domingo, 16 de março de 2025

Livro: Poemas Dissidentes/Willba Dissidente - Por Luiz Domingues

Na apresentação da sinopse do livro, contido na contracapa dessa obra, o autor descreve muito bem a sua intenção, influências e ao ir além, demonstra claramente o seu inconformismo com o rumo que a humanidade está a trilhar, perigoso ao extremo e daí, artista sensível que o é, mostra através de sua criação, toda a sua angústia, preocupação e consequentemente, abre trincheira para combater tais valores tão equivocados que fatalmente levarão a humanidade para a sua autodestruição.

"Poemas Dissidentes" é um livro de poesias e se mostra eclético na forma de se expressar, pois não obstante o fato do autor declarar abertamente que é influenciado pela escola do ultrarromantismo, movimento forte e oriundo do século XIV, há o seu lado muito mais ligado à euforia explosiva gerada pelo Rock do século XX, a contrabalançar o seu estilo e isso certamente enriqueceu a sua abordagem. Cabe explicação ante tais nuances aparentemente divergentes entre si e logo ficará claro ao leitor, aonde eu quero chegar.

O fato é que o autor desta obra, Willba Dissidente, além de ser poeta (ele também tem a graduação de ciências sociais e atua como professor), é um ativista cultural muito forte no campo do Rock brasileiro, sendo resenhista de discos & shows, entrevistador, blogueiro, radialista e também apresentador como mestre de cerimônias de shows de Rock por todo o Brasil. Nesses termos, a sua paixão pela música e pelo Rock em específico, dado o seu envolvimento umbilical com tal vertente artística, é total e naturalmente que isso se reflete explicitamente na sua poesia.  

Diante disso, os trâmites clássicos do ultrarromantismo estão muito presentes na poesia de Willba Dissidente, pois há o elemento do pessimismo em torno de uma tomada de posição oposta à atual mentalidade vigente dos líderes de nações poderosas, porém muito equivocadas na sua arrogância sem limites, por exemplo. Há também a romantização ao extremo da projeção do amor entre homem e mulher através do exagero sentimental, mas lhes asseguro, é questão de estilo e por conseguinte não se trata de algo demasiado à obra.

Outros elementos clássicos do ultrarromantismo, tais como o egocentrismo e os escapes da realidade seja pelo aspecto onírico e/ou delirante ou pela via da metafísica ao experimentar o contato com outra realidade extra material se faz presente de uma forma mais discreta, e nesse ponto, é interessante como a outra influência que Willba tem no seu âmago, se mostra como uma força antagônica em tese, porém, a se mostrar devidamente amalgamada de uma maneira muito feliz e dessa forma, a produzir um contraponto e ao mesmo tempo, a denotar haver uma espécie de estilo único para o autor.

E o Rock entra nessa composição estilística pelo viés da pura emoção, expressa por poesias que aludem até à vibração das frequências produzidas pela eletrificação dos instrumentos, euforia que abre caminho para movimentar uma força motriz irresistível a mover a juventude para frente, a buscar a vanguarda na sociedade, ao menos em tese, pois nos dias atuais o autor tem verificado tendências bem equivocadas nessa prerrogativa e se desaponta com tal rumo, até entre os Rockers. Há de se destacar que o seu lado sociólogo lhe garante muita substância teórica para notar tal descalabro social e portanto, isso se expressa sutilmente também na sua poesia.

Como primeiro trabalho impresso, a obra é bem curta na sua composição, no entanto, Willba Dissidente deixou nas entrelinhas que outras virão, e que naturalmente a sua mensagem haverá de ter uma maior expansão.

Sobre a apresentação gráfica da obra, a ilustração mostra um homem a caminhar rumo ao horizonte que lhe surge através de um livro aberto em clara alusão ao próprio livro, ou seja, a usar da metalinguagem. A metáfora da busca de um caminho é explícita e certamente que a poesia é um meio pelo qual o escape imaginado do autor se deu. A presença de um inseto de tamanho irreal pelo caminho, a sugerir o realismo fantástico como recurso estilístico, dá a entender que o atual panorama do mundo não esteja nem um pouco aceitável, a denotar um cenário apocalíptico, no entanto, a representação do homem a se afastar desse cenário é bem clara no sentido de buscar o caminho diametralmente oposto.

Destaco alguns poemas para ilustrar aqui.

Em "Pensamento epistemológico do poema", o autor abre a sua carta de intenções de uma forma incisiva, veja uma estrofe que exemplifica tal afirmativa que eu fiz:

"Este livro que seguras fala sobre desgraça/Pois é seguro que não vou sofrer de graça/Pois de tudo que eu pensei e sofri/Algo a vós pensei e escrevi".

Já em "Vicissitude imperfeita da perfeição", Willba Dissidente afirmou:

"Perfeita é a imperfeição/Na irracional busca por razão/Pois no perfeito só há uma explicação".

Em "O Movimento", a decepção com a falta de um consenso geral a movimentar a força coletiva se faz presente:

"O movimento era total mentira/"E todo mundo o sabia/Que ele não se mexia/A pequenez de seus integrantes refletia".

E como eu aludi anteriormente, a música atinge as entranhas do autor e ele a usa como combustível para viver. Veja o primeiro verso de "Quando a música te tocar":

"Música que enquanto toca, te toca/Em cada dedilhado, ficas emocionando/A palheta que quando toca/Cada emoção evoca".

"Baixo" é uma referência explícita ao instrumento, um dos pilares dentro da configuração de uma banda de Rock. E neste caso, o autor demonstra todo o seu apreço pela sua atuação no contexto da música:

"Esse som que me estoura no peito/O ritmo que me deixa desse jeito/É grave, não agudo/Em quatro cordas eu sinto tudo".

"Meu Caju" é dedicado a um senhor que já não se encontra mais entre nós, chamado: Agenor de Miranda Araújo Neto, popularmente conhecido como: "Cazuza". Willba Dissidente mostra a sua admiração por tal artista da seguinte forma:

"Se ao Rock da descerebração pudermos sobreviver/Como um par na contramão da solidão iremos fugir".

Sobre "Guerreiro, Vagabundo, Poeta e Rei", esta poesia se trata de uma homenagem explícita ao baixista e vocalista da banda de Rock irlandesa Thin Lizzy, o saudoso Phil Lynnot. Eis o que Will Dissidente expressa:

"Muitas coisas você foi/Assim sem perceber/E sem nem saber/Que minha inspiração é você". 

Na página seguinte, outra homenagem é feita para outra personalidade forte da história da história do Rock: Jim Morrison o grande "Rei Lagarto", vocalista, compositor e também poeta, membro do grande grupo de Rock dos anos sessenta: The Doors

Em "Tão baixo que estou por cima", eis alguns versos e desta feita a realçar de novo a sua verve dentro do ultrarromantismo:

"Meu poeta/Diga a todas as pessoas/Que o futuro é incerto/E o fim está sempre perto".

O universo das histórias em quadrinhos, os ditos "comics" e a literatura fantástica de terror marcam presença, quando o autor dedica inicialmente um poema ao autor britânico, Michael Moorcock, que nos anos setenta escreveu diversos romances a descrever a saga do personagem Corum Jhaelen Irsei, naquele realismo fantástico permeado por magia e aventuras com insinuação de ambientação medieval.

Eis a sua ode ao personagem citado e por extensão, ao seu criador, através do poema,"Lamento no castelo de Erorn": 

"Após o etnocídio, Corum aprendera a chorar/Após o etnocídio, Corum aprenderá a matar/Após o etnocídio, Corum vingança buscará/A saga de outro campeão eterno começará".

E sobre a literatura do aclamado autor estadunidense, Stephen King, há uma dupla homenagem, pois Willba Dissidente também menciona o escritor galês, Arthur Machen, autor de muitos livros de terror no século XIX (trata-se do autor do livro: "O Grande Deus Pã" entre outros tantos), e que influenciou Stephen King e neste caso, Willba Dissidente se mostra influenciado por ambos. Eis um trecho do poema:  

"O reflexo era a chave e a saída, sua prisão/Insanidade e dor causava a mera visão".

E assim, permeado por referências, que vão do estilo ultrarromântico dentro do século XIX ao Rock, da literatura fantástica à do terror, Willba Dissidente nos presenteou com um bom livro de poesias em pleno século XXI a misturar tudo isso e abre caminho para esperarmos mais obras em um futuro vindouro.

Eis a versão áudio Book disponibilizada no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=Ehy1PxxIZ58&t=1s

Há de se salientar que a obra também está disponível nas versões "e-book" e "áudio livro". Disponibilizo o QR Code mais abaixo mediante a ficha técnica da obra.

Livro "Poemas Dissidentes"

Autor: Willba Dissidente
Revisão gramatical e diagramação: Willba Dissidente
Arte de capa e lay-out final: Silvinho Tatoo
Locução do áudio-book: Rafael Lourenço (gravado no Braia Studios)
Lançamento em 2024

Para conhecer mais sobre o trabalho de Willba Dissidente, acesse:

Blog Rock Dissidente:
https://rockdissidente.blogspot.com/

Facebook:
https://www.facebook.com/RockDissidemte

Instagram:
https://www.instagram.com/rock_dissidente/

YouTube:
https://www.youtube.com/@WillbaDissidente

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