quarta-feira, 11 de setembro de 2013

A Mais Secreta das Fórmulas - Por Luiz Domingues

                                

Quando se pensa em segredos estratégicos e/ou espionagem, geralmente pensamos em questões da geopolítica, e suas implicações militares inerentes.

Contudo, a espionagem industrial movimenta o mundo de uma forma tão ou mais contundente, requerendo verdadeiros exércitos formados por profissionais, especialistas em segurança. 
Isso sem contar os milhões gastos em recursos jurídicos, tentando ao máximo coibir os transtornos decorrentes de patentes sendo quebradas diariamente, com produtos sendo copiados, sem nenhum pudor.

No caso das fórmulas de produtos alimentícios e farmacêuticos, todo o cuidado é pouco, e os industriais gastam milhões em dispositivos de segurança para preservarem as fórmulas que lhes garantem a exclusividade em produtos campeões de vendas.


Pensando nesses termos, entre inúmeros produtos tradicionalíssimos do mercado, é difícil não imaginar que um entre todos, seja o mais famoso, e claro, refiro-me ao refrigerante conhecido como "Coca-Cola".

Oficialmente, a fórmula do refrigerante foi atribuída à um farmacêutico norte-americano, chamado John Pemberton, em 8 de maio de 1886, como remédio, e com a posologia de atuar no cérebro e sistema nervoso.
Somente em 1893, outro americano, Frank Mason Robinson, adaptou o remédio para o consumo como refrigerante, patenteando-o e criando o seu histórico logotipo.

Em franca expansão, tornou-se um produto de alcance mundial, até que em 1919, a fábrica foi vendida para o magnata Ernest Woodruff, que tratou de guardar a fórmula no cofre do Guaranty Bank, de Nova York. 
Algum tempo depois, mudou de banco, indo submeter-se às sete chaves do banco SunTrust, de Atlanta.

Sedimentado como o refrigerante mais famoso e vendido do mundo, a preservação de sua fórmula tornou-se uma lenda.

Inúmeros boatos se espalharam, e povoaram o imaginário popular.

Boatos pró e contra, naturalmente... 
A questão de ser um refrigerante viciante, logicamente foi atribuído à existência de cafeína e cocaína em sua fórmula.

Claro, se há um fundamento técnico, e portanto, plausível em tal afirmativa, por outro lado, há de se considerar que a existência de tais substâncias na fórmula, são evidentemente em escala ínfima, portanto, para prejudicar uma pessoa, seria preciso a ingestão de uma quantidade tão absurda do líquido, que nem o mais contumaz consumidor do mesmo, suportaria, e outra, seria mais provável que o consumidor morresse por afogamento... 
Em 2011, a fórmula foi parar no seu lugar definitivo, acredita-se, o "World of Coca-Cola", um Museu particular da própria companhia, em Atlanta. 
Outra lenda que corre solta, por décadas, é a de que ao contrário do famoso segredo de sua fórmula, motivado pelo medo de não ser copiado, a origem de tal formulação foi na verdade obtida mediante o uso de fórmulas alheias. 
Uma curiosa história nesse sentido, vem da Espanha, onde uma pequena fabriquinha artesanal, no vilarejo de Aielo de Malferit, na província de Valencia, tem o refrigerante "Nuez de Kola-Coca", e segundo seu atual dono, a fraca legislação de décadas atrás, no tocante à patentes, permitiu que os norte-americanos roubassem sua fórmula, sem nenhuma dificuldade. 
Num segundo instante, em 1953, temendo uma contestação na justiça espanhola, os executivos da Coca-Cola procuraram a pequena fábrica de Aielo de Malferit, e mediante o pagamento de 30 mil pesetas, selaram acordo, dando a questão como encerrada.

Enfim, apesar de inúmeras especulações, a fórmula oficial da Coca-Cola permanece como o maior segredo industrial da história, apesar da polêmica publicação num jornal de Atlanta, de uma anotação de John Pemberton, em 1979, onde o suposto original manuscrito teria sido revelado, mas nunca admitido como fidedigno pela companhia.
Matéria publicada inicialmente no Blog Planet Polêmica, em 2013.

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