terça-feira, 12 de junho de 2012

All About Eve, Ficção e Verdade - Por Luiz Domingues


Eve Harrington (Anne Baxter), é uma atriz bem sucedida e logo na primeira cena, está recebendo um prêmio cobiçadíssimo. É a melhor atriz do ano e ao receber seu prêmio, nota-se o desconforto de muitas pessoas insatisfeitas com essa premiação.

Os olhares de inveja se misturam aos de rancor, desprezo, raiva, despertando uma atmosfera pesada.

Flashback e essa Diva do Teatro está agora no passado. Ensopada, mal vestida e com semblante sofrido, mais parece uma figura digna de dó, na porta de um teatro.
Uma produtora da estrela do teatro, Margo Channing (Bette Davis), a tirou da chuva e a introduziu no camarim onde a Diva acabava de se despir de sua personagem e conversava com seu diretor e o escritor da peça que está encenando.

Tímida e prosaica, confessa ser obcecada por Margo e a acompanha por toda a turnê. Sabe de cor todas as suas falas da peça e não faz mais nada da vida a não ser idolatrar Margo.
Mesmo sendo temperamental e sarcástica, Margo dá uma chance e Eve se torna sua assistente.

Aos poucos, vai se envolvendo, soltando-se e todo aquele jeitinho ingênuo e devocional vai desmascarando-se e numa ocasião em que Margo adoece, Eve a substitui no espetáculo, pois é atriz também, conhece todo a peça, sabe de cor as falas e é muito mais jovem e bonita...
Bingo !! Encanta os produtores, recebe convites para atuar no cinema, passa a ganhar prêmios...seu plano logrou êxito e seu talento de atriz se fez valer desde o início, quando interpretou uma coitadinha, pobre e molhada da chuva, na porta do teatro.

Uma surpresa é guardada para o final, mas se você se envolveu com o filme e prestou atenção nas entrelinhas, verá que não era tão surpresa assim...
O filme versa sobre a inveja, a dissimulação, o interpretar no cotidiano, vestir máscaras para obter resultados, passar por cima das pessoas a todo custo etc.

Trata-se de uma produção muito sofisticada, com uso e abuso de diálogos mordazes, alguns com requinte de crueldade, revelando os bastidores de um meio artístico onde a fogueira das vaidades nunca se apaga.

Além da dupla sensacional de atrizes, Bette Davis e Anne Baxter, o elenco é estrelar, com George Sanders; Thelma Ritter; Celeste Holm; Hugh Marlowe; Gary Merill, e uma muito jovem e inexperiente Marilyn Monroe num pequeno papel, fazendo quase o papel dela mesma à época, ou seja, uma jovem e ingênua aspirante a atriz se atirando num mar de tubarões famintos...

"All About Eve" está sem dúvida entre os mais significativos filmes da década de cinquenta, dado aliás que é muito relevante em se considerando que a década de cinquenta foi uma das melhores da safra americana.
Venceu o Oscar de melhor filme, melhor ator coadjuvante (George Sanders), melhor diretor (Joseph L. Mankiewicz), melhor som e melhor figurino.

Fora as indicações onde não venceu, que foram muitas, incluso melhor atriz, com Bette Davis e Anne Baxter concorrendo juntas.
Mankiewicz foi um diretor de longa filmografia e grandes trabalhos. All About Eve é um deles, sem dúvida.

Gosto desse filme sobretudo pelo seu caráter dúbio, pois mesmo versando sobre o mundo do teatro e seus bastidores, nos deixa a clara impressão de que a interpretação não se restringe ao palco, mas com as pessoas em geral vivendo personagens o tempo todo no mundo real.
Resenha publicada inicialmente numa comunidade Joseph L. Mankiewicz da extinta Rede Social, Orkut, num tópico sobre "All About Eve", aberto por eu mesmo, Luiz Domingues, no ano de 2010.

2 comentários:

  1. Esse filme é o máximo!! Concordo que é um dos melhores da década! Não acredito que elas não ganharam o Oscar, mereciam muuuito!!!

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  2. Verdade ! Aliás, o Oscar é pródigo em cometer diversas injustiças. Não pode servir de parâmetro para analisar o cinema, de forma alguma.

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