnico de captura : Fernando Ceah
Técnico de mixagem : Guilherme Canaes
Capa (Criação e Lay Out) : Caio Bars
Produção Geral : Fernando Ceah

Vento Motivo :
Fernando Ceah : Guitarra e Voz
Binho “Batera” : Bateria
Ivan Soldi : Baixo

Para conhecer melhor o trabalho do Vento Motivo, acesse o seu site oficial : 

https://www.ventomotivo.com.br/ 

Canal da Banda no You Tube : 

https://www.youtube.com/channel/UCVXCakCDc8gFU7wDtHmcQDQ 

Página do Vento Motivo no Facebook : 

https://www.facebook.com/profile.php?id=100007592445099 

E a banda disponibiliza os seus fonogramas em todas as plataformas digitais atuais.

domingo, 19 de maio de 2019

Compacto Simples "Trilha" / Cosmo Drah - Por Luiz Domingues


O Cosmo Drah é uma banda vigorosa e obstinada em sua busca incessante para obter as melhores vibrações do Rock produzido em seu período de ouro, ou seja, o dito “Late 60’s / Early  70’s. Nesses termos, é bom que fique bem claro, para adotar tal predisposição artística, não basta apreciar tal estética; deixar o cabelo crescer e procurar figurino de época pelos brechós da cidade, tão somente. E nem mesmo saber tocar e cantar bem (esta, por sinal, uma condição sine qua non para poder executar tal tarefa a contento), mas sobretudo, para quem aventura-se nessa determinação em soar dessa forma, é necessário ater-se em outros detalhes inerentes, tão vitais quanto, e acima de tudo, precisa capturar a essência dessas “boas vibrações” e isso não aprende-se em escolas, por tratar-se de uma capacidade anímica, que depende exclusivamente em estar sintonizado no ponto exato onde essa conexão possa ser estabelecida, ou melhor, restabelecida. Pois o Cosmo Drah tem essa capacidade, certamente e a cada trabalho que esse grupo lança no mercado, reafirma-se tal expressividade com adendos, pois além de tudo, trata-se de uma banda que apresenta um nível técnico e artístico, muito grande. 
O Cosmo Drah em ação ao vivo, no palco do Sesc Belenzinho em São Paulo, no ano de 2019, por ocasião do show de lançamento do seu novo compacto. Foto : Isabella Piantra

Eis que após o seu excelente CD inicial, homônimo, lançado em 2015, a banda apresenta mais duas canções inéditas e lançadas, sim, em formato de um compacto de vinil em 7 polegadas, nada mais vintage, portanto. Nesse compacto simples, denominado : “Trilha”, as músicas apresentadas são : ”Pense” (Contracorrente) e “Trilha”. Trata-se de dois exemplos clássicos de Hard-Rock, bem do início dos anos setenta, com grande desenvoltura instrumental e vocal em ambos os casos, e também a conter arranjos muito bem engendrados. Gostei muito da performance da banda, e da felicidade pelos timbres observados, um ponto de honra para quem envolve-se com sonoridade vintage, é bom frisar. E não obstante os membros da banda serem meticulosos nesse sentido e ostentar grande conhecimento técnico sobre áudio (os irmãos Amorim, por exemplo, mantém uma prestigiada oficina de Luthieria para instrumentos e consertos de amplificadores e acessórios em geral, na zona sul de São Paulo), o fato foi que obtiveram o apoio decisivo de dois técnicos de som que também são bons músicos; professam dos mesmos valores musicais e ambos, são detentores de avantajados conhecimentos técnicos, casos de Lennon Fernandes (captura e mixagem) e Renato Coppoli (masterização), portanto, o áudio com tal sonoridade ficou garantido neste trabalho. 
Sobre a capa principal, nota-se uma belíssima ilustração, assinada por Camila Kury. Trata-se de um pequeno caminho construído em pedras, cercado por uma vegetação exuberante e certamente a sugerir a ideia da “trilha” defendida pela banda. Gostei muito da opção da artista ao ter usado conceito do preto & branco, pois a despeito da cor ser a opção lógica e na suposição de que igualmente teria ficado lindo, pela certeza da representação lisérgica iminente, ao usar o conceito PB, a artista visual, trabalhou com as matizes sutis a envolver o prata e o grafite, além de ter observado com criatividade o uso de luz e sombra. Na contracapa, existe uma bonita estilização do logotipo da banda, a envolver as fotos individuais dos seus componentes e uma ficha técnica sobre a produção do álbum, sucinta. O projeto gráfico ficou a cargo do genial artista plástico, Diogo Oliveira 

Sobre as faixas, tenho a observar mais alguns detalhes. Ouça a canção, “Pense” (contracorrente), enquanto lê o que tenho a dizer sobre ela. Eis o link para escutar “Pense” (Contracorrente), diretamente no You Tube : 

https://www.youtube.com/watch?v=WsU6d-awoNI


“Pense” (contracorrente) 

Gostei muito da levada inicial em um bem usado compasso sob fórmula 6/8, onde a pontuação rítmica dos três instrumentos primordiais, baixo; guitarra e bateria, mostrou-se extremamente bem encaixada. A aproveitar tal sutileza no arranjo, realçou-se os timbres respectivos dos instrumentos ao revelar-se excelentes, um adendo positivo a mais, portanto. Há uma parte B mais acelerada e que encontra-se alojada sob o clássico compasso em 4/4, o que garantiu um diferencial. Contém uma melodia dura, bem no padrão do Hard-Rock setentista, todavia, mostra-se muito boa e a observação dos backing vocals, muito oportuna. Sobre a letra, escrita pelo vocalista Rubem Yanelli em parceria com o baterista, Renato Amorim, o mote é em tom crítico, a abordar a dispersão das pessoas em meio a uma sociedade que massifica; mastiga e cospe as pessoas, a negar-lhes o direito a pensar e agir por si mesmas. Solo excelente de Anderson Ziemmer, gostei bastante do uso do Wah-wah.

Ouça, “Trilha”, enquanto lê o restante da resenha. Eis o Link para assistir diretamente no You Tube : 

https://www.youtube.com/watch?v=E65Pdhtyypo


"Trilha"

Muito bom o riff primordial, a dar início à canção. Gosto da desdobrada que só realçou a beleza da linha melódica, abrilhantada pelo bom uso da segunda voz, em harmonia. Adorei o fraseado da parte C, como ponte a abrir caminho para o solo (ótimo). Como não deixar de elogiar a parcimônia usada no tocante ao reverber ? Uma gravação seca, sem aquela pasta indecente que conspurca o áudio, em contraponto ao que acostumou-se a chamar-se : “padrão pop”, ou para deixar bem claro, o Cosmo Drah não busca esse caminho e ainda bem ! Palmas para a banda e para os técnicos, Lennon Fernandes e Renato Coppoli, por tal decisão sábia.
De costas, o técnico e multi músico, Lennon Fernandes, a trabalhar no Docestúdio, na produção do compacto "Trilha", do Cosmo Drah


Técnico de gravação (captura) e mixagem : Lennon Fernandes (Docestúdio)
Técnico de masterização : Renato Coppoli (Áudio Freaks !)
Capa (ilustração) : Camila Kury
Projeto gráfico e logotipo : Diogo Oliveira
Selos : Melômano Discos e Parafuseta Records

Formação do Cosmo Drah :
Elton Amorim : Baixo
Ruben Yannelli : Vocal e guitarra
Anderson Ziemmer : Guitarra; voz e percussão
Renato Amorim : Bateria e percussão 

Músico convidado :
Fabrício Arcanjo Pejome : Backing Vocals em “Trilha”

Sobre o Cosmo Drah, a minha recomendação é automática, ao dispensar maiores elucubrações. Uma banda excelente; honesta em seus princípios; perseverante e formada por pessoas da melhor qualidade, portanto, tem a minha admiração.

Para conhecer melhor o trabalho do Cosmo Drah, acesse o seu 
Canal do You Tube : 

https://www.youtube.com/channel/UCQV9OvrbJnNDSLeg1nvfguw 

Página do Cosmo Drah no Facebook : 

https://www.facebook.com/cosmodrah/ 

Contato direto com a banda :

cosmodrah@gmail.com 

Os álbuns da banda estão disponíveis em plataformas digitais tais como : bandcamp; onerpm e outras.