sexta-feira, 29 de setembro de 2017

A Estação da Luz / CD O Segundo - Por Luiz Domingues



Após um excepcional primeiro registro fonográfico, demorou, mais eis que a excelente banda, “A Estação da Luz”, de São José do Rio Preto, interior de São Paulo, anuncia seu segundo álbum. E vem com o sugestivo título de "O Segundo", sendo bastante enfática em sua intenção em demarcar o lançamento em sua discografia.

E a demora para mostrar-nos seu novo trabalho foi amplamente compensada, pois “O Segundo” revela-nos a banda mantendo sua proposta estética firmada em seu álbum de estreia, e mais que isso, é um prazer mergulhar em sua audição e constatar que a banda apresenta ainda mais entrosamento, gerando amadurecimento natural e tudo dentro de uma lógica fundamentada por fatos concretos. Como primeiro ponto, a permanência da mesma formação, desde o primeiro disco, é fator fundamental para o bom andamento da carreira da banda. Em segundo lugar, os anos de labuta na estrada, certamente calejaram-na. Depois de muitas viagens, incluso shows em diversos estados do país, isso contribuiu decisivamente para o fortalecimento do grupo, solidificando-o tremendamente. E um terceiro ponto e aí trata-se de um ato de fé : a banda não mostra-se nem um pouco preocupada com o que está ou não em voga no mundo da difusão cultural oficial, a dita mídia "mainstream". E não preocupando-se em galgar degraus para "chegar lá", tal qual artistas popularescos que costumam contratar escritórios especializados em gestão de carreira antes de pensar na sua própria música, os componentes da Estação da Luz dão de ombros para esse sucesso de plástico, efêmero e que não dura até o próximo verão, e dessa forma mergulham em sua produção para o âmago da arte verdadeira, a que vem do coração e da alma, ou seja, fazer obra valorosa a perpetuar-se. Em suma, raciocinam como artistas genuínos e não como essa turba que domina o mundo mainstream e que usa a música meramente para ficar "famoso".


Sobre a questão estética, para quem não conhece a banda e nem leu a minha resenha anterior sobre ela, na qual englobou seu primeiro disco no contexto, convido a realizar tal leitura. Eis abaixo o link para tomar conhecimento desse primeiro apanhado sobre a banda : 

http://luiz-domingues.blogspot.com.br/2013/04/estacao-da-luz-por-luiz-domingues.html 

Reitero que a banda mantém sua coerência artística inalterada e de forma ilibada, eu acrescento. Sua intenção em beber na fonte de influências do Rock brasileiro e internacional das décadas de 1960 e 1970, é um fator preponderante para que expresse sua criação adotando uma riqueza inquestionável no tocante às mais nobres referências. Eu sei, nem todo mundo que ama essa estética automaticamente reúne condições para fazer sua criação ficar à altura, pois não basta ouvir música de qualidade, porém outros múltiplos fatores precisam estar no bojo. Caso contrário, alguém que ame Frederic Chopin, mas nunca chegou perto de um piano na vida, tocaria e comporia “noturnos” divinamente só pela boa influência, porém não basta apenas ouvir a melhor música do passado. Nesses termos, A Estação da Luz é uma banda muito bem embasada na sua identidade artística, pois não só é municiada pelas melhores influências no mundo do Rock (fora boas doses de Black Music, incluso o Soul, Blues & Jazz; MPB; Folk Music etc), mas também é muito rica tecnicamente por ter em suas fileiras, instrumentistas / vocalistas de alto padrão e por conseguinte, que compõem e arranjam muito bem o seu material. Se existe um ponto mais frágil nessa estrutura, esse não chega a desabonar o trabalho, e pode ser melhor apurado em outros trabalhos futuros, tranquilamente. Refiro-me à parte de texto, com letras não muito profundas na maior parte das canções. São poesias bem escritas, mas a temática em sua maioria, versa mais pela relação Homem / Mulher, sem maiores voos, e nesse caso, aprofundar mais, seria mais estimulante para temas mais complexos, principalmente ao esbarrar no Prog Rock explícito, mas neste trabalho e no anterior, igualmente, não houve essa preocupação mais acentuada (há exceções), contudo, repercuto melhor isso quando falar das faixas, logo mais.

Ouvir “O Segundo” é como escutar um bom disco de Rock brasileiro da década de setenta, mas também é como se fosse algum da safra da MPB daquela década, mesmo porque, a MPB setentista era em essência, híbrida, mostrando-se praticamente como um Folk Rock Hippie, apesar de nossos acentos culturais regionais nítidos e sem nenhum demérito, muito pelo contrário, tendo isso como mérito, deixo isso bem claro. Sobre as faixas desse trabalho, tenho muitas observações positivas.

“Sem Direção” inicia o álbum e o seu embalo remetendo ao Country-Rock é muito saboroso, enquanto clima ameno e fugindo da máxima que todo produtor fonográfico prega, dando conta de que a primeira faixa de um álbum tem que ter o poder de um “soco no estômago do ouvinte”, visando gerar impacto primordial. Não acho errado o conceito em si, mas quebrar o paradigma e apresentar um começo ameno também pode ser agradável, e é exatamente o que acontece com essa canção. Musicalmente, lembrou-me muito o velho e bom “Rock Rural” de "Sá; Rodrix & Guarabyra", mas também canções oriundas dos primeiros discos solo dos ex-Beatles, notadamente os de George Harrison e Ringo Starr. Tem um delicioso Steel Guitar permeando uma voz suave e intermitente ao longo da canção, muito inspirado da parte do ótimo guitarrista, Cristhiano Carvalho e como base harmônica, o tecladista Alberto Sabella arrebenta, não só pela execução, mas pelo feliz arranjo que criou, utilizando vários teclados sobrepostos. É muito rica a intervenção do piano Fender Rhodes, inclusive imprimindo desenhos como contraponto e a presença do imponente órgão Hammond, impressiona, inclusive pela sua sobra estratégica, ao final. Gostei muito do timbre do baixo, bem encorpado, mas igualmente da linha criada, todavia convenhamos, das mãos de um baixista da categoria de Vagner Siqueira, só vem coisa boa, naturalmente. E a melodia principal, entoada pela cantora, Renata Ortunho, tem a docilidade compatível com o clima da canção, onde o arranjo muito adequado, faz com que a banda flutue ao ritmo do slide-guitar.


Na segunda faixa, “Pensar em Você” (“Tudo é Saudade”), mergulha-se num clima sessentista muito agradável. Parece aquele tipo de Bubblegum, típico da metade daquela década, mesclado com a tendência típica daquela safra de artistas britânicos dessa seara, que revisitaram com extrema felicidade o cancioneiro popular europeu dos anos trinta, do século passado. E assim, naquela levada rítmica bem característica, com condução harmônica bem forte em acentuações de tônica e quinta acima ou tônica e quarta abaixo, a banda soa como o "Small Faces" a brincar no Itchycoo Park, ou os "Mutantes" na Rua Augusta, portanto, A Estação da Luz resgata tal tradição perdida no Rock (infelizmente), com bastante inspiração. Gostei muito do apuro no arranjo vocal dos Backings, com desenhos engenhosos passando por baixo da voz principal. Num dado instante, uma intervenção muito rica de percussão (que deduzo ter sido ideia do excepcional baterista, Junior Muelas), é sutil, mas de uma riqueza enorme. Ali ele risca o guiro, literalmente, e gera um efeito incrível. Também chamou-me a atenção o solo de guitarra de Cristhiano Carvalho, com uma linda interpretação ao fazer uso de notas longas, esticadas ao estilo de um “ebow”, e uma sutileza que ficou ótima, ao trabalhar com a chavinha de mudança de captação, acintosamente, na tradição do mago, Ritchie Blackmore. Em seu término, a música apresenta uma mudança rítmica acentuada, com teclados; baixo & bateria imprimindo um balanço "soul" incrível. O piano insinua-se como clavinete, mesmo, e a “setenteira” nessa hora é irresistível em seu apelo para balançarmos o esqueleto, mesmo que for só o pezinho discretamente marcando o ritmo no chão, caso o ouvinte seja muito tímido...

A terceira faixa, chama-se : “Dia de Domingo” e tem uma levada incrível. O groove da banda nessa faixa é impressionante, com todos os instrumentos soando de forma magnífica. Não dá para destacar apenas um, gostei de todos os arranjos individuais. Baixo sensacional, guitarra estupenda, bateria fantástica e o órgão Hammond comandado por Alberto Sabella, arrebenta, parecendo o som dos discos solos do Billy Preston, e com o “negão” em pessoa naquela pilotagem alucinante, que eu achava que só ele sabia fazer, mas o Sabella provou que eu estava errado... sem exagero algum. O vocal desenhado no início é muito bonito e a seguir surge a presença de uma voz masculina que conduz a melodia principal, quebrando um pouco a marca da voz feminina oficial da banda, portanto é Cristhiano quem comanda desta feita, ao invés de Renata. A canção tem muito da influência dos "Secos & Molhados", mas posso acrescentar nesse caldeirão, a presença do som de Zé Rodrix e basta ouvir seus discos solo (ótimos), dos anos setenta, para constatar a minha impressão. Os timbres também ficaram magníficos, tudo soa encorpado e brilhante ao extremo. Adorei uma convenção feita com intenção de groove, absolutamente incrível.

A seguir, uma faixa instrumental sensacional, com mais um Funk Rock de enorme balanço. É até chato usar a palavra “Funk” nos dias atuais, dada a apropriação indébita em que o termo foi submetido, mas ora bolas, o que temos aqui é o genuíno "funkão" setentista, nobre derivado da Soul Music e do R’n’B, portanto, é isso, aí, podes crer, amizade...
Sobre o tema em si, digo que é mais uma prova cabal de que os membros d’A Estação da Luz não estão para brincadeiras, pois eles descem o braço ao imprimir um balanço maravilhoso que muito lembrou-me o trabalho do "Som Nosso de Cada Dia", quando esta banda histórica brasileira aventurou-se no Funk Rock, ao final dos anos setenta. Não sem antes apresentar uma introdução muito técnica, ao estilo do Jazz-Rock da banda argentina, "Crucis", ao menos na minha percepção pessoal. Tudo soa bem nessa faixa, de forma impecável. Gostei também da rica intervenção de um músico convidado, Victor Hugo, que trouxe seu providencial saxofone a produzir o crescente típico produzido por sessões de metais de bandas como "Chicago"; "Blood; Sweat and Tears" e "Tower of Power", só para citar algumas poucas desse estilo, em temas funkeados assim. Portanto, um acréscimo genial, cereja no bolo. A destacar-se igualmente os solos e timbres diferenciados nos sintetizadores e na guitarra, inclusive um belo duelo de solos entre os instrumentos, outra tradição esquecida, mas essa banda orgulha-se em buscar o fio da meada perdido, amém !!


“O Segundo”, faixa título do álbum, inicia-se com efeitos de sonoplastia. Trata-se de barulho urbano da madrugada, com carros passando distante e latidos de um cachorro, tudo muito sutil. Logo a instrumentação começa e mostra uma balada muito boa, com melodia e força interpretativa bastante condizente. Renata Ortunho nessa faixa lembrou-me bastante cantoras não tão conhecidas do público atual, como Luisa Maria; Tuca e Olivia Byington. O slide da guitarra produz uma melodia bastante melancólica, mas no bom sentido do termo, portanto evocando o "Mahatma" George Harrison, que era mestre em criar pérolas lindas assim. Gostei muito de alguns acentos convencionados, mostrando mais uma vez que esses artistas sabem arranjar bem as suas canções. Na parte final, o timbre do sintetizador e a condução rítmica desdobrada remeteu-me ao som dos discos do David Bowie bem no início dos anos setenta, tais como "Space Oddity"; "The Man Who Sold the World" e "Hunky Dory". Tem algo do "Uriah Heep" também, via Ken Hensley, naturalmente. Bem interessante o efeito fantasmagórico no encerramento.


“Na Contra Mão” é uma faixa que tranquilamente poderia figurar num álbum como “Atrás do Porto Tem uma Cidade”, de Rita Lee & Tutti-Frutti. Impressionante a proximidade de sua estética, com a desse trabalho que citei. Belo timbre de piano, e com o baixo marcando com peso e também com timbre muito bom. Numa parte C, outra vez a banda busca a inspiração sessentista ótima. Aquela doce evocação da década de trinta, mas com visão Rocker, uma marca registrada, entre tantas, dos “sixties”. Solo de guitarra de arrepiar, curto, mas intenso. Adorei o staccato, além da campana dos pratos, percutida com muita classe por Junior Muelas. A letra tem um quê de tomada de posição em quebrar paradigmas, portanto, casa-se com o astral de anos sessenta & setenta que ela carrega. Gostei desse trecho da letra : “Por isso eu vou dizer p’ra todos o que eu quiser, p’ra todos que eu quiser, p’ra todo mundo".  Uma afirmação forte e com suas sutilezas inerentes e pontuadas pelas vírgulas bem colocadas, portanto um bom jogo de palavras.


“Meu Amigo George” começa com um alarme falso. A contagem verbal dá o comando para o ataque inicial dos instrumentos, mas logo a seguir uma nova contagem surge, para aí sim, a música deslanchar. Faz anos que não ouvia uma banda fazer uso desse recurso num disco, portanto outro sutil resgate que a banda promove. Lembrou-me “I Want Freedom” do "Grand Funk" (LP "Survival" - 1971), por exemplo. Aqui, trata-se de uma canção com forte intenção psicodélica, com bela linha de baixo e condução muito boa do órgão Hammond, tendo o devido reforço da Caixa Leslie a girar em velocidade rápida. E gostei muito dos backing vocals entoados, sem letra, numa bela melodia.

“Vício Sem Fim” tem muito colorido harmônico. Arpejos de guitarra com um brilho intenso, baixo encorpado e a tecladeira de Alberto Sabella trabalhando com multiplicidade. Apreciei muito a escolha de timbres dos sintetizadores, alguns fazendo uso do efeito Theremim, sensacional, além do órgão Hammond usando o som de flauta, trazendo uma docilidade. Numa outra parte há uma acento brasuca muito interessante, que remeteu-me ao som de Elis Regina nos anos setenta, quando esta cantora histórica e seu marido, o brilhante Cesar Camargo Mariano, incorporaram o Rock no seu trabalho, através da eletricidade encontrada e assumida. Adorei o timbre da bateria, aliás no disco inteiro, tem o mesmo padrão, mas nesta faixa com andamento mais reduzido, deu para apreciar cada peça com maior precisão e esse som seco, com o mínimo de reverber na resolução final é sem dúvida o que eu mais gosto, igualmente. Ou seja, como é bom ouvir uma bateria soar como se deve, ou seja, como uma bateria verdadeiramente, no seu som puro e deixar a cargo do baterista, a missão de explorar seus timbres.


“Real Loucura” fecha o disco, e de fato é uma faixa intensa. Aqui a banda deixa um pouco de lado seu lado mais doce e investe forte em sonoridade progressiva, verdadeiramente, trazendo uma quebradeira rítmica e harmônica, muito grande e obrigando assim a melodia a ser mais ousada. Lembra “Cais” do Milton Nascimento, logo no início, dada a sua característica soturna, mas intensamente bela, como a canção do Milton e principalmente na interpretação da Elis Regina. Alguns trechos remetem ao "Gentle Giant" e para situar mais na nossa realidade brasuca, o "Terreno Baldio" do saudoso João Kurk. Na parte final, um Prog Rock nervoso, deveras cerebral e com a introdução de um solo de saxofone incrível (mais uma vez graças a participação do músico convidado, Victor Hugo), e a insanidade instigante está garantida, portanto faz jus ao título da canção. É de fato uma “Real Loucura”. Por um segundo, o ouvinte desatento pode achar estar a ouvir o LP “Lizard” do "King Crimson" (lançado em 1971), mas é A Estação da Luz a quebrar tudo, numa loucura intensa. A letra investe nessa perspectiva, também : “Sobriedade te faz entender, real loucura é sobreviver, ainda insiste em ser sentido, na esperança de ser compreendido”


Sobre a arte gráfica, é muito bela a imagem de uma locomotiva, uma velha “Maria Fumaça” indo com tudo sob os trilhos, com faróis acesos. A metáfora é boa a mostrar sim uma máquina do passado, mas indo para frente e retrata o que A Estação da Luz de forma contundente faz na prática, ao unir o melhor do passado à realidade contemporânea. Uma banda que busca as melhores influências possíveis, mas que está atuante aqui e agora, tocando com muito vigor. Destaca-se também a foto da banda sob efeito 3D e inevitavelmente salta-me da memória o LP "Shinin' on" do "Grande Funk", que usou desse mesmo expediente em 1974.


O disco foi gravado; mixado & masterizado no estúdio “Área 13”, de São José do Rio Preto / SP. Criação da capa, lay-out  final e fotos a cargo de Fabio Mata

A formação da banda nesse disco foi :
Renata Ortunho : Voz e Percussão
Cristhiano Carvalho : Guitarra; Violão e Voz
Junior Muelas : Bateria; Percussão e Voz
Alberto Sabella : Teclados e Voz
Vagner Siqueira : Baixo

Músico especialmente convidado :
Victor Hugo : Saxofone em “Papo Furado” e “Real Loucura”

                                     A Estação da Luz 
Da esquerda para a direita : Vagner Siqueira; Alberto Sabella; Renata Ortunho; Cristhiano Carvalho e Junior Muelas 

Ouça esse álbum na íntegra, nas seguintes plataformas virtuais :

Deezer; Spotify; Google Play; Itunes ou Apple Music, acessando o mesmo Link abaixo :

https://onerpm.lnk.to/AEstacaoDaLuz 

E também disponível no espetacular Site "Nave dos Deuses", um dos maiores, senão o maior arquivo vivo do Rock Brasileiro de todos os tempos :

http://navedosdeuses.com.br/release/o-segundo/


Recomendo a audição do álbum, com ênfase e convido o leitor a não perder um show dessa banda, quando ela estiver em sua cidade.

Para conhecer melhor o trabalho da banda, acesse :

Página no Facebook :

Contato por E-Mail :      
aestacaodaluz@gmail.com

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Indo de Encontro ao Sonho de Dom Bosco - Por Luiz Domingues



Pouco importa o partido; o lado da polarização que simpatiza-se mais, as convicções acerca de ideologias sociopolíticas; a discussão sobre ser preferível um modelo de estado controlador ou estado mínimo; se quem controla o mundo é a força oculta e o resto é mero jogo de cena. O que vivemos atual e intensamente no Brasil é na verdade uma limpeza ética sem precedentes e que busca a sua mais profunda e maldita raiz que é o famigerado paradigma do “Jeitinho brasileiro”, que avaliza a bandalheira generalizada. A corrupção alimentada por um Ego sem limites que quanto mais rouba, mais deseja roubar. Esses malditos acumuladores de riqueza conquistada através das negociatas e que não tem nenhum escrúpulo em acumular bilhões pelo simples fato de acumular, pois não gastariam nem 10% do que já tem, porque não há como um ser humano gastar tudo em bens de consumo nessa escala, mesmo considerando a profunda falta de bom senso dessa gente.
Mas pode ser pior, sim, o poço sem fundo e imoral desses crápulas é abissal, e sendo assim, não obstante essa roubalheira ser absurda pelo fator moral e ético, a ostentação indecente e que esbarra no desperdício escandaloso desses montantes astronômicos é inversamente proporcional à miséria e atraso do povo brasileiro.  Pessoas morrendo por falta de atendimento em hospitais públicos, porque falta recursos, só reforça a ideia de que os hospitais poderiam funcionar num padrão de primeiro mundo, com equipamentos em ordem, prateleiras repletas de materiais e médicos / enfermeiras e técnicos ganhando bons salários, trabalhando com motivação total etc etc.
Vendo a escalada do crime, é inacreditável que as forças policiais estejam tão mal preparadas, com seu pessoal pessimamente remunerado, sem equipamentos à altura, e que não haja uma inteligência super preparada pela crescente tecnologia a seu favor, antecipando os planos dos criminosos, e assim evitando que seus ardis logrem êxito. Escolas, do berçário à Universidade, caindo aos pedaços, com professores super maltratados, inclusive trabalhando com medo em meio a balas perdidas e alunos cada vez mais agressivos, e lógico, sendo tal comportamento da parte das crianças / adolescentes, um mero reflexo da mesma situação aviltante. Vemos estradas sob condições miseráveis, produzindo mortes, famílias destruídas e sem contar os prejuízos generalizados diretos e indiretos a revelar o atraso do país, também no quesito da infraestrutura. Fora o descaso com outros meios de transporte, como as estradas de ferro e as hidrovias, porque conluios privilegiam as estradas de rodagem, por interesses escusos.
E assim, ponto a ponto, todo item que eu observar e o leitor também lembrar-se, e que seja pertinente a retratar a miséria do Brasil em contraponto ao fato de que os recursos aqui gerados seriam mais do que suficientes para suprir isso e com sobras, até, é certeza de que essa roubalheira incrível pela qual os cofres públicos passam, há décadas, séculos, para ser mais preciso, desvelam-se na atualidade numa avalanche tão grande de escândalos, que chega a ser auspiciosa, pela perspectiva da limpeza.




José Melchior Bosco foi um padre da ordem salesiana, nascido na Itália, em 1815. Muito antes de entrar para o seminário, ainda na tenra infância, ele demonstrava uma incrível capacidade em ter experiências extrasensoriais, através de sonhos premonitórios. E tal capacidade, levou vida adiante, tendo muitas experiências desse porte e com índice de acerto muito grande. E entre tantos sonhos que teve, um deles mencionou o Brasil, e numa época em que este país mal passara de uma ex colônia de Portugal para um recém fundado Império (deveras improvável, por sinal), em meio aos trópicos, portanto, aos olhos do mundo, completamente irrelevante. Em seu sonho, Dom Bosco, previu a construção de uma cidade na exata localização de onde hoje fica Brasília, inclusive fornecendo dados sobre longitude e latitude. E indo além, previu que nessa cidade do “futuro”, haveria uma bonança, que guiaria uma nova ordem social para a humanidade.




Vendo o mar lama em que tal cidade veio a tornar-se, pela ação da corrupção que ali instaurou-se, dá até para dizer que Dom Bosco errou parcialmente, pois no quesito “liderança para nova Era”, tal visão parece um paradoxo. Mas eu sou otimista por natureza e vendo essa movimentação toda, anti corrupção, tirante algumas distorções do tipo “o meu bandido de estimação é mais legal que o seu”, nas contendas pelas redes sociais e uma preocupante aura de parcialidade desmedida da parte de alguns que deveriam ser absolutamente imparciais e pensar no Brasil e no povo brasileiro, vejo com bons olhos essa movimentação toda e quiçá levando o sonho de Dom Bosco para ser interpretado ipsis litteris daqui a algum tempo.


Não faz muito tempo, no Blog do meu primo, o filósofo, Rubens Turci, ele fez uma explanação sobre o sonho de Dom Bosco, com seu olhar mais centrado pelo viés da filosofia / espiritualidade. Veja essa reflexão, através do Link :

https://brahmanirvana.blogspot.com.br/2017/05/o-amigo-divino-politica-brasileira-e-o.html

E por fim, eis abaixo, a transcrição do sonho de Dom Bosco, que ocorreu em 1883 :

"Eu enxergava nas vísceras das montanhas e nas profundas da planície. Tinha, sob os olhos, as riquezas incomparáveis dessas regiões, as quais, um dia, serão descobertas. Eu via numerosos minérios de metais preciosos, jazidas inesgotáveis de carvão de pedra, de depósitos de petróleo tão abundantes, como jamais se acharam noutros lugares. Mas não era tudo. Entre os graus 15 e 20, existia um seio de terra bastante largo e longo, que partia de um ponto ode se formava um lago. E então uma voz me disse, repetidamente : - 'Quando vierem escavar os minerais ocultos no meio destes montes, surgirá aqui a Terra da Promissão, fluente de leite e mel. Será uma riqueza inconcebível.