sábado, 1 de setembro de 2018

Chega da Lamúrias, é Hora para Trabalhar a Favor e Não Perder Tempo em Amaldiçoar o Contra - Por Luiz Domingues


Nos últimos anos, com o advento e crescimento em popularidade das redes sociais da Internet, eis que um clamor generalizado transformou-se em uma espécie de paradigma paralisante em torno de uma ideia derrotista, a espalhar  a lamúria, a desolação e absoluta falta de perspectiva em vislumbrar-se dias melhores para a cultura em geral e a música em específico. Tal percepção tem uma fonte concreta, eu sei disso, se analisada pela ótica em que realmente os difusores culturais que comandam a mídia mainstream optam acintosamente pela propagação do popularesco como ordem a ser imposta às massas e na contrapartida, estrangula artistas que versam suas obras pelo caminho diametralmente oposto.

É despótico, cruel, é um “lobby do mal”, a alimentar teoria da conspiração, enfim, tudo isso e muito mais, que nem sonhamos haver por trás dessa manipulação etc e tal. Mas a pergunta que faço e não quer calar é a seguinte : lastimar nas redes sociais ajuda exatamente em quê, para acharmos soluções a quebrar esse monopólio ?

Não descarto, inclusive, que a manipulação seja mais sutil do que deduzimos e haja o fomento inicial para que o incitamento seja tão acintoso. Aliás, tática bem tradicional, antiga e que remonta à antiguidade, o ato de sabotar com maledicência é público e notório, principalmente agora que as ferramentas disponíveis na internet estão a cada dia mais rápidas e acessíveis a qualquer cidadão. Portanto, estão aí os robots eletrônicos, os departamentos de call center; marqueteiros e especialistas em espalhar “Fake News” em sua vergonhosa estratégia para difundir mentiras e angariar simpatia de incautos em geral, que tratam de tornar tal vírus, um agente a favor da metástase. 

Esta reflexão não é sobre política, tampouco gestão pública, propriamente dita. Estou a falar sobre a questão do papel dos órgãos difusores de cultura e sua opção antidemocrática pelo monopólio a difundir apenas o que interessa-lhes e isso, irremediavelmente significa a acintosa opção pelo popularesco, quiçá o grotesco. Sei que o assunto abre precedentes para a contra-argumentação baseada no relativismo. Rapidamente vozes levantam-se para questionar o que é arte, e a percepção diferente sobre o que é bom e o que não é. Análise técnica de músicos; técnicos de áudio; musicólogos; historiadores da arte; jornalistas & críticos especializados e outros tantos experts, opinam e uma conclusão é inquestionável : a arte é livre, certamente.

Dessa forma, é razoável aceitar a ideia de que o grotesco também é uma forma de expressão e merece o seu quinhão de atenção midiática. Nem é esse o ponto, pois o que questiona-se, na verdade é o advento do monopólio. Isso sim é um ato de tirania e que deve ser extirpado. Por decreto ? Esperar pela boa vontade dos senhores legisladores, essa congregação conspurcada pela corrupção ? Ou mesmo um arroubo de consciência dos marqueteiros que somente visam nadar na piscina formada pelo dinheiro fácil que a opção pela anti cultura de massa proporciona ? Não dá para esperar que um sentimento edificante, norteado pela ética superior venha dessa gente mesquinha, que deseja apenas arrancar todas as moedas possíveis do bolso alheio a alimentar sua magnificente vida materialista, baseada na extrema futilidade, sob o luxo desmedido.

O que fazer, então para mudar tal estado de coisas, essa sensação exasperante que tudo está destruído e não existe mais arte neste mundo ? Ora, penso que uma medida plausível para o cidadão comum é usar a ferramenta da internet com mais inteligência e não deixar-se levar pelo sentimento pessimista generalizado. Não é preceito esotérico e muito menos frase feita extraída de livro de “autoajuda”, mas se cada vez que for postar um lamento na rede social a denunciar que a música atual é um lixo e pior ainda, cair na armadilha dos marqueteiros inescrupulosos e gastar sua postagem para denegrir a imagem de artistas que professam a baixa estratificação cultural, na verdade, você estará a fornecer-lhes, mais notoriedade. Creio que a melhor medida é nadar contra a maré arquitetada pelos artífices de tudo isso e assim, ao invés de reclamar e / ou atacar, usar seu poder individual na internet (e nas relações sociais não virtuais, igualmente), para difundir artistas que militam no mundo underground, com grande dificuldade para atrair a atenção do público. E isso, eu posso garantir, temos em enorme proporção. Em suma, artistas inspirados, muito bem preparados tecnicamente pela formação musical e no apuro pelo áudio em termos de gravação de seus trabalhos e uso de equipamentos de ponta; com mensagem artística forte, amparados pela literatura e sob as mais nobres influências de uma arte edificante, existem em enorme profusão. Descobri-los e difundi-los, não é difícil, pela existência (ainda) de uma internet livre, portanto, basta pesquisar, que eles estão aí.

Portanto, acredito que a tomada de consciência parte de nós, mesmos. Que não gastemos mais o tempo para espalhar a angústia desoladora, mas ao contrário, espalhemos gotas revitalizantes de otimismo e ao contrário do que observamos na internet, artistas incríveis estão a atuar e só precisam ser enaltecidos para crescer e encontrar um lugar ao sol. Ignoremos o que os marqueteiros impõem através das trilhas das novelas, programação das emissoras de rádio e os programas popularescos da TV. Espalhe o que é bom e para de fortalecer o “mimimi” nas redes sociais.
Matéria publicada inicialmente no Blog Limonada Hippie, em julho de 2018
 

Os Kurandeiros + Edy Star - 1º/9/2018 - Sábado - 20 Horas - Casa de Cultura M'Boi Mirim - São Paulo / SP


Os Kurandeiros + Edy Star + Michel Machado

Turnê "Toca Raul"

1º de setembro de 2018 - Sábado - 20 Horas

Casa de Cultura M'Boi Mirim
Avenida Inácio Dias da Silva, S/N
Estação Santo Amaro do Metrô (mais ônibus)
M'Boi Mirim
São Paulo - SP

Os Kurandeiros :
Kim Kehl : Guitarra e Voz
Carlinhos Machado : Bateria e Voz
Luiz Domingues : Baixo


Edy Star : Voz

Convidado especial :
Michel Machado : Percussão