sábado, 4 de abril de 2015

Os Yankees que Adoram São Paulo - Por Luiz Domingues




É óbvio que uma impressão pessimista cria uma atmosfera negativa, na mesma proporção.


Se tendemos a só focar nossa atenção em coisas erradas, fica difícil acreditar que existam aspectos positivos. Esse é um ponto.


Um segundo aspecto, é o argumento de que pessoas otimistas tem “Síndrome de Pollyana”, e sua visão edulcorada da vida só mascaram a realidade.


Ora, se existem mazelas neste mundo, certamente que a estratificação mental de tal realidade materializada, não partiu de pessoas que enxergam o mundo positivamente, não é lógico ?


Terceiro ponto : como num círculo vicioso, um paradigma negativo  só tende a crescer, e mais que só exercer a “Síndrome de Pollyana” ao contrário, o baixo astral de quem só vê aspectos negativos, maltrata o meio ambiente, que contaminado, só pode mesmo reagir com a materialização de mais sujeira; degradação humana, crueza urbana etc.
Feito esse preâmbulo, quem acompanha minhas crônicas, sabe o quanto abomino o paradigma da maioria das pessoas que vivem em São Paulo, de odiar a cidade.


Se isso é desagradável da parte de quem aqui veio viver, seja lá por qual motivo, é intolerável da parte de paulistanos.


Não que devamos fingir que a cidade não tem problemas graves, mas pelo contrário, se existem tantos problemas, cabe a nós, que somos condôminos dela, arregaçar nossas mangas e dar o melhor de nós para erradicá-los e fazer da cidade, um exemplo de cidadania.


Mas curiosamente, os que mais adoram odiar a cidade, são os que menos fazem por ela, e quando o fazem, geralmente são ações que só corroboram a impressão que eles mesmo tem da urbe.
Outra tendência tipicamente brasileira é a de não se dar valor, e muitas vezes ser surpreendido com a opinião de estrangeiros, que com outra visão e sem o rabo preso com esse paradigma maldito, enxergam o óbvio : o caráter cosmopolita; a diversidade cultural e a inacreditável gama de oportunidades que uma cidade como São Paulo oferece.


Repercute na mídia, o vídeo produzido por dois jovens cineastas e fotógrafos norteamericanos, mostrando São Paulo exatamente pela sua grandiosidade e diversidade cosmopolita.


Walker Dawson e Nick Neumann estão acostumados a viajar por diversos países do mundo, fotografando e filmando o cotidiano de tais localidades.


Isso não é uma grande novidade, basta ver a quantidade enorme de programas que tem esse mesmo mote e são veiculados em canais fechados da TV a cabo.


Mas a grande verdade, é que raramente se vê alguém de fora, que esteja interessado no Brasil, a não ser pelos clichês esperados.


Os dois jovens de vinte e poucos anos vieram atraídos pela Copa do Mundo e seu destino evidente foi o Rio de Janeiro. Aproveitando o evento, visitaram também Curitiba e outras cidades, mas acabaram chegando à capital paulista.

Sua estada em São Paulo, hospedados em casa de amigos, estava prevista para durar duas semanas, mas foi esticada para seis semanas.


Diante da enorme profusão de coisas para cobrir, se encantaram com a diversidade da cidade e produziram um documentário mostrando inúmeras coisas; interagindo com a população; mostrando a gastronomia multifacetada; as centenas de opções culturais; a quantidade enorme de colônias estrangeiras etc etc.

Walker e Nick perguntam por que uma cidade de tantos atrativos, não seja divulgada ?


Uma Nova York encravada na América do Sul, que poucas pessoas no planeta sabem que existe e preterida pelos próprios brasileiros que só falam do Rio; Amazônia, e Bahia, a priori.


Encantados com a cidade, planejam voltar e desta vez, com uma estadia estendida, para alguns meses, onde planejam esmiuçar ainda mais profundamente as possibilidades da megalópole.


É a repetição de um modus operandi que assola o brasileiro e o paulista/paulistano ainda mais, ou seja : só quando um “gringo”fala que é “cool”, nos convencemos de que é mesmo, “bacana”.


Eis abaixo, o vídeo que vem causando sucesso na Internet :




Curiosamente, no fórum de comentários no You Tube, existem diversos comentários negativos, ridicularizando o documentário, e a opinião dos dois cineastas.


É o tal negócio : esse pessoal que “adora odiar São Paulo”, não dá trégua, e não suporta ver sua opinião formada ser contestada.


Toda vez que chegam as férias e/ou feriados prolongados, milhões de pessoas deixam a cidade desesperadamente, por não a suportarem.


E a cidade fica um oásis de tranquilidade sem a presença dessa gente “reclamona” e baixo astral, não tenho dúvida.

Sempre brinco entre amigos, que desejava que elas simplesmente não voltassem...


Tem um fundo de verdade nessa brincadeira, pois a carga de ódio dessa gente, é responsável pela tensão; descaso; medo da violência; truculência no trânsito etc etc...


Se tem lixo na rua, é um malfeito da parte de alguém que não enxerga a cidade como extensão de seu Lar, e tal conceito se adequa à inúmeros outros fatores básicos da cidadania, que se postos em prática, eliminariam 90 % dos problemas urbanos da cidade, e os dez por cento restantes seriam mais amenamente eliminados pelo poder público, que não dá conta de ter que cuidar de toda a destruição perpetrada por maus cidadãos.


Não sou nenhuma “Pollyana”,  iludido por uma visão cor de rosa do mundo. Mas também não sou adepto de uma visão cinzenta; derrotista; niilista; bruta; cruel; pessimista etc etc.


Problemas existem, mas a atitude de encará-los de frente, e entendendo que a cidade é nossa casa, e portanto depende de nós melhorá-la, se faz mister.
Os dois americanos estão enxergando o que a maioria não quer ver : São Paulo é uma cidade sensacional, com uma quantidade absurda de opções culturais; comerciais; educacionais etc etc.


Está na hora de revertermos o paradigma de ódio que está arraigado entre todos, incluso os próprios paulistanos e interromper esse ciclo de baixo astral.


Mais que isso, as autoridades dos âmbitos municipal e estadual, necessitam rever urgentemente seus programas de promoção da cidade para o mundo.


Nada contra o Rio e outros estados e cidades brasileiras, mas São Paulo precisa vender melhor a sua imagem, e, seu potencial criativo e cosmopolita é mais do que suficiente para suprir sua falta de belezas naturais.


Os dois americanos descobriram isso...


Resta-nos fazer o mesmo, com a ressalva de que eu sempre pensei igual, basta ler minhas crônicas mais antigas e não estou me gabando, apenas constatando.


Sobretudo, convido-o leitor, a refletir, ponderar e mudar sua atitude, também. Principalmente se for paulista, paulistano...
Matéria publicada inicialmente no Site / Blog Orra Meu, em 2015

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