quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Chip nos Carros, George Orwell Tinha Razão ? - Por Luiz Domingues


Em 1948, o escritor George Orwell lançou um impressionante livro denominado "1984", onde num exercício futurista mezzo Sci-Fi, mezzo sócio-política extremista, imaginou uma sociedade completamente dominada por um poder central e absolutamente controlador, vigiando de forma implacável todos os cidadãos.

Era o olho controlador do "Big Brother", que reduzia a privacidade à zero, tornando as pessoas escravizadas por um sistema opressor.

Claro, metáfora de sistemas políticos totalitários, onde o ser humano seria reduzido à uma mera peça de uma engrenagem.

O livro teve sucesso retumbante, abrindo caminho para muitas teses, tratados acadêmicos, filmes, peças teatrais etc. E infelizmente também para distorções, como a criação de um ridículo "reality show" de TV, banalizando o conceito original da obra de Orwell.
Partindo para o campo realista das realizações oficiais, estamos prestes a nos depararmos com mais uma velada forma de controle, inibindo a nossa cada vez menor privacidade.

Segundo uma nova resolução, já aprovada e confirmada para entrar em vigor a partir de julho de 2013, todos os carros zero KM deverão sair com um sistema de monitoramento mediante chip e até 2014, todos os carros usados deverão se adequar à nova norma.
Sem dúvida que existe toda uma justificativa por parte das autoridades para que tal medida ser aprovada.

A ideia é aumentar o grau de segurança para os proprietários no tocante à questão de furtos e roubos. A reboque, seria uma maneira de ajudar a inteligência policial também, pois seria um controle interessante para detectar a ação de criminosos.
Claro, que cidadão de bem não concorda com esse tipo de dispositivo de forte efeito colaborativo ? 


Só que existem outras implicações que são invasivas e opressivas, também.

Mediante os chips, os órgãos responsáveis pelo trânsito, teriam o controle absoluto sobre as condições de cada carro.

É lógico que com esse tipo de dispositivo, irregularidades na documentação dos veículos e infrações cometidas, ficariam expostas de maneira irrefutável, dispensando até a existência dos agentes de trânsito e seus indefectíveis bloquinhos de multas, pelas esquinas.

Até aí, o cidadão de bem que respeita as leis do trânsito e mantém seus tributos em dia, nada tem a temer, contudo, a pergunta é : Até que ponto é ético ter esse tipo de monitoramento ?

Não é assustador ser vigiado o tempo todo ? Que garantias o cidadão terá de que esses dados estarão seguros e serão exclusivamente usados de forma técnica, visando apenas a segurança no trânsito e no resguardo do patrimônio, num esforço anti-criminalidade ?
Saber onde vou, quanto tempo fico em cada lugar, onde estaciono, por quais vias circulo...


Será que é por aí que a sociedade deve caminhar ?


Matéria publicada inicialmente no Blog Planet Polêmica e republicada posteriormente no Blog Pedro da Veiga, ambas em 2012.

2 comentários:

  1. Saudações Luiz!
    Tudo bom?

    Só posso aplaudí-lo e felicitá-lo por essa esplêndida matéria, a qual concordo de fio a pavio. Reforço a pergunta: será que para termos uma pseudo garantia anti-criminalidade, pois quem garante que os dados serão usados a que se propõe, deveríamos nos expor? Em boas palavras: o tal resguardo do patrimônio vale mais que a nossa privacidade? Ainda que seja uma questão tão polêmica quanto um barril de pólvora é explosivo, não posso deixar de super que se sim, logo virão as teletelas.

    Um grande abraço do amigo Will!
    *

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  2. Grande Will !

    Agradeço muito a sua participação no Blog.

    Realmente percebo que pensamos igual nessa questão. Conforme deixei claro nessa matéria, temo que por trás de uma possível intenção boa em coibir a criminalidade, haja o interesse escuso do controle governamental e claro, repudio qualquer forma de totalitarismo que enoja-me, pois odeio tanto o nazi-fascismo, quanto o comunismo extremo.

    Abraço e muito obrigado !!

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