terça-feira, 16 de julho de 2013

Caos Portuário - Por Luiz Domingues

          
O Brasil entrou numa fase de prosperidade sem precedentes em sua história, quando deu seu primeiro passo nesse sentido ainda nos anos noventa, controlando a infame inflação que o assolava há décadas.

Claro, não podemos deixar de considerar que aspectos políticos contribuíram nesse sentido. O simples fato de voltar a promover eleições presidenciais livres, fora importante cinco anos antes, apesar do povo ter se deixado levar por falsa propaganda e ter eleito um candidato inadequado.

Ok, democracia é assim mesmo, demora muito para maturar e segue a toada da tentativa e erro.

Mas sem dúvida que esses fatores foram importantes para que já na segunda metade dos anos 2000, sinais animadores deixassem o país visível aos olhos do mundo.

Atravessando a grande crise de 2008, "quase" incólume, o Brasil virou a "bola da vez" em muitos aspectos, da política sócio-financeira aos índices de progresso, em vários níveis.

Só que nos seus meandros, o Brasil progressista que passou a encantar o mundo pelo seu salto rumo ao primeiro mundo, escondia de si mesmo, outra realidade.

A absoluta falta de infraestrutura em setores vitais da economia, revelava-se diametralmente oposta à euforia gerada pelos observadores internacionais.

Só quando a proximidade de grandes eventos de âmbito mundiais avistaram-se, foi que perceberam que portos e aeroportos brasileiros, são de quinta categoria, entre outras coisas.

No tocante aos portos em específico, a situação é dramática e faz tempo.

O assunto só veio à baila neste momento, por dois motivos :

1) A proximidade da Copa do Mundo e Olimpíadas e;

2) A visão estarrecedora da gigantesca fila de caminhões parados no porto de Santos, revelando a falta de organização e por conseguinte, a enorme quantidade de dinheiro jogado no lixo, e outra montanha que se deixa de ganhar, por tal ineficiência.

Qual a razão, ou razões para essa situação ter chegado nesse ponto vergonhoso ?

Bem, são muitas as razões, mas o fator burocrático, é um dos maiores vilões nesse sentido.

Um exemplo ? 

Quando um contêiner chega ao porto para exportação, contendo commodities, por exemplo, não consegue embarcar rumo ao seu destino, em menos de 13 dias.
 
O motivo ?  Burocracia massacrante, onde é preciso apresentar cerca de 200 documentos (pasmem !!), para a liberação e alguns desses, são conflitantes entre si, deixando o exportador completamente louco.

Em Cingapura, esse trâmite burocrático leva um dia e nos Estados Unidos, dois...

Então, some-se à esse fato, que o processo inverso também é infernal, ou seja, navios estrangeiros que aqui chegam, podem ficar até 15 dias esperando autorização para atracar...

Isso espelha bem o caos que essa logística ou anti logística, causa ao país.

Fora essa questão, observa-se também a falta de investimentos na modernização dos portos. Com espaço físico reduzido, ineficiente conexão ferroviária e pátios de estacionamentos minúsculos, não é de se estranhar que filas inacreditáveis de caminhões fechem, literalmente, as estradas que dão acesso ao cais.

Outro fator surpreendente e inadmissível num mundo moderno e informatizado, é que 90% dessa burocracia ou "burrocracia", como queiram, esbarra na falta de comunicação "on line" entre órgãos reguladores e fiscalizadores.

Como aspirar estar no primeiro mundo, sem repartições públicas 100% informatizadas e com funcionários bem treinados e motivados ?

Não é óbvio que a morosidade seja medieval, sem tais providências ?

A lição é muito clara : Estar entre as maiores potências econômicas do planeta é motivo de orgulho, mas investir em infraestrutura é vital para que de fato possamos ser considerados um país de 1° Mundo.

E por enquanto, o Brasil parece ainda estar no tempo do Império, em muitos aspectos.

Matéria publicada inicialmente no Blog Planet Polêmica, em 2013.

Nenhum comentário:

Postar um comentário