terça-feira, 12 de março de 2013

Impondo seu Gosto Musical - Por Luiz Domingues

 
Sempre existiu gente que exagerou no volume do Hi-Fi caseiro, causando incômodo na vizinhança.

Claro, não era uma regra geral, mas mesmo em proporção muito menor, sempre houve a figura do vizinho petulante que pouco se importando com os demais, gostava de colocar o volume num patamar acima do aceitável e obrigar todos a ouvir suas músicas prediletas.
Numa segunda fase dessa mobilidade de tecnologia de áudio, virou febre entre os norte-americanos, andar com rádio-gravadores mastodônticos alojados nos ombros, cena usual em filmes americanos policiais da década de setenta, principalmente os da onda do "Blaxpoitation".

Na década de oitenta, o Walk-Man virou companheiro dos yuppies e cocotas em geral, durante as caminhadas pelas ruas, porém com a devida discrição de serem usados com fones e não incomodarem ninguém.

Com a entrada da telefonia celular e consequente e rápida sofisticação de tais aparelhos, outra possibilidade abriu-se, com o advento dos aplicativos e daí, começou a Era de fotografar, filmar e ouvir música, o tempo todo pelas ruas.
O que era para ser uma distração bacana, acabou se tornando um tormento generalizado em lugares públicos.

Em lugares públicos fechados, meios de transporte e praticamente em toda a parte, o silêncio tornou-se raro e a mistura de sons e essa zoeira provocada por muitas pessoas abusarem do volume, tornaram o ato de sair às ruas, um momento neurotizante a mais, no ambiente urbano já para lá de poluído e tenso.

Em recente pesquisa realizada pelo Metrô de São Paulo, os números são alarmantes, pois a somatória de centenas de pessoas ouvindo música alto, chega num patamar de decibéis absurdo, causando danos à audição, fora o elemento psicológico altamente nocivo.
Segundo relatos, há ocorrências de discussões entre passageiros, por conta do volume abusivo e até "batalhas sonoras", perpetradas por gangues, pasmem...

O que há de concreto, é que o Metrô abriu marcação pesada sobre pessoas que abusam desse artifício, o mesmo acontecendo em diversos estabelecimentos comerciais, que buscam coibir tal abuso.

Uma coisa é certa : Numa sociedade plural como a que vivemos, existem pessoas de diversas camadas sociais e com estrato cultural diferenciado, vivendo juntas.
Nesse caso, o bom senso aconselha a observar a regra de estabelecermos nossa liberdade, até o limite onde começa a do vizinho.

Isso vale para todas as circunstâncias da vida, não só para a emissão de ruídos.
Portanto, para quem não abre mão de ouvir sua música predileta num volume ensurdecedor, é de bom alvitre, que se use o bom e velho fone de ouvido...

Matéria publicada inicialmente no Blog Planet Polêmica, em 2013.

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