sábado, 17 de novembro de 2018

CD Rebreaker / Stringbreaker & The Stuffbreakers - Por Luiz Domingues


Lembro-me bem quando resenhei o primeiro álbum do grupo, Stringbreaker & The Stuffbreakers, em julho de 2015, e o quanto entusiasmei-me pela sua obra. Pois eis que abordarei agora o seu segundo álbum e já com a boa nova a passar para o leitor de que a banda já lançou o terceiro trabalho, que em breve será fruto de uma análise de minha parte, certamente. Antes de avançar, deixo o Link sobre a resenha do primeiro disco, para o leitor tomar conhecimento, ou reler, se já acompanhou anteriormente.


Bem, estabelecido esse preâmbulo, convido o leitor a prestar atenção no álbum : “Rebirth”, segundo trabalho do grupo e que mantém a mesma proposta apresentada no álbum de estreia, ou seja, produzir uma música instrumental da melhor qualidade, com muito senso melódico e inspirada em diversas vertentes do Rock setentista e digo, com louvor. Com apenas uma modificação na formação, agora a contar com o baixista, Nelson Donizeti, e os remanescentes do primeiro disco, o guitarrista, Guilherme Spilack e o baterista, Sérgio Ciccone, eis que a banda lança mais um petardo com : “Rebreaker”. E tem mais, pois se o nível técnico já era alto, acrescente-se nesse segundo trabalho, a experiência acumulada. Depois de muitos shows ao vivo, a banda amadureceu; fortaleceu-se e ficou ainda mais afiada.
Sobre a opção em produzir mais um álbum inteiramente instrumental, fica patente a intenção desses artistas em reafirmar a sua determinação nesse sentido, com coragem, eu diria. Fazer música instrumental no Brasil, não é nada fácil e ainda mais com essa alma Rocker, assumida. E mais um ponto, a apresentar uma explícita influência setentista (sessentista, igualmente em alguns momentos), ao nadar contra a maré dos paradigmas criados pela “intelligentsia” que domina os meandros da mídia mainstream, há décadas, neste país. Sobre a opção em usar o anglicismo, mesmo que não usem a palavra cantada, mas ao nomear o título da maioria das canções e o próprio nome da banda, não cabe contestação, visto ser prerrogativa do artista e neste caso, compreensível que adequem-se ao padrão internacional, a buscar uma visibilidade em outros países, visto que no Brasil, o apoio é quase nulo para uma banda desse alto quilate artístico, infelizmente.
Gostei da capa, com a ideia simples, todavia muito funcional, em torno da reafirmação do conceito expresso no título do álbum, ou seja, o disco de vinil quebrado, ou a trocar em miúdos : o “quebrador”. Ricardo Bancalero foi o responsável por tal concepção e lay-out final. A ilustração do poster central, a mostrar uma história em quadrinhos sensacional a evocar o gênero Sci-Fi, ficou por conta de Paulo Melo. Alienígenas chegam em discos voadores à “Área 78”, e não vem ao planeta Terra para brincadeira, pelo teor da história. E no restante do encarte, boas fotos da banda em pontos estratégicos e charmosos do Parque Trianon, nos arredores da Avenida Paulista, em São Paulo e a presença de uma guitarra Fender Telecaster em becos da cidade a dizer tudo, realmente. E sobre a as músicas :  
“The Big Raffle”, a primeira faixa, inicia-se com uma frase de guitarra melódica, amparada por uma cama com teclados, um órgão Hammond (não há descrição de um tecladista convidado, portanto deduzo ter sido algo sampleado e disparado digitalmente na gravação. Advém um belo Riff ao estilo Hard-Rock, muito bonito. É bastante melódico e dramático em alguns pontos, com um crescendo bem empolgante e nas partes mais amenas, permeada por belíssimos desenhos feitos por uma camada de violões muito bem engendrada. Pode ser uma mera impressão minha, mas acho que houve uma breve e sutil referência à canção : “The Rover”, do Led Zeppelin, como citação poética.

Em “Máfia da Águia”, a banda swinga fortemente. Tem muito a pegada de Jeff Beck no meio dos anos setenta, quando gravou os seus celebrados discos, “Blow by Blow e “Wired”. Muito interessante as pausas nada usuais que a banda criou. Tem também um belo e melodioso solo de baixo e o final surpreende pelo seu caráter abrupto.
E após o final da faixa anterior, sob surpresa imediata, eis que a terceira música traz uma docilidade adorável. “Eventide” também é muito bem construída por um arranjo belo, a apresentar camadas compostas por violões e guitarras a desenhar, pontualmente. O baixo e a bateria são absolutamente perfeitos ao criar uma sessão rítmica pesada em contraponto com a riqueza singela perpetrada pelos violões e guitarras e o baixo, de uma forma sazonal, ainda desenha também, portanto, é uma tremenda canção bem arranjada. Ao final cresce a intenção e um solo épico de guitarra é muito conveniente. Poderia ter acabado ali, com um "Fade Out" e teria sido lindo, mas existe uma volta à parte mais amena e eu não achei má a ideia, pois também ficou bonito ao meu ver.

“Getting Hide” traz um clima brejeiro em torno do Blues-Rock, muito dançante. Parece que a banda está a tocar em uma casa noturna do sul dos Estados Unidos de tão saboroso que é o clima proposto. Eis que vem uma parte a trazer o Blues tradicional, muito bem executado e depois advém a parte mais ritmada novamente. 
Eis que a porção Sci-Fi que motivou a criação do poster / HQ, marca a sua presença na faixa seguinte, “Área 78”. Começa com a deliciosa cacofonia “Hendrixeana” (Lembra "EXP", do álbum de Jimi Hendrix Experience, chamado, "Axis : Bold As Love, lançado em 1967), ao extrair harmônicos bem em cima da ponte de uma guitarra (provavelmente uma Fender Stratocaster) e depois ao esperar o feedback e trabalhar com a alavanca e daí, o clima para tocar-se um bom Acid Rock sessentista, está propício. E não dá outra, um belo Riff conduz a banda nesse sentido com um vigor muito forte. Tudo bem que tem uma trecho mais modernoso, com uma certa influência Heavy-Metal, mas estamos na Área 78 e os alienígenas são capazes de qualquer ardil, não é mesmo ? Mas é rápido e logo o Acid Rock sessentista volta com tudo e assim voltamos aos dias de glória do auditório Fillmore West, ainda bem.
“Freedom Walk” é um primor. Misto de Folk-Rock com Country-Rock é muito melodiosa e também muito rica em desenhos desenvolvidos por uma camada de violões. Gostei muito da linha de baixo e bateria. Que balanço sensacional que Ciccone e Donizetti criaram ! E Spilack colore com muita propriedade a tela caipira dessa faixa. Roger McGuinn precisa ouvir isso e diante dessa constatação, muito orgulhar-se por saber que seu legado está em curso nas mãos desses artistas paulistanos.
“Requiem in F# m” é mais uma peça de violão, muito bem executada e certamente outra canção muito bem arranjada. Impressiona novamente a versatilidade para arranjar os violões e como a bateria e o baixo foram felizes em criar uma linha criativa, ao não abrir mão do peso, em certos trechos, a despeito da delicadeza erudita do tema.

“A 8ª Música mais Triste do Mundo” é um Slow Blues com muita intensidade. A guitarra chora, literalmente a evocar magos da guitarra que notabilizaram-se por tal façanha nos anos 1960 e 1970, tais como, Eric Clapton e David Gilmour, para citar apenas dois e Spilack foi feliz ao buscar tal caminho, que é difícil, mas quando o ponto é achado, fica realmente imbatível. Se essa é a oitava música mais triste do mundo (e leve-se em conta que música melancólica pode ser bonita, vide Tomaso Albinoni e George Harrison, que criaram obras primas com tal característica), quais seriam as sete músicas mais tristes ? Fica o exercício de imaginação para o leitor / ouvinte.
“Pigeon Turn On” começa com uma linha de baixo super funk, a sedimentar o caminho para um Funk Rock pleno de balanço. Tem um certo clima Jazzy em alguns trechos, lembrou-me a fase Jazz-Rock do Miles Davis, de certa forma. Gostei muito da parte desdobrada, com um sentido harmônico bem interessante. E também do baixo que passeia bem a aproveitar o mote do verdadeiro Funk.
“Rock’n Roll C.A.P.O.” é um Rockão explícito, com clima de “AOR”. Parece o Reo Speedwagon a tocar em um estádio de beisebol norteamericano lotado, na metade dos anos setenta, pela festa gerada. Gostei muito da faixa e do solo de Spilack, ao estilo Rock rasgado.

“Railroad a Boozing” é mais uma canção a explorar o Blues-Rock neste álbum e com muita competência, é bem verdade. Tem também uma queda pelo Hard-Rock setentista e nessa amálgama, o ouvinte só tem a ganhar diante de tal faixa, com essa versatilidade e qualidade técnica.

Gravado no Spilack Tag Estúdio (com exceção da captura de bateria, realizada no Toolbox 78 Estudio)
Técnico de som / mixagem e masterização : Guilherme Spilack
Projeto Gráfico : Ricardo Bancalero
Ilustrações Poster / HQ : Paulo Melo
Fotos : Mélani Sant’Anna e membros da banda
Produção geral : Guilherme Spilack
Formação do Strinbreaker & The Stuffbreaker em “Rebreaker” :
Guilherme Spilack : Guitarra e Violões
Sérgio Ciccone : Bateria
Nelson Donizeti : Baixo

Em suma, “Rebreaker” reafirma a qualidade da banda em todos os quesitos; traz importantes acréscimos artísticos e mostra três instrumentistas da pesada. Outra boa nova, como já salientei antes, a banda já lançou o terceiro álbum e em breve o leitor de meu Blog poderá contar com a minha análise.
Recomendo este segundo álbum, dessa ótima banda. E para quem tem algum tipo de restrição à música instrumental, posso afirmar que o ouvinte vai encontrar um disco tão bom, que chegará à última faixa sem ao menos notar que faltou a presença de melodias cantadas.
Ouça acima, o CD "Rebreaker"

Eis o Link para escutar no You Tube :

https://www.youtube.com/watch?v=K_XAWx4iPDQ

Para conhecer melhor o trabalho do Stringbreaker & The Stuffbreakers, acesse a sua página no Facebook :

https://www.facebook.com/StringBreakerRock

E no canal particular de Guilherme Spilack, o leitor encontrará bastante material da banda, ao vivo :

https://www.youtube.com/user/Spilack/videos


sábado, 10 de novembro de 2018

Roubar um Centavo ou um Bilhão, é Errado do Mesmo Jeito - Por Luiz Domingues

Ética é ética e ponto final. Sim, mas a ética dá margem a interpretações as mais diversas, amparadas pela máxima de que cada cultura tem o seu padrão moral próprio, regido por signos exclusivos e baseados em tradições, que pautam-se pela história civilizatória dispare entre os povos, ao longo da história. Muito bem, então admite-se que exista uma multiplicidade de códigos a diferenciar uma cultura da outra ? Pode ser, eis aí uma reflexão que vai longe e é objeto de estudos de diversos ramos do conhecimento humano. Dentro dos parâmetros da história (englobe-se a geografia nesse aspecto); sociologia; ciências sociais e jurídicas em geral a esbarrar na política, e certamente na sociologia e história da arte, com enfoque no folclore.
Entretanto, mesmo sendo algo bastante amplo e que dá margem a uma generalização que tende o estudioso em geral a perder o foco inicial do que realmente representa a ética, em termos práticos, creio que uma reflexão, por simplória que seja, denota um pensamento padrão, que pode ser considerado, como um parâmetro mundial : apropriar-se de um bem alheio, é um ato condenável e passivo de uma reação punitiva. E dentro dessa linha de raciocínio, não há margem para uma graduação, isto é, se o malfeitor rouba um real ou um bilhão de reais, pelo ato em si, é um ladrão da mesma maneira, em tese. Pois é nesse ponto que os juristas e os legisladores divergem e faz sentido, pois a dosimetria de uma pena não pode ser implacável ao ponto de exercer peso igual para um ladrão que rouba um pãozinho no balcão da padaria da esquina com o sincero intuito em alimentar a sua prole faminta e um bandido do colarinho branco que promove um conluio asqueroso a envolver parlamentares e agentes do poder executivo para obter vantagens indevidas e amealhar o erário público. Mas ainda assim, roubar é errado, e o princípio tem que ser um só a reger uma sociedade realmente justa e segura para todos.
Além disso, faz-se mister que a aplicação da Lei seja discreta, não espetaculosa, pois não faz sentido que seja usada para tirar proveito político partidário. É como varrer a sujeira da casa, ou seja, você a varre para viver bem, em meio a um Lar que mantenha-se harmônico e não para fazer desse ato, uma oportunidade para vangloriar-se e por conseguinte, alfinetar os seus vizinhos. E mais um aspecto : não é admissível que a Lei seja aplicada quando interessa a um grupo, para destruir os seus inimigos e pior ainda, acobertar os amigos, quando todos os devidamente condenados, são malfeitores. Assim, não estamos a construir uma nova sociedade regida pela ética, verdadeiramente, mas apenas a transferir turmas de um lado a outro. Ladrão é ladrão e deve ser punido no rigor da Lei, e aí sim, ponto final.

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Os Kurandeiros - 10/11/2018 - Sábado / 21 Hs. - Tchê Café - Vila Santa Catarina - São Paulo / SP

Os Kurandeiros

10 de novembro de 2018  -  Sábado  -  21 Horas

Tchê Café

Avenida Washington Luiz, 5628

Vila Santa Catarina

500 metros do Aeroporto de Congonhas

São Paulo  -  SP

Os Kurandeiros :
Kim Kehl : Guitarra e Voz
Carlinhos Machado : Bateria e Voz
Luiz Domingues : Baixo

sábado, 3 de novembro de 2018

Os Kurandeiros + Edy Star - 4/11/2018 - Domingo / 17 Horas - Casa de Cultura Itaquera / Parque Raul Seixas - Itaquera - São Paulo / SP



Os Kurandeiros + Edy Star


Turnê Toca Raul


4 de novembro de 2018 - Domingo  - 17 horas


Casa de Cultura Itaquera / Raul Seixas

Rua Murmúrios da Tarde, 211
Cohab II  - Jardim José Bonifácio
Estação Itaquera do Metrô 
São Paulo  -  SP


Edy Star : Voz


Os Kurandeiros :
Kim Kehl : Guitarra e Voz
Carlinhos Machado : Bateria e Voz
Luiz Domingues : Baixo 


Convidado especial :
Michel Machado : Percussão