domingo, 1 de abril de 2012

Sweetwater, Uma História Real - Por Luiz Domingues


Imagine entrar no palco do festival de Woodstock e ser a primeira banda a se apresentar, diante de 500 mil pessoas, quando a previsão inicial dos produtores, estimava que seria um público muito menor...

Foi o que aconteceu com a banda californiana Sweetwater, que subiu ao palco logo após a performance de Richie Havens.

E por um enorme infortúnio, essa performance não entrou no filme, tirando da banda a oportunidade de estourar em escala mundial.

Em 1999, o canal VH1 resolveu investir no filão de filmes biográficos de artistas do Rock e a história trágica do Sweetwater foi a escolhida para ser a primeira produção dessa leva de filmes, que a emissora batizou de "Movies That Rock". 


E assim resolveram iniciar pela história dessa banda, dando ao filme o título de : "Sweetwater, a True Rock Story"(no Brasil, foi batizado de : "Sweetwater, na Estrada do Rock").
O filme abre nos tempos modernos (final dos anos 1990), com uma sugestão de pauta para um programa jornalístico : o que teria acontecido com a banda que esteve em Woodstock e não "estourou" ? Numa autêntica metalinguagem com a própria função do filme e do papel da VH1.

A jornalista investigativa Cami Carlson (interpretada por Kelli Williams), sai a campo tentando achar o paradeiro dos membros do Sweetwater e principalmente da vocalista, Nanci Nevens.


Encontra o tecladista Alex Del Zoppo (Interpretado quando mais velho por Frederick Forrest -The Rose) e este agora trabalhando como empreiteiro, está cheio de mágoas e demora a aceitar a entrevista. Recusando-se a falar sobre o fim da banda, prefere falar do início.

Começa então o flashback que nos remete aos anos sessenta. Toda a história real é contada sem grandes mudanças. 


O começo em apresentações insípidas, o momento em que conhecem Nanci Nevins (interpretada quando jovem por Amy Jo Johnson), que ainda menor de idade, tinha problemas para se apresentar em casas noturnas e sobretudo pela resistência de sua mãe, que era frontalmente contra sua filha estar se envolvendo com aquele bando de cabeludos etc e tal.

Os primeiros ensaios; shows; as primeiras oportunidades que surgem então, com o Sweetwater abrindo grandes nomes do Rock sessentista, como Grateful Dead; Jefferson Airplane; Jimi Hendrix; The Doors; Cream; Spirit, e outros tantos, incluso Janis Joplin.
 

E aí surge o convite mastodôntico para participar do festival de Woodstock, o que catapultaria a banda ao mega estrelato, sem dúvida.

Contudo, um lamentável acidente automobilístico, deixou Nanci Nevins sem voz por um longo período e então, vendo que a banda passava por esse hiato, os produtores do filme oficial do festival suprimiram o Sweetwater da edição final, fazendo-os perder o bonde da história.

Daí, o filme retrata os momentos difíceis vividos por Nanci Nevins, sua lenta recuperação, e a frustrada tentativa de seguir carreira solo, muitos anos depois.

Voltando ao presente, a repórter consegue convencer Nanci Nevins (interpretada quando mais velha, pela atriz-cantora Michelle Phillips), a prestar depoimento e após muita resistência, se reconciliar com seus velhos companheiros.

Apenas nesse detalhe, uma ligeira licença poética, a história foi adocicada pois na vida real, o Sweetwater se reuniu oficialmente para participar do festival de Woodstock de 1994, comemorativo dos 25 anos da edição do original. E embalou nessa volta, existindo até hoje, inclusive tendo lançado alguns trabalhos novos.


A atriz Amy Jo Johnson cantou com sua voz os números do Sweetwater no filme, pois é cantora na vida real. E a escolha de Michelle Phillips para interpretar Nanci Nevins quando mais velha, também foi uma grande sacada da VH1, pois ela foi um ícone sessentista como cantora, no The Mamas and the Papas e contemporânea da Nanci Nevins verdadeira.

O filme teve uma audiência extraordinária, batendo o recorde da emissora e trazendo toda uma nova geração a se interessar pelo trabalho da banda.

Muito boa a produção, com figurino, direção de arte e ambientação sessentista fidedigna. A trilha sonora é sensacional com o som do Sweetwater, cheio de elementos folk, misturados a um sofisticado groove jazzístico e pincelados por doses maciças de psicodelia, além do uso de bastante percussão, conferindo-lhe elementos latinos. E o fato exótico de ter um violoncelista como membro fixo, trazia também uma certa pitada de música erudita ao trabalho.

Músicas clássicas do repertório do Sweetwater, como "Motherless Child"; "What's Wrong"; "In a Rainbow"; e "Why oh Why", entre outras, abrilhantam o filme.

Recomendo assisti-lo e pesquisar sobre o Sweetwater real, posteriormente.


Matéria publicada inicialmente no Blog do Juma, em 2011.

10 comentários:

  1. Puts Luiz Domingues, agora realmente minha mente ficou aguçada para curtir essa banda.Porque até então para mim era totalmente desconhecida.Quando eu tiver um folga do meu trabalho, vou dar uma pesquisada para ver se encontro algum material para escutar ou assistir.Excelente matéria diga-se de passagem.

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  2. Grande Valdi !

    Esse filme é muito legal por retratar a estória do Sweetwater. E a banda era de fato muito legal. Postei no Google+ uma seleção de músicas deles e mencionei esse seu comentário postado no meu Blog. Muito legal a sua participação !!

    Recomendo ambos : A banda de verdade e o filme retratando-o.

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  3. Eu adoro essa banda!!! Eu realmente estava curiosa para saber o paradeiro deles, gostei de saber da história, e estou muito curiosa pra ver esse filme!! Tomara que passem de novo na VH1!

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    1. Que legal, Fernanda !

      Esse filme é emblemático por ter resgatado a estória/história do Sweetwater e com esse trabalho de pesquisa, ter dado uma chance à novas gerações de se ligar no bom trabalho dessa turma de Nanci Nevens. Acho que deva ser fácil achar para baixar na internet, mas também é bom ficar de olho na grade da VH1, principalmente na sessão "Movies That Rock", que geralmente passa às 23:00 h. A minha cópia, eu gravei quando passou no Telecine Premium, em 2002. Muito grato pela atenção e comentário !

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  4. Luiz, Você não consegue disponibilizar essa sua cópia para download??

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    1. Oi, Andreza !

      Que prazer receber a sua visita no meu blog. Agradeço a participação e deduzo que tenha apreciado esta matéria em questão, levando-se em conta a sua solicitação.

      Não tenho grandes dotes na informática, portanto, não sei como se faz para providenciar o que me pediu. Mas fique à vontade para copiar e publicar onde desejar. Em caso de republicação, peço-lhe a gentileza de dar-me o crédito e citar a fonte de meu Blog, se possível.

      Tenho outras matérias com teor parecido,aqui no Blog. Convido-a a examiná-las !!

      Um grande abraço !!

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  5. como baixo esse filme....assisti em 2001 mas não acho mais

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    1. Rapaz, realmente esse filme sumiu.

      A cópia que tenho é oriunda de uma exibição em canais fechado da TV a cabo, mas nunca o vi em locadoras, tampouco sei de algum site que disponibilize seu download.

      Sabendo de algo, posto aviso aqui mesmo na matéria, para você e todo mundo que o procura.

      De qualquer maneira, muito grato por ter visitado o meu blog, lido e comentado a resenha !!

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  6. Esse filme nao se acha na internet. Já procurei e nao tive êxito. Quanto a banda, trata-se de grandes músicos e representantes da atmosfera mágica que reinava naquela época, A mágica década de 60, toda sua criatividade e grande efervescência cultural.

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    1. Olá, amigo !

      Antes de mais nada, estou honrado e muito feliz por sua visita ao meu Blog. Perdão pela demora em responder-lhe, mas é que postagens mais antigas ficam mais escondidas e o Google demora a avisar-me quando novos comentários surgem.

      Sobre o filme, tem razão. Infelizmente por questão de direitos autorais, é difícil encontrar cópia no You Tube ou demais plataformas de disponibilização de vídeos. Aguardemos que essa regra caia e surja uma oportunidade, visto que a obra vale muito a pena.

      E a respeito da magia dos anos sessenta, nem me diga...não há nada comparável em termos de profusão de criatividade e sem contar aquela euforia toda que gerou em termos culturais e sociais com tantos eventos e avanços incríveis. E o Sweetwater estava lá, fazendo parte desse caldeirão borbulhante.

      Super grato pela sua participação e deixo o convite : meu blog tem outras matérias sobre contracultura sessenta / setentista, enfocando diversos aspectos dessa efervescência que você tão bem observou. É só procurar nos arquivos do Blog. A casa é sua, fique a vontade !

      Peace and Love !!

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