sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Márcia Cardeal no Rítmo de Zás-Trás - Por Luiz Domingues


A TV Paulista foi a segunda emissora a ser fundada em São Paulo e teve uma existência profícua, até ser comprada pelo jornalista /empresário, Roberto Marinho em 1965, e tornar-se a Rede Globo de São Paulo.
 
Em seu tempo pré-Globo, a TV Paulista fez história, concorrendo com muita dignidade com seus pares à época, as TV's Tupi, Excelsior e Record.

Entre tantas atrações ali criadas, na linha dos programas infantis, a "Sessão Zás-Trás", criada em 1955, faz cinquentões e sessentões de hoje em dia, marejarem seus olhos, de saudade.

Inicialmente, era apresentada por Gisleine Marilda Roque; Délio Santos; Marco Antonio e Henrique Ogalla.
No início dos anos sessenta, passou a ser apresentado por Márcia Cardeal, uma adolescente carismática e que engatilhava paralelamente, carreira como atriz, realizando diversas montagens teatrais significativas.

É para muitos, considerada a melhor fase do programa, muito em questão do carisma de Márcia, que rapidamente tornou-se ídolo das crianças da época.
O programa era muito simples em sua produção.

Ainda contando com parcos recursos técnicos e vivendo em plena época de uma ingenuidade generalizada na sociedade, limitava-se a concentrar um grupo de crianças diariamente no estúdio, geralmente com uma ou mais aniversariantes e criando um clima de festa prosaica, Márcia intercalava pequenas entrevistas pueris com a petizada, aos desenhos animados e seriados, predominantemente estrangeiros.
Com o passar do tempo, mudanças foram sendo introduzidas e com os avanços da tecnologia, passou a ser apresentado também no Rio de Janeiro.

Novos agregados foram ingressando como personagens fixos.
Pequenas gags de clowns, aulas de trabalhos manuais e mini gincanas com brincadeiras, passaram a animar as crianças.

Mario Lucio de Freitas; Tio Molina, e Ayres Campos reforçavam o time de Márcia Cardeal nessa segunda metade da década de sessenta.

Mas, o histórico canal 5 de São Paulo havia-se tornado "TV Globo", desde 1965, e assim, Roberto Marinho preferiu transferir o núcleo da produção de "Zás-Trás" para o Rio, em 1969.
Com essa mudança, o "Zás-Trás" perdeu o carisma de Márcia Cardeal e mesmo melhorando a sua produção, foi perdendo audiência.
Apesar de contar com a apresentação do ex-lutador de Luta Livre, Ted Boy Marino (que havia se tornado um ator, atuando em programas humorísticos e filmes, notadamente no embrionário grupo de humor, "Os Trapalhões", ainda sem esse nome, ao lado de Renato Aragão e Dedé Santana), o programa entrou em declínio.

Com baixa audiência, a "Sessão Zás-Trás" saiu do ar em 1970, voltando com reformulações em 1972, mas durou poucos meses, pois uma revolução no mundo dos programas infantis, a atropelou.
Em outubro de 1972, Roberto Marinho deu fim à histórica "Sessão Zás-Trás", colocando no ar uma atração internacional consagrada e que revolucionaria os programas infantis, chamado "Vila Sésamo" ("Sesamo Street"), com uma nova abordagem pedagógica e direcionada à crianças pequenas.

Fica a saudade para quem foi criança na metade dos anos cinquenta, até o fim dos anos sessenta, de Márcia Cardeal e seu carisma, apresentando a "Sessão Zás-Trás".
Matéria publicada inicialmente no Site/Blog Orra Meu e republicada no Blog Pedro da Veiga, ambas em 2013

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