domingo, 27 de maio de 2012

Human Be-In, Hora do Sonho Voltar - Por Luiz Domingues


Nunca se viu antes na história, uma preocupação tão grande em relação ao extrativismo desenfreado, índices poluidores, falta de crescimento sustentável, reciclagem e contenção de desperdícios. Nunca ?
Talvez não para a grande massa, muito menos para a classe política, mas todas essas preocupações ecológicas sustentáveis começaram bem lá atrás e claro, foram prontamente rechaçadas e duramente combatidas à época, pelos cegos de plantão.

Refiro-me ao movimento Hippie como um todo e se houve um acontecimento que poderia ser classificado como um manifesto dessas ideias agrupadas em torno de um único ideal, esse evento foi o "Human Be-in", realizado na cidade de San Francisco, no dia 14 de janeiro de 1967, em pleno inverno do hemisfério norte, mas abrindo o caminho para a concretização do "Verão do Amor", alguns meses depois. 
Na realidade, diversas manifestações de menor monta estavam eclodindo não só em San Francisco, mas diversas outras localidades na América e na Europa, mas a mídia passou a tratar o movimento com outros olhos, a partir do Human Be-in.

Organizada por estudantes das universidades Berkeley e Stanford (com a devida ressalva de que os estudantes de Berkeley tinham mentalidade política com tendências de militância, mais preocupados em bater no governo), agrupou bandas de Rock da cena local, como Jefferson Airplane; Grateful Dead; Quicksilver Messenger Service, e vários oradores. Poetas da geração beat apoiaram o evento libertário, mas ninguém melhor representou essa vertente do que o poeta Allen Ginsberg, um gigante da literatura beat, que mergulhou de cabeça no sonho Hippie após ter tomado conhecimento da meditação transcendental, durante uma estada no oriente.
Timothy Leary cunhou nesse dia a frase que se tornaria o lema do movimento Hippie : "Turn on,Tune in and Drop Out" (Ligue-se, entre em sintonia e caia fora), deixando de cabelo em pé a direita fundamentalista americana, que farejou uma rebelião em massa.
Protestos contra a repressão, anti-establishement, contra a guerra do Vietnã, contra a então recente Lei (outubro de 1966) que tornou o LSD substância ilícita e outras questões, ecoaram fortemente no evento.
Falou-se em vida natural, contra a industrialização, contra a destruição da natureza, contra a massificação dos seres humanos.

Direitos das mulheres na sociedade, pelo fim da segregação racial, pelos direitos civis, pelo direito de questionar autoridades entre tantas outras questões inimagináveis para um mundo fechado ainda numa ordenação arcaica de poder para poucos e democracia até a página 2...

Como marco notado pela mídia, o Human Be-in foi um momento histórico para a sociedade e como tão avançados questionamentos não poderiam ser absorvidos automaticamente, só agora estão eclodindo, não pelo bem, mas pelo mal...

Assolados que estamos por crises financeiras sem fim, cataclismas cada vez mais frequentes, revoluções políticas derrubando ditaduras e sobretudo pelo fantasma iminente da escassez de recursos.

Como o mundo dá suas voltas...

A mesma mídia que tanto se esforçou, usando toda as técnicas de propaganda de massa, para bater e desdenhar das ideias do movimento Hippie, o que tem a nos dizer hoje em dia ?


Quantas vezes o termo "O Sonho Acabou" foi usado em tom de deboche, para ridicularizar as ideias preconizadas pelos Hippies da década de sessenta ?

Agora, vejo ironicamente os engravatadinhos falando de ambientalismo, sustentabilidade, reciclagem, energias alternativas, alimentação saudável, vida mais simples, coibição de consumo fútil, controle de poluentes etc etc.

Não se trata de revanchismo, mas não seria engraçado olharmos nos olhos dessa gente e lhes dizer: "O Pesadelo acabou" ?

Eu diria que não, pois temos algo mais importante para fazer, que é trazer o velho sonho de volta com a sua devida força e mais que isso, transformá-lo em realidade, com um planeta realmente mais limpo e seres humanos menos egoisticamente criados para competir, mas sim compartilhar, como irmãos.
Viva o Human Be-in, bem vindo à Era de Aquário...
Matéria públicada inicialmente no Blog Limonada Hippie, em 2012, e com direito à um adendo escrito pela sua editora, Fernanda Valente, que reproduzo abaixo :

Não basta vestir as roupas, tem que se vestir as ideias!

     Como todas as ideias que os "loucos" ou "doidões" que revolucionaram a história trouxeram para esse mundo, as ideias ambientalistas e sustentáveis do movimento hippie, hoje é amplamente divulgada e defendida.
 Não nego que considero isso um avanço, afinal algo que era fortemente combatido e ignorado, hoje surtiu um efeito contrário, de aceitação. Esse fato serve de exemplo para as novas gerações desacreditadas de que possa haver uma mudança para melhor, que a esperança precisa estar sempre viva, e que devemos continuar defendendo com coragem nossos ideais, por que no final tudo valerá a pena.


Juventude: vamos aproveitar essa era de maior liberdade (mesmo que não ainda completa) para expor nossas ideias e buscar um mundo melhor para todos. Como diz meu amigo Luiz, vamos trazer o velho sonho de volta e lutarmos como irmãos para transformá-lo em realidade! É POSSÍVEL SIM !
Vivemos hoje em dia em meio à uma corrida contra o relógio, o planeta agoniza e o tempo urge.

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