sábado, 17 de março de 2012

The Grapes of Wrath (As Vinhas da Ira) - Por Luiz Domingues


O escritor norte-americano John Steinbeck, lançou em 1939, um livro chamado "The Grapes of Wrath" (As Vinhas da Ira), enfocando a saga de uma família lutando para sobreviver à grande depressão americana da década de trinta.

Nessa obra, retratou de forma muito comovente os anos difíceis em que o povo americano viveu, graças ao grande crash da Bolsa de Valores de Nova York, no ano de 1929.

Como sempre, quem mais sofreu foram as camadas mais simples da população. Pequenos fazendeiros perderam suas terras (impossível quitar as hipotecas); operários se viram no olho da rua, com fábricas falidas, comerciantes em frangalhos etc etc.
Foi assim que o já consagrado diretor John Ford, levou para as telas essa saga de Steinbeck, em 1940.

A adaptação do livro para o cinema foi boa, na medida do possível onde sempre o livro tem muito mais detalhes, mas Ford foi feliz nessa adaptação do roteiro.


Contando com um elenco de ótimos atores, realizou um filme extremamente pungente, apesar da aspereza do tema e de situações dramaticamente duras, porém reais no tocante à absoluta penúria que a depressão causou ao povo americano menos favorecido.
O personagem principal se chama Tom Joad. Um homem rústico que cometeu um crime e ficou preso por muitos anos. Agora em liberdade, volta para a casa e vê a família em situação de penúria, com a pequena propriedade rural perdida, e sem perspectivas.

Sem outra alternativa, a família junta todas as suas economias e investe na compra de uma caminhão velho e se põe a caminho da Califórnia, um dos únicos, senão o único estado da federação, onde a crise estava sendo suportada, graças à riqueza das fazendas produtoras de laranja, pêssego e algodão, principalmente, e à indústria cinematográfica em expansão.

A viagem da família, cruzando vários estados a partir de Oklahoma, é muito emocionante. Sem recursos, com o desconforto de um caminhão horroroso, e quebrando pelo caminho, fome, sede e calor...

Para agravar esse sofrimento, o vovô morre na estrada, não suportando a viagem. Logo a seguir, vai embora a vovó, não aguentando a perda do marido.

À medida que avançam, vão encontrando diversas outras famílias na mesma situação miserável, lutando pela sobrevivência, vindas de outros estados e sonhando com dias melhores na ensolarada Califórnia.
Quando chegam na fronteira desse estado, já estão em meio à um inacreditável comboio de excluídos de todo o país. De fato a depressão não foi nada fácil.

O volume de migrantes famintos era tanto, que o governo estadual da Califórnia montou uma triagem policial na fronteira. Era preciso apresentar documentos comprovando residência fixa, trabalho contratado, ou uma quantia mínima de dinheiro em mãos para adentrar o território californiano.

A família de Tom Joad faz das tripas coração para poder ter essa chance e finalmente consegue uma colocação numa fazenda. 
Infelizmente, muitos inescrupulosos se aproveitavam da situação lamentável desses retirantes e lhes oferecia trabalhos em condições de quase-escravidão.

Remunerações miseráveis eram oferecidas em contratos maliciosos, onde toda a despesa de subsistência era cobrada em preços extorsivos, fazendo com que o trabalhador ficasse sempre devendo ao empregador, tornando o trabalho, escravo, veladamente.

Após muitas confusões, conseguem se livrar dessa situação e acham uma outra fazenda onde as condições de trabalho são enfim, dignas. Mas mesmo assim, tragédias com enchentes e incêndios os fazem rumar para outro destino incerto.

Num desses lugares, se envolvem com gangs de sabotadores e numa briga, ocorre um assassinato. Sem saída, a família sai em fuga, mas vendo que seriam apanhados facilmente, Tom Joad resolve fugir sozinho, dando uma chance melhor de sobrevivência à sua família.
O famoso discurso do personagem Tom Joad é de arrepiar : "Eu estarei nos cantos escuros. Estarei em todo lugar. Onde quer que olhe. Onde houver uma luta para que os famintos possam comer, eu estarei lá. Onde houver um policial surrando um sujeito, eu estarei lá. Estarei onde os homens gritam quando estão enlouquecidos. Estarei onde as crianças riem quando estão com fome e sabem que o jantar está pronto. E, quando as pessoas estiverem comendo o que plantaram e vivendo nas casas que construíram, eu também estarei lá".
O grande ator Henry Fonda interpretou Tom Joad com um olhar tão desesperançado, que realmente fica difícil imaginar outro ator nessa interpretação.

Jane Darwell; John Carradine; Russell Simpson; O.Z. Whitehead; e John Qualley, entre outros, participam desse grande filme, também.

Um filme impressionante, emocionante e histórico.
Texto inédito, elaborado para este Blog em março de 2012.

2 comentários:

  1. Excelente filme,atores,diretor.... realmente um filme inesquecível,parabéns pelo belo texto amigo.

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    1. Concordo inteiramente contigo, Kim ! Um filme impecável sob todos os aspectos.

      Obrigado, amigo !

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