Sou músico e escrevo matérias para diversos Blogs. Aqui neste meu primeiro Blog, reúno a minha produção geral e divulgo as minhas atividades musicais. Não escrevo apenas sobre música, é preciso salientar ao leitor, pois abordo diversos assuntos variados. Como músico, iniciei a minha carreira em 1976, e já toquei em diversas bandas. Atualmente, estou a trabalhar com Os Kurandeiros.
Praça da República Estação República do Metrô São Paulo - SP Ao Ar Livre - Gratuito
Participação de outras bandas, desde o meio-dia Edy Star - Voz Os Kurandeiros : Kim Kehl : Guitarra e Voz Carlinhos Machado : Bateria e Voz Luiz Domingues : Baixo e Voz
Convidados especiais : Renata "Tata" Martinelli : Voz e Percussão Michel Machado :
Percussão
4 de
agosto de 2019 - Domingo - 18:30 Horas -
Palco New Small Stage
Rua
Padre Chico com Rua Caraíbas Vila
Pompeia Estação
Palmeiras / Barra Funda do Metrô São
Paulo - SP Ao ar
livre - Gratuito Uncle
& Friends : Lincoln
"The Uncle" Baraccat : Guitarra e Voz Caio
Durazzo - Guitarra e Voz Carlinhos
Machado : Bateria e Voz Luiz Domingues : Baixo
O Wejah é um
grupo que foi formado nos idos de 1982, fortemente inspirado pelo Rock
Progressivo setentista, sob várias vertentes e a acrescentar doses generosas dos
gêneros: Jazz-Rock, Fusion e música instrumental em geral.
A década de oitenta,
como é bem sabido, não foi nada favorável para uma manifestação artística
versada por tais estéticas e pelo contrário, revelou-se hostil para os artistas,
que mesmo veladamente insinuassem em seus trabalhos, tais nobres influências de
um passado considerado apócrifo pelos detratores em voga, portanto, a culminar
em uma dificuldade tremenda para projetar-se adequadamente.
Dessa forma, a
extrema contrariedade com a qual artistas dessas vertentes obtiveram para
expressar-se, ganha ao olhar moderno, uma avaliação positiva ainda maior, pois
a despeito da sua arte pautada pela excelência musical, o simples fato em ter
tido tantas dificuldades para poder trabalhar, faz com que só possamos ter
ainda mais admiração pela sua obstinação ante os obstáculos impostos.
Nesses
termos, o Wejah foi valente e resistiu até demais, ao construir uma carreira
que durou até o início dos anos noventa. Houve uma tentativa de retomada das
atividades ao final dessa década, mas não bem sucedida, infelizmente, e somente
em meados dos anos 2000, a banda reuniu forças para voltar à cena, com maior
desenvoltura e desde então vem a trabalhar fortemente dentro das suas
convicções artísticas e estéticas.
Eis que o seu último lançamento foi então através
do CD denominado, “Springtime”, gravado em 2006 e lançado no início de 2007. E
nada poderia ter sido melhor do que apontar para a perspectiva de uma florida e
alvissareira primavera, após um longo inverno, não resta dúvida.
Tal trabalho
apresenta canções absolutamente inéditas, gravadas entre 2003 e 2006, e a contar
com três diferentes formações da banda (incluso a primeira, original dos anos
oitenta), sempre conduzida pelos obstinados irmãos Sanchez: Nelson e Jorge. Foi
lançado como CD tradicional em 2007 e recentemente, início de 2019, o trabalho
foi incorporado em diversas plataformas digitais.
Os dois primeiros álbuns do Wejah: "Renascença" (1988) e "Sendas" (1996)
Ao escutar tal
obra, chama a atenção que o lado mais Fusion da influência desses artistas, não
deixa que exista um peso excessivo na sua criação e isso tem o lado bom, na
medida em que muitos grupos Neo-Progressivos (principalmente após os anos
noventa), buscam inspiração em artistas que mesclam o velho e bom Rock
Progressivo setentista, com tendências pesadas, oriundas de vertentes do
Heavy-Metal e particularmente, isso desagrada-me.
Claro, trata-se de uma mera
opinião pessoal, mas eu considero que mesmo ao analisar grupos setentistas que
trabalharam com peso em suas respectivas obras e são muitos os bons exemplos
nesse campo, com o King Crimson como uma referência forte, só para citar uma,
eu penso que grupos mais modernos que resgataram o Rock Progressivo nos anos
noventa e dois mil, mas ao acrescentar correntes oriundas do Heavy-Metal, não
fizeram a leitura correta do que realmente representou o Prog-Rock setentista
em sua essência e nesse sentido, ao fundir com o Metal, inventaram uma receita
indigesta.
Bem, não é o
caso do Wejah, e como já observei, essa influência do Fusion que os seus
componentes observam, tratou por não haver a menor possibilidade de existir um
peso inconveniente em seu trabalho, mediante a observação de timbres e
maneirismos que simplesmente não combinam adequadamente com o conceito do Prog-Rock clássico.
E mais um detalhe, o Wejah trabalha com uma vertente mais amena
do Prog-Rock em si, onde busca-se uma maior aproximação com o som mais
sinfônico, em paralelo ao Soft-Rock de uma maneira geral ou a trocar em miúdos,
há o lado mais a pender para o som de Vangelis, principalmente naquela fase em
que este grande tecladista grego construiu um projeto com o vocalista do Yes,
Jon Anderson, para situar melhor o leitor.
O Wejah em foto ao vivo, sob formação como Power Trio, por ocasião do lançamento do CD Springtime. Teatro Santos Dumont, em São Caetano do Sul-SP, no ano de 2007
Sobre a
atuação individual dos componentes no álbum, é realizada sob alto nível
técnico, com muito bom gosto nas performances individuais e no tocante ao
arranjo coletivo, que é bem amparado por uma ótima produção de áudio, e a
incluir-se nesse bojo, o bom uso de timbres, a sobressair a opção sempre
agradabilíssima em torno da escolha pelo padrão vintage. Em suma, a reforçar a
ideia de que seja uma experiência prazerosa escutar tal álbum.
Não se trata de
um trabalho exclusivamente instrumental, embora as canções mostrem-se quase que
inteiramente construídas nesses termos. No entanto, observa-se pequenos trechos
cantados em algumas faixas e embora a atenção despendida à vocalização seja
menor, quando a cantoria aparece, tem uma qualidade muito grande, tanto na
composição das melodias propostas, quanto na interpretação. E a opção é pelo
uso do idioma inglês, e por conta desse detalhe, certamente tratou-se de uma estratégia da banda para
adequar-se ao mercado internacional.
Sobre a capa
do disco, a imagem usada foi a de uma paisagem cósmica, penso que uma foto
obtida por um telescópio ou satélite. Sóbria, bonita e ao mesmo tempo profunda,
por mostrar a amplitude do Universo e o logotipo da banda, que é muito
funcional e ao mesmo tempo bem estiloso, compõe bem a imagem frontal dessa arte
gráfica. Concepção e arte final do guitarrista, Nelson Sanchez. Enquanto o
leitor prossegue nesta leitura, convido-o a escutar o álbum, “Springtime”, na
íntegra:
Sobre as
canções em si, resta-me observar mais alguns detalhes.
O Wejah ao vivo, como quarteto, desta feita, durante o Festival de Inverno de Paranapiacaba, em Santo André-SP, no ano de 2008
“Beginning
of Life”
Com uma
introdução bem climática, a destacar-se os teclados e a presença de sussurros
fantasmagóricos, este tema desenvolve-se posteriormente em torno de uma bela
levada de bateria e baixo, ao dar vazão para uma sucessão de acordes bem
desenhados pela guitarra. Após uma desdobrada rítmica estratégica, acontece a
parte cantada. Ao final, a bateria avança sob uma sutil intenção tribal e
encerra-se o tema, mediante uma boa base obtida através do sintetizador e um bom
solo de guitarra, mediante o seu timbre limpo.
“First
Spring Flower”
Revela-se muita boa a
condução rítmica inicial, gostei muito. Depois disso, uma base intermitente do
sintetizador mostrou-se muito criativa. Apreciei bastante os ricos desenhos
executados pela guitarra, tudo muito bem encaixado e a seguir, um solo de
piano, muito bonito. O vocal entra e depois abre caminho para um solo de
guitarra. O uso do recurso amparado por onomatopeia melódica, a la George
Benson, é bem interessante.
"Insanity"
Logo no
começo, uma insinuação de solo de baixo, chama a atenção. O tema fica mais
pesado a mostrar densidade, e assim, impressiona o arranjo a privilegiar a
inclusão de uma camada de teclados, muito bem concatenada. O uso da fórmula de
compasso 6/8, traz a sutileza da influência jazzística e abre espaço para um
solo de piano. Sussurros são escutados ao final, para garantir uma atmosfera
misteriosa e o som do piano encerra a canção com uma intervenção deveras
criativa.
A formação do Wejah, como trio, e que gravou várias faixas do CD Springtime
"Burned Out"
Canção
balançada, praticamente a caracterizá-la como um R’n‘B, apresenta um bom solo
ao sintetizador e posteriormente, ocorre um outro momento solo e ótimo, desta feita executado
ao piano elétrico. Gostei da parte toda arpejada pela guitarra, do solo
posterior e da segunda voz em contraponto, ao final da música.
"North South East West"
Com boa base
harmônica ao sintetizador, e também o solo ameno de guitarra, começa bem esta faixa. Apreciei a base
desdobrada para dar vazão a um solo climático. A voz bem processada com uma
reverberação mais profunda, também mostrou-se criativa e a linha de bateria ficou
excelente.
O Wejah ao vivo, no Parque Chico Mendes, em São Caetano do Sul-SP, no ano de 2007
"The Path"
Este tema,
mostra-se bem denso, lembrou-me a canção, “Squonk” do Genesis, pela intenção. Apreciei
bastante a sua sonoridade.
"Bragdah"
Talvez a
música mais explicitamente influenciada pelo Jazz-Rock setentista clássico,
mostra uma quebradeira rítmica memorável da parte pelos instrumentistas da
banda. Gostei das convenções mais complexas, executadas com extrema habilidade.
"Box of Surprises"
Mais um tema
a demonstrar destreza técnica de todos os componentes desta banda, também
chamou-me a atenção um solo de baixo e a parte quebrada, onde a voz foi muito
bem delineada. Gostei igualmente do solo final e dos efeitos propostos pelos
teclados, a garantir uma sensação de loucura, no melhor sentido dessa
expressão.
O Wejah ao vivo no auditório da livraria Cultura, no Shopping Vila Lobos, em São Paulo, em 2008
Recomendo a
audição deste álbum, assim como a discografia geral do Wejah (álbuns: "Renascença", de
1988, e "Sendas", de 1996), por tratar-se de uma banda com influências nobres em
sua formação artística, a contar com ótimos instrumentistas e inspirados
compositores.
Gravado no
estúdio próprio da banda em São Caetano do Sul-SP, e no Pro Studio, além do
apoio de outros estúdios não arrolados, entre 2003 e 2006 Técnico de
som (captura), mixagem e masterização: Cassio Martin Capa
(criação e lay-out): Nelson Sanchez Produção
Geral: Wejah
Formação do Wejah na faixa, "Insanity"
Nelson Sanchez: Guitarras
Jorge Sanchez: Voz e Baixo
Marcelo Perez: Teclados Braulio Veiga: Bateria
Formação do Wejah nas faixas: “Beginning of Life”, “First Spring Flower”,
“Bragdah” e “Box of Surprises”:
Nelson Sanchez: Guitarras
Jorge Sanchez: Baixo e Voz
Wladimir Augusto: Bateria
Formação do Wejah nas faixas: "Burned Out", "The Path" e "North South East and West"
Nelson Sanchez: Guitarras
Jorge Sanchez: Baixo e Voz
Marcelo Perez: Teclados
Luiz Fernando: “Piriquito”
Produção independente
O Wejah sente a aspereza do mercado, que sempre foi muito duro para o Rock
Progressivo e neste momento de 2019, diante do quadro atual, ainda mais e apenas planeja
compor novas músicas, mas sem perspectiva para lançamento ou mesmo shows ao
vivo, por enquanto. No entanto, sinceramente, espero que oportunidades surjam
para que esses artistas voltem a apresentar-se com maior regularidade e lançar
novos trabalhos. Trata-se de um trabalho feito sob alto padrão técnico, a esbanjar
criatividade e nobres propósitos.