segunda-feira, 9 de julho de 2012

King Creole : Elvis em Grande Estilo - Por Luiz Domingues

Elvis Presley já era o Rei do Rock em 1958, consagrado nacionalmente e com a fama espalhando-se pelo mundo afora, graças também àquela recente empreitada em que se meteu, ao atuar como ator em produções Hollywoodianas.

Genial sacada de marketing, numa época em que tal conceito de gerenciamento de carreira apenas engatinhava, e as coisas aconteciam na base da intuição e improviso.

Com o sucesso de "Love me Tender", logo surgiu o convite para um novo filme, desta feita ambientado no tempo contemporâneo e não na época da guerra de secessão americana (1861 - 1865), como o anterior.
E assim surgiu "King Creole", uma película onde a belíssima cidade de New Orleans serviu de cenário e farta inspiração musical.

A história gira em torno de um rapaz simples (Danny Fisher, interpretado por Elvis Presley), que esforça-se para estudar e ajudar o pai no serviço.

Numa manhã de um dia de trabalho normal, Danny acaba salvando a bela Ronnie (Carolyn Jones), de uma situação embaraçosa e esta lhe beija, provocando ciumeiras e confusões para o rapaz.

Numa emboscada, briga com uma gang por conta desse envolvimento com a garota e se defende tão bem que os delinquentes o convidam a entrar na gang.

E nesse conflito entre ser bom e mau menino, vai levando o personagem em meio às confusões, com brigas, garotas e canções, que eram os elementos primordiais em todos os filmes estrelados por Elvis.

Só que "King Creole" tinha diferenciais em relação aos demais filmes que vieram depois.
Em primeiro lugar, o fato de ter New Orleans como cenário, conferiu-lhe uma musicalidade incrível. Diversos números musicais do filme, mostraram a marca registrada daquela linda cidade afrancesada. O acento jazzístico misturou-se ao Blues, com Dixieland; Honk Tonk; Bluegrass, e outras tendências musicais derivadas, dando aos Rocks e às baladas, um sabor tipicamente "creole", como o título do filme sugeriu.
Outro diferencial, foi o esmero da produção em contratar um diretor veterano e consagrado, na figura de Michael Curtiz (Casablanca; Captain Blood; Angels With Dirty Face etc). Este por sua vez torceu o nariz quando soube que o cantor Elvis Presley faria o protagonista, mas ao final das filmagens era só elogios ao profissionalismo dele, e até admitiu que Elvis tinha potencial para ser um grande ator, e tinha sido uma escolha acertada para o papel.

E também no elenco, pois com Walter Mathau; Carolyn Jones; Vic Morrow; e Dean Jagger, atores de primeira linha, o filme ficou encorpado.
As músicas são incríveis. Só por "Trouble", com arranjo Dixieland, o filme já valeria a pena, mas tem também "King Creole"; "Crawfish"; "Dixieland Rock"; "Lover Doll"; "Hard Headed Woman", e uma série de outras, sensacionais não só por esse sabor de New Orleans, mas pela performance de Elvis, cantando demais.

E como curiosidade, a produção do filme negociou com o exército americano, o adiamento da convocação de Elvis para que pudesse concluir as filmagens. Com prorrogação de 60 dias, ele pode concluir sua atuação, tranquilamente. De onde se conclui que até o Tio Sam colaborou...
O filme foi um estouro de bilheteria e assegurou a continuidade vitoriosa da carreira de Elvis tanto na música, quanto no cinema, mesmo com o hiato dele servir o exército por meses, numa base localizada na Alemanha.
Se você gosta dos filmes açucarados que ele fez depois, talvez ache King Creole, sério demais. Mas se pensar o contrário, achará substância em King Creole, que é muito provavelmente, o melhor filme da sua carreira como ator.
Matéria publicada inicialmente no Blog do Juma, em 2012.

2 comentários:

  1. Olá Luiz... não consegui encontrar seu e-mail para mandar o texto. meu e-mail é diogogoliveira@gmail.com fico no aguardo.

    Agora vou dar uma passeada por este blog que eu desconhecia, e já vi que só tem biscoito fino...

    Obrigado e abração!

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    1. Muito grato Diogo !

      Espero com grande expectativa o seu texto. Confesso que senti uma carga emocional muito grande em seu relato verbal lá no ensaio do Pedra e na hora tive o ímpeto de convidá-lo a reproduzir suas impressões num texto. Tenho certeza de que conseguirá passar aos leitores do Blog, a emoção que sentiu ao deparar-se com a obra viva do grande mestre.

      E obrigado pelo elogio !! Neste Blog 1, armazeno toda a produção que publico em Blogs onde colaboro e escrevo textos inéditos, também. Sua participação será no meu Blog 2, onde recebo convidados, também.

      Grande abraço !

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