sexta-feira, 23 de março de 2012

Rock Star - Por Luiz Domingues

A história de todo artista é quase sempre a mesma: primeiro enlouquece vendo artistas consagrados em ação; depois tenta imitá-los desesperadamente, e numa etapa mais madura, finalmente encontra seu estilo e personalidade própria.

Essa é a história do filme Rock Star, onde um aspirante a artista sai repentinamente da condição de vocalista cover de uma banda tributo, para vocalista oficial da banda que ele idolatrava.

O filme é inspirado na trajetória do vocalista Tim "Ripper" Owens, que um dia entrou para o Judas Priest, substituindo Rob Halford.


Mark Wahlberg interpreta Chris Cole, um rapaz de Pittsburgh que trabalha consertando máquinas de xerox, mas é também vocalista de uma banda cover chamada "Blood Polluttion", que faz tributo à fictícia banda "Steel Dragon". 

O ambiente é o do Heavy-Metal dos anos oitenta, com todos os exageros visuais e sonoros daquele estilo e década.
O filme começa com esses contrastes entre a vida simples em família, o trabalho maçante e as pequenas apresentações da banda cover "Blood Pollution". 

Chris Cole (Wahlberg ), parece ser o único a levar a sério sua banda cover e cobra dos companheiros a perfeição na execução das músicas do "Steel Dragon".
                          
Sua namorada, Emily Poule (Jennifer Aniston - Ex-"Friends") é a produtora da banda cover, e sua principal incentivadora.

Um dia, recebe o telefonema do guitarrista do Steel Dragon, Curt Cuddy (interpretado por Nick Catanese), e é convidado a fazer teste para entrar na banda. Em princípio não acredita, todavia era verdade...

A sequência a seguir é muito interessante, pois retrata o verdadeiro choque térmico que o personagem e a namorada sofrem ao se depararem com o mundo mainstream. A começar pela mudança de seu nome artístico, passando a se chamar simplesmente : "Izzy", doravante.

Uma das cenas que melhor retratam esse deslumbramento é quando Chris Cole/Izzy vai tirar as primeiras fotos promocionais como vocalista do "Steel Dragon" e posa rindo, pois não conseguia conter sua euforia, em meio aos companheiros experientes, todos fazendo "cara de mau".

E no primeiro show, o completo despreparo ao atuar num palco imenso, tropeçar e tomar um tombo feio, que só não arruinou tudo, porque continuou cantando, sangrando e tudo...

Assédio; festas malucas no camarim, e farras pelos hotéis, tudo é deslumbramento e excitação para Chris Cole/Izzy que agora canta na banda que antes idolatrava.

Mas as pressões também começam a miná-lo. O clima na banda é opressivo com cobranças e não há nenhum espaço para criar, apenas seguir as ordens do líder (o guitarrista Kirk Cuddy - Nick Catanese), e do empresário da banda (Mats, interpretado pelo ator britânico Timothy Spall, que fez o baterista da banda Strange Fruit, no filme Still Crazy).

Começando a virar junkie & drunkie, vai piorando sua performance e enfim percebe que tudo aquilo era uma farsa e resolve dar uma guinada na vida.

O universo do Heavy-Metal oitentista não é a minha praia, mas eu gosto bastante desse filme, por vários aspectos.

Primeiro, por discutir essa questão da idolatria sob os dois lados do mesmo espelho. E também pelas boas cenas de shows, bastidores e loucuras com festas regadas a groupies, retratando bem o clima de uma banda em seu auge de sucesso mainstream.


                                      
Uma grande ideia foi a de recrutar músicos verdadeiros dessa cena para interpretarem os músicos da banda "Steel Dragon" e também da banda cover "Blood Pollution". Dessa forma, estão ali músicos como Zakk Wylde; Jason Bonhan; Jeff Pilston; Nick Catanese; Blas Elias; e Brian Vander Ark.

E a voz de cantor de Heavy-Metal do personagem Chris Cole/Izzy, foi emprestada por dois vocalistas autênticos : Miljenko Matijevic e Jeff Scott Soto.

Dirigido por Stephen Herek e com a trilha assinada pelo guitarrista Trevor Rabin (ex-Yes, fase oitentista), numa produção de 2001.

Bom filme, podem assistir que é diversão garantida.
Matéria publicada inicialmente no Blog do Juma, em 2011.

2 comentários:

  1. Ótimo texto Luiz,rock star é um grande filme,só não gostei muito do final...é muito bom eu recomendo,abraços!

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    1. Obrigado, Kim !

      E acho que você tem razão, o final é meio moralista, no sentido de mostrar o personagem despojando-se de seus sonhos, como se o sonho em si, fosse um "erro". Os abusos da estrada são de responsabilidade pessoal de cada indivíduo e não da estrada em si, como muitas pessoas podem ter entendido na versão que o diretor imprimiu.

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