domingo, 27 de abril de 2014

Versão Brasileira...Herbert Richers - Por Luiz Domingues

Qual brasileiro que assiste TV, não ouviu a frase : "Versão Brasileira, Herbert Richers" ?

Um dos maiores estúdios de dublagem do Brasil, é responsável por grande parte da produção nesse setor e recebeu o nome de seu fundador.

Herbert Richers nasceu na cidade de Araraquara, no interior de São Paulo, em 11 de março de 1923.


Era um menino normal do interior, até ser mordido pelo bichinho do cinema. Mas daí a se envolver eram "outros quinhentos", como se dizia no interior, porém, o pequeno Herbert tinha um trunfo familiar para poder sonhar com um possível envolvimento nesse mundo.

Ele era sobrinho do dono de um estúdio de revelação, que prestava serviços para produtoras de cinema, no Rio de Janeiro. Dessa forma, em 1942, chegou de mala & cuia na cidade maravilhosa, com um emprego garantido por seu tio.


Foi sua porta de entrada para o mundo do cinema e daí, mesmo sendo muito jovem, embrenhou-se nesse universo, conhecendo pessoas importantes do meio e galgando degraus nessa engrenagem.

Herbert tornou-se então um produtor requisitado, tendo trabalhado em diversas produções do cinema nacional, incluso campeões de bilheteria da produtora Atlântida, que costumava levar multidões às salas de cinema de todo o Brasil.

Não só os longa metragens, mas Richers foi produtor de inúmeros curta metragens, documentários e os famosos cine jornais, que numa Era pré-TV, representavam uma fonte de informação importante para as pessoas, antes de assistirem os filmes.

Foi no ano de 1950, que fundou sua própria empresa, a Herbert Richers e crescendo no mercado muito rapidamente, logo se consolidaria.


Ainda no início dos anos cinquenta, Richers foi aos Estados Unidos e conheceu Walt Disney. Tornaram-se amigos e graças à essa amizade pontual, Richers deu outro salto na carreira, ao ouvir o conselho de seu experiente amigo norte-americano, investindo assim fortemente no mercado de dublagens, especialmente para a TV.

O momento era propício, pois a TV estava a todo vapor no Brasil, mas carecia de melhores condições técnicas. Nesses termos, a reclamação generalizada dos telespectadores era precisa : quando da exibição de produção estrangeira na TV, as legendas não conseguiam ser claras o suficiente, devido aos problemas de contraste e brilho que a TV tinha na ocasião.


Portanto, era mais do que necessário que tal produção de dublagem fosse concretizada e dessa forma, Herbert Richers entrou com tudo nesse mercado, fazendo sua fama, pela competência e profissionalismo, e abrindo o caminho para o surgimento de concorrentes de qualidade também, caso da AIC, Álamo e outras.

Em 28 de junho de 1963, um incêndio de grande proporção comoveu o Brasil. O edifício Astória, na Cinelândia, centro do Rio de Janeiro, ardeu em chamas, ceifando vidas, causando dor e perdas.


A organização Herbert Richers se localizava nesse edifício e muito material e maquinário foi prejudicado, mas por sorte, muito do material do estúdio, alojava-se em outro endereço e foi poupado. Eram rolos de filmes de grandes clássicos do cinema nacional que poderiam ter desaparecido, como "Vidas Secas", por exemplo.

Herbert Richers só parou de trabalhar quando a doença o impediu. Idoso e com problemas renais, nos deixou em 2009.


A empresa continua a todo vapor e eu deixo em anexo o link do site oficial, onde podem ser vistas as instalações dos estúdios, onde se realizam os trabalhos de dublagem que ouvimos costumeiramente quando assistimos filmes, seriados, desenhos animados e documentários de procedência internacional, com as vozes brasileiras, dicção perfeita, impostação clara e com o uso coloquial de nossa língua, facilitando o entendimento das obras.

http://dezoito.com/herbertrichers/ind_2.html

Matéria publicada inicialmente no Site/Blog Orra Meu, em 2014

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