quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Os Kurandeiros - 23/11/2017 - Quinta-Feira / 20 Hs. - Santa Sede Rock Bar - Tucuruvi - São Paulo / SP



Os Kurandeiros

23 de novembro de 2017 - Quinta-Feira - 20 Horas

Festival do Chopp Artesanal / Entrada Gratuita

Santa Sede Rock Bar
Av. Luiz Dumont Villares, 2104 - 200 metros da Estação Parada Inglesa do Metrô - Tucuruvi - São Paulo / SP

Os Kurandeiros :
Kim Kehl : Guitarra e Voz
Carlinhos Machado : Bateria e Voz
Luiz Domingues : Baixo

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Os Subterrâneos / EP Subterrâneos - Por Luiz Domingues

É inacreditável, eu sei, mas em pleno 2017, com quase todo mundo a destilar lamúrias pelas redes sociais, em tom de crítica pela anti música que ocupa o mainstream (e na contrapartida não haver espaço algum para artistas do underground), nos confins da zona leste de São Paulo, uma turma jovem, ultra dinâmica e entusiasmada, vai nadando contra a maré do baixo astral generalizado e alheia ao “mimimi” dos perdedores (e por quê não, dos perdidos, também...), está a produzir uma música profundamente influenciada pelos anos 1960, resgatando inúmeros aspectos revolucionários daquela década memorável. É uma turma boa que produz shows; festivais, não quer nem saber de crise e sem “frescuras”, produz seu agito contracultural onde houver espaço, e nem importa-se se não tem infraestrutura adequada, por que se não houver, eles mobilizam-se e fazem acontecer. Só por tal mentalidade, já merecem todo o enaltecimento, mas não fica só nessa boa vontade extrema, pois trata-se de um celeiro de artistas talentosos, que tem o que dizer, portanto, agregue-se tal valor. E entre esses rapazes obstinados, muitos tem duas, três ou mais bandas mantidas em simultaneidade, e todos os amigos dessa fraternidade interagem, nem que seja em participações uns nos discos dos outros.


Hoje, quero tratar de mais uma banda dessa cena (já abordei o Capitão Bourbon, anteriormente), chamada “Os Subterrâneos”. Banda profundamente influenciada por bandas de garagem dos anos sessenta, não necessariamente famosas e daí, realça-se a extrema originalidade dessa banda em buscar sonoridades perdidas no tempo e no espaço, sendo que em realidade, tal estética jamais poderia ter sido obscurecida, nem mesmo pela ação do tempo. Contudo, muita coisa aconteceu na história do Rock e até o vilipêndio usado como arma / ação de marketing, tratou de obscurecer tal corrente histórica e agora, uma banda como Os Subterrâneos está fazendo o trabalho arqueológico e ao mesmo tempo mágico em reatar o fio da meada perdido, ou seja, o “religare” no Rock, um fato que Rockers genuínos aos quais incluo-me, sonham em ver acontecer, há décadas.


Os Subterrâneos tem em sua formação como quarteto, os seguintes membros : Eduardo Osmedio (Guitarra / Voz); Ronnie Pedroso (Órgão / Gaita / Guitarra e Voz); Guilherme Torquato (Baixo) e Rogério Antônio (Bateria e Voz). Seu EP, chamado “Subterrâneos”, foi lançado em 2017, contendo quatro faixas. A sonoridade da banda, em termos de áudio, soa bastante rústica, parecendo de fato um bootleg concebido em poucos canais, sob a égide do mundo antigo das gravações (leia-se analógico), e isso é sensacional enquanto fidedignidade às influências que eles seguem, com dedicação. Até a foto da banda na capa do álbum, com os rapazes trajados como se estivessem em 1966, em meio ao “fog” de Londres, é incrível. E fica ainda mais interessante se levarmos em conta que são paulistanos da zona leste e que estão fazendo isso em 2017...

Sobre as quatro faixas, ouvi-las no headphone é um mergulho direto aos “sixties”, uma viagem no Túnel do Tempo, quiçá na companhia de Anthony Newman e Douglas Phillips, absorto em cambalhotas num Kaleidoscópio psicodélico e muito louco.



A primeira faixa, “Ruas de Soweto, tem um som de órgão hipnótico. É aquele timbre agudo e maravilhoso desses teclados tipicamente sessentistas como os órgãos Voz e Farfisa, inigualáveis pela suas respectivas características no tocante aos timbres. Gostei muito dos backing vocals ao fundo, quase sombrios, repetindo frases proferidas pela voz principal e lembrando muito diversos artistas egressos da Jovem Guarda e estes por sua vez, que beberam forte no Pop francês e italiano, principalmente, naquela década.  Muito boa uma parte desdobrada em compasso 3/4, insinuando uma valsa lisérgica. Gostei também do solo de guitarra e o timbre do baixo, quase sem sustain, com aquele timbre anasalado, também muito usado naquela época.



“Borboleta Branca” é a segunda canção e apresenta-se com forte orientação do Acid Rock sessentista. Nessa faixa, um músico convidado tocou guitarra, Jun Santos. A letra investe forte na loucura psicodélica, buscando imagens surreais. Eis um trecho :

"Era uma borboleta voando mais branca que a neve / sobrevoava o jardim colorido a procura das tulipas negras"...




A terceira faixa, “Dia Lindo”, tem em sua parte inicial uma divisão rítmica fragmentada, sob compasso 2/4, muito interessante. Convenções duras ocorrem em diversos trechos trazendo um peso incrível. Tem muito do som da pouco conhecida banda sessentista americana, “The Music Machine” (aliás, uma influência confessa dos rapazes). Gostei do solo de guitarra executado pelo artista convidado, Uly Nogueira, outro músico com forte participação nessa cena, tocando em várias bandas irmãs e também produzindo e ofertando apoio como ilustrador de capas de discos e cartazes de shows a evocar a psicodelia sessentista, sendo um talento impressionante. E não obstante ser um baterista ótimo em outras bandas, aqui contribuiu com um belo solo de guitarra ao pisar no “Fuzz”, sem parcimônia.



“Jardim Psicodélico” fecha o EP e não pude deixar de enxergar o “Iron Butterfly” a flutuar fortemente como influência ótima para os rapazes. Trata-se de uma viagem psicodélica, uma autêntica good trip. Ouvir essa faixa de olhos fechados pode levá-lo diretamente aos bastidores do Auditório Fillmore West, em algum momento de 1967, quando em meio a tal epifania, a vontade de não voltar para a realidade do século XXI em curso, será imensa, tenha essa certeza. Gostei muito da condução da bateria, evoluindo com bastante criatividade nos tambores, e também do solo de guitarra, muito bonito. A letra investiu forte no surrealismo explícito, na melhor tradição dos ditos, lindos sonhos delirantes.

"acordei, mas ainda estava a sonhar / encontrei o jardim psicodélico dos sonhos meus"...




O disco foi gravado no estúdio “Corações de Pedra”, em São Paulo. Jonas Morbach foi o técnico da captura de gravação e mixagem / masterização. Foto e arte da capa a cargo de Fernanda Heitzman (um trabalho muito bom da parte dela, por sinal).


Em postagens que vejo pelas Redes Sociais a anunciar seus shows, percebo que gostam de brincar com o fato de que são da zona leste de São Paulo, referindo-se a ela como “Zona Lost”, numa alusão ao seriado de TV que fez sucesso, anos atrás. Mas creio que esses artistas na verdade não perderam nada, mas ao contrário, estão achando um caminho muito interessante a resgatar raízes remotas do Rock, ou seja, fazem um trabalho notável.


Recomendo o bom trabalho dos Subterrâneos, tanto acompanhando-os ao vivo aonde quer que estejam, quanto pela audição de seu EP, aqui analisado. E que venham mais trabalhos nessas características. Viva a psicodelia sessentista !

Ouça o EP, abaixo :

Escute o álbum na íntegra, através da sua postagem de You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=CGM15yIrH24



Também disponível na plataforma BDG do Uol :

https://bdg.uol.com.br/artist/os-subterraneos


Para saber mais informações sobre a banda, acesse sua página na Rede Social Facebook :

https://www.facebook.com/OsSubterraneos/?ref=page_internal

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Os Kurandeiros - 16/11/2017 - Quinta-Feira / 20 Hs. - Santa Sede Rock Bar - Tucuruvi - São Paulo / SP



Os Kurandeiros


16 de novembro de 2017 - Quinta-Feira - 20 Horas

 
Festival do Chopp Artesanal / Entrada Gratuita


Santa Sede Rock Bar

Av. Luiz Dumont Villares, 2104 - 200 metros da Estação Parada Inglesa do Metrô - Tucuruvi - São Paulo / SP


Os Kurandeiros :
Kim Kehl : Guitarra e Voz
Carlinhos Machado : Bateria e Voz
Luiz Domingues : Baixo

sábado, 11 de novembro de 2017

Os Kurandeiros - 15/11/2017 - Quarta-Feira (feriado) / 18 às 22 Hs. - Hamburgueria Rock Beer - Vila Arriete (Zona Sul / Interlagos) - São Paulo / SP

Os Kurandeiros

15 de novembro de 2017  -  Quarta-Feira (feriado)  -  18:00 até 22:00 Horas

Hamburgueria Rock Beer

Avenida Nossa Senhora do Sabará, 3030 - Vila Arriete (Zona Sul / sentido Interlagos)  -  São Paulo / SP

Os Kurandeiros :
Kim Kehl : Guitarra e Voz
Carlinhos Machado : Bateria e Voz
Luiz Domingues : Baixo

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Os Kurandeiros - 11/11/2017 - Sábado / 20 Hs. - Espaço Cultural Rock na Padoka - Jardim Brasília (Zona Leste) - São Paulo / SP

Os Kurandeiros

11 de Novembro de 2017  -  Sábado  -  20 Horas
Entrada Gratuita

Lançamento do CD "O Baú dos Kurandeiros"

Espaço Cultural Rock na Padoka

Praça Valdemar Bassi, 78  -  Jardim Brasília (Zona Leste  -  São Paulo / SP

Os Kurandeiros :
Kim Kehl : Guitarra e Voz
Carlinhos Machado : Bateria e Voz
Luiz Domingues : Baixo

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Os Kurandeiros - 9/11/2017 - Quinta-Feira / 20 Hs. - Santa Sede Rock Bar - Tucuruvi - São Paulo / SP



Os Kurandeiros

9 de novembro de 2017 - Quinta-Feira - 20 Horas

Festival do Chopp Artesanal / Entrada Gratuita

Santa Sede Rock Bar

Av. Luiz Dumont Villares, 2104 - 200 metros da Estação Parada Inglesa do Metrô - Tucuruvi - São Paulo / SP

Os Kurandeiros :
Kim Kehl : Guitarra e Voz
Carlinhos Machado : Bateria e Voz
Luiz Domingues : Baixo

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Capitão Bourbon / CD Terra em Transe - Por Luiz Domingues



Em tempos de tanta dispersão, pulverização de informações e completa desconexão com as raízes, é de admirar-se quando encontramos artistas jovens que buscam fontes nobres do passado para inspirar seus trabalhos na atualidade. A banda "Capitão Bourbon" vai por esse caminho sem parcimônia, mas sobretudo sem medo do julgamento de quem não suporta artistas que não sigam a moda, mas o som que vem do coração. Portanto, os rapazes seguem em frente e mais do que isso, não esperam acontecer, mas fazem acontecer, gravando seus álbuns, produzindo shows e abrindo frentes onde é possível tocar e se não for, esforçam-se para que o show aconteça assim mesmo. Ou seja, um amor a arte que não se vê mais hoje em dia e portanto, esses artistas resgatam até o sentido perdido de uma visão macro da cultura, o que é notável.


Tendo lançado um EP em 2013, a banda lança agora o seu primeiro CD oficial, trazendo sonoridades provenientes da década de sessenta, tais como a psicodelia, passeando pelo Acid Rock, acrescido de um forte apelo baseado no Blues Rock daquela década, igualmente. Chamado “Terra em Transe”, tem esse título inspirado declaradamente no filme homônimo de Glauber Rocha, e certamente buscam o mesmo sentido libertário contido na obra do saudoso e genial cineasta baiano, ao imprimir ideias fortes, tanto expressas pela música, quanto na parte do texto, via letras. Com metragem longa, o álbum apresenta 13 faixas, todas muito interessantes e sob uma roupagem crua, com um Power Trio básico com baixo; guitarra & bateria, mas tendo apoio de teclados em algumas faixas, além de pontuais participações de músicos convidados fazendo a parte de sopros, com Saxofone e Trompete. Todavia, na maior parte do tempo, predomina o Power Trio base em ação, e não fazendo uso de overdubs, mas tocando de forma crua, como se fosse ao vivo, com o baixo segurando sozinho, sem apoio harmônico, quando na hora de solos de guitarra e claro que isso traz uma verdade implícita no trabalho, dispensando maquiagens de estúdio, algo tão usual na música pop da atualidade. Portanto, mais um ato de fé no Rock da parte dessa banda, a ser admirado.

A formação atual do Capitão Bourbon, ao vivo na casa de espetáculos, Mercado Pirata, em Balneário Camboriú / SC, com uma ligeira modificação no time em relação aos que gravaram o disco. Da esquerda para a direita : Eduardo Osmedio (baixo e voz); Fábio Batista (bateria e voz) e Vander Bourbon (guitarra e voz). Click de Vinicius Oliveira

Falando sobre as faixas, o disco abre com a canção homônima ao título do álbum, “Terra em Transe”, que entra com um riff de forte vocação Blues-Rock, lembrando muito o som de grandes feras dessa vertente ao final dos anos sessenta. Poderia citar vários que passaram-me pela cabeça, e sabedor que tais influências são de fato as mesmas dos rapazes, creio que pensamos igual nesse sentido. Gostei do solo; linha de baixo & bateria e a voz de Vander Bourbon tem uma certa similaridade em termos de timbre, com o grande Luiz Carlos Porto. 
Vander Bourbon, mentor de toda essa loucura, em ação, ao vivo no Mercado Pirata de Balneário Camboriú / SC. Click de Vinicius Oliveira

Na segunda faixa, chamada "Segunda-Feira", a aposta na psicodelia sessentista é total, com a louca inclusão do trompete pelo músico convidado, Reinaldo Soares, fazendo intervenções nonsense. Outra intervenção muito feliz dá-se com uma linha de piano elétrico nada usual e cuja estranheza é muito criativa, gostei muito. Numa parte adiante, a banda engrena uma passagem em 6/8 com um órgão ao estilo “Farfisa”, agudo, “muito sixties”. Gostei do som seco do baixo, sem sustain, também evocando aquela sonoridade da década de sessenta. Vander canta coisas como :   

“Segunda Feira, o trânsito passa e você indo de bobeira, trocou as dúvidas por suas certezas, e vem a próxima Segunda-Feira”...   


“Quebre as Regras”, apresenta o som do baixo do ótimo, Eduardo Osmedio, bem na frente e com peso, gostei muito. Outra vez o baterista Uly Nogueira intervém tocando teclados muito bem. Ouvindo aquele som de órgão, é impossível não lembrar-se dos Doors, mas também do Iron Butterfly e outras tantas bandas daquela década maravilhosa. Gostei muito dos vocais de apoio com intenções onomatopaicas muito boas.

O ótimo baixista, Eduardo Osmedio, ao vivo com o Capitão Bourbon no Mercado Pirata de Balneário Camboriú / SC. Click de Vinicius Oliveira

Bluesman” é isso o que o título sugere, ou seja, um blues rasgado, cuja harmonia lembra a tradição de um clássico como “Key to Highway”, portanto, claro que é deveras agradável. Gostei do peso, com aquela sujeira Rocker no solo ardido, e uma cozinha pontuando com várias sutilezas na divisão rítmica, num arranjo muito feliz. A letra é bastante poética, falando do sonho de um artista em ser um “bluesman” e evocando os signos típicos dessa escola, falando em estações de trem, ambientação rural inspiradora etc. Como é bom ver um artista a resgatar as raízes e o Blues, tão esquecido pelos pseudo Rockers das últimas décadas, é reverenciado como se deve nessa canção, ou seja, como célula primordial de tudo que adveio na história do (bom) Rock.



“O Preço da Loucura” fala dessa outra conexão perdida no Rock, com bastante propriedade. De fato, perdemos a loucura faz tempo no Rock e tal elemento sempre foi primordial como uma espécie de fator surpresa, trazendo o toque inusitado, o diferencial, o insólito... Sendo assim, se enxergarmos a loucura como um tipo de alimento em desuso, seria como descobrir um livro de receitas precioso e esquecido num baú encontrado no fundo do mar. Hora boa portanto para voltar à tona. Gostei da intensidade da base da guitarra em contraponto com o órgão. Tal faixa é uma viagem no tempo, como se estivéssemos vendo uma banda no palco do Whisky a Go Go de Los Angeles, num delírio psicodélico em 1967. E não podia faltar o sutil toque a la Arnaldo Baptista, numa intervenção vocal de louco (ou Loki), literalmente. Muito bom.

O competente baterista Fábio Batista, em ação com o Capitão Bourbon no Mercado Pirata de Balneário Camboriú / SC. Click de Vinicius Oliveira

“Ulysses Perdido” é um Rock’n Roll rasgado. Tem muito do Rock brasileiro setentista em muitos aspectos, fazendo todo mundo botar os “Ya-Yás” para fora.


“Alma Perdida” lembra bastante os Blues clássicos dos primeiros álbuns do Led Zeppelin, com peso e sentimento mesclados. Gostei muito da guitarra, tanto na base quanto solos, com timbres marcantes, muito bom gosto nos desenhos criados e nessa faixa tem um solo duplo aberto no pan do stereo, uma rara intervenção de overdubing. Tem apoio de órgão e lembra “Since I’ve Been Loving You” do grande Zepelim de Chumbo. A interpretação vocal de Vander assemelha-se bem ao estilo do vocalista Nasi, quando este enveredou pelo universo do Blues, com seu combo : “Nasi & Os Irmãos do Blues”. Em suma, um Blues perfeito em todos os quesitos.


Em “Elixir do Amor”, a oitava faixa, o vibrato usado por Vander na guitarra, é sensacional, remetendo à canção “Crimson & Clover” do grupo “Tommy James & The Shondells”, direto dos anos sessenta (viva !). Tal canção é pop, passeando pelo Bubblegum daquela década, com resvalo na Jovem Guarda e a letra que parece romântica numa primeira audição, é na verdade uma ode à loucura, tal como o sonho lindo e delirante do cantor / compositor, Fábio, digamos assim.



“Oráculo Blues” é mais um blues peso pesado. Parece que estamos ouvindo o Rory Gallagher tocando com o "Taste" no Festival da Ilha de Wight, em 1970, ou seja, que (ins)piração !


A décima faixa é uma releitura de uma canção do mítico / místico, Raul Seixas (que por sua vez inspirou-se numa canção do Little Richard para a compô-la com outra letra, tratando-se de “Slippin’ and Slidin” em sua estrutura melódica e harmônica). Chamada “Não Fosse o Cabral”, dada a coincidência de sobrenome do nosso descobridor com um ex-político / presidiário bastante criticado da atualidade, parece ser até uma canção composta hoje em dia. Mas não foi, e infelizmente mostra que o Brasil padece do mesmo mal, faz séculos e haja “Lava Jato” para dar jeito nisso, se é que vai dar... sobre o arranjo da música, gostei de tudo, vocalizações malucas com sentido onomatopaico, além do órgão e um saxofone insano, que ajudou a imprimir uma pitada do som do “Gong” nessa história. Bem, nesta altura, Raulzito e o Daevid Allen devem estar em altas confabulações com Aleister Crowley, lá do outro lado, com certeza.


“Carandiru Blues” é um blues de raiz, semi acústico, e com letra áspera, falando de desilusão, erros cometidos e melancolia sob cárcere privado, mas apesar dessa atmosfera lúgubre, tem beleza poética na desolação, com certeza.


“Sombras da Noite”, é uma canção densa, com peso, certo sabor Acid Rock, com um pé no Blues e belo arranjo. Vander nessa interpretação lembrou-me o vocal exasperante de Arthur Brown e a sonoridade da banda, com certa aproximação com o som de Alice Cooper (referindo-me aos seus primeiros dois discos, com bastante experimentalismo).



A última faixa, sem título, é na verdade uma vinheta, curta, provavelmente uma Jam de improviso que fizeram no estúdio e foi gravada e acrescentada, porque ficou legal. Essa espontaneidade marcada pelo imponderável é também um recurso perdido no tempo, que a banda resgata, portanto, mais uma ação salutar. Parece o "Ten Years After" tocando no Marquee de Londres, trafegando entre o Rock’n Roll; Blues e com certo sabor de Jazz, através de um baixo andante ao estilo do Leo Lyons, a dar o suporte para Alvin Lee poder voar de helicóptero, enfim...


Esse disco foi gravado no estúdio “Corações de Pedra” de São Paulo, durante 2015 e 2016. Existe duas artes para a capa / contracapa, porque planejam no futuro, lançar também em bolacha de vinil. Bela arte psicodélico assinada por Uly Nogueira.

A formação do Capitão Bourbon no disco foi a seguinte :

Vander Bourbon : Guitarra e Voz

Eduardo Osmedio : Baixo

Uly Nogueira : Bateria; Voz & Teclados


É bom ressalvar que Eduardo Osmedio e Uly Nogueira também mantém outros projetos musicais, entre os quais as excelentes bandas, “Os Haxinins”, "Os Subterrâneos" e outros, que vem a ser outros grupos fortemente identificados com a estética dos anos sessenta, sob várias vertentes e que fazem parte portanto, da mesma confraria a que o Capitão Bourbon pertence. Uly gravou o disco e o produziu, mostrando grande versatilidade, mas não fixou-se como componente, cedendo a vaga de baterista para Fábio Batista.


Uly também chama a atenção por ter gravado os teclados do disco, capturado bem a essência da década de sessenta, buscando timbres fidedignos e belas referências, as quais já citei quando comentei as faixas individualmente. E como se não bastasse tudo isso, ainda é o responsável pela arte e lay-out final da capa, portanto, trata-se de um artista e produtor musical completo, e com belíssimas influências em sua formação pessoal. Uma raridade nos dias atuais.


Excelentes as participações dos músicos convidados. Tanto Reinaldo Soares (trompete), quanto Fabio Bizarria (saxofone), trouxeram colorido ao disco e mais que isso, uma porção de loucura a mais, sendo assim, uma contribuição fantástica.


Em síntese, o Capitão Bourbon com seu CD “Terra em Transe”, honrou o cinema de Glauber Rocha no qual inspirou-se para produzir seu trabalho, trazendo sentido libertário, mediante signos de loucura inerentes e imprescindíveis a arrancar-nos dos anos e anos em que fomos obrigados a viver, sob um mundo de plástico a compactuar com um estilo de vida “pegue e pague”, sem contestar nada, e principalmente sem loucura alguma, portanto, extremamente chato. Que bom que alguém faça-nos aludir a um tempo onde houve sopro criativo, com gritos de liberdade a ecoar por todos os lados, num bombardeio de cores e magia, sob a doce psicodelia de outrora.



Eis o álbum na íntegra para a audição do leitor :



Para obter mais informações sobre o trabalho do Capitão Bourbon, acesse :


Facebook :




Soundcloud :
https://soundcloud.com/apitaoourbonficial