sábado, 16 de janeiro de 2016

Entre o Medo e a Petulância - Por Luiz Domingues



Vivemos tempos difíceis em termos de educação; cultura e cidadania, e seus múltiplos desdobramentos.


As razões para que tenhamos chegado nesse estágio triste, são muitas.
Superpopulação gerando desafios incalculáveis para a sociedade gerir infraestrutura,  explica de forma generalizada a questão, e tal repercussão chega na óbvia conclusão de que a educação não consegue dar conta, tanto em termos de pedagogia escolar, quanto na educação familiar.


Com o colapso que presenciamos, fica inevitável a comparação com tempos remotos, onde o grau de educação, e tolerância social, eram maiores.
De fato, basta andarmos nas ruas; lermos as notícias na mídia; ou vermos o bombardeio no jornalismo televisivo / radiofônico e pela Internet, para verificarmos que vivemos tempos de uma inversão total de valores.


É impressionante observarmos que a truculência atual dos jovens, mesmo em tenra idade, vem a reboque do desrespeito absoluto às pessoas mais velhas; seja dentro do seio familiar, sejam nas relações educacionais formais, e no âmbito geral da sociedade, esbarrando na absoluta falta de comprometimento com regras básicas de convívio social.
A absoluta decadência da educação formal pública, acompanha a escalada da invasão da subcultura e da anticultura, perpetrada por marqueteiros que defendem interesses escusos no amplo domínio da difusão cultural, isso é um fato, portanto, anexa-se como adendo triste, certamente.


Agora, se o panorama é tétrico e qualquer pessoa de bem não pode compactuar com a ideia de jovens agredindo; humilhando e ameaçando professores em sala de aula, muitas vezes armados dentro do ambiente escolar, por outro lado, penso que radicalismos de extrema direita, clamando por volta de opressão de cunho medieval, não é o melhor caminho para colocar o mundo em “ordem”.
Devemos caminhar para a frente e não para trás, a grosso modo.


Trazer de volta uma educação espartana, baseada no medo; na ameaça de punição; na aniquilação absoluta do senso crítico, gerando cidadãos meramente obedientes e facilmente manipulados pelos poderosos de plantão, para lhes servirem como funcionários operacionais e consumidores a lhes dar dinheiro, sistematicamente, não é aceitável.


Não quero viver na Idade Média, tampouco na Antiguidade, quero um mundo contemporâneo, do século XXI, vivendo a revolução tecnológica total e pensando na construção de um mundo que equalize suas demandas por sustentabilidade.
Portanto, penso que devemos pensar num ponto de equilíbrio na questão educacional onde possamos estancar a decadência total perpetrada pela mentalidade imposta da anticultura, porém, sem necessariamente trazer valores antiquados e decorrentes de metodologia baseada na extinção do senso crítico do ser humano, condicionando-o à um ser apático e bovino.


Entre o petulante maloqueiro que ameaça o professor com uma faca na sala de aulas, e o professor carrasco que impõe respeito pela tortura psicológica e/ou física propriamente dita, nossa obrigação é buscar um ponto de equilíbrio na pedagogia moderna.


A resposta é a confiança mútua sendo estabelecida.
E nesse contexto, todos temos  que colaborar. O governo, com a boa vontade política de investir maciçamente na educação; os difusores culturais no sentido de reverem a sua estratégia vergonhosa de manter monopólio e pior que isso, incentivar a anticultura visando apenas o seu lucro fácil, sem medir o estrago educacional que estão gerando com tal atitude; e a sociedade em geral, buscando dias melhores, amenizando a convivência social que nesse caos, tende a explodir, tamanha a pressão crescente que faz com a situação atual seja semelhante à uma ampola de nitroglicerina sendo colocada na boca acesa de um fogão. 
Matéria publicada inicialmente no Blog Planet Polêmica, em 2015

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