quinta-feira, 19 de julho de 2012

Série "D" Garantida e Cabem até Outras... - Por Luiz Domingues


A verdade é uma só : durante anos (talvez décadas), pode-se afirmar que a CBF centrou toda a sua atenção à sua "galinha dos ovos de ouro", a seleção brasileira.

Percebendo a notoriedade mundial que o time de camisa amarela causava no planeta, graças às suas conquistas naqueles torneios quadrienais de poucos jogos e critérios não muito justos de disputa e avaliação técnica, focou todo o seu empenho em promover cada vez mais sua seleção.
Claro, o retorno financeiro decorrente disso era fabuloso e por muito tempo, essa ganância obscureceu os olhos da entidade para o seu bem mais precioso, que ficou relegado ao limbo : o seu campeonato nacional.

Com descaso, desorganização, tabelas mal elaboradas, fórmulas malucas e injustas, viradas de mesa, comissão de arbitragem mal cuidada e tribunais esportivos sujeitos à ações pouco confiáveis, a CBF abusou de seu desdém pelos seus afiliados e que afinal de contas, são seus filhos que sustentam todo o empreendimento.
Com a recente renúncia do ex-presidente Ricardo Teixeira, abriu-se a perspectiva nada animadora de José Maria Marin assumir o cargo. Homem idoso e conservador, tinha todo o perfil de ser um mero continuador da política de seu antecessor e do mentor honorário desse Status Quo, o decano João Havelange.
Nos estertores de seu mandato, Teixeira acenava com a extinção da série D do campeonato brasileiro, dada a falta de interesse de clubes em participar, sem perspectivas de recursos da própria CBF, tampouco de setores privados.

Acostumados a amargarem prejuízos sem fim, bancando do próprio bolso as despesas de viagens, estadia, traslados, alimentação e demais encargos, era normal que desistissem de disputar o campeonato, preferindo fechar portas e dispensar diversos profissionais.
A grande questão era : a falta de apoio total da entidade máxima, preferindo gastar seus milhões para levar sua seleção à torneios inúteis em países exóticos (geralmente no oriente médio, curioso, não ?), nas categorias sub-"isso", sub-"aquilo", chegando num ponto onde só faltava investir na seleção "sub-zigoto"...

Sei que minha opinião gera polêmica, pois contraria o pensamento da maioria, mas penso exatamente o contrário : Disputas entre seleções nacionais é que deveriam ficar em segundo plano.

Se eu fosse dirigente de futebol, trabalharia ao máximo para promover os campeonatos entre clubes, dando apoio total aos meus afiliados.
E convenhamos, se a seleção brasileira tem esse perfil ganhador e que encanta o mundo (ou encantou, sejamos realistas, tudo muda no dinamismo do futebol), de onde vem esse encanto ?

Qual é a base desse celeiro de craques ?

E quando já estava desolado com a perspectiva aventada de extinção da série D, leio na mídia que o Sr. José Maria Marin tomou a resolução de mantê-la, dando o apoio financeiro e logístico para que os clubes a disputem com dignidade.
Apoio integralmente essa decisão e vejo com otimismo tal medida, pois seria um indício de que a CBF finalmente trataria o campeonato brasileiro em suas quatro divisões, com a atenção e carinho que merecem ?

Torço para que seja isso, pois se bem trabalhado em sua organização, pode e deve render dividendos tão bons quanto o time da camisa amarela em seus amistosos caça-níqueis e esportivamente entediantes.
E vou além : Pelo tamanho do Brasil, a CBF deveria até cogitar a existência de mais séries, englobando as disputas regionais. Quem sabe englobando as disputas regionais, tornando o brasileirão um campeonato que durasse o ano todo, intercalado à Copa do Brasil e aos torneios internacionais como Libertadores da América e Copa Sulamericana.
Dessa forma, as equipes pequenas também seriam atendidas e não ficariam condenadas à existir por poucos meses ao ano só com a motivação de seu campeonato estadual.

Concluindo : No Brasil, pela dimensão continental de seu território e tradição no esporte, cabem ainda as séries E, F, G...

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