sábado, 13 de julho de 2013

Imprensa de colônias em São Paulo - Por Luiz Domingues

              
A vocação de São Paulo (e aí referindo-me não só à cidade, mas ao estado, também), para abrigar colônias estrangeiras, vem de longe.

Se o grande fluxo de chegada de estrangeiros começou realmente no fim do século XIX, atraídos pelas oportunidades nas lavouras interioranas e posteriormente pela industrialização na capital, não se pode dizer que já não existiam estrangeiros vivendo em São Paulo, em número significativo.
Mas a partir desse fluxo mais intenso, é óbvio que tais imigrantes imprimiram uma brutal influência cultural no estado e na capital em específico.

Outro aspecto a ser considerado, é que pensando na situação difícil de tais colônias, era mais do que natural que criassem mecanismos de autoajuda, para amenizar a difícil adaptação à um país estrangeiro e exótico para os seus padrões, e que tirante os portugueses, ostentando uma língua muito difícil de ser aprendida. 

Desta forma, era muito natural que tais grupamentos de estrangeiros, fechassem-se entre si, e criassem associações, clubes, centros culturais e esportivos para frequentarem e terem um convívio que amenizasse a saudade de suas respectivas pátrias.

Não demorou e começaram a aparecer pequenas publicações, visando trazer notícias de seus países, e sobre eles mesmos e seu cotidiano por aqui.

Esse fenômeno ocorreu em várias partes do Brasil, mas em São Paulo, pela maior profusão de colônias de imigrantes oriundas de diversas nações do planeta, isso atingiu números maiores. 

E assim, com a enorme profusão de italianos em São Paulo, um jornal como o "Fanfulla", fundado em 1893, agregou a colônia, trazendo-lhes um pedacinho da Itália, em suas páginas. 

Havia também "O Cara Dura (Giornale il piú stupido del mondo)", com uma dose de sarcasmo que aconteceu o "Pasquim" de Millôr Fernandes e Jaguar, em décadas.

Mas há registro de inúmeras outras publicações, jornais e revistas, escritas em italiano, como "La Famiglia Latina"; "L'Italia - Giornale Settimanali Intransigente"; "La moda Del Brasile"; Il Meridionale"; "Il Pasquino Coloniale"; "La Sentinella italiana"; "Il Secolo"; "Il Tre de Picche"; "La Tribuna Italiana";"La Vedetta Italiana" etc. 

Caso de adaptação mais dramático era o dos japoneses, pela cultura muito diferente. Nesse caso, jornais como o "São Paulo Shimbun" e "Nikkey Shimbun" (entre muitos outros), contribuiu e muito para unir a colônia. 


Em Campinas, surgiu o "El Faiyá", jornal escrito em árabe. Posteriormente, surgiram o "Al Brasil"; "Shynge : Organ Syrio"; "Al-Assmahy"; "Al-Hadikat"; "Al-Manarat"; "Al-Mizan"; e "Al Afkar", abrindo caminho para o surgimento de muitos outros jornais e revistas específicos para sírios, libaneses, turcos e demais imigrantes de raiz árabe. 

Mesmo falando a mesma língua e tendo pouca ou nenhuma dificuldade de adaptação, os portugueses também tinham suas publicações específicas para a colônia. O "Bandeira Portugueza"; "O Lusitano"; e "Echo Portuguez", foram alguns desses.


"Deustche Nachrichten"; "Der Hausfreund"; "Germania - Allgemeine Deustche Zeitung Für Brasilien"; "Deustche Zeitung"; e "Paulistaner Zeitung", foram publicações que supriram as necessidades dos imigrantes alemães.

"Österreichische Blätter in Brasilien", para a colônia austríaca. 

Os espanhóis liam "Democracia Española"; "La Iberia"; "La tribuna Española"; "La Voz de España"; e "Gaceta Hispana", entre outros. 

"Magyar Szó", e "Déla Merikai Magyar Hirlap", uniam a colônia húngara.

"Slovan : organ Spolku", para os eslovenos.

"Le Courrier D'letat de St Paul", para os franceses. 

Mais atualmente, temos jornais chineses como o "Jornal Chinês para a América do Sul", e coreanos como o "Bom Dia".

E não podemos nos esquecer de publicações em inglês para britânicos e americanos; jornais de colônias africanas, muitos da colônia judaica e com a recente onda de imigração de latino-americanos, publicações em castellaño para bolivianos; peruanos; paraguaios; mexicanos etc.

Enfim, a tradição de órgãos de imprensa escrita, em línguas estrangeiras em São Paulo, é muito antiga e o saldo dessa contribuição cultural à formação cosmopolita da capital, principalmente, incomensurável.

Matéria publicada inicialmente no Site/Blog Orra Meu, em 2013.

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