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domingo, 15 de outubro de 2017

CD Hoje / Tomada - Por Luiz Domingues



O Tomada é uma banda que já acumula uma história bem significativa no panteão do Rock paulista e brasileiro. Em atividade desde o final dos anos noventa e com vários trabalhos lançados (quatro álbuns anteriores a este que eu estou a resenhar e um DVD com cunho documentário & biográfico).

Ao reunir uma bela discografia, tal banda possui clips; vídeos ao vivo, um portfólio formatado com muito material, aparições em programas de rádio e TV, muita interação na Internet e o melhor de tudo: fãs de seu trabalho, muitos por sinal.

Nesta altura, ao lançar o seu último trabalho, o CD denominado: “Hoje”, já chegou ao ponto que todo artista sonha atingir, ou seja, criar uma expectativa generalizada da parte de crítica e do público em relação ao novo trabalho, antes mesmo de entrar em estúdio e claro que esse é um ponto da carreira que todo artista almeja alcançar. Não foi gratuito, haja vista que houve muito esforço; luta, estrada percorrida, mudanças de formação e bastante história gerada até chegar nesse patamar, mas esse dia chegou para a banda e tal realidade acontece, sugestivamente, “Hoje”.

Madura, experiente e sempre batalhadora, a banda apresenta um novo álbum permeado por canções com qualidade e a estabelecer aquela ponte tradicional na trajetória do grupo, no tocante à perfeita simbiose entre as melhores influências do passado e o pé no presente. 

Nesses termos, o Tomada bebe na fonte do Rock sessenta-setentista e soa moderno ao mesmo tempo, falemos em um português claro.

E não aborda o Rock, apenas, visto que no bojo do trabalho, passeia pelo Blues; R’n’B, Soul Music, Pop e até lança pitadas saborosas de MPB na sua receita, fora tudo ser feito com bastante consciência artística, é importante ressaltar-se.

O tecladista, Mateus Schanoski, ao vivo com o Tomada. Foto: Leandro Almeida 

O CD “Hoje”, apresenta onze faixas, sendo que duas dessas canções são releituras muito interessantes, ao estilo daquela maravilhosa MPB setentista, que era tão comprometida com a contracultura, ao confundir-se com o próprio Rock, por isso o mais adequado seria denominá-la como uma espécie de Folk-Rock Music ou coisa que o valha. Sobre as faixas, gostei das canções, dos seus arranjos, letras e o áudio, em torno de uma gravação muito feliz ao realçar os timbres vintage, ao máximo.

O disco abre com “Terno Branco”, um belo Rock, a apresentar teclados muito bem colocados pelo ótimo, Mateus Schanoski, um especialista em timbragens vintage e excelente “piloto de teclas” à moda antiga. 

Gostei muito dos timbres de todos os instrumentos, aliás, com um baixo robusto, bateria a soar como bateria (sem o indefectível uso exagerado de reverber, amém!), e guitarras com ótimo “punch”. São solos muito bonitos de slide, devo acrescentar, da parte do excelente guitarrista, Vagner Nascimento. 

Backing vocals muito bem colocados e o vocal solo do Ricardo Alpendre, dono da voz oficial da banda, a se mostrar cada vez mais técnico e seguro, em uma evolução notável, pois ao contrário de outros cantores que nascem com talento, mas não buscam aprimoramento, Ricardo, estudou e estuda ainda, portanto, o seu talento nato enriquece-se a cada disco novo do Tomada, visto que o estudo engrandece-o sempre, em progressão contínua. A sua dicção é excelente, fora o poder de emissão, agora aliada à técnica de respiração que aprendeu a usar muito bem e por ser muito firme também no quesito afinação, a torná-lo um cantor ótimo e muito consciente do que faz. 

Sobre a canção em si, lembrou-me muitas coisas boas do passado glorioso do Rock brasileiro (O Peso, Bixo da Seda...), e também sobre algumas referências mais modernas. Trata-se de um Rock’n' Roll básico e Pop ao mesmo tempo, com possibilidade para ser radiofônico, tranquilamente. 

A respeito da letra, apresenta um enfoque bastante original, enquanto construção poética, ao fugir dos clichês, totalmente. Quase em tom de crônica, elenca imagens em que o uso de um terno branco pode proporcionar, como possibilidades na vida de um homem, não só pela sugestão empírica, como através de metáforas. Ao pensar nessa hipótese, a impressão que o produtor musical, Antonio Celso Barbieri teve dela e expressou em uma rede social com grande repercussão, ajuda o leitor e ouvinte a ter uma ideia dessa riqueza toda. Barbieri disse que tal faixa e a sua evocação, remeteu-o à figura do John Lennon na capa do LP mítico, "Abbey Road", dos Beatles. Perfeita interpretação em termos simbólicos, eu concordo e acrescento o Walter Franco a andar pela São Paulo noturna dos anos setenta, ao ilustrar a capa de seu álbum, "Revolver", com ambos a usar ternos brancos. Ou seja, uma imagem leva à outra.  
Assista acima um vídeo a conter o "making of" da gravação do álbum: Hoje", do Tomada

Link para assistir no You Tube:

“No Turnig Point”, a segunda faixa, começa com um sensacional piano elétrico. É inevitável não associar ao R’n’B classudo de Ray Charles, mas a música traz também motivações análogas. Lembrou-me bastante o Blues-Rock com alto teor Pop do "Back Street Crawler". Excelente o solo de piano e também o sentido rítmico da base de guitarra, bem espalhada pelo pan do stereo, algo certamente (bem) planejado na pré-produção de estúdio. 

É muito bom o refrão, também com bastante apelo popular (no bom sentido Rocker da expressão), com potencial para ser cantada em uníssono pelo público em festivais com grande audiência em estádios/arenas etc. Solo de guitarra super melódico, gostei muito e com um belo timbre, diga-se de passagem.

O guitarrista, Vagner Nascimento, ao vivo com o Tomada no Centro Cultural São Paulo. Foto: Eduardo Luderer

“Só com a Solidão” começa também com bastante influência R’n’B, e tem um quê de "Barão Vermelho", com aquela divisão rítmica toda entrecortada. Mais um solo ótimo de piano, desta feita o tradicional. Gostei do baixo a passear em andantes estratégicos e da bateria de Fábio Galio ao acompanhar a fragmentação rítmica com muita criatividade, fora as ótimas intervenções com contra-solos e micro-solos de guitarra.


A seguir, uma releitura muito agradável. Se a versão original dos anos setenta já agrada-me bastante, essa versão do Tomada para o clássico blues do Caetano Veloso, "Como 2 e 2", surpreendeu-me muito positivamente. 

Primeiro pela interpretação vocal e visceral de Ricardo Alpendre e sob um arranjo geral, sensacional. A base toda arpejada pela guitarra lembrou-me o clássico, “I’ve Been Loving You Too Long”, de Otis Redding, a firmar uma consistência harmônica, poderosa. O baixo de Pepe Bueno ficou com um timbre espetacular, absolutamente aveludado e encorpado, e sem contar as frases criadas, muito bonitas, sob uma bela construção de linha. 

O órgão Hammond suave, a marcar a camada harmônica, ficou ótimo e a bateria com pouco ou nenhum reverber, absolutamente providencial para garantir uma atmosfera de gravação ao padrão da Black Music sessentista. Adorei o timbre do bumbo, magnífico mesmo e tocado com muito bom gosto pelo ótimo baterista, Fábio Galio. E como se não bastasse tudo isso, os backing vocals ficaram sensacionais (Renata "Tata" Martinelli sempre faz a diferença, eu sei bem disso!). É como ouvir um velho disco da Gal Costa, aqueles do tempo bom em que Gal era To-Tal; Fa-Tal, Le-Gal...

O baterista, Fábio Galio, em ação com o Tomada no CCSP. Foto: Eduardo Luderer

“Terra Batida” tem aquela aproximação saudável com a MPB setentista em que eu aludi no início desta resenha. Tem a ver também com certos artistas da MPB mais atual igualmente e que buscam essa conexão perdida, tais como: Lenine e Zeca Baleiro, entre outros. 

Esta canção tem uma base muito "swingada", com um ótimo trabalho de guitarra e o acréscimo da percussão, pelo bom músico convidado, Tustão Cunha, foi providencial. Muito bem executada, a percussão trouxe um molho incrível ao arranjo final. Tem esse elemento “Doobie Brothers”, igualmente a reforçar o sentido de um balanço muito bem executado. 

Uma parte "C" com uma levada no padrão, R’n’B, é sensacional, por ter oferecido um colorido extra à canção. A sobra do piano ao final, sozinho, foi uma ótima ideia, a garantir a dose de singeleza. Trata-se de uma canção perfeita para ouvir-se na condução de um carro conversível, em meio a uma estrada deserta, e assim a sentindo o cabelo voar e com a sensação de liberdade a permear toda a experiência, é lógico.


“Hoje”, a canção título do álbum, lembra o "The Who" logo no início pelo estilo de riff, mas traz outros elementos retrô, igualmente nobres como referências em seu decorrer. Como por exemplo a presença de elementos psicodélicos deliciosos. Vocais em staccato, com vozes bem processadas, teclados a buscartimbres adoráveis e remotos, por evocar o bom e velho mellotron, uso e abuso de Leslie na guitarra e um contra-solo super processado, muito interessante. Gostei muito da letra, também. 

Veja esse trecho: “Na corrida, maratonistas tão fora de forma, não é o tempo escasso, é você que tem prazo, que também vive o prazo, olha que atraso"... 

E este: “óbvio, parece óbvio, tão óbvio”...


Em suma, é uma crítica ácida aos condicionamentos impostos pela sociedade moderna, mas feita de uma forma tão sutil, que não agride, não tem ranço panfletário, mas muito pelo contrário, ostenta um senso poético incomum nos dias atuais. Ponto para o Tomada, mais um aliás.

Eis acima o clip oficial da canção: "Trouxe Flores"

O link para assistir no You Tube é:

“Trouxe Flores”, de certa forma toca no assunto que bandas midiáticas como "Ira" e "Titãs" trouxeram à baila nos anos oitenta, mas o Tomada de fato trouxe flores com muito maior contundência. A performance da banda nessa canção é tão vigorosa quanto delicada, a revelar uma uma simbiose difícil de obter-se, mas a banda logrou êxito em minha percepção. O refrão é tão Pop quanto o das respectivas canções das bandas oitentistas que citei, só que aqui o Rock aconteceu, como se deve.


“5 Am” tem uma leveza e aposta em harmonia e melodia Pop ao sabor do “R’n’B”, mas apresenta as suas sutilezas. Por exemplo, em certos trechos da melodia principal, onde foge um pouco do padrão tradicional e ousa ao buscar escalas não usuais. Tem um ótimo solo de piano, também.

Uma panorâmica do Tomada no palco do CCSP, ao vivo, e com o vocalista, Ricardo Alpendre, em destaque sob foco de luz. Foto: Eduardo Luderer

“Carnaval” começa com uma batucada de samba, o que não é exatamente uma inovação para uma banda de Rock, mas sempre causa um efeito surpresa ao ouvinte Rocker tradicional que não conta com isso, habitualmente, digamos assim. A canção é Pop, e também traz uma linha melódica interessante ao alternar o refrão no padrão "chiclete" tradicional, para tocar e fazer sucesso radiofônico, mas ao mesmo tempo em outros trechos há uma passagem com uma métrica nada usual, portanto, vejo com mérito essa preocupação da banda em misturar conceitos. 

Sobre a letra, trata-se de uma interessante abordagem acerca da questão da inspiração, em princípio a parecer uma letra a evocar o amor homem-mulher, mas a conter implicitamente o efeito da metalinguagem, com o artista a falar de seu próprio processo de criação e propósitos na música.


Veja este trecho de “Carnaval”: 
“Eu vou pedir para Deus inspiração, pra te fazer declaração, fazer você sentir verão pra te fazer chorar / eu vou querer também explicação se não der certo, não vou ficar na mão, sou eu quem vou chorar”...


A seguir, vem uma outra releitura, desta feita: “Ama Teu Vizinho como a Ti Mesmo”, canção emblemática de Sá; Rodrix & Guarabyra, clássico daquele saboroso Rock Rural dos anos setenta, cheio de contundência e brilho, marca registrada daquele trio, que o fazia tão bem. E nesta versão do Tomada, a roupagem ficou sensacional, com uma pegada Rocker inequívoca.

Da esquerda para a direita : Fábio Galio (na bateria ao fundo); Ricardo Alpendre; Pepe Bueno e Vagner Nascimento. Foto : Eduardo Luderer 

“Sensação” resgata a sonoridade dos primeiros trabalhos do próprio Tomada, ao garantir o sentido do Boogie Woogie primordial, mas neste caso contém um apelo Pop muito bom. Gostei bastante da harmonia e da melodia principal. Mais uma faixa com potencial Pop e a provar que o Tomada ficou bom em fazer música nesses moldes. 

Se fosse em uma época passada, onde a difusão mainstream era um pouco menos egoísta, canções assim estariam a tocar muito nas emissoras de rádio, mas os responsáveis por tal decisão, atualmente, nem cogitam dar chances para bandas de Rock underground, como bem sabemos, uma lástima. Tudo bem, sem resmungar, vamos ouvir “Hoje” que vale muito mais a pena e deixemos as rádios a tocar o seu pastiche anti-musical e deprimente.

Sobre a capa, gostei bastante da ilustração. É pura impressão pessoal, mas lembrou-me os filmes do cineasta francês, Jacques Tatit, bem naquela sugestão meio nonsense do personagem, Monsieur Hulot. Bem criativa a ideia da ilustração do motociclista a fundir-se com a porta do galpão e a moto ser verdadeira, dentro desse contexto. Também é interessante os cartazes velhos a conter os nomes da músicas. Neste caso, trata-se de um ótimo trabalho do artista gráfico, Fabio Matta.

Para sintetizar, o Tomada avança ao mostrar amadurecimento, criatividade e força nesse seu novo trabalho. Eu recomendo!
Foi gravado nos estúdios Orra Meu e Musicaria 2 Irmãos e mixado no DaCosta Digital Studio, todos em São Paulo. 

O guitarrista das bandas "Flying Chair" e "8080", Claudio “Moco” Costa, foi o técnico de captura e mixagem, além de uma especial atenção na direção das vozes, Houve também a participação do guitarrista, Martin Mendonça (Pitty e "Agridoce"), como coprodutor da mixagem e a representar a banda nesse processo, o baixista Pepe Bueno.

Técnicos auxiliares: Marcello Schevano; Gabriel Martini e Fábio Galio.

Capa e encarte (criação; lay-out e arte-final): Fábio Matta (visite o seu site: bardeideias.com)

Fotos promocionais & ao vivo: Eduardo Luderer e Leandro Almeida
Selo/distribuição virtual e física: Tratore

Produção executiva: Pepe Bueno

Produção Geral: Tomada


A formação da banda nesse disco:

Pepe Bueno: Baixo e Voz

Ricardo Alpendre: Voz

Vagner Nascimento: Guitarra e Voz

Mateus Schanoski: Teclados e Voz

Fábio Galio: Bateria e Percussão



Músicos convidados:

Marcelo Gross ("Cachorro Grande"): Guitarra em “Hoje”

Renata “Tata” Martinelli: Voz em “Como 2 e 2” e “Terra Batida”

Tustão Cunha: Percussão em “Terra Batida”; “Ama Teu Vizinho como a Ti Mesmo” e “Carnaval”



Matéria anterior sobre o Tomada publicada neste Blog:




O álbum pode ser escutado na íntegra na plataforma Spotify:



Também na plataforma Deezer:



Contato direto com a banda:
http://www.tomadarock.com.br

Tomada. Da esquerda para a direita: Vagner Nascimento; Mateus Schanoski, Ricardo Alpendre, Fábio Galio e Pepe Bueno. Foto: Eduardo Luderer

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

DVD XII Estradas, Sons e Estórias na Terra do Rock Tupiniquim / Tomada - Por Luiz Domingues

Em meio às gravações do novo álbum do Pedra, diante de uma adversidade técnica, e totalmente alheia à nossa vontade (que arruinou o trabalho de uma sessão inteira de gravação de vozes), recentemente (refiro-me a outubro de 2013), o guitarrista, Xando Zupo, olhou-me e disse em tom de lamento : -"e 99% das pessoas não fazem a menor ideia de quanto trabalho dá, para gravar-se um disco"... ou seja, é a pura verdade, entretanto, não vou estender-me nessa questão agora, quem sabe um dia eu abordo esse assunto em específico em outra matéria.

Todavia, essa constatação bateu de encontro com a sensação que tive ao assistir o recém lançado DVD do grupo, Tomada, onde através de um documentário muito bem produzido, seus membros narram com muito bom humor, a trajetória de sua carreira. E como acompanhante dessa saga, pois conheço a banda desde o seu nascedouro, dou-me ao luxo em retroagir ainda mais do que eles mesmos, o fizeram no DVD.  
No documentário, computa-se o ano 2000, como o início das atividades oficiais da banda, justamente com a entrada do vocalista, Ricardo Alpendre, na formação, e assim, fala-se bem rapidamente da formação anterior. Porém, em meu caso, que acompanhei como amigo desde os seus primórdios, o Tomada começou em 1992, quando eu ministrava aulas de baixo em minha própria residência, e um dia recebi um novo aluno que combinara a aula comigo por telefone, mas cujo rosto eu ainda não conhecia. Quando abri a porta, dei de cara com um adolescente, muito novo, imberbe, e a usar cabelos longos, como se vivesse nos anos setenta. 
Marcelo Bueno em minha sala de aulas, na metade dos anos noventa

Rapidamente eu notei que apesar da pouca idade, Marcelo Bueno (apelidado como "Pepe", pelos amigos), não estava ali à toa, e que mesmo muito jovem, mostrava-se muito determinado, e possuía influências improváveis pelo anacronismo da época. Logo, Bueno, como eu o chamei desde o início, tornou-se amigo de diversos outros alunos, e assim a revelar-se uma referência, pelo fato de que à medida que avançava na idade e maturidade, mais convicção pelo Rock, demonstrava. 
 Marcelo Bueno, aqui acompanhado dos irmãos Schevano : Ricardo (Baranga), e Marcello (Carro Bomba), na minha sala de aulas, na metade dos anos noventa.

Ainda estávamos na metade da década de noventa, e Bueno contaminava positivamente diversos outros alunos, ao chegar em minha casa a usar calças "boca-de-sino"; batas indianas coloridas e a ostentar uma vasta cabeleira pela cintura, como se estivesse em 1970, e não em 1996. Um pouco além desse ponto inicial, ele já  montou a banda : "Soulshine", com influências do Southern Rock; Psicodelia; Hard-Rock, e assim, tal banda mostrou-se uma usina de Vintage Rock, a proporcionar boas vibrações à todos os demais alunos e agregados que frequentavam a minha sala de aulas. 
                              O guitarrista, Pedro Ayoub

Certamente que tratou-se da raiz primordial do Tomada, e já contava com a presença do guitarrista, Pedro Ayoub, a quem chamávamos como : Pedrinho "Wood", não só pela semelhança física, mas pela mão muito parecida que tinha, no estilo do grande guitarrista dos Faces e Rolling Stones, Ron Wood. Por volta de 1998, a banda já fora rebatizada como Tomada, e aí, após algumas mudanças, estabilizou-se com o Marcelo Bueno (baixo e Voz); Rodrigo Casais Gomes (Guitarra); Ricardo Alpendre (Vocais), e Jeff Mello (Bateria). Já em 2001, o Tomada abriu um show da Patrulha do Espaço, onde eu estava a fazer parte da formação, na cidade de Itu, no interior de São Paulo. Tenho até uma história engraçada sobre esse dia, mas não revelarei aqui, para deixar para contar em minha autobiografia que está a ser escrita, e publicada no combalido Orkut (comunidade "Luiz Domingues"), e republicada em meu Blog 2.

A banda entrou, daí em diante, em um esquema de trabalho; produção e esforço, que poderia evocar a trinca "sangue; suor & lágrimas", tranquilamente. Shows e mais shows, desbravadores, a angariar simpatia de quem aprecia o Rock'n Roll; Boogie; Blues; Garage Sixties; R'n'B; Soul Music; Rockabilly; Southern Rock; Hard-Rock; e Psicodelia, entre tantas outras ramificações com as quais essa banda soube tão bem trabalhar. 
No início dos anos 2000, viabilizaram uma demo-tape mais bem gravada, e daí catapultou-se enfim, a possibilidade em lançar um CD bem produzido.

Em : "Tudo em Nome do Rock'n Roll", expuseram toda a carga criativa acumulada desde os primórdios, e mais uma porta precipitou-se a abrir. Com Keko Freitas a assumir as baquetas, o line-up seguiu firme com Bueno; Alpendre & Casais Gomes nas demais vagas. Clips; shows em festivais importantes; saídas para apresentações interestaduais; e um portfólio em crescimento vertiginoso, levou o Tomada ao ponto de lançar o segundo CD.
Em "Volts", de 2005, a banda mostrou-se ainda mais azeitada, segura e madura. Mais anos de luta; estrada e mudanças na formação, advieram, todavia com os pilares sempre sólidos, mantidos por Bueno e Alpendre, fizeram com que a banda chegasse a um grande momento.

Com uma rápida passagem do grande guitarrista / cantor e compositor, Denny Caldeira, pela formação, não deu tempo suficiente para essa união que prometia surtir efeito, mas nada esmoreceu essa banda, e assim, logo seguiu em frente.

"O Inevitável", álbum lançado em 2011, é um trabalho que mostra o Tomada a atingir um nível de excelência artística impressionante.

Trata-se de um disco recheado por canções inspiradíssimas, com grande apuro técnico, e a evocar ícones do Rock e da Black Music, de uma forma muita acentuada. Com Alexandre Marciano (Bateria); Lennon Fernandes (Guitarra, Teclados e Voz) , e Marcião Gonçalves (Guitarras e Voz) na formação, a aliar-se aos remanescentes, Bueno e Alpendre, a banda aprumou-se de uma forma incrível. Shows; clips; aparições em programas importantes da internet, resenhas ultra elogiosas... 
E lá foi o Tomada a conduzir a sua carreira adiante, com a energia perseverante com que lidam com tal determinação, desde o início. Uma mudança de formação novamente ocorreu, mas não deu tempo do público especular sobre possíveis prejuízos, pois rápidos no gatilho, como sempre, Bueno e Alpendre reformularam a banda sob uma velocidade estonteante. 


Sob um primeiro instante, Pedro Ayoub, da primeira formação pré-Tomada, foi trazido de volta, para juntar-se aos novos componentes : Vagner Nascimento (Guitarra e Voz); Paulo Navarro (Bateria) e Mateus Schanoski (teclados).

Agora sem Pedro, a formação mais atual, acima citado. (mais Bueno e Alpendre, é claro), está a mil por hora nos shows, a preparar músicas novas e empenhada no lançamento do DVD : "XII Estradas, Sons e Histórias na Terra do Rock Tupiniquim". 
Foi com muito prazer que assisti o DVD, onde o documentário conta a história da banda, mediante os depoimentos de integrantes, somados à imagens raras dos bastidores de shows; gravações; apresentações de TV, e cenas do cotidiano da banda, desde 2000.

Nos extras, existe ainda um especial muito bom sobre os bastidores da gravação do CD "O Inevitável"; todos os clips lançados pela banda, e um mini-especial da banda ao vivo, realizado no Centro Cultural São Paulo, em 2012, em formato acústico, muito bonito e a passar a imagem de um belo clima. 
Confesso que fiquei emocionado ao assistir o DVD, pois conheço a trajetória desses artistas, desde o começo. Mais que isso, são meus amigos pessoais, e nossas respectivas histórias na música, cruzam-se em diversas interligações com amigos em comum. Agora, volte ao início da matéria e relembre como eu a iniciei... sim, dá muito trabalho fazer música autoral !
Começa muitos anos antes do artista esboçar ficar conhecido, quando resolve aprender um instrumento musical. Caso do Marcelo Bueno, que em uma tarde do início de 1992, foi tocar a campainha da minha residência.
Passa por anos e anos de apuro; ensaios; formação de bandas de garagem; apresentações em pequenas casas noturnas; festivais estudantis, e similares. Envolve uma enorme determinação em lançar-se em um mercado hostil, fechado por natureza intrínseca. Significa investir horas e horas em estúdios de gravação, até poder lançar o primeiro álbum... 

Lutar; tocar; divulgar; cair na estrada e lançar o segundo álbum; o terceiro; e continuar com a determinação de preparar o quarto, o quinto... pois essa história em torno da perseverança, e amor ao Rock, é a marca registrada do Tomada, e esse recém lançado DVD, mostra isso, com muita emoção. 

Recomendo este DVD, e por conseguinte os álbuns, e claro, que o leitor possa conferir ao vivo o Tomada, uma banda que já escreveu o seu nome na história do Rock brasileiro, mas pelo que conheço do temperamento de seus membros, tende  a escrever ainda muito mais histórias, doravante.  
Contato direto com o Tomada : tomadarock.com.br 

Crédito de fotos : Grace Lagôa; Victor Daguan e outros não identificados.