sábado, 30 de julho de 2016

O Reveillon de 1976, foi com Rock na Rede Globo - Por Luiz Domingues


Após o sucesso do programa "Sábado Som", e mesmo que fosse exibido através de uma emissora arredia para como Rock, normalmente, pela sua orientação conservadora por natureza, a Rede Globo emitiu sinais que mesmo a contragosto, não podia ignorá-lo, mesmo por que foi uma época onde a MPB mais atuante, mostra-se quase que orientada pela mesma matiz.


Não se pode deixar de mencionar que desde que entrou no ar em agosto de 1973, a revista dominical denominada, “Fantástico”, mantinha como quadros fixos (até pelos menos 1978), a exibição de clips produzidos exclusivamente por/para ela própria, a criar o paradigma de veicular um artista internacional, geralmente a se tratar de promos ou trechos de shows ao vivo, e no caso dos artistas nacionais, inúmeras bandas de Rock brasileiras se valeram dessa abertura, tais como: O Terço; Mutantes, Made in Brazil, Secos & Molhados, Casa das Máquinas, Raul Seixas, Erasmo Carlos etc.


Outro fator importante, muitas trilhas de seus programas jornalísticos usavam trechos de obras oriundas de bandas de Rock, notadamente artistas versados pela orientação dentro do Rock Progressivo, ou pelo viés do Jazz-Rock, uma outra tendência inevitável para o início/meio da década de setenta.
Nesses termos, a emissora arquitetara em sigilo um novo programa a ser lançado em 1977, mais ou menos nos moldes do Sábado Som de 1974, mas remodelado, e que viria a ser o Rock Concert.


A base seria a mesma, ou seja, pautado pela exibição de shows ou performances em estúdio de TV, de bandas internacionais em voga, ao valer-se do acervo de programas norte-americanos e europeus, do tipo: “Don Kirshner’s Rock Concert; Midnight Special, Beat Club, Sights & Sounds da BBC de Londres; Rockpalast; Musicladen e ZDV da Alemanha; Ratata da França; além do acervo das TV’s Granada da Inglaterra; e Rai, da Itália, sempre abertas e generosas ao Rock.


O diferencial em relação ao velho "Sábado Som", seria uma locução em off, a discorrer sobre os artistas enfocados, mas com informações mais enxutas, ao contrário das intervenções mais robustas da parte do crítico musical, Nelson Motta, e nesse aspecto, seria uma pena não contar com a sapiência de tal jornalista cultural, experiente e antenado.


Todavia, esta matéria não é para dissecar o "Rock Concert" em si (falarei sobre isso em outra matéria, naturalmente), mas para falar de seu “balão de ensaio”, que a Globo soltou de uma forma muito inusitada.
Para quem vive os dias atuais e se acostumou com os especiais de Reveillon que tal emissora coloca no ar, recheados por artistas popularescos (e observo com pesar que a cada ano o nível abaixa-se conforme a tendência que nos norteia em eleger a subcultura de massa como um objeto de retroalimentação, a gerar o efeito abominável do círculo vicioso dos mais perniciosos dentro da história da difusão cultural neste país), é difícil crer que lá no longínquo Reveillon de 1976, a anunciar a entrada de 1977, um especial de Rock foi colocado no ar, para ilustrar tal celebração.


Chamado como: “Rock Concert”, a partir da passagem do Natal de 1976, foi divulgado na grade da emissora como a atração a ser exibida na noite de 31 de dezembro de 1976, com ênfase, eu diria, e claro que os Rockers agitaram-se com tal perspectiva.
Nós, telespectadores comuns, não sabíamos, mas foi um teste que a emissora estabeleceu, talvez por julgar ser um dia em que as pessoas em geral estariam preocupadas com as suas comemorações familiares e mediante a suposta pouca audiência gerada para essa noite, portanto, ao considerar ser uma oportunidade para testar o novo produto que planejavam colocar na grade, algum tempo depois.


Estratégias de marketing à parte, para nós, Rockers, não importavam os objetivos desses executivos da emissora, mas o conteúdo que seria disponibilizado. E assim, com uma locução em off, bem discreta e a fornecer apenas os dados generalizados de cada artista que ali foram exibidos, um especial de uma hora de duração ocorreu na meia noite de 31 de dezembro de 1976, ao nos fornecer um Feliz Ano Novo com teor Rock e memorável.


Foi inacreditável estar sintonizado em uma emissora de TV nesse dia e nessa hora, e constatar as performances de bandas absolutamente incríveis e fora de qualquer esquadro popular que justificasse tal exibição, no entanto, aconteceu...
E assim, Johnny Winter desfilou o seu Blues Rock ensandecido, com a sua guitarra a mandar uma verdadeira rajada de riffs e solos com o devido sabor texano, pelo tubo das pesadonas TV’s analógicas, mas sim, “em cores”, o grande "must" setentista pós-1972.
O Hard-Rock sensacional do Bad Company, uma banda formada por ex-membros de bandas importantes da cena britânica, que era apadrinhada pelo Led Zeppelin, e empresariado pelo mesmo manager da banda de Page; Plant & Cia., Peter Grant, também animou a festa do Reveillon Rocker de 1976 na Globo.
Absolutamente incrível a festa dos italianos da Premiata Forneria Marconi, popular “PFM” entre seus fãs (me incluo nesse rol, grazie a Dio!), em uma rara exibição dessa grande banda de Rock Progressivo da terra do macarrão, aqui no Brasil. 
Para ir além, como imaginar assistir na TV, em uma noite de Reveillon, uma performance do Gentle Giant, um dos nomes mais sensacionais do Rock Progressivo britânico?


Banda marcada pelo trabalho hermético, difícil até para fãs do próprio gênero progressivo, dada a sua técnica e o caráter cerebral de sua obra e arranjos sofisticadíssimos, foi inacreditável vê-la ali em uma data incomum dessas, a tocar peças como “In a Glass House”, com forte tendência experimental, nada “Pop”, portanto.
Uma outra participação muito especial e rara na TV brasileira, foi a de Todd Rundgren's Utopia, uma banda liderada pelo louquíssimo guitarrista, Todd Rundgren, que não era muito conhecido dos Rockers brasileiros, a não ser pelo fato de ter sido produtor de alguns álbuns do Grand Funk Railroad.
Além dessas cinco atrações, sensacionais por si só, ainda houve um pouco de Soft Rock, da parte de Cat Stevens, um artista igualmente muito bom, e bastante querido pelos Rockers em geral, penso assim, também.

Bem, como eu já disse, muitos anos depois o Reveillon da Globo ficou no comando do comunicador popular, Faustão Silva, e já de uns anos para cá, mesmo sem a presença de tal comunicador mais na apresentação, tem sido especiais recheados com artistas popularescos de ocasião, destes descartáveis que os marketeiros inventam e jogam goela abaixo do povo, o tempo todo.


Mas houve um Reveillon na Rede Globo, onde o Rock de alto padrão foi a atração em seu momento de clímax, à meia noite... e foi em 1976.
Assista acima um pouco da música complexa do Gentle Giant, inimaginável na grade das TV's abertas dos tempos em que vivemos e a nos provar que avançamos muito tecnologicamente, ao falar em relação aos anos setenta do século passado, mas no âmbito cultural regredimos às cavernas nos dias atuais, com os rebotalhos e trogloditas a dar as cartas...

Matéria publicada inicialmente no Blog Limonada Hippie em 2016

sábado, 23 de julho de 2016

O Semáforo é para todos, embora muitos não pensem assim... - Por Luiz Domingues



Há relatos de que as leis de trânsito remontam à antiguidade.
No Império Romano, como seria por esperar-se para um povo que tinha a sofisticação das leis, foram criadas regras de trânsito para a circulação urbana e também nos mais de 350 mil Km’s de estradas que os romanos criaram em seus domínios. Há registros sobre reclamações sobre o caos nas ruas de Atenas e Esparta, também, a denotar que os gregos igualmente sofriam com a questão da ordenação do trânsito.
E assim tal ordenação pôs-se a evoluir, ao passar pela Idade Média e o conceito europeu dos burgos, cercados por muros fortificados e espaço exíguo para a circulação de carroças e cavaleiros montados  etc. O primeiro registro da existência de um sinal a usar cores para ordenar a parada de uma fila para a passagem de outra em vias cruzadas, veio em 1836, em Londres, quando as autoridades locais criaram a figura de um agente público a caminhar na frente dos veículos, e assim sinalizar com uma bandeira vermelha, a passagem de um comboio, no afã de evitar atropelamentos de pedestres ou o choque com veículos vindos de outros cruzamentos.
Ainda em Londres, no ano de 1868, o conceito evoluiu para um sinal fixo, com duas hastes de controle manual, movimentadas por um policial, a conter as luzes verde e vermelha. Nessa época, o verde queria dizer “cuidado”, e o vermelho, já foi uma ordem para parar. Tais luzes foram iluminadas através do sistema a gás. Mas foi nos Estados Unidos, no ano de 1920, na cidade de Detroit / Michigan, curiosamente a cidade que sedimentou-se como o berço da indústria automobilística norte-americana, que o semáforo como o conhecemos, nasceu de fato.


Sofisticado por ser elétrico, trouxe a simbologia das três cores como nos habituamos desde então, a acrescentar o sinal de coloração amarela, este sim para designar o “cuidado” (que também interpretamos como “atenção”), e o verde a passar a significar o sinal livre para passar. 

No Brasil, os primeiros semáforos elétricos de três cores foram instalados nas cidades de São Paulo e logo a seguir no Rio de Janeiro, (ambos por volta de 1930). O primeiro código de trânsito brasileiro foi promulgado em 1941, e o segundo, em 1966. A versão em vigor, é a terceira, de 1997.

Para feito de não confundir pessoas acometidas pelo daltonismo, estabeleceu-se que a ordem seja sempre o do sinal vermelho na parte mais alta; amarelo no meio, e a luz verde na parte inferior.

Tudo muito simples, uma criança de dois anos de idade decora facilmente tais regras. Parece ser muito óbvio que cada cidadão, ao estar na condução de um veículo ou não, saiba muito bem que ao deparar-se com o sinal vermelho, deve parar totalmente, para que pedestres possam atravessar a via e outros veículos vindos da via que faz cruzamento, possam passar, também.
Básico do básico do básico, óbvio ululante, chega a ser infantil ter que repetir algo tão evidente, não acha? Para reforçar o que digo, veja o que diz exatamente o capítulo que trata de tal regulamentação sobre a obediência aos sinais, no Código de Trânsito Brasileiro, em seu capítulo IV / artigo 70 : 

Art. 70. Os pedestres que estiverem atravessando a via sobre as faixas delimitadas para esse fim terão prioridade de passagem, exceto nos locais com sinalização semafórica, onde deverão ser respeitadas as disposições deste Código.

Parágrafo único. Nos locais em que houver sinalização semafórica de controle de passagem será dada preferência aos pedestres que não tenham concluído a travessia, mesmo em caso de mudança do semáforo liberando a passagem dos veículos.

No valor atual, de 2016, a multa por ultrapassar o sinal vermelho, é de R$ 191,54 e sete pontos anexados ao prontuário do condutor. Claro, tudo pode agravar-se se houver um atropelamento ou colisão com outro veículo, ou dano ao patrimônio público. Então, diante de uma regra tão fácil para ser entendida e que regula a segurança de todos, qual o motivo para que tantas pessoas a burlem, diuturnamente.

Pressa (é o que os motoboys geralmente alegam, “pilhados” pelas firmas que os empregam e cobram agilidade)?  "Não é comigo... essa é a alegação de muitos “bicicleteiros”(chamo-os assim de forma pejorativa e proposital pois respeito o ciclista consciente e separo o joio do trigo, portanto). Mesmo caso dos Skatistas e patinadores, que supõe conforme a sua vã filosofia, que o semáforo não lhes diz respeito, e que se danem os pedestres. Por quê não param?

Vejo, de forma assustadora o crescimento de atropelamentos pelas vias públicas das cidades, e não necessariamente apenas em megalópoles como a que eu hábito, caso de São Paulo. A pressa desenfreada de todos em torno de alcançar objetivos baseados no desespero para se ganhar dinheiro pode ser uma boa desculpa respaldada pela sociologia. Ganha amparo em outros estudos como a antropologia; psicologia, causas culturais; paradigmas; sistema de crenças etc. 

No entanto, eu também considero que existam outras explicações para tal fenômeno de desobediência em massa, e as suas razões, não são nada nobres. A arrogância de qualquer cidadão, em pensar que não deve esperar para os demais passarem, parece uma marca registrada em comum na maioria dos casos de tais infratores. Some-se a isso uma dose de prepotência, arvorada na maldita mania de se achar “especial”, diferente da patuleia que obedece como carneirinho, ou seja pode ser um outro fator. 

No fundo, a raiz dos males que afligem-nos no trânsito é a mesma que nos atormenta em todos os setores da sociedade neste país : a famigerada “malandragem” do brasileiro.  Se todos são “espertos” e querem burlar o semáforo, diga-me caro leitor, como podemos atravessar uma rua sem o medo de sermos mortos?

Pessoas do meu círculo familiar e de amizades, falam-me que eu sou muito “certinho” e que para viver sob os parâmetros que considero corretos, o melhor seria mudar-me para a Suíça. Pois muito bem, é uma boa solução e assim, não preocupar-me mais com essa questão tão típicas do “terceiro mundo”, todavia, não é legítimo projetar um Brasil que extirpe as suas mazelas e alcance uma padrão de cidadania exemplar?  E tal predisposição começa com atos simples, como por exemplo, respeitar um sinal de trânsito...  
Matéria publicada inicialmente no Blog Planet Polêmica, em 2016.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Os Kurandeiros - 23/7/2016 - Sábado / 21:00 H. - Santa Sede Rock Bar - Santana - São Paulo / SP




Os Kurandeiros


23 de julho de 2016


Sábado  -  21:00 Horas


Santa Sede Rock Pub


Avenida Luiz Dumont Villares, 2104


Santana


Estação Parada Inglesa do Metrô


São Paulo  -  SP


Os Kurandeiros :


Kim Kehl : Guitarra e Voz
Carlinhos Machado : Bateria e Voz
Luiz Domingues : Baixo

terça-feira, 19 de julho de 2016

Os Kurandeiros - 21/7/2016 - Quinta-Feira / 20:30 H. - Casa Amarela - Osasco / SP



Os Kurandeiros


21 de julho de 2016


Quinta-feira  -  20:30 Horas


Casa Amarela


Rua Dr. Mariano J. M. Ferraz, 96


Centro


Osasco  -  SP


Os Kurandeiros :


Kim Kehl : Guitarra e Voz
Carlinhos Machado : Bateria e Voz
Luiz Domingues : Baixo