domingo, 10 de março de 2019

Conspiração Andron / Áureo Alessandri Neto - Por Luiz Domingues



No próprio prefácio da obra, o autor menciona que em linhas gerais, o gênero da ficção científica não é muito apreciado no Brasil, em termos literários. Quando eu li essa observação, de pronto concordei com a menção, mas ao mesmo tempo, pensei que o problema talvez não fosse o gênero em si, dado o apreço que a juventude brasileira nutre pelos filmes; seriados de TV; games e pelo universo das histórias em quadrinhos, onde o estilo Sci-Fi é predominante. Portanto, elucubrei que a dificuldade maior talvez resida no fato de que a leitura não seja um hábito cultivado pelo povo brasileiro, desde sempre, em decorrência das nossas mazelas estruturais terceiro-mundistas e com forte incidência no campo da educação, ou melhor a explicar-me, falta de.

Bem, reflexão sobre cultura e educação a parte, o que importa aqui é dizer que o livro, “Conspiração Andron”, é uma peça que tem o gênero Sci-Fi como mote, mas vai além, bem além, aliás, pois consegue alinhar em sua trama, muitos outros gêneros misturados e muito bem alinhavados por sinal, ao passar pelas teorias da conspiração; meandros dos segredos governamentais no âmbito da militaria, a salvaguardar a geopolítica internacional; uma boa dose de espionagem a la Ian Fleming e congêneres, e drama, com doses de romance folhetinesco, mas sob uma dose sutil, certamente, neste último aspecto citado. E igualmente contém o espírito da aventura com toques de mistério, permeada por chaves muito bem pensadas a conferir o elemento dos enigmas sepulcrais ao estilo de Indiana Jones e certamente a resvalar em Dan Brown. Em suma, trata-se de uma obra de ficção completa, capaz de prender a atenção do leitor, por dois aspectos :

1) Por ser eletrizante e suscitar a curiosidade sagaz do leitor e;

2) Por conter muitas chaves e daí forçar o leitor a prestar atenção aos detalhes (portanto, sob tal particularidade, ao acrescentar o gênero da literatura policial, mais um mérito da obra).
Sobre as citações, muitas delas são feitas em latim e é desse próprio idioma, que surgiu o título, visto que a palavra “Andron”, significa “corredor” (ou passagem), na antiga língua usada no Império Romano. 

A história baseia-se em torno do chamado, “Projeto Andron”, em questão, que é um experimento científico desenvolvido por renomados físicos em torno de um equipamento capaz de abrir um portal através do tempo / espaço e fazer com que pessoas e / ou objetos possam ser transportados de uma localidade a outra em fração de segundos, ou seja, uma possibilidade que poderia revolucionar a evolução da humanidade, desde que não fosse usurpada por interesses escusos. Evidentemente que a cúpula governamental e militar tomou a ideia como algo a ser usado com todo o cuidado e já a projetar o seu uso em termos bélicos, tomou o controle total de seu desenvolvimento. E na contrapartida, forças opositoras ameaçam apoderar-se do experimento, naturalmente

É nesse cenário que a trama desenvolve-se, a envolver personagens que lidam diretamente com o projeto, instalado secretamente em uma localidade remota, em meio a canyons, mediante a aridez do deserto do Novo México, nos Estados Unidos. 

É o caso do cientista, Paul Judd, sobrinho de um cientista agraciado com o prêmio Nobel de física (Dr. Robert Henderson), que leva adiante o legado de seu tio, em torno de tal teoria que ele desenvolvera. No entanto, a trajetória de Paul conturba-se sobremaneira por conta de diversos fatores, inclusive de ordem pessoal a envolver a sua namorada, Christine Murray. Daí em diante, uma trama espetacular a suceder diversos acontecimentos em torno das ações de espionagem, ocorre, com muitas viradas na história, muito bem engendradas pelo autor, por sinal,  ao manter o suspense e a desconfiança do personagem central, em torno das pessoas com as quais envolve-se, inclusive a sua namorada, Christine e cuja particularidade misteriosa em si, não posso revelar para não tirar o prazer da primeira leitura de quem ainda não teve tal oportunidade. O que posso adiantar, apenas, é que as aparências e intenções, sobretudo, enganam e na realidade, Paul Judd não pode confiar em ninguém, a grosso modo e por isso, corre risco de vida, o tempo todo.

Outro mérito da obra, há saltos temporais muito bem planejados a dar sustentação às chaves propostas e isso logicamente ajuda a prender a atenção do leitor, sem dúvida. 

Mais um ponto interessante, Áureo Alessandri Neto deixou claro em seu prefácio que é fã de alguns escritores significativos e entre eles, JJ Benítez. Pois tal influência do famoso escritor espanhol que escreve ficção como se fosse realidade e sucinta a crença no leitor, de que o que escreve não é uma mera história inventada mas um relato real, eis que o autor conseguiu imprimir igualmente em sua obra, tal intento. Por ser engenheiro em sua formação e um apaixonado por literatura Sci-Fi, Áureo usou várias referências científicas e escreveu de uma forma a conferir credibilidade, portanto o leitor empolga-se também por esse aspecto, por sentir que não trata-se de uma fantasia a esmo, mas por ser induzido a crer no que lê, como se fosse a realidade, ou seja uma marca nos livros de Benítez, igualmente, portanto, sua influência confessa. E mais um ponto importante, tudo isso é feito com linguagem coloquial, sem rebuscamento, portanto, apesar de usar termos científicos e também recorrer aos aforismos em latim, Áureo escreveu de uma forma muito elegante, porém acessível ao grande público.

Outro aspecto que impressionou-me positivamente, foi o senso das reviravoltas na história que criou em seu romance. A usar de técnica literária, o seu roteiro foi muito bem elaborado a garantir a emoção, do começo ao final. Mais uma nuance, os capítulos são curtos ao induzir o leitor em nutrir a curiosidade para avançar mais e mais, e assim configurar uma estratégia perfeita para manter o ritmo frenético do desenvolvimento da trama. Trata-se de uma obra que facilmente poderia ser adaptada como roteiro para o cinema e ouso dizer, Áureo já o projetou com tal intenção deliberada, ao mostrar-se semi pronto para ganhar as telas e certamente a resultar em um ótimo filme, com muita ação e mistério.

Sobre o projeto gráfico do livro, trata-se de mais um livro muito caprichado no portfólio da Editora Chiado, que aliás, notabiliza-se por ser uma editora aberta e incentivadora dos autores novos na literatura de língua portuguesa. Sob a arte de Prasad Silva, vê-se uma belíssima ilustração que sugere a ideia do espaço / tempo, mote da história, sob tons sóbrios, mas muito bonitos a transitar entre o azul e o verde, predominantemente. O lay-out gráfico ficou a cargo de Vera Sousa. Edição de Vitória Scritori e a revisão, providenciada pelo próprio autor, Áureo Alessandri Neto.

Áureo é um grande músico, também, e aliás, eu o conheci inicialmente por tal campo de atuação, ao interagir com ele na cena musical paulista / paulistana / brasileira, ao vê-lo a atuar como guitarrista; cantor e compositor em bandas tais como : The Blues Riders e Delta Crucis. Eu sabia de sua atuação na engenharia em paralelo à carreira artística, sendo um especialista em questões ferroviárias e já o admirava por tais atributos, portanto, quando soube que também revelara-se como um escritor ficcional, fiquei muito feliz por tomar conhecimento de mais uma faceta de sua versatilidade. E quando li a obra, não surpreendi-me inteiramente com a qualidade do texto que criou, pois já sabia de sua potencialidade intelectual e cultural, entretanto, tal leitura só fez aumentar ainda mais a minha admiração pelo artista.

Obra consistente; muito bem escrita e com diversas qualidades literárias reunidas em um livro só, eu recomendo a sua leitura, sem dúvida. A obra encontra-se disponível nas boas casas do ramo, no setor tradicional das lojas físicas; também em alguns portais para venda virtual e no site da editora Chiado : 

www.chiadoeditora.com

   

sábado, 9 de março de 2019

Os Kurandeiros - 10/3/2019 - Domingo / 16 Horas - Paço Municipal - Osasco / SP

Os Kurandeiros
10 de março de 2019 - Domingo - 16 Horas
Aniversário da Cidade de Osasco / SP - 1ª Expo Carros
Paço Municipal
Avenida Bussocaba, 300 
Vila Campesina
Osasco / SP
Os Kurandeiros :
Kim Kehl : Guitarra e Voz
Carlinhos machado : Bateria e voz
Luiz Domingues : Baixo

Participação Especial :
Phill Rendeiro : Guitarra e Voz

sábado, 2 de março de 2019

Os Kurandeiros - 8/3/2019 - Sexta-Feira / 21 Horas - Santa Sede Rock Bar - Tucuruvi - São Paulo / SP



Os Kurandeiros

8 de março de 2019 - Sexta-Feira - 21 Horas

Santa Sede Rock Bar
Avenida Luiz Dumont Villares, 2104
Tucuruvi
Estação Parada Inglesa do Metrô
São Paulo - SP


Convidados Especiais :
Lincoln "The Uncle" Baraccat : Guitarra e Voz
Phill Rendeiro : Guitarra e Voz

Os Kurandeiros :
Kim Kehl : Guitarra e Voz
Carlinhos Machado : Bateria e Voz
Luiz Domingues : Baixo

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Patrulha do Espaço - 1º/3/2019 - Sexta-Feira - Festival Psicodália - Rio Negrinho / SC


Patrulha do Espaço

1º de março de 2019  -  Sexta-Feira

Festival Psicodália

Rio Negrinho  -  SC

Patrulha do Espaço :
Rolando Castello Junior : Bateria
Rodrigo Hid : Guitarra e Voz
Marta Benévolo : Voz
Luiz Domingues : Baixo e Voz