sexta-feira, 14 de março de 2014

Evitar a Escassez é o Desafio - Por Luiz Domingues

Já faz tempo, se comenta na mídia sobre a dramática diminuição dos recursos naturais hídricos.

Não obstante o fato da população mundial aumentar em progressão geométrica, na via inversa, os esforços das máquinas governamentais para equilibrar essa equação pênsil, não logram êxito, pela brutal demanda e muitas vezes por negligência e interesses escusos, mesmo.


Como se não bastassem esses fatores, devemos considerar também a questão do calor escaldante. Muito se fala sobre o aquecimento global via camada de ozônio e fenômenos como "El Niño", embora correntes da ciência discordem e acusem certos coleguinhas de exagerar nessa perspectiva, para favorecer certos governantes que lucrariam com tal ideia sendo disseminada.

Como leigo da ciência e cidadão comum, portanto longe da realidade dos bastidores da política, não descarto nenhuma hipótese, mas constato pessoalmente : a cada ano, a sensação de calor parece mais forte e o inverno não é mais rigoroso como em décadas passadas, pelo menos onde nasci, cresci e moro, São Paulo.


Diante de tal quadro, é público e notório que a matemática caminha para o quadro do colapso total e resta-nos apenas saber quando ocorrerá.

Campanhas publicitárias governamentais já nem fazem efeito mais.


As pessoas parecem não sensibilizarem-se com tal questão, por mais tétrica que seja a perspectiva mostrada em tal propaganda e pior, parecem achar que exageram ou que se trata de uma "mentira".

O fato, é que ao pagar a conta da água, o cidadão comum pensa que a tarifa é alta por questão simples de cupidez de lucros (claro que tem um elemento de verdade nisso, também), e ao pagar, sente-se no direito de gastar o quanto quiser, de forma indiscriminada, como se fosse um bem de consumo oriundo de fonte inesgotável.


E não é assim que funciona, infelizmente.

O desperdício é total, em todos os setores. É rara a empresa, indústria, comércio ou organização de serviços que tem plano de metas para a economia de água, bem estruturado.


O próprio governo, que sabe melhor do que ninguém da situação, muitas vezes dá mau exemplo, mesmo reconhecendo que é quase impossível controlar uma máquina mastodôntica com milhares de funcionários etc.

Mas "mea culpa, mea maxima culpa"...o cidadão comum pouco colabora com tal questão.


Pensando ser uma tarefa prosaica e inútil pela insignificância de seu ato isolado e oculto, o cidadão tende a considerar que o seu sacrifício pessoal pouco ajuda no cômputo geral e daí, não mensura que outras pessoas possam ter o mesmo raciocínio errado.

Nesse caso, se ao escovar os dentes, deixo a torneira aberta, gasto cerca de 25 litros de água, mas se milhares, quiçá milhões de pessoas, praticarem o mesmo ato impensado, quantos litros serão desperdiçados ?

Basta dar uma volta pelo bairro num dia pela manhã e vemos donas de casa e empregadas domésticas, "empurrando" a sujeira da calçada, com jatos d'água provenientes de uma mangueira. Certo, não sou eu que pagarei a conta ao final do mês, mas e o desperdício, não me afeta ao esvaziar as represas ?

Sei que esse hábito diminuiu muito nos últimos anos, mas ainda tem muita gente que faz da lavagem do automóvel da família aos sábados, como sua terapia ocupacional. Em média, são 600 litros d'água jogados na calçada, um verdadeiro absurdo.

Faz calor no Brasil tropical em pleno verão, eu sei. Tem regiões do país onde a sensação de sentir-se suado e pegajoso o dia inteiro, impele as pessoas a tomar mais de um banho por dia. Sabe qual é a média de uso de água, num banho de 15 minutos ? 180 litros no ralo...

Enfim, os governantes pisam na bola por muitos motivos, as corporações estão pouco se lixando para tudo e para todos, só pensando em arrancar dinheiro dos consumidores (sim, para eles, não somos pessoas, mas "consumidores"), mas deixo a pergunta : e você ?


O que faz no seu cotidiano para colaborar, mesmo que seu esforço pessoal não seja visível ?

Pois é, a água está acabando e se não mudarmos nossos hábitos pessoais rapidamente, passaremos por um sufoco assustador... e vai ser em breve.


7 comentários:

  1. Excelente tema, apropriadíssimo aos dias atuais!!! Se todos fizessem o minimo...e, nem assim...a situaçao está complicada mesmo e, no nosso país, que embora tenha um dos maioes mananciais de água doce do mundo, nem saneamento básico temos! Compartilho com um alerta...bjs e parabéns mais uma vez...

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  2. De fato, Christine, trata-se de um tema atual e do qual não temos escapatória a não ser encará-lo de frente. A água está acabando e não dá mais para conceber uma sociedade onde esse fato não seja objeto de providências urgentes por parte das pessoas, do cidadão comum.

    Passou do ponto onde se espera sentado só pelas medidas governamentais e é preciso a consciência de que todos devemos colaborar ao máximo.

    Muito grato pela atenção e participação na discussão !!

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  3. Oi, Luiz

    Há uns 3 anos, mais ou menos, li numa revista uma entrevista com um ambientalista. Ele dizia que dentro de 10 anos a água da cidade de São Paulo iria acabar. Pois é... já se passaram 3 anos. Parece que a previsão vai acontecer antes dos 10 anos, caso o povo não cooperar.
    Eu penso que primeiro deveria começar, de fato, o controle da natalidade. A população tem que diminuir, e temos que encontrar meios de utilizarmos pouca água.
    Minhas irmãs têm animais, então, é necessário lavar o quintal, mas elas aproveitam a água usada, quando utilizam a máquina de lavar roupas. A água descartada é jogada num tanque. E, depois, com baldes, elas lavam o quintal.
    Não sei se vou viver muito tempo, mas tenho noção de deixar um mundo melhor para os que virão depois de mim.
    Abraços!

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    1. Oi, Janete !

      Tais previsões como essa que citou, foram retumbantemente ignoradas pelas autoridades comprometidas em atender as expectativas de seus apoiadores políticos nesses anos todos, e nada mais. Essa é a verdade nua e crua.

      Agora, diante do colapso inevitável, é contar com a economia maciça da população e torcer para chover, pois nada foi feito para garantir reservas adequadas que fossem compatíveis com a escassez alardeada pelos técnicos e cientistas.

      As medidas básicas que o cidadão pode empreender, por você arroladas, são simples e eficazes.

      Duro é fazer a maioria entender que isso é crucial...

      Muito grato por ler e comentar !!

      E vamos economizar !!

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    2. Esqueci de dizer : Sua observação sobre o controle de natalidade é perfeita. Ninguém toca nesse assunto por ser polêmico, incomodar as religiões e os reacionários de plantão.

      Muito provavelmente, quem levantar tal bandeira vai ser metralhado sumariamente pela tropa do politicamente correto, mas o fato é que sete bilhões de seres humanos, é um contingente absurdo para este combalido planetinha...

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  4. Uma amiga fez uma tese anos atrás sobre as geleiras que estão derretendo e, com isso, subindo os níveis dos mares. Na época chegou-se à conclusão que em 30 anos não haveria mais água potável no planeta, pois os lagos, rios etc seriam invadidos pela água salgada. É Luiz, se ficar, o bicho pega; se correr, o bicho come... bj

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    1. Oi, Lourdes !

      Falou tudo !! Quarenta e cinco anos atrás, quando se falavam essas coisas, as pessoas debochavam cinicamente, alegando que eram delírios de Hippies...

      Agora o estrago está feito e vivemos num planeta cada vez mais povoado, quente e com recursos hídricos esvaindo-se...

      É isso o que observou ao final de seu comentário..."um mato sem cachorro"...

      Grato por ler e comentar !!

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