quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Pedra na Rádio CBN - 1° de dezembro de 2012 - 21:30 h.


Neste sábado, dia 1° de dezembro, das 21:30 às 22:30 e com reapresentação na madrugada de domingo para segunda feira às 01:30 hs. :


O Pedra estará na Rádio CBN, no programa "Sala de Música", apresentado por João Carlos Santana.

Luiz Domingues e Xando Zupo participarão falando sobre o retorno do Pedra às atividades, shows, novo álbum e claro, música.


CBN - SP 90,5 FM - 780 AM
http://cbn.globoradio.globo.com/home/HOME.htm
http://cbn.globoradio.globo.com/programas/sala-de-musica/SALA-DE-MUSICA.htm

sábado, 24 de novembro de 2012

Filme : Colossus, The Forbin Project - Por Luiz Domingues


A imaginação de escritores como Julio Verne e H.G. Wells, que escreviam em tempos remotos a projetar o futuro, foi inacreditavelmente avançada para a época em que conceberam as suas histórias fantásticas. Já no século XX, outros tantos autores e produtores de cinema, deram asas à imaginação, ao criar exercícios de futurismo que muitas vezes transformaram-se em realidade, alguns anos depois. Até nos desenhos animados e nas séries de TV, esse exercício em prever inovações tecnológicas incríveis, tornou-se parte do imaginário das pessoas.
E nesse contexto, a ideia do computador, foi tida como algo muito assustadora e distante das pessoas, antes do final da década de setenta, quando os primeiros e rudimentares modelos de computadores destinados ao uso caseiro, pelo cidadão comum, começaram a chegar timidamente no mercado. Antes disso, o computador era algo idealizado como uma máquina gigantesca, só cabível em experimentos nas universidades; Nasa e demais agências espaciais ou de uso secreto de forças militares. No imaginário popular, o computador era algo assustador, só acessado por super técnicos, cientistas e com funções destinadas à incompreensíveis equações da matemática e da física.
E também eram assustadores, pois ninguém sabia ao certo o grau de periculosidade desses monstruosos equipamentos. Graças à paranoia da guerra fria e alimentado fartamente pela literatura e cinema Sci-Fi, e também nas tramas de espionagem, ficamos todos com medo da palavra, "computador", ao pensarmos em máquinas super inteligentes que dominariam o homem, como o "Hal-9000" que assolou no clássico de Stanley Kubrick, "2001".
Outros exemplos de filmes com esse tipo de motivação e também em séries de TV, já haviam provocado-nos o medo por tais monstrengos tecnológicos, que eram enormes e ocupavam galpões cheios de cientistas e militares a lidar com tais máquinas, nos filmes.
E foi nesse contexto que em 1970, foi lançado : "Colossus, The Forbin Project", que no Brasil recebeu o nome : "Colossus 1980" (inventaram "1980", para dar uma ideia de "futuro"). Sob direção de Joseph Sargent, a história gira em torno de um super computador criado pelo cientista, Dr. Forbin (interpretado por Eric Bareden), que o idealizou a visar centralizar todos os comandos estratégicos do governo norteamericano.
A ideia básica seria contar com um cérebro eletrônico super inteligente e não humano, e assim, que o controle das armas nucleares ficasse isento de emoções humanas, ao fornecer mais segurança à todos, pois há anos a guerra fria alimentara a ideia de que a qualquer momento, o presidente norteamericano ou o soviético, poderia apertar o botão vermelho a deflagrar a aniquilação total da humanidade. "Colossus" é então, o grande computador norteamericano. Instalado em uma montanha no Colorado, está rodeado por cientistas, técnicos e militares.
O presidente norteamericano faz contato permanente e mostra-se preocupado com a ideia do super computador assumir as funções estratégicas de defesa.
Interpretado pelo ator, Gordon Pinsent, esse fictício presidente é quase um sósia do ex-presidente John F. Kennedy, uma interessante alegoria usada pelo diretor do filme para evocar a crise dos mísseis em Cuba, no ano de 1962. Tudo parecia ir bem, mas subitamente, Colossus estabelece comunicação com o computador soviético, que tem o mesmo poderio e importância estratégica. Pois assim, Colossus passa então a fazer cálculos matemáticos aleatórios e os técnicos ficam perplexos por essa reação espontânea da máquina.
O presidente fica atônito e pressiona o Dr. Forbin, ao cobrar-lhe uma explicação. O super computador soviético chama-se, "Guardian" e o único consolo para os norteamericanos é que o presidente e os cientistas soviéticos também estão apavorados com essa reação dos dois computadores. Sob um esforço conjunto, os dois presidentes conversam por vídeo conferência (mais futurismo para a época...), e combinam desligar cada respectivo computador, para efeito de segurança.
O ator, Leonid Rostoff, interpretou o presidente soviético. Entretanto, Colossus parece estar a tomar conta da situação e antes que os técnicos tomem uma providência, ele envia um míssil que destrói um enorme poço petrolífero soviético, em Sayon Siberski.
O computador soviético revida automaticamente e envia um míssil, que destrói a cidade de Henderson, no Texas. Os dois presidentes ficam arrasados e mesmo sabedores que nenhum dos dois tem culpa direta, lamentam a destruição e sobretudo, a perda de vidas humanas.
Dr. Forbin viaja emergencialmente à Roma para buscar uma solução com outros cientistas europeus, mas Colossus sabe exatamente o que ele quer fazer e exige a sua presença imediatamente de volta ao Colorado, e para tanto, ameaça enviar outros mísseis e arrasar outras cidades soviéticas. Sem escolha, Forbin retorna imediatamente à base no Colorado e Colossus comunica que uniu-se ao Guardian, e agora eles dominam o mundo, completamente.
Colossus controla Forbin e todos os funcionários do complexo, ao vigiá-los diuturnamente. Para ironizar, Forbin em uma cena debochada, circula nu pelas dependências do complexo, ao usar apenas um relógio de punho. Em conversas reservadas, Colossus revela que tomou o controle ao unir-se ao Guardian, porque os humanos são inconstantes; volúveis e portanto sujeitos à decisões tresloucadas, motivadas por emoções mesquinhas (cáspite ! Falou alguma mentira ?).
Dessa forma, ele, máquina, tomou essa decisão com o seu similar, Guardian, para preservar o planeta da destruição iminente, se dependesse do controle dos humanos, tão instáveis. Claro, os humanos estão apavorados e conspiram contra Colossus. Mas a tecnologia fez da criatura, uma entidade mais poderosa que o criador, e dessa maneira, o super computador instaura o poder, pelo terror.
Tentativas de sabotagens são punidas com a morte, sumariamente. Finalmente os humanos percebem que não há escapatória, a não ser obedecer o grande ditador eletrônico.
Um momento de descontração no filme ocorre quando o Dr. Forbin inventa um ardil para poder falar com a cientista, Cleo (Susan Clark).
O cientista diz à Colossus, que tem sentimentos em relação à Dra. e pede permissão para realizar um jantar romântico com ela. Claro, Colossus observa tudo pelas câmeras e de nada adiantam as tentativas de comunicação por sussurros disfarçadas de chamegos do casal enquanto dançam, o que chega a ser ridículo no filme.
Pior ainda, quando já estão nus, na cama, pedem a Colossus que desligue as câmeras e apague a luz, pois humanos fazem sexo e sentem-se constrangidos em ser vistos... (bem, aí o exercício de futurologia falhou feio, pois não imaginaram que existiria a Webcam !). Entretanto, nada que combinam dá certo e a verdade é uma só : Colossus e Guardian são os supremos comandantes do planeta Terra e ao estabelecer normas de conduta aos humanos, através de um comunicado transmitido ao vivo pela TV para toda a humanidade, inicia-se a ditadura dos computadores. A cena final carrega na emoção, mas é melancólica como expressão do fracasso da humanidade.
Colossus trava duro diálogo com Forbin, e afirma-lhe de forma surpreendente : -"com o tempo, você vai considerar-me não só com respeito e admiração, mas com amor"...

O close no rosto fechado de Forbin, aproxima-se sob o efeito do "zoom", e ele diz com os dentes cerrados : -"nunca"...

A crítica não levou o filme a sério à época. No New York Times, disseram que o filme serviu para mostrar que no fundo, se um míssil atingisse um alvo, serviria apenas para o presidente exclamar : -"que droga, você estragou o meu domingo no Golf "...
E claro, acharam-no inferior ao "Dr. Strangelove" ("Doutor Fantastico", em português), de Stanley Kubrick, o que sou obrigado a concordar, obviamente. Para o público, o filme não causou grande comoção também. Em uma época onde o gênero Sci-Fi estava em alta novamente, com lançamentos próximos, tais como : "2001" e "Planet of the Apes", para ficar só em dois exemplos, realmente "Colossus, The Forbin Project", ficou aquém.
Mas de forma alguma é um filme ruim. Ele prende a atenção, o que é um mérito, visto que a ação tenderia a ser monótona, com o protagonista a mostrar-se uma máquina sem forma definida e identificada como uma voz robótica e monocórdica. As metáforas são interessantes em relação ao poderio bélico das super nações da época da guerra fria, e a sensação de impotência diante de um domínio total. Em termos tecnológicos, o futurismo imaginado por Joseph Sargent, soa ingênuo com apenas quarenta e dois anos passados (1970 / 2012), em vista do que temos hoje em dia a ser operado por crianças de três anos de idade, mas também observemos o filtro histórico, como ressalva a não desabonar a obra.
O filme foi baseado em um livro chamado : "Colossus", de Dennis Felthan Jones, escrito em 1966. O romance de Felthan Jones teve duas sequências, mas desconheço que tenham sido adaptadas para o cinema. Rumores dão conta de que o diretor, Ron Howard planeja um remake, com a participação do ator, Will Smith, que estaria envolvido na produção. Smith é reconhecido amplamente por gostar de Sci-Fi, e certamente deve ser fã do original de 1970.
"Colossus, The Forbin Project" recebeu o nome "Colossus - 1980" no Brasil, para fazer uma alusão ao fato de que seria futurista e a sua ação desenvolvida dez anos depois do que vivia-se em 1970, mas quem o vê hoje em dia, não precisa nem de trinta segundos para ter a certeza de que era 1970, mesmo.
Gosto da trilha incidental (assinada pelo compositor e produtor musical, Michel Colombier), com ruídos de sonoplastia típicos do final dos anos sessenta, muito usados em séries de TV daquela época.
São sonoridades dos primórdios dos sintetizadores e que bandas de Rock que usavam elementos experimentais, utilizavam bastante, como o Pink Floyd da fase imediatamente após a saída de Syd Barrett (ponto da carreira do Pink Floyd, onde os críticos destacam que a psicodelia que praticavam anteriormente, estaria a mudar para o estilo "Space Rock", em uma alusão às sonoridades espaciais de filmes de Sci-Fi), além de Soft Machine; Tangerine Dream, e outras tantas, principalmente as bandas alemãs, oriundas da corrente do Krautrock. Charlton Heston seria o ator que os produtores desejavam, mas com a carreira em alta, o cachet que ele pediu ficou inviável para o orçamento modesto que dispunham, daí terem fechado com Eric Bareden, para interpretar o Dr. Forbin.
"Colossus, The Forbin Project", foi um filme bastante exibido na grade da TV aberta brasileira, nos anos setenta. Tempo bom onde as sessões de cinema eram fartas na grade da TV, que hoje em dia destina pouco tempo para o cinema. Nos anos noventa, teve exibições em canais de TV a cabo, de onde tirei a minha cópia, para a minha coleção. Faz tempo que não sei de uma exibição por aí. Portanto, quem leu e interessou-se, esteja convidado a procurar na Internet ou locadoras.
Para finalizar, apesar da guerra fria não ser mais a paranoia a atormentar-nos diariamente, recomendo o filme como diversão e reflexão sobre o tempo onde a humanidade tinha pesadelos com dois homens que poderiam apertar um botão vermelho, um de cada lado do mundo e daí, eu jamais teria escrito esta matéria, e você nunca a teria lido... boom !

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

O Legado Bom de Schwarzenegger - Por Luiz Domingues


Quem não conhece Arnold Schwarzenegger ? O truculento ator, protagonista em tantos filmes de ação, ex-fisiculturista e com carreira também na política, tem um séquito de fãs ardorosos e também muitos detratores.
Como ator, o seu desempenho faz o semblante de um crítico mais sensível retorcer de forma negativa, mas também faz com que os produtores do cinema Blockbuster de entretenimento de massa, esfreguem as mãos de euforia diante dos lucros colossais que os seus filmes proporcionam.

Há por destacar-se que ele tem senso de humor e ao brincar com a sua própria fama de ator canastrão, também protagonizou comédias absurdas, ao rir de si próprio, por ridicularizar o seu porte físico exposto à situações antagônicas à natureza, como por exemplo ficar "grávido", ou ter um irmão gêmeo, anão, e até ir parar em uma escola de educação infantil e ser atormentado por crianças pequenas. Porém, o que causou mais espanto, foi quando enveredou pela política e sob um salto astronômico que só pensávamos existir no Brasil, tornou-se governador do mais rico estado americano, a Califórnia.  Equivaleria dizer que um belo dia, acordássemos com a notícia que o "Tiririca" tornou-se governador de São Paulo, o que aliás, ao pensar bem no comportamento padrão do eleitor brasileiro, não seria tão surpreendente assim...
Em princípio, o governador, Arnold Schwarzenegger, iniciou o seu mandato com medidas truculentas, bem ao estilo de seus personagens clássicos do cinema, o que rendeu-lhe o apelido pejorativo : "Governator", um trocadilho que brincava com um de seus personagens mais famosos, o androide assassino do filme, "Terminator".
Republicano fanático (apesar de ser casado na época com uma fervorosa democrata e sobrinha do ex-presidente John F. Kennedy), Schwarzenegger gostava de fazer comícios a empunhar uma vassoura (será que o Conan conheceu, Janio Quadros ?), onde dizia estar a varrer os democratas da Califórnia...

Brincadeiras a parte (com a ressalva de que a história da vassoura é verdadeira), o musculoso governador fez uma ação digna de aplausos e que não beneficiará apenas o estado da Califórnia, mas certamente todo o planeta.
No ano de 2004, o "governator" lançou um plebiscito popular, para visar a aprovação de uma verba estadual bilionária a ser gasta com pesquisas das células-tronco.  O montante foi de 3 bilhões de dólares e convenhamos, é muito dinheiro até para os padrões de um país de primeiro mundo.
O povo respondeu favorável à ideia e dessa forma, foi criado na Califórnia, o CIRM (California Institute for Regenerative Medicine).  Em recente visita à São Paulo, o presidente do CIRM, Dr. Alan Trouston discursou no Congresso Brasileiro de Células-tronco e Terapia Celular, ao trazer como novidades, perspectivas fantásticas em relação às pesquisas realizadas.
Segundo o Dr. Trouston, o CIRM já está em fase de testes clínicos realizados em seres humanos, para avançar decisivamente para resultados positivos em termos de cura de doenças degenerativas, autoimunes, genéticas; Aids e cegueira.  Em suas palavras : -"o que está por vir, é fantástico"!
Um dos objetivos do Dr. Trouston em São Paulo, foi convidar cientistas brasileiros a compartilhar as suas pesquisas e descobertas com o CIRM, meta que tem buscado em diversos outros países do mundo.  Portanto, estamos diante de um momento histórico para a humanidade, onde o avanço científico da medicina será extraordinário.
Portanto, mais que Conan, Terminator e tantos outros personagens de ação que imortalizou no cinema, Arnold Schwarzenegger deixa-nos um legado inesquecível, com essa iniciativa humanitária sem precedentes.
Matéria publicada inicialmente no Blog Planet Polêmica e republicada no Blog Pedro da Veiga, ambas em 2012

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Revista Som Três - Por Luiz Domingues


Final de anos setenta e o astral contracultural de outrora estava praticamente encerrado. O discurso proposto por revistas extintas como a "Rolling Stone" brasileira e a "Rock, a História e a Glória" foram considerados ultrapassados nesses tempos sombrios. A revista "POP" estava a encerrar atividades, em sinal de franca decadência e a melhor alternativa no mercado passou a ser o revista "Música", como resistente em um mundo sob processo de mudanças radicais no campo da música, Rock em específico.
Eis que surge então uma nova revista, denominada : "Som Três", editada pela editora Três, que tinha como seu carro chefe até então, a revista "Planeta", dedicada ao ocultismo; misticismo e esoterismo em geral. Como proposta editorial inicial, a Som Três mostrou-se ainda mais radical do que a revista Música e 90% do seu espaço era dedicado a matérias sobre equipamentos de áudio, principalmente.
Mais a parecer uma revista sobre automóveis, mas a falar de equipamentos de áudio, era destinada não para apreciadores de música, exatamente, mas pessoas preocupadas no desempenho de aparelhagens e pouco interessadas em estéticas artísticas. O primeiro número chegou às bancas em janeiro de 1979, com a voluptuosa, Zezé Motta deitada languidamente sob um pilha de receivers; pick-ups e tape-decks, ao deixar bem clara a sua intenção editorial.
Aos poucos, contudo, o espaço dedicado à questão artística pôs-se a aumentar. Sessões mais culturais foram criadas e já nos primeiros anos da década de oitenta, a revista passou a adotar a estratégia em lançar edições especiais, paralelamente, aí sim dedicadas inteiramente à produção artística e com enfoque no mundo do Rock. Os famosos "posters da Som Três" começaram a fazer grande sucesso entre o público Rocker, ainda ligado na estética sessenta /setentista.
Para tais saudosistas dessa Era, agora vilipendiada por detratores niilistas, os tais posters da Som Três representaram sinais de alento, pois não era mais uma época favorável para idolatrar-se o Led Zeppelin; Yes ou Deep Purple em destaque nas bancas de jornais e nesse sentido, a Som Três cumpriu um bom papel, ainda que não trazendo nenhuma grande novidade, pois os posters eram corretos como ilustração, mas na parte dos textos, pouco acrescentavam com novidades para os fãs de tais artistas. 
Surgiu então edições especiais como o "Dicionário do Rock", uma compilação de A a Z, com fichas técnicas a retratar dúzias de artistas, desde os anos cinquenta, outra iniciativa interessante. E mais uma que marcou, foi : "O Livro Negro do Rock", ricamente ilustrado.
E mais um aspecto, ainda mais salutar, foi lançar posters a retratar artistas brasileiros. Lembro-me de um poster por exemplo, lançado em 1981, onde o Made in Brazil e a Patrulha do Espaço dividiram a matéria e alguns anos depois, um poster denominado : "Metal", onde quatro bandas também foram enfocadas, incluso a minha na época, "A Chave do Sol", com a devida ressalva de que embora não fôssemos uma banda orientada pelo Heavy-Metal, no entanto, aos olhos da revista, tal redação enxergava-nos dessa forma (dividimos espaço com as bandas : "Centúrias", "Platina" e "Abutre").
A equipe de redação da revista mantinha gente muito boa, claro. Maurício Kubrusly era editor e nomes como Gabriel Almog; Nestor Natividade; Paulo Massa; Ethevaldo Siqueira; Gilles Phillipe; e Leopoldo Rey, entre outros, passaram pela redação.
O Leopoldo, aliás, foi um dos que mais abriu espaço para a revista falar mais de música, propriamente dita, do que equipamentos de áudio. Sua coluna, "Dr. Rock", lembrava de certa forma a coluna do Ezequiel Neves na "Rolling Stone" e também na "Rock, a História e a Glória", ao trazer uma dose de humor, ainda que mais comedidamente. Quando o BR-Rock 80's explodiu, a Som Três não caiu de amores pela turma do Pós-Punk, como outras revistas acintosamente o fizeram (a revista "Bizz", sobretudo). Manteve portanto uma linha editorial livre, sem rabo preso com facções e formadores de opinião tendenciosos, como observou-se em outras publicações oitentistas. Em janeiro de 1989, saiu a sua última edição, exatamente dez anos após o início e assim a encerrar com o seu n°121
Sou grato, pessoalmente à revista Som Três, por ter dado espaço à minha banda naquela década, A Chave do Sol, em algumas oportunidades. E sei que muitos colegas meus, também nutrem essa gratidão.  A Revista Som Três teve sua parcela de contribuição, ainda que não fosse 100% focada na produção artística e inegavelmente era bem feita, com padrão editorial de um bom nível.
Matéria publicada inicialmente no Blog Limonada Hippie em 2012.