Teoricamente
concebido para ser um especial a ser exibido na TV, “Rock and Roll Circus”
ganhou um status maior com o decorrer do tempo, ao praticamente ser considerado
um “movie documentary”, ou seja, um híbrido entre documentário e filme. A ideia
foi original, sem dúvida, ao retratar os Rolling Stones e convidados mais do
que especiais em meio a um espetáculo circense propriamente dito, com a
apresentação de artistas dessa tradição inclusos, certamente, intercalados aos
números musicais. Uma pequena plateia formada por fãs Rockers dos Rolling
Stones também foi permitida e mais que isso, a interagir, por usar vestimentas
e adereços especiais e assim dar a entender haver uma simbiose total entre o
picadeiro e a arquibancada. Nesse sentido, o filme mostra essa intenção, e
também exibe outras virtudes e alguns pontos falhos.
Primeiramente,
é preciso destacar que o projeto inicial previa a participação de mais uma
banda significativa no panorama do Rock britânico sessentista, a tratar-se do “Small
Faces”, tanto que o baixista dessa ótima banda, Ronnie Lane, participou
ativamente das reuniões de produção que ocorreram ao longo dos últimos meses de
1968, mas lastimavelmente a participação do Small Faces foi cancelada e houve a
ideia então de incluir-se em seu lugar o então emergente, Led Zeppelin, mas isso também não ocorreu e se houve uma banda nova nesse filme, foi
então o Jethro Tull. Além desses citados, o filme teve a participação
sensacional do The Who, a cantora Pop, Marianne Faithfull , o cantor
norte-americano, Taj Mahal e um combo montado especialmente para a ocasião,
denominado: “The Dirty Mac”, para que John Lennon cantasse uma música sua e recentemente
lançada em um álbum dos Beatles, devidamente acompanhado por um super time de
músicos, dos quais falarei detidamente mais adiante.
A entrada triunfal dos participantes foi feita ao som de: ”Entry of the Gladiators” (“Vjezd gladiátorů”, em tcheco), que vem a ser um tema musical muito identificado com o universo do circo. No entanto, é preciso esclarecer que essa marcha ao estilo militar, não foi composta com tal intenção, pelo compositor, tcheco, Julius Fucik, em 1897, visto que a sua concepção fora mesmo em torno de uma ode em tom militar às glórias do antigo Império Romano. Bem, eis que os Rolling Stones entram em cena com cada membro a representar uma figura típica das tradições circenses, assim como também os seus convidados especiais. Mick Jagger surge à frente, aparentemente caracterizado como um domador de leões, e ao mesmo tempo a apresentar o evento.
O tema, “Entry of the Gladiators” é dublado pelos participantes que simulam tocar instrumentos de sopro e percussão. Ora, foi inevitável que muitos dos participantes debochassem da pantomima e a edição não conseguiu evitar tomadas a mostrar Keith Moon e Pete Townshend, membros do The Who, em plena ação ginasiana em termos de bagunça juvenil, mesmo caso de John Lennon e Brian Jones e este último, que mal conseguiu disfarçar a sua galhofa ao simular estar a tocar uma flauta. Um anão “clown” anuncia então o número do Jethro Tull.
É interessante notar a performance do Jethro Tull, ainda em início da sua trajetória, ao buscar formatar as suas tradições musicais e também cênicas, vide a performance pessoal de Ian Anderson a insinuar a figura do mendigo de Aqualung, algo que só ocorreria em sua plenitude, alguns anos depois, mas o esboço ficou bem alinhavado nessa apresentação.
Ainda a falar sobre o Jethro Tull, é histórica a aparição do guitarrista do Black Sabbath, Tony Iommi, em sua formação. A explicação para Iommi ter participado, foi que o guitarrista oficial da banda, Mick Abrahams, estava afastado da sua função, supostamente por um problema de saúde (na verdade, tal músico estava demissionário do Jethro Tull e já a articular uma nova banda, o “Blodwyn Pig"), e Iommi fora convidado para substituí-lo emergencialmente, mesmo com a agenda do Black Sabbath em conflito, visto que tal banda ainda não havia lançado o seu primeiro disco e portanto estava longe do sucesso que alcançaria no futuro próximo, no entanto, em 1968, já mostrava-se como um grupo emergente a tocar bastante pelo circuito underground entre casas noturnas e festivais para artistas novos.
Tanto foi provisória participação de Tony Iommi, que logo a seguir, o guitarrista, Martin Barre, assumiria a vaga definitiva em tal posto no Jethro Tull, para vir a tornar-se, inclusive, o braço direito de Ian Anderson na condução criativa da banda, em seus melhores anos ao longo da década de setenta. E Iommi fez o mesmo ao brilhar intensamente a bordo do Black Sabbath, nos anos vindouros.
No filme, o Jethro Tull (com a presença também em sua formação do bom baixista, Glenn Cornick e do discreto baterista, Clive Bunker), estava bem em seu início, a defender as músicas do seu primeiro disco, “This Was” e é preciso esclarecer que esse início de carreira do Jethro Tull não mostrou a sua real identidade. Em tal disco de estreia, a sua verve em prol do Folk-Prog Rock, não delineou-se claramente e assim, qualquer ouvinte que escutar o primeiro disco e não ouvir os demais, tende a considerar o Jethro Tull como uma banda orientada pelo Blues-Rock, com forte tendência Jazzy, mas ao longo da carreira dessa banda a sua orientação não foi essa.
Músicas em gestação e que fariam parte do segundo álbum, chamado: “Stand Up”, foram tocadas também, no entanto, não foram aproveitadas na edição final do filme, portanto, apenas é exibida a canção: “A Song From Jeffrey”. Esta música inclusive tem uma história pessoal, pois Anderson a compôs a homenagear um amigo seu, Jeffrey Hammond (conhecido artisticamente como Jeffrey Hammond-Hammond), que tornar-se-ia em seguida, o novo baixista fixo da banda, a partir do quarto álbum do Jethro Tull, chamado : Aqualung, lançado em 1971).
Bill Wyman, o baixista dos Rolling Stones, aparece caracterizado como um palhaço a aplaudir a performance e a anunciar-se então a atuação de palhaços mas essa cena não entrou na edição oficial e ficou apenas disponível como extra, quando o filme foi lançado nos anos noventa.
Em seguida, Keith Richard anuncia a participação do The Who. A banda vivia uma grande fase, um pouco antes de lançar o LP duplo “Tommy”, e a divulgar com enorme sucesso os álbuns imediatamente anteriores, “A Quick One” e “The Who Sell Out”.
Essa foi a base do seu repertório nessa apresentação, embora na edição, somente apareça a performance para a mini suíte: “A Quick One While He’s Away”. Mesmo limitada em um pequeno set de estúdio de TV, a performance do The Who é esfuziante, com Pete Townshend e Keith Moon a barbarizar através de uma mise-en-scè ne típica, a dignificar a marca registrada de suas atuações ao vivo. Mesmo a ficar dúbio em alguns momentos se estão a tocar ao vivo ou a dublar, parece tocar ao vivo de fato. John Entwistle, o baixista virtuose, impressiona como sempre e Roger Daltrey, mesmo com um espaço físico limitado, mostrou a sua expressividade costumeira.
Brian Jones aplaude e ri de uma forma estranha, e creio que muito mais motivado pelo seu estado mental naqueles dias ao final de 1968, quando a sua condição pareceu deixar claro que os abusos por ele cometidos nos últimos anos, estavam a miná-lo. Não por acaso, poucos meses depois dessa aparição (e foi de fato a última oficial dele como membro dos Rolling Stones), Brian perderia a vida a pairar boiado na piscina de sua mansão. É bem verdade que neste filme ele pareceu estar tranquilo e a divertir-se com essa filmagem, mas o seu brilho pessoal, que era enorme anteriormente (quando era considerado um menino prodígio dentro da banda e galã para o público feminino, tanto quanto Mick Jagger), estava nitidamente diminuído, portanto, ficou impregnado neste filme, tal decadência pessoal da parte dele.
Bem, o filme segue com uma apresentação bem simplória da parte de trapezistas e um deles a mostrar-se bem veterano. Creio que deva ter havido uma limitação técnica evidente para que a sua apresentação fosse prejudicada, visto que em meio a um estúdio de cinema, com todo o equipamento de iluminação ali colocado, o trapézio em questão foi içado em um patamar muito abaixo do seu normal. Enfim, independente desse detalhe, a apresentação foi meramente protocolar para justificar o mote em torno do circo, certamente, visto que o que importou ali foi sustentar a ambientação circense meramente como uma fantasia para a apresentação dos Rolling Stones e de seus convidados.
Entra em cena o cantor e compositor, Tah Mahal. Figura sensacional, um artista versado pelo R’n’B, Soul Music, Blues, Rock’n’ Roll e Jazz, estava a viver os dias embalados pelos seus dois ótimos primeiros álbuns (“Taj Mahal” e “The Natch’l Blues”, ambos lançados no mesmo ano de 1968). Ele aparece no filme a cantar a canção R’n’B/Soul, “Ain’t That a Lot of Love”, que somente seria lançada em versão como single (compacto), no ano seguinte, 1969.
Taj Mahal é acompanhado por uma excelente banda nessa performance, a contar com Jesse Ed Davis à guitarra, que fazia parte da sua banda fixa à época. Jessie era norte-americano e índio por origem étnica. A sua lista de participações em discos é inacreditável, a destacar-se artistas de primeira grandeza na história do Rock sessenta/setentista e de fato, ele foi (faleceu em 1988), um músico excepcional. Além de Jessie, nota-se a presença do ótimo baterista, Chuck Blackwell, também fixo com Taj Mahal à época e que foi sideman de Leon Russell, Little Richard, Jerry Lee Lewis e The Everly Brothers, entre outros e finalmente, o baixista, Gary Gilmore, que além de Taj Mahal também emprestou o seu talento para a arte do gênio do Country-Folk-Rock, J.J. Cale.
Sobre a canção em si, que é uma composição de autoria de Homer Banks e Willia Dean Parker, há uma particularidade, visto que o seu riff inicial é muito parecido com o utilizado pela canção: “Gimme Some Lovin’ do ótimo, Spencer Davis Group, no entanto, a realidade mostra que é justamente o contrário, isto é, ele nasceu anteriormente à canção que foi um retumbante sucesso com os britânicos do Spencer Davis Group, portanto, a pecha de se imitar está mal colocada na história.
Simpático, porém um pouco sem graça, eis que o sempre discreto baterista dos Rolling Stones, Charlie Watts aparece em meio a um público feminino em profusão, na arquibancada do circo e anuncia a próxima atração: “a cantora Pop, Marianne Faithfull, que defende a canção, “Something Better”, que não é uma má canção, longe disso, pois foi composta por uma dupla famosa de compositores especialistas em fabricar sucessos baseados no estilo do R’n’B (Barry Mann/Gerry Goffin). No entanto, é nítido no filme que é um ponto mais baixo a destoar da euforia gerada pelas apresentações anteriores.
Marianne não era uma cantora ruim, entretanto, com todo o respeito, o seu repertório era mal escolhido pelos produtores com os quais trabalhou, pois a sua carreira jamais teve um grande pico de criatividade ou menos de popularidade, a não ser sobre a sua versão para a música: “As Tears Go By”, dos Rolling Stones, aliado ao fato de que fora namorada de Mick Jagger, portanto, neste filme em específico, a sua participação fica aquém ao ter defendido uma balada lenta, com um tipo de arranjo e interpretação a mostrar-se antiquados e por conseguinte, deslocados da loucura Rocker ali reinante no picadeiro proposto pelos Rolling Stones. Tirante a sua beleza feminina que era grande e naturalmente que ilumina a tela quando ela aparece, não resta algo mais substancial em sua performance, principalmente sob o ponto de vista musical, para ser realçado em torno da sua participação no filme.
Keith Richard aparece e anuncia a exibição de um engolidor de fogo: “The Fire Eater and Luna”. A performance do rapaz ao imolar-se com um tocha e engolir o fogo é bem rápida e dentro do esperado em números circenses, exatamente na mesma predisposição observada anteriormente, ou seja, foi clara a intenção de se intercalar tais atrações para justificar a temática, mas ao fornecer-lhes um espaço bem reduzido. Nesse número, com o devido respeito ao artista circense, o que chamou mesmo a atenção foi a presença de sua voluptuosa assistente (Donyale Luna), com o perdão pelo comentário machista, entretanto, creio que não posso omitir a verdade. Cabe destacar que Donyale Luna foi uma atriz e modelo belíssima, que participou de “Skidoo”, um filme norte-americano em tom de comédia, lançado em 1968, a satirizar o movimento Hippie/Contracultura e o LSD e também atuaria em “Satyricon”, uma obra prima do diretor italiano, Federico Fellini, em 1969.
Bem, acredito que um dos momentos mais bizarros do filme, vem a seguir, com Mick Jagger e John Lennon a conversar. Mick tem a missão de introduzir os dois números que Lennon defenderia em sua participação, mas ao contrário do que ocorrera ao longo do filme, desta feita o caráter circense utilizado na divulgação das apresentações anteriores foi abolido e o que apresenta-se na tela, é um simulacro de conversa informal entre os dois.
Lennon está a comer, mediante um prato em mãos e ambos estabelecem um diálogo deveras nonsense, para em seguida Jagger anunciar a apresentação do grupo “The Dirty Mac”, um combo feito às pressas para acompanhar Lennon em tal empreitada. A primeira música apresentada é “Yer Blues”, uma canção que Lennon escrevera e gravara no “Álbum Branco” dos Beatles, recém lançado.
Para auxiliá-lo em tal tarefa, Lennon arregimentou um grupo de músicos do mais alto calibre, a começar por Eric Clapton, o famoso guitarrista do super grupo orientado pelo Blues-Rock, Cream (que curiosamente também encerrara as suas atividades ainda naqueles dias de dezembro de 1968, mediante um grande show realizado no Royal Abert Hall de Londres). Clapton carregava consigo a pecha em ser considerado como o maior guitarrista inglês naquela atualidade e tal percepção espalhara-se entre os seus fãs, ao ponto de surgir pela capital britânica naquela ocasião, muros pichados com os dizeres: “Clapton is God” (Clapton é Deus), para corroborar tal máxima.
Mitch Mitchell, o excelente baterista do grupo Jimi Hendrix Experience, que servia o grande guitarrista norte-americano, que era a grande sensação do Rock naquele instante e o guitarrista dos Rolling Stones, Keith Richards a tocar baixo, completaram esse grupo de apoio. Sobre Richards, ele de fato sempre tocou baixo, e aliás, com desenvoltura, sendo um fato comprovado na biografia dos Rolling Stones, que Richards gravou muitas linhas de baixo nos discos, a despeito de Bill Wyman ter sido o baixista oficial do grupo.
Em seguida, um segundo número, denominado, “Whole Lotta Yoko” (uma menção à “Whole Lotta Love”, música do Led Zeppelin, ou uma mera coincidência?), é anunciado e entra em cena a então namorada de Lennon, a artista plástica japonesa, Yoko Ono. E também é anunciada a presença do violonista israelense, Ivry Gitlis, que era considerado um músico virtuoso, oriundo do mundo erudito.
Visivelmente deslocado em tocar com uma banda de Rock, mais que isso, é nítida em sua apresentação que não houve ensaio, pois o seu improviso, mesmo tendo sido ele um super músico erudito, mostrou-se pífio, visto que completamente sem traquejo para atuar com músicos de Rock e certamente desacostumado a atuar sem partitura ou no mínimo, com as peças que costumava tocar, devidamente decoradas, nota por nota em sua mente, o fato é que a sua atuação foi fraca, muito longe da sua real condição como um músico do mais alto gabarito.
Para piorar, a mixagem não ajudou-o de forma alguma, pois o som do seu violino foi engolido pela massa proporcionada pela banda e certamente que o monitor ali no calor da apresentação também não o favoreceu, Neste caso, mais uma vez eu relembro que ele não devia estar acostumado a tocar com uma banda de Rock. E mais um fator para inibi-lo, ocorreu quando Yoko Ono começou a sua performance, ao seu lado, pois tal resultado sonoro sob o caráter mais gutural possível certamente que gerou-lhe um desconforto sob o ponto de vista musical e notadamente pelo fator psicológico, em sentir-se constrangido por estar a atuar com artistas tão distantes de seu espectro cultural.
John Lennon anuncia a próxima atração, mas de uma forma bastante alternativa, digamos assim, ao abrir o caminho para que finalmente os anfitriões iniciassem a sua performance, ou seja, hora para que os donos do circo entrassem em ação: -“Respeitável público, com vocês, The Rolling Stones!” Com o uso do picadeiro inteiro, é claro que a banda utilizou o cenário mais favoravelmente, o que foi justificável naturalmente. Reforçados pelo grande pianista, Nicky Hopkins e também pelo percussionista, Kwazi Rocky Dzidzornu, a banda tocou alguns números provenientes de seu recém lançado novo álbum, o espetacular, “Beggar’s Banquet”: “Parachute Woman”, “No Expectations”, “Sympathy For The Devil” e “Salt of the Earth” (esta ao final, dublada e com a participação de todos os convidados e pessoas da plateia), além de um single, ”Jumpim Jack Flash” e uma música que entraria no próximo álbum, “You Can’t Always Get What You Want”, ou seja, não uma música qualquer, no entanto a tratar-se de um hino imortal.
A performance dos Rolling Stones não é ruim, mas na época, os seus componentes ficaram tão contrariados com o resultado, que o filme foi vetado. A alegação foi que o som ficara ruim e a banda estaria visivelmente sem energia e há uma explicação para tal: de fato, tudo foi filmado em apenas dois dias e quando os Rolling Stones foram gravar a sua participação ao vivo, passava das cinco horas da manhã do segundo dia de filmagem e todos estavam exaustos. É nítido que à exceção de Mick Jagger, que deu o seu melhor ali, os demais estão com semblantes fechados, a denotar irritação ou mau humor, pelo cansaço, sobretudo, mas também aborrecidos com muitos dissabores a envolver a engenharia do áudio, visto que houve uma troca de acusações veladas entre alguns músicos participantes a dar conta que o som ficou prejudicado para alguns em detrimento de outros.
Bem, como músico eu sei que é sempre complicado atuar em festivais a conter muitas bandas seguidas e que a arrumação técnica de uma banda (set up), em relação à outra, muda completamente em termos de requisitos técnicos a ser observados em um rider técnico/imput list, portanto, sei que é sempre difícil administrar tais demandas e interesses diferentes.
Além disso, extra-oficialmente há um rumor de que os componentes dos Rolling Stones ficaram contrariados em verificar que a performance do The Who teria ficado superior à deles. Não descarto esse rumor e sei bem como funcionam festivais e egos de artistas em conflito. O fato concreto é que após muitos anos, eis que resolveu-se enfim reeditar tal material e lançá-lo no formato DVD e a conter extras. No caso dos bônus, há mais músicas do Taj Mahal, uma entrevista com Pete Townshend, uma nova versão de "Sympathy For The Devil”, desta feita com Brian Jones a tocar guitarra (na versão oficial do filme ele aparece a tocar maracas para reforçar a percussão), mais uma conversa entre Lennon e Jagger e mais números circenses, e no caso dos palhaços, com Bill Wyman também caracterizado como palhaço a apresentá-los (Brian Jones, apresenta também, um número circense).
Um dado interessante sobre o diretor deste filme. Michael-Lindsay Hogg, é filho do grande ator e diretor cinematográfico, Orson Wells e a sua mãe também foi atriz, Geraldine Fitzgerald. Menos de um mês após ter filmado, “Rock and Roll Circus”, Michael assumiu a direção de um outro filme emblemático na história do Rock, no caso, “Let It Be”, dos Beatles, ali mesmo na mesma cidade de Londres. Nos anos setenta, Michael filmaria muitos videoclips para os Rolling Stones e outros artistas e no caso dos Stones, a produção por ele assinada foi grande e estendeu-se até 1982. Ele também havia dirigido muitos “promos” (a pré-história dos videoclips) para os Beatles e os Rolling Stones, nos anos sessenta, desde 1966, e assinou clips do Wings de Paul McCartney, na década de setenta.
Como esse filme foi idealizado para ser exibido na TV, inicialmente e foi vetado, com o seu lançamento apenas assegurado nos anos noventa, houve exibições só a partir dessa data, e ênfase na vendagem do material em formato DVD e que também gerou um CD em caráter de trilha sonora do especial. Na Internet, é muito difícil achá-lo na íntegra, mas apenas fragmentos editados como pequenos clips de canção exibida.
A despeito dos próprios membros dos Rolling Stones terem feito tantas restrições ao ponto em vetá-lo para a exibição em 1968, e apenar liberar tais imagens em 1996, quase trinta anos depois, eu considero tal filme um documento interessantíssimo e nem avalio a performance dos Rolling Stones com o mesmo crivo exigente de seus componentes. Apenas por ser possível assistir-se a banda no frescor de 1968, e a exalar a completa contemporaneidade do LP “Beggar’s Banquet”, creio que vale cada segundo. Mesmo ao levar em consideração que é triste ver o grande, Brian Jones em adiantado estado de decadência pessoal, ainda assim acho que vale muito a pena. Isso sem contar os super convidados especiais, certamente.
Um amigo fraterno meu e que compartilha dos mesmos ideais Rockers, certa vez disse-me em relação à cena em que John Lennon e Mick Jagger conversam: -“já imaginou estar nesse set de filmagem e testemunhar esses dois juntos? Acho que equivaleria a um cidadão grego da antiguidade ser convidado a comparecer ao Olimpo e flagrar uma conversa entre Zeus e Poseidon... ou seja, se um dos Deuses o mirasse, o sujeito tornar-se-ia pó, instantaneamente”. É claro que eu não concordo com esse tipo de excesso em torno de uma idolatria desmedida, mas por outro lado, foi óbvio que eu entendi a proporção que o meu amigo quis enfatizar com tal comparação.
Esta resenha foi preparada para fazer parte do livro: "Luz; Câmera & Rock'n' Roll", através do seu volume I, com a leitura disponibilizada a partir da página 67.



































