quarta-feira, 23 de maio de 2012

Paulistão com Formato de Copa ! - Por Luiz Domingues

Que os campeonatos estaduais perderam muito de seu interesse e charme, não resta nenhuma dúvida. Os cariocas argumentam que o estadual do Rio é o mais charmoso do Brasil e isso é questionável demais, pois sem clássicos no Maracanã e com times pequenos insípidos que não exercem a mínima resistência, fazendo das respectivas Taças Guanabara e Rio, quadrangulares previsíveis, sentencia-se a finalíssima à enésima repetição.

Francamente, creio que se referem ao passado dos anos quarenta, quando falam em charme.

O Paulistão é sem dúvida alguma o mais competitivo, por ter uma série de equipes médias e até algumas pequenas que atrapalham demais a vida dos grandes, onde muitas vezes surpreendem, suplantando-os rumo ao título.
Todavia, nem mesmo o fato dele ser competitivo ao extremo, o exime de estar esvaziado e sem o élan do passado.

O motivo ? Na verdade são muitos. Se o Rio padece pela falta do Maracanã, por aqui a briga de bastidores minou o Morumbi, relegando-o a poucos clássicos onde o São Paulo FC tem o mando e nada mais. Palestra Itália em reforma, Pacaembu carecendo de uma boa, e Itaquera em construção, também contribuem.
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A questão principal entretanto, nem é a falta de palcos preparados, mas o calendário inchado, comendo um pedaço das férias dos jogadores, é o pior de tudo. Isso sem contar o fato do campeonato conviver com a fase mais chuvosa do ano, onde em determinados jogos, não há a menor condição de se praticar futebol profissional de série A.

E se começa em janeiro para acabar em maio, não há espaço para uma preparação mínima, com pré-temporada, amistosos e até a possibilidade da realização de torneios de verão, como parte dessa preparação.

Sem dourar a pílula, existem os interesses da TV que vende seu pacote de pay-per-view e a Federação tem sua necessidade de colocar diversas vagas para equipes interioranas participarem e assim, enfrentarem os grandes com a possibilidade de obterem “a renda do ano”, quando os recebem em seus estádios interioranos.

Eu, particularmente, sou um defensor contumaz da fórmula dos pontos corridos, por considerar a mais justa forma de se conduzir um campeonato. Vence o mais regular e cada jogo assume uma importância vital, conferindo emoção desde a primeira rodada.

Mas no caso dos estaduais, com esse calendário prejudicado pela escassez de datas, é inadmissível ocupar quase o primeiro semestre inteiro, sem contar que atrapalha e muito, equipes que estão na disputa da Taça Libertadores da América e na Copa do Brasil, com muito maior importância para eles.
Qual a solução se a Federação não abre mão de um campeonato longo, com 20 equipes ? Essa fórmula maluca de todos se enfrentando num turno único e entediante, onde a classificação para um octagonal final quase sempre recai para os grandes e mais um ou outro interiorano, é um fracasso no quesito emoção.

Talvez a solução fosse mudar essa fórmula de disputa, adotando o esquema igual ao da Copa do Mundo !
Com 8 grupos de 4 equipes, poderia-se dar ao luxo de ter turno e returno dentro de cada grupo, onde se consumiriam 6 datas.

Dessa forma, cada grande poderia ser colocado como cabeça de chave, indo jogar contra dois pequenos e um médio em seus estádios e os recebendo na capital. Assim, nenhum pequeno deixaria de ver ao menos um enfrentamento contra um grande em suas cidades interioranas.
Com dois classificados em cada grupo, haveriam as oitavas-de-final, com mais dois jogos. Claro, com a grande possibilidade de mais equipes pequenas e médias enfrentarem um eventual segundo grande.

Nas quartas-de-final, mais dois jogos para definir os classificados.

Semi-final com mais dois e a grande final também nesses termos.

Dessa forma, em 14 datas (hoje em dia, só o turno inicial consome 19 !) o campeonato seria resolvido.

O campeonato poderia ser iniciado em fevereiro, dando maior tempo à pré-temporada, sem jogos nos dias de Libertadores e Copa do Brasil, para não prejudicar ninguém e encerraría-se antes do início do Campeonato Brasileiro, dando tempo para que todos tivessem um respiro, quiçá para uma intertemporada.
Para efeito de rebaixamento, um novo chaveamento seria composto com os desclassificados e a campanha anterior continuaria contando no cômputo geral, para não prejudicar os que tiveram desempenho melhor.

Políticamente falando, seria até mais vantajoso para a Federação, pois ao invés de 20 clubes, passaria a englobar 32, dando mais 12 vagas aos pequenos e portanto, agradando os dirigentes interioranos que se sentiriam ainda mais prestigiados.

O argumento contrário de que poderiam haver poucos clássicos, também não procede, pois no mínimo, haverão dois enfrentamentos com cada rival no campeonato brasileiro e com possibilidade de mais encontros na Copa do Brasil, Taça Libertadores da América e Copa Sulamericana. Sendo assim, é até bom que hajam poucos clássicos no estadual, para não causar uma overdose durante o ano, coisa costumeira no estadual do Rio, com aquela fórmula que adotam.

Fica registrada a idéia. O que acham ?
Matéria publicada inicialmente no Blog Futebol Apaixonante, do jornalista Thomas Lagôa, no início de 2012.

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